29 de maio de 2018

Capítulo 7

NA MANHÃ SEGUINTE, visto-me para a escola com um cuidado especial. Chris disse que eu não deveria me curvar, o que significa uma espécie de roupa OLHA PARA MIM.
Margot disse que eu deveria estar acima de tudo, o que significa algo maduro como uma saia lápis ou talvez o meu blazer de veludo verde. Mas meu instinto é me misturar, me misturar, me misturar. Suéter grande que é mais parecido com um cobertor. Leggings, botas marrons de Margot. Se eu pudesse usar um boné de beisebol na escola, eu o faria, mas não são permitidos chapéus.
Eu mesma fiz uma tigela de cereal Cheerios com banana fatiada no topo, mas só consigo forçar algumas colheradas para baixo. Estou muito nervosa. Margot repara e desliza uma barra de cereal na minha bolsa, para mais tarde. Tenho sorte que ela ainda esteja aqui para cuidar tão bem de mim. Ela voltará para a Escócia amanhã.
Papai sente minha testa com a mão.
— Você está doente? Mal comeu no jantar ontem à noite também.
Balanço a cabeça.
— Provavelmente apenas cólica. A minha menstruação vai chegar em breve.
Eu só tenho a dizer a palavra mágica “menstruação” e sei que ele não vai insistir ainda mais.
— Ah — ele diz com um aceno sábio. — Depois que você colocar pouco de comida em seu estômago, tome dois ibuprofenos para garantir.
— Pode deixar.
Eu me sinto mal pela mentira, mas é uma minúscula, e é para o próprio bem dele. Ele nunca pode saber sobre o vídeo, nunca. Peter para na frente da nossa casa na hora certa pela primeira vez. Ele está realmente seguindo o nosso contrato. Margot me leva até a porta e diz:
— Apenas mantenha sua cabeça erguida, certo? Você não fez nada errado.
Assim que entro no carro, Peter se inclina e me beija na boca, o que ainda parece surpreendente de alguma forma. Eu sou pega de surpresa, então acidentalmente tusso um pouco em sua boca.
— Desculpe — eu digo.
— Não se preocupe — diz ele, suave como sempre.
Ele coloca o braço na parte de trás do meu banco, dá a marcha ré; então me joga o seu celular.
— Entre no MeninaVeneno.
Abro o seu Instagram e vou à página da MeninaVeneno. Vejo o post que estava abaixo do nosso, uma foto de um cara desmaiado com desenhos de pênis feitos de caneta permanente por todo o rosto. É a postagem mais recente agora. Eu suspiro. O vídeo do ofurô foi apagado!
— Peter, como você fez isso?
Peter sorri um sorriso presunçoso.
— Eu enviei mensagens para o MeninaVeneno ontem à noite e disse para tirar essa merda ou nós os processaríamos. Falei que meu tio é advogado e que nós dois somos ambos menores de idade.
Ele dá um aperto no meu joelho.
— Seu tio é realmente advogado?
— Não. Ele é dono de uma pizzaria em Nova Jersey.
Nós dois rimos, e parece um alívio.
— Ouça, não se preocupe com nada hoje. Se alguém disser qualquer coisa, vou chutar a bunda dessa pessoa.
— Eu só gostaria de saber quem fez isso. Eu podia jurar que estávamos sozinhos naquela noite.
Peter balança a cabeça.
— Não é como se tivéssemos feito algo tão errado! Quero dizer, quem se importa se nós fizemos em uma maldita banheira? Quem se importa se nós transamos lá? — Eu franzo a testa e ele diz rapidamente: — Eu sei, eu sei. Você não quer que as pessoas pensem que fizemos algo quando não o fizemos. Nós definitivamente não fizemos, e foi isso o que falei para essa vaca MeninaVeneno.
— É diferente para as garotas, Peter.
— Eu sei. Não fique brava. Eu vou descobrir quem fez isso.
Ele olha para frente, de modo sério e diferente de si mesmo; seu perfil é quase nobre além de toda a sua boa intenção.
Oh, Peter, por que você tem que ser tão bonito! Se não fosse tão bonito, eu nunca teria entrado no ofurô com você. É tudo culpa sua. Só que não é. Fui em quem tirou os sapatos e as meias e entrou. Eu queria isso também. Acabei de perceber que ele está levando isso a sério, escrevendo e-mails em nosso nome. Sei que este é o tipo de coisa para o qual Genevieve não ligaria; ela nunca teve problemas com demonstrações públicas de afeto ou sobre ser o centro das atenções. Mas eu me importo, eu me importo muito.
Ele vira a cabeça e olha para mim, estudando meus olhos, meu rosto.
— Você não se arrependeu, não é, Lara Jean?
Balanço a cabeça.
— Não, não estou arrependida.
Ele sorri para mim tão docemente que não posso deixar de sorrir de volta.
— Obrigada por fazê-los tirar o vídeo da página por mim.
— Por nós — Peter corrige. — Eu fiz isso por nós.
Ele une nossos dedos.
— Somos você e eu, garota.
Aperto meus dedos em torno dos dele. Se nós apenas segurarmos firme o bastante, tudo vai ficar bem.

