29 de maio de 2018

Capítulo 56

ESTOU DEITADA DE COSTAS na casa da árvore, olhando para fora da janela. A lua está tão fina, é um recorte em miniatura no céu. Amanhã, não haverá mais casa da árvore. Eu mal pensei sobre este lugar, e agora que vai desaparecer, estou triste. É como todos os brinquedos de infância, suponho. Eles não se tornam importantes até que não se tenha mais. Mas é mais do que apenas uma casa na árvore. É um adeus, e parece ser o fim de tudo.
Quando me sento, eu vejo, o fio roxo saindo de uma tábua de chão, brotando adiante como uma lâmina de grama. Puxo a ponta e ele vem inteiro. É a pulseira da amizade de Genevieve, a que dei para ela.
Acredite em mim, não éramos mais amigas a partir daquele momento.
Isso não é verdade. Nós ainda tivemos festas do pijama, aniversários; ela ainda chorou para mim quando pensou que seus pais estavam se divorciando. Ela não poderia ter me odiado esse tempo todo. Eu não vou acreditar. Esta pulseira da amizade comprova isso.
Porque foi o que ela colocou na cápsula do tempo, sua coisa mais preciosa, assim como a minha. E então, na festa, ela a puxou e a escondeu; não queria que eu visse. Mas agora eu sei. Eu era importante para ela, também. Fomos amigas verdadeiras um dia. As lágrimas brotam em meus olhos. Adeus, Genevieve, adeus ensino fundamental, adeus casa na árvore e tudo o que era importante para mim naquele verão quente.
As pessoas entram e saem da sua vida. Por um tempo elas são o seu mundo; elas são tudo. E então um dia elas não são mais. Não há como dizer quanto tempo você vai tê-las por perto. Um ano atrás, eu não poderia imaginar que Josh já não seria uma constante para mim. Eu não poderia ter concebido o quão difícil seria não ver Margot todos os dias, como eu me sentiria perdida sem ela, ou a facilidade com que Josh poderia escapar, sem eu mesma perceber. As despedidas que são difíceis.

