29 de maio de 2018

Capítulo 54

CAFÉ DA MANHÃ DE ANIVERSÁRIO no restaurante era uma pequena tradição entre mim, Margot e Josh. Se meu aniversário caísse num dia de semana, tínhamos que acordar cedo e ir antes da escola. Eu pedia panquecas de mirtilo, Margot colocava uma vela e eles cantavam parabéns.
No dia do meu aniversário de dezessete anos, Josh me envia uma mensagem escrito Feliz niver, mas vejo que nós não iremos para o restaurante. Ele tem uma namorada agora, e seria estranho, especialmente sem Margot. A mensagem de texto é o suficiente.
Para o café da manhã, papai faz ovos mexidos com chouriço, e Kitty me fez um grande cartão com fotos de Jamie coladas em todo o espaço. Margot me chama no videochat para me desejar feliz aniversário e dizer o meu presente deve chegar naquela tarde ou na próxima.
Na escola, Chris e Lucas e colocam uma vela no donuts que eles compraram da máquina de venda automática e eles cantam Parabéns pra você no corredor. Chris me dá um novo batom: vermelho para quando eu quiser ser má, diz ela. Peter não me fala nada na aula de química; duvido que ele saiba que é meu aniversário e, além disso, o que eu poderia esperar que ele falasse depois da maneira como as coisas terminaram entre nós? Ainda assim, é um bom dia, sem complicações.
Mas então, quando estou saindo da escola, vejo John estacionado na frente. Ele está de pé na frente de seu carro; ainda não me viu. Com esta luz brilhante da tarde, o sol ilumina a cabeça loira de John como um halo, e de repente estou impressionada com a memória visceral de amá-lo de longe, estudada e ardentemente. Eu admirava tanto as suas mãos esguias, o ângulo de suas maçãs do rosto. Uma vez eu conheci seu rosto de cor. Eu o tinha memorizado. Meus passos aceleram.
— Oi! — cumprimento, acenando — como está aqui agora? Você não têm aula hoje?
— Saí mais cedo — diz ele.
— Você? John Ambrose McClaren matando aula?
Ele ri.
— Eu trouxe uma coisa.
John puxa uma caixa do bolso do casaco e a empurra para mim.
— Aqui.
Eu a pego dele, é pesada e substancial na palma da minha mão.
— Eu deveria... eu deveria abri-la agora?
— Se você quiser.
Posso sentir seus olhos em mim enquanto rasgo o papel, abrindo a caixa branca. Ele está ansioso. Estou pronta com um sorriso no rosto para que ele saiba que eu gostei, não importa o que seja. Só o fato de ele ter pensado em me comprar um presente é de tal forma... preciosa.
Apoiado em papel de seda branco está um globo de neve do tamanho de uma laranja, com uma base de bronze. Um menino e uma menina estão ali dentro, patinando no gelo. Ela está vestindo um suéter vermelho e aquecedores de orelha. Patina formando um oito, e ele a admira. É um momento capturado em âmbar. Um momento perfeito, preservado sob o vidro. Assim como aquela noite em que nevou em abril.
— Eu amei — falo, e amo mesmo, muito.
Apenas uma pessoa que realmente me conhece poderia me dar este presente. Me faz sentir tão conhecida, tão compreendida. É uma sensação tão maravilhosa, eu poderia chorar. É algo que guardarei para sempre. Este momento, e este globo de neve.
Fico na ponta dos pés e o abraço, e ele envolve seus braços em mim e aperta com força.
— Feliz aniversário, Lara Jean.
Estou prestes a entrar em seu carro quando vejo Peter caminhando até nós.
— Espere um segundo — chama ele, com um agradável meio sorriso no rosto.
— Olá — respondo cautelosamente.
— Ei, Kavinsky — diz John.
Peter lhe dá um aceno de cabeça.
— Eu não tive a chance de desejar feliz aniversário, Covey.
— Mas, você me viu na aula de química...
— Bem, você saiu com pressa. Eu tenho algo para você. Abra suas mãos — ele pega o globo de neve da minha mão e o passa para John. — Aqui, você pode segurar isso?
Olho de Peter para John. Agora eu estou nervosa.
— Mantenha as mãos estendidas — Peter pede.
Olho para John mais uma vez antes de obedecer, e Peter puxa algo de seu bolso e coloca em minhas mãos. Meu medalhão de coração.
— É seu.
— Pensei que você tivesse devolvido o colar para a loja da sua mãe — falo lentamente.
— Não. Não ficaria bem em outra garota.
Eu pisco.
— Peter, não posso aceitar isso. — Tento devolver-lhe, mas ele balança a cabeça; não vai pegar. — Peter, por favor.
— Não. Quando eu a tiver de volta, colocarei esse colar de volta em torno do seu pescoço como um broche — ele tenta segurar meus olhos com os seus. — Como nos anos 1950. Lembra, Lara Jean?
Abro a boca e depois fecho.
— Não acho que broche significa o que você acha que significa — respondo, erguendo o colar para ele. — Por favor, apenas o pegue.
— Diga-me qual é o seu desejo — ele insiste. — Deseje qualquer coisa, e eu vou dar a você, Lara Jean. Tudo o que você tem a fazer é pedir.
Estou tonta. Ao nosso redor, as pessoas estão saindo do prédio, indo para os seus carros. John está de pé ao meu lado, e Peter olha para mim como se fôssemos as únicas duas pessoas aqui. Em todo lugar.
É a voz de John que me tira do transe.
— O que você está fazendo, Kavinsky? — John diz, balançando a cabeça. — Isso é patético. Você a tratou como lixo e agora decide que a quer de volta?
— Fique fora disso, Sundance Kid — Peter estala. Para mim, ele diz baixinho: — Você prometeu que não quebraria o meu coração. No contrato você disse que não quebraria, mas você fez isso, Covey.
Eu nunca o ouvi soar tão sincero, tão profundo.
— Sinto muito — falo, minha voz um sussurro fino. — Eu apenas não posso.