* * *

Quando passamos juntos pelo corredor, meninas sussurram. Meninos dão risadinhas. Um cara do time de lacrosse corre e tenta fazer high-five com Peter, que o golpeia, afastando-o com um grunhido. Lucas vem até mim quando estou sozinha no meu armário tirando os meus livros.
— Eu não vou medir as palavras — diz ele. — Só vou perguntar. A garota no vídeo é realmente você?
tomo respiração profunda, calmante.
— Sou.
Lucas deixa escapar um assobio baixo.
— Droga.
— Sim.
— Então... vocês fizeram...
— Não, nós definitivamente não fizemos. Nós não estamos transando.
— Por que não?
Estou envergonhada com a pergunta, embora eu saiba não há nenhuma razão para estar. É só que nunca estive em posição de falar sobre a minha vida sexual antes, porque ninguém jamais teria pensado em perguntar para mim algo do tipo.
— Nós não estamos transando porque não estamos. Não há grande razão por trás disso, além de eu não estar pronta ainda e não sei se ele está também. Nós ainda não conversamos sobre isso.
— Bem, não é como se ele fosse virgem. Não resta nada para a imaginação.
Lucas abre bastante seus olhos azuis de anjo para dar ênfase.
— Eu sei que você é inocente, Lara Jean, mas definitivamente Kavinsky não é. E estou dizendo isso para você como um cara.
— Eu não vejo o que isso tem a ver comigo — respondo, embora eu me pergunte e me preocupe em silêncio.
Peter e eu tivemos uma conversa sobre isso uma vez, sobre se um rapaz e uma garota que namoraram por muito tempo automaticamente faziam sexo, mas eu não me lembro se ele alguma vez deu sua opinião sobre isso. Eu deveria ter prestado mais atenção.
— Olha, só porque ele e Genevieve faziam isso como... como coelhos selvagens, que seja — Lucas dá uma risadinha com isso, e eu o belisco — só porque eles faziam isso, não significa que automaticamente fazemos, ou que ele automaticamente mesmo queira. Não é?
— Ele definitivamente quer.
Engulo em seco.
— Bem, fazer o quê, se esse for o caso. Mas, honestamente, eu não acho isso.
Neste exato momento eu decido que Peter e eu estaremos numa relação equivalente a fogo brando. Lento e baixo. Vamos aquecer um ao outro ao longo do tempo.
— O que Peter e eu temos é completamente diferente do que ele e Genevieve tinham. Ou foram. Que seja — digo com confiança. — O ponto é, você não deve comparar relacionamentos, ok?
Não importa que eu faça isso constantemente na minha cabeça.

