29 de maio de 2018

Capítulo 53

ESTAMOS NA COZINHA, LIMPANDO as coisas após as panquecas do café da manhã quando, o pai diz:
— Acredito que outra das meninas Song fará aniversário em breve. — Ele canta: — Você tem dezesseis, chegando aos dezessete...
Sinto uma forte onda de amor por ele, meu pai que eu sou tão sortuda de ter.
— Que música você está cantando? — Kitty interrompe.
Eu pego as mãos de Kitty e a giro em torno da cozinha comigo.
— Eu só tenho dezesseis anos, e só sei que nada sei. Vem um rapaz e fala de mais, logo eu acreditei.
Papai lança seu pano de prato por cima do ombro e marcha no lugar. Em uma voz profunda ele barítona ele continua:
— Você precisa de alguém mais velho e mais sábio lhe dizendo o que fazer...
— Essa música é sexista — Kitty fala quando eu a solto.
— Realmente é — papai concorda, acertando-a com o pano — e o garoto em questão não era, de fato, mais sábio e mais velho. Ele era um nazista em treinamento.
Kitty pula para longe de nós dois.
— Do que vocês estão falando mesmo?
— É A Noviça Rebelde — explico.
— Você quer dizer que o filme é novo? Nunca vi.
— Como você assistiu Os Sopranos, mas não A Noviça Rebelde?
— Kitty assistiu Os Sopranos? — papai pergunta alarmado
— Apenas os trailers — diz Kitty rapidamente.
Continuo cantando para mim mesma, girando em um círculo como Liesl no gazebo.
— Eu só tenho dezesseis anos e só sei que nada sei, vem um rapaz e fala de mais, logo eu acreditei.
— Por que você acredita de bom grado em um rapaz aleatórios que você nem conhece?
— É a música, Kitty, não eu! Deus! — paro de girar. — Liesl foi uma espécie de tola, apesar de tudo. Quero dizer, foi basicamente culpa dela que quase foi capturada pelos nazistas.
— Atrevo-me a dizer que foi culpa do capitão von Trapp — diz papai — Rolfe era um garoto, estava deixando eles irem, mas então Georg tinha que antagonizá-lo — ele balança a cabeça. — Georg von Trapp, ele tinha muito o ego. Ei, devíamos assistir A noviça rebelde!
— Claro — concordo.
— Esse filme soa terrível — diz Kitty. — Que tipo de nome é Georg?
Nós a ignoramos.
— Que tal esta noite? Farei tacos al pastor!
— Eu não posso — digo — vou para Belleview.
— E quanto a você, Kitty? — papai pergunta.
— A mãe de Sophie vai nos ensinar como fazer bolos Latke — responde Kitty. — Você sabia que se colocar compota de maçã na cobertura fica delicioso?
Os ombros do papai caem.
— Sim, eu sabia. Terei que começar a marcar com vocês com um mês de antecedência.
— Ou você poderia convidar a sra. Rothschild — Kitty sugere — os fins de semana dela são muito solitário também.
Ele lhe dá um olhar engraçado.
— Tenho certeza que ela prefere fazer outras coisas em vez de assistir A noviça rebelde com o seu vizinho.
— Não se esqueça dos tacos al pastor! — digo brilhantemente. — Eles são um ótimo motivo. E você, também, claro. Você é um ótimo motivo.
— Você é definitivamente um ótimo motivo — concorda Kitty.
— Meninas — papai começa.
— Espere — eu interrompo. — Deixe-me dizer uma coisa. Você deve ter alguns encontros, papai.
— Eu tenho encontros!
— Você teve, tipo, dois encontros — aponto, e ele fica em silêncio. — Por que não convida a sra. Rothschild para sair? Ela é bonita, tem um bom trabalho, Kitty a ama. E ela realmente mora perto.
— Veja, é exatamente por isso que eu não deveria convidá-la — diz papai. —  Você nunca deve sair com um vizinho ou colega de trabalho, porque então terá que continuar a vê-los se as coisas não derem certo.
— Você quer dizer como na citação “Não faça merda onde come”? — Kitty pergunta. Quando papai faz uma careta, ela se corrige rapidamente: — Quero dizer, não faça cocô onde come. É isso o que você quer dizer, certo, papai?
— Sim, suponho que seja o que eu quero dizer, mas Kitty, eu não gosto de você usando palavrões.
Arrependida, ela diz:
— Eu sinto muito. Mas eu ainda acho que você deveria dar uma chance à sra. Rothschild. Se não der certo, não deu.
— Bem, odeio acabar com as suas esperanças — diz papai.
— Assim é a vida — fala Kitty. — As coisas nem sempre dão certo. Veja Lara Jean e Peter.
Dou-lhe um olhar atravessado.
— Puxa, muito obrigada.
— Eu só estou tentando provar um argumento — Kitty vai até papai e coloca os braços em volta de sua cintura. Essa garota está realmente puxando todos os fios. — Basta pensar nisso, papai. Tacos. Freiras. Nazistas. E sra. Rothschild.
Ele suspira.
— Tenho certeza de que ela tem planos.
— Ela me falou que se você a convidasse, ela diria sim — eu deixo escapar.
Papai se assusta.
— Ela falou? Você tem certeza?
— Positivo.
— Bem... então talvez eu a chame para sair. Para um café ou uma bebida. A noviça rebelde é um pouco longo demais para um primeiro encontro.
Kitty e eu gritamos e batemos as mãos.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!