* * *

Eu não olho para Peter quando entro no carro, mas seu colar ainda pesa em meu punho. No último segundo eu olho para trás, mas estamos longe demais; não consigo ver se Peter ainda está lá ou não. Meu coração está acelerado. O que eu lamentaria perder mais? A realidade de Peter ou o sonho de John? Quem eu não consigo viver sem?
Eu me lembro da mão de John na minha. Deitada ao lado dele na neve. A forma como seus olhos pareciam ainda mais azuis quando ele riu. Eu não quero desistir disso. Não quero desistir de Peter, também. Há tantas coisas para amar sobre os dois. A confiança infantil de Peter, sua visão ensolarada sobre a vida, a maneira como ele é tão gentil com Kitty. A forma como o meu coração pula cada vez que vejo o seu carro parar na frente da minha casa.
Nós ficamos em silêncio por alguns minutos e, então, ainda olhando para a frente, John diz:
— Será que eu ainda tenho uma chance?
— Eu poderia me apaixonar por você tão facilmente — eu sussurro. — Já estou a meio caminho disso — seu pomo de Adão se move na garganta dele. — Você é tão perfeito em minhas lembranças, e é perfeito agora. É como eu sonhei que você seria. De todos os garotos, você é quem eu escolheria.
— Mas?
— Mas... Eu ainda amo Peter. Eu não posso impedir. Ele chegou aqui primeiro e ele... ele só não vai embora.
Ele suspira uma espécie de suspiro derrotado que dói meu coração.
— Porra, Kavinsky.
— Sinto muito. Eu também gosto de você, John, realmente gosto. Eu gostaria... gostaria que tivéssemos ido para o baile na oitava série.
E então John Ambrose McClaren diz uma última coisa, uma coisa que faz o meu coração inchar.
— Não acho que aquela fosse a nossa hora. E também acho que agora não é. — John olha para mim, seu olhar firme. — Mas um dia talvez seja.

4 comentários:

  1. Tô torcendo.. Mas agr eu n sei pra qm, a Gen e o Peter n estavam fazendo nada, ela estava realmente triste e precisando de algm.... Mas eu tbm quero q ela fique com o Johnny, ele é tão fofo e eles combinam tanto 💟 Q DIFICULT

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  2. Já tô até vendo qual vai ser o enredo do próximo livro, e é errado querer que o Jonh fique com o Lucas?

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  3. Prefiro o peter..sim ele é meio infantil ms ele a ama...e alem do mais foi com ele que lara jean descobriu que existe vida fora de casa..que ela realmente começou a se aventurar e se deixar levar...#amopeter

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    1. Damares Santana vc tem poderes?? PQ vc acabou de ler meu pensamento!! #Laranjinha volta pra Peter

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Boa leitura, E SEM SPOILER!