* * *

Na aula de francês, ouço Emily Nussbaum sussurrar para Genevieve:
— Se acabar que ela está grávida, você acha que o Kavinsky vai pagar pelo aborto?
— De jeito nenhum. Ele é muito inferior. Talvez por metade — Genevieve lhe sussurra.
E todo mundo ri. Meu rosto queima em mortificação. Eu quero gritar para eles, Nós não tivemos relações sexuais! Estávamos nos beijando! Mas saber que estão recebendo uma reação minha só lhes daria mais satisfação. Isso é o que Margot diria, de qualquer maneira. Então ergo meu queixo bem alto, tão alto quanto posso, tão alto que o meu pescoço dói.
Talvez Gen tenha feito isso. Talvez ela realmente me odeie tanto assim.
A sra. Davenport me para no caminho para a minha próxima aula. Ela coloca o braço à minha volta e diz:
— Lara Jean, como você está indo?
Eu sei que ela não se importa comigo, não de verdade. Ela só quer fofocas. Ela é a maior fofoqueira de todos os professores, talvez até mesmo dos alunos. Bem, não quero que ela contribua com isso na sala dos professores.
— Eu estou ótima — respondo, radiante.
Queixo para cima, queixo para cima.
— Eu vi o vídeo — ela sussurra, olhos correndo ao redor para ver se alguém está escutando. — De você e Peter no ofurô.
Trinco a mandíbula com tanta força que meus dentes doem.
— Você deve estar muito chateada com os comentários, e eu não a culpo.
A sra. Davenport realmente precisa de uma vida se tudo o que faz nas férias de inverno é olhar Instagrams de crianças do ensino médio!
— As pessoas podem ser muito cruéis. Confie em mim, eu sei disso por experiência própria. Eu não sou muito mais velha que vocês, garotos.
— Estou muito bem, mas obrigada por perguntar.
Nada para ver aqui, pessoal. Mantenham-se em movimento.
O lábio inferior da sra. Davenport se estende para fora.
— Bem, se precisar conversar com alguém, saiba que eu estou aqui para você. Deixe-me ser um apoio. Venha falar comigo a qualquer hora; escreverei um bilhete de dispensa.
— Obrigada, sra. Davenport.
Saio de debaixo do braço dela.
A sra. Duvall, a conselheira de orientação para faculdade, me para na minha aula de Inglês.
— Lara Jean — ela começa, então vacila. — Você é brilhante, uma garota tão talentosa. Não é o tipo de garota que é pega nesses tipos de coisas. Eu odiaria vê-la ir por um caminho errado.
Posso sentir as lágrimas virem à tona na minha garganta, abrindo caminho para a superfície. Eu respeito a sra. Duvall. Quero que ela pense bem de mim. Tudo o que posso fazer é acenar com a cabeça.
Ela levanta meu queixo com ternura. Seu perfume lembra pétalas de rosas secas. Ela é uma mulher mais velha; sempre trabalhou na escola. A sra. Duvall realmente se preocupa com os alunos. Ela é alguém que os alunos antigos de férias da faculdade passam para dar oi.
— Agora é a hora das finais, de levar a sério o seu futuro, não de drama do ensino médio. Não dê às faculdades uma razão para recusá-la, certo?
Novamente eu aceno.
— Boa menina. Eu sei que você é melhor do que isso.
As palavras ecoam em meus ouvidos: Melhor do que isso. Melhor do que o quê? Do que quem?

* * *

Durante o almoço, escapo para o banheiro das meninas, então não tenho que falar com ninguém. E, claro, Genevieve está lá, de pé em frente ao espelho, passando o protetor labial. Seus olhos encontram os meus no espelho.
— Oi, você.
Esse é o jeito que ela diz – Oi você. Tão presunçosa, tão segura de si.
— Foi você? — minha voz ecoa nas paredes.
A mão de Genevieve para. Em seguida, ela se recupera, e continua a passar seu protetor labial.
— O que foi eu?
— Foi você quem enviou aquele vídeo para o MeninaVeneno?
— Não — ela zomba.
Sua boca torce para a direita, o menor dos tremores. Assim é como sei que ela está mentindo. Eu a vi mentir para sua mãe vezes o suficiente para saber. Mesmo que eu suspeitasse, talvez até mesmo soubesse, no fundo, esta confirmação tira o meu fôlego.
— Eu sei que nós não somos mais amigas, mas nós costumávamos ser. Você conhece minhas irmãs, meu pai. Você me conhece. Sabia o quanto isso iria me machucar... — cerro os punhos para não chorar. — Como você pôde fazer algo assim?
— Lara Jean, eu sinto muito que isso tenha acontecido com você, mas honestamente, não fui eu.
Ela me dá um encolher de ombros com falsa simpatia, e lá está novamente: o canto da boca vira para cima.
— Foi você. Eu sei que foi. Uma vez que Peter descobrir...
Ela levanta uma sobrancelha.
— Ele vai fazer o quê? Chutar a minha bunda?
Eu estou tão brava que as minhas mãos tremem.
— Não, porque você é uma menina. Mas ele não vai perdoá-la também. Fico feliz que tenha feito isso se provar a ele que tipo de pessoa você realmente é.
— Ele sabe exatamente o tipo de pessoa que sou. E sabe o que mais? Ele ainda me ama mais do que algum dia vai gostar de você. Você vai ver.
Com isso, ela se vira em seus calcanhares e vai embora. E é quando tudo fica claro para mim. Ela está com ciúmes. De mim. Ela não pode suportar que Peter está comigo e não com ela.
Bem, ela só se prejudicou, porque depois que Peter descobrir que foi ela quem fez isso conosco, ele nunca vai olhá-la da mesma forma novamente.