* * *

— Covey? — a voz de Peter me chama de fora, lá de baixo no escuro.
Eu me sento.
— Estou aqui.
Ele sobe a escada rapidamente, abaixando-se para a cabeça não bater no teto. Ele se arrasta até a parede oposta a mim na casa da árvore, por isso estamos sentados frente a frente.
— Eles vão derrubar a casa da árvore amanhã — digo a ele.
— Ah, é?
— Sim. Vão construir um gazebo. Sabe, como em A noviça rebelde?
Peter aperta um olho para mim.
— Por que você me chamou aqui, Lara Jean? Sei que não era para falar sobre A noviça rebelde.
— Eu sei sobre Genevieve. O segredo dela, quero dizer.
Ele apoia as costas contra a parede da casa da árvore, e sua cabeça cai para trás com um leve baque.
— O pai dela é um idiota. Ele traiu a mãe dela antes. Apenas nunca com alguém tão jovem — ele fala com pressa, como se fosse um alívio finalmente dizer as palavras em voz alta. — Quando as coisas ficaram realmente ruins com os pais, Gen encontrou maneiras de ferir a si mesma. Eu era o único a protegê-la. Esse era o meu trabalho. Às vezes, isso me assustava, mas eu gostava de ser, eu não sei... necessário — então ele suspira e diz: — Eu sei que ela pode ser manipuladora, sempre soube disso. De certa forma, era mais fácil para mim voltar para o que eu conhecia. Acho que talvez eu estivesse com medo.
Minha respiração para.
— De quê?
— De decepcionar você — Peter olha para longe. — Eu sei que o sexo é algo grande para você. Eu não queria estragar tudo. Você é tão inocente, Lara Jean. E eu tenho toda essa merda no meu passado.
Eu quero dizer, Eu nunca me importei com o seu passado. Mas isso não é verdade. É só então que percebo: Peter não era o único que precisava superar Genevieve. Era eu. Todo esse tempo com Peter, eu tenho me comparado com ela, pensado todas as maneiras como eu não estava à altura. Tudo em nosso relacionamento empalidecia em comparação ao deles. Eu era a única que não podia deixá-la ir. Eu fui a única que não nos deu uma chance.
— O que você quer, Lara Jean? — ele pergunta de repente. — Agora que você venceu. Parabéns, a propósito. Você venceu.
Sinto uma onda de emoção em meu peito.
— Eu queria que as coisas pudessem voltar a ser como eram entre nós. Que você pudesse ser você e eu pudesse ser eu, e nós nos divertiríamos, e seria o primeiro romance realmente doce do qual eu me lembraria por toda a minha vida. — Sinto que estou corando um pouco quando falo esta última parte, mas fico feliz por ter falado, porque faz os olhos de Peter ficarem suaves e doces comigo por apenas um segundo, e então eu tenho que desviar o olhar.
— Não fale como se isso já estivesse condenado.
— Eu não quis falar. O primeiro não é necessariamente o último, mas será sempre o primeiro, e isso é especial. Primeiros são especiais.
— Você não é a primeira — diz Peter — mas você é a mais especial para mim, porque você é a garota que eu amo, Lara Jean.
Amo. Ele disse “amo.” Eu me sinto tonta. Eu sou uma garota que é amada por um menino, e não apenas pelas irmãs, pelo pai e pelo cão. Um menino com sobrancelhas bonitas e um toque mágico.
— Eu fiquei louco sem você — ele esfrega a parte de trás de sua cabeça. — Não podemos só...
— Está dizendo que eu também deixo você louco? — eu o interrompo.
Ele geme.
— Estou dizendo que você me deixa mais louco do que qualquer menina que já conheci.
Rastejo em direção a ele, me aproximo e tracejo a sua sobrancelha como seda com a ponta do meu dedo.
— No contrato, dissemos que não quebraríamos o coração um do outro — falo. — E se fizermos isso de novo?
— E se fizermos? — ele responde ferozmente. — Se estivermos protegidos, não valerá de nada. Vamos fazer para valer, Lara Jean. Vamos com tudo. Sem mais contrato. Sem mais rede de segurança. Você pode quebrar o meu coração. Faça o que quiser com ele.
Coloco a minha mão em seu peito, sobre o seu coração. Posso senti-lo batendo. Deixo minha mão cair. Seu coração é meu, só meu. Eu acredito agora. Meu para proteger e cuidar, meu para quebrar.
Portanto, muito do amor é acaso. Há algo assustador e maravilhoso sobre isso. Se Kitty nunca tivesse enviado aquelas cartas, se eu não tivesse ido para o ofurô naquela noite, poderia ter sido ele e a Gen. Mas ela enviou as cartas, e eu fui lá fora. Poderia ter acontecido de muitas formas. Mas foi assim que aconteceu. Este é o caminho que tomamos. Esta é a nossa história.
Eu sei agora que não quero amar e ser amada em meias medidas. Eu quero tudo, e para ter tudo, você tem que arriscar tudo.
Então pego a mão de Peter, eu a coloco em meu coração.
— Você tem que cuidar bem disso, porque é seu — falo.
Ele olha para mim de tal maneira que me dá certeza, ele nunca olhou para outra garota assim.
E então estou em seus braços, e estamos nos abraçando e beijando, e nós dois estamos tremendo, porque nós dois sabemos – esta é a noite em que nós nos tornamos reais.




“— Real não é como você é fabricado — explicou o Cavalo. — É algo que acontece com você.
— Isso dói? — perguntou o Coelho.
— Às vezes — respondeu o Cavalo, pois sempre dizia a verdade. — Mas, quando você é real, não se importa com a dor.”
– MARGERY WILLIAMS

4 comentários:

  1. OoOoOoOoOoOo MDS q lindinho 💚 já sei com qm shippar agr, mas eu ainda gosto do John.. Só q ela já é do Peter neah 🌚

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  2. Oii karina sua linda :D , muito obrigado pelo blog . Eu amo os livros que vc posta .
    Eu acho q o capítulo 57 não está abrindo

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  3. Karina, muito obrigada por criar esse site tão maravilhoso <3
    Essa série é maravilhosa, mal posso esperar pelo próximo <3

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  4. Sofrer só é bom se for com esse casal mais lindo do mundo.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!