* * *

Quando saio da escola, corro até o estacionamento, onde Peter está em seu carro esperando por mim com o aquecedor ligado. Assim que abro a porta do lado do passageiro, exclamo:
— Foi Genevieve!
Eu estremeço por dentro.
— Foi ela quem enviou o vídeo para a MeninaVeneno. Ela acabou de admitir para mim!
— Ela disse que enviou o vídeo? — ele me pergunta, sério. — Ela disse essas palavras exatas?
— Bem... não.
Quais foram suas palavras exatas? Eu tive a sensação de ela ter confessado, mas agora, pensando sobre isso, ela nunca realmente admitiu.
— Ela não admitiu de verdade, mas ela praticamente o fez. Além disso, ela fez aquela coisa com a boca! — mexo no canto da minha boca. — Está vendo? Foi ela!
Ele levanta uma sobrancelha.
— Vamos lá, Covey.
— Peter!
— Certo. Eu vou falar com ela.
Ele liga o carro. Tenho certeza de que sei a resposta a esta pergunta, mas eu tenho que fazê-la.
— Algum professor falou alguma coisa para você sobre o vídeo? Talvez o treinador White?
— Não. Por quê? Alguém disse alguma coisa para você?
Era disso que Margot falava, esses dois pesos. Os meninos são meninos, mas as meninas são as que deveriam ter cuidado: com nosso corpo, com nosso futuro, com todas as maneiras que as pessoas nos julgam.
— Quando você vai falar com Genevieve? — pergunto abruptamente.
— Eu vou lá hoje à noite.
— Você vai até a casa dela? — repito.
— Bem, sim. Eu tenho que ver a cara dela para saber se ela está mentindo ou não. Eu vou verificar essa “coisa com a boca” sobre a qual você está tão animada.

* * *

Peter estava morrendo de fome, por isso, paramos e compramos hambúrgueres e milkshakes no caminho. Quando eu finalmente chego em casa, Margot e Kitty estão esperando por mim.
— Conte-nos tudo — diz Margot, me entregando uma xícara de chocolate.
Olho para ver se ela colocou mini marshmallows dentro, e ela colocou.
— Peter conseguiu resolver? — Kitty quer saber.
— Sim! Ele falou para MeninaVeneno retirar o vídeo da página. Ele lhes disse que tem um tio que é um grande advogado, quando na realidade ele é dono de uma pizzaria em New Jersey.
Margot sorri para isso. Então, o rosto se torna sério.
— As pessoas foram horríveis na escola?
Alegremente eu digo:
— Não, não foram de todo maus.
Eu sinto uma onda de orgulho ao colocar uma expressão de brava na frente das minhas irmãs.
— Mas eu tenho certeza que sei quem fez isso.
Em uníssono, elas perguntam:
— Quem?
— Genevieve, assim como Chris falou. Eu a confrontei no banheiro e ela negou, mas depois fez aquela coisa que ela faz com a boca quando está mentindo — eu demonstrei para eles. — Gogo, você se lembra disso?
— Eu acho que sim! — Ela diz, mas posso dizer que ela não lembra. — O que o Peter falou quando você contou a ele que foi Genevieve? Ele acreditou em você, certo?
— Não exatamente — eu acoberto, soprando no meu chocolate quente. — Quero dizer, ele diz que vai falar com ela e esclarecer tudo isso.
Margot faz uma carranca.
— Ele deveria estar com você, não importa o quê.
— Ele faz isso, Gogo! — seguro a mão dela e entrelaço os meus dedos nos dela. — Ele fez assim. E disse, “Somos você e eu, garota.” Foi muito romântico!
Ela ri.
— Você não tem jeito. Não muda nunca.
— Eu queria que você não estivesse indo embora amanhã — suspiro.
Já estou com saudades dela em casa. Margot estar aqui, fazendo os julgamentos e distribuindo sábios conselhos, me faz sentir segura. Isso me dá força.
— Lara Jean, você ficará bem — diz ela, e eu escuto atentamente, analisando-a com cuidado em busca de qualquer dúvida ou falsidade nela, qualquer indício de que ela só esteja dizendo isso para me amparar. Mas não há nenhuma. Apenas confiança.

12 comentários:

  1. A Genevive é o 😈😈😈

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  2. Eu ate gosto da piranha deve ter uma história interessante

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  3. Que garota ridícula essa Genvieve meu deus , se eu fosse a Laranjinha dava dois beijos e deu , nem ligaria pra recalque

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  4. É muito triste saber o que as garotas são capazes de fazer com as outras só por causa de um cara. Grrrr

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  5. Concordo com a Margot, o Peter tinha que ficar do lado da Lara Jean, não importa o que aconteça. Isso de "a Gen e eu sempre teremos algo importante" é conversa pra boi dormir, essa menina não presta

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  6. Genevieve merece um tapa bem dado, já tá na hora. Eu tô preocupado com Lara Jean, mas tô super preocupado com o Josh. Ele parece não estar nada bem.

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  7. Até agora nada de Josh nesse livro. Cadê o cara?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!