29 de maio de 2018

Capítulo 50

DEPOIS QUE JOHN ME DEIXA EM CASA, corro até o outro lado da rua para pegar Kitty na sra. Rothschild. E ela me convida para uma xícara de chá. Kitty está dormindo no sofá com a TV em volume baixo ao fundo. Nós nos acomodamos no outro sofá com nossas xícaras de Lady Grey, e me pergunta como foi a festa. Talvez seja porque ainda estou animada com a noite, ou talvez sejam os grampos apertados na minha cabeça que me deixam tonta, ou pode ser a forma como seus olhos se iluminam com interesse genuíno quando começo a falar, mas eu conto tudo. A dança com John, como todos nos aplaudiram, Peter e Genevieve, até o beijo.
Ela começa a se abanar quando eu conto sobre o beijo.
— Quando o rapaz chegou dirigindo com aquela beca toda... aoh, garota — ela assobia — isso me fez sentir como uma senhora velha e suja, porque eu o conheci quando ele era pequeno. Mas, meu Deus, ele é bonito!
Eu rio enquanto puxo os grampos do alto da minha cabeça. Ela se inclina para frente e me ajuda. Meu cacho se desfaz, e meu couro cabeludo formiga com alívio. É assim que é ter uma mãe? Terminar a noite conversando sobre meninos tomando um chá?
A voz de sra. Rothschild se torna baixa e em tom de confidência.
— Aqui está a coisa. Meu único conselho para você. Você tem que estar totalmente presente em cada momento. Basta estar acordada para isso, sabe o que quero dizer? Vá e torça até a última gota da experiência.
— Então você não tem nenhum arrependimento? Porque sempre foi em frente com tudo?
Estou pensando em seu divórcio, como foi a fofoca do bairro.
— Ah, Deus, não. Eu tenho arrependimentos — ela ri um riso rouco, o tipo sexy que apenas fumantes ou pessoas com resfriados chegam a ter — eu não sei porque estou sentada aqui tentando te dar conselhos. Sou só uma divorciada de quarenta anos. Dois. Quarenta e dois. O que eu sei sobre qualquer coisa? Essa é uma pergunta retórica, a propósito — ela solta um suspiro cheio de desejo — sinto tanto a falta de cigarros.
— Kitty verificará a sua respiração — eu a advirto, e ela ri aquela risada rouca novamente.
— Tenho medo de contrariar essa menina.
— Penso que ela seja um pouco... ela é feroz — eu entoo. — É sábia em ter medo, sra. Rothschild.
— Ah meu Deus, Lara Jean, por favor, me chame de Trina, ok? Quero dizer, eu sei que sou velha, mas não tanto.
Hesito.
— Ok. Trina... Você gosta do meu pai?
Ela fica um pouco vermelha.
— Hum. Sim, acho que ele é um homem maravilhoso.
— Para um encontro?
— Bem, ele não é meu tipo usual. E também não mostrou qualquer interesse particular em mim, então, haha!
— Tenho certeza de que você sabe que Kitty está tentando juntar vocês dois. Então, se for indesejável, posso definitivamente fazê-la parar — eu me corrijo. — Eu posso definitivamente tentar fazê-la parar. Mas acho que ela poderia ser insistente. Acho que você e meu pai poderiam ficar bem juntos. Ele adora cozinhar, e gosta de construir fogueiras, e não se importa de ir fazer compras, porque ele leva um livro. E você, você parece divertida e espontânea e apenas realmente... leve.
Ela sorri para mim.
— Eu sou uma bagunça, é o que sou.
— Bagunça pode ser bom, especialmente para alguém como o meu pai. Vale a pena um encontro, pelo menos, você não acha? Qual é o mal em apenas tentar?
— Encontros entre vizinhos é algo complicado. E se não der certo, estaremos presos morando um em frente do outro.
— Esse é um pequeno risco em comparação com o que poderia ser conseguido. Se não der certo, basta acenar educadamente quando se encontrarem e, então continuar caminhando. Nada demais. E sei que não sou imparcial, mas meu pai realmente vale a pena. Ele é o melhor.
— Ah, eu sei disso. Vejo vocês meninas e eu penso, Deus, qualquer homem que pode educar aquelas meninas é alguém especial. Nunca vi um homem tão dedicado à família. Vocês três são as pérolas em sua coroa, sabe? E é assim que deve ser. A relação de uma garota com o pai é o relacionamento masculino mais importante de sua vida.
— E sobre a relação de uma garota com a mãe?
A sra. Rothschild inclina a cabeça, refletindo.
— Sim, eu diria que a relação de uma menina com a mãe é a relação feminina mais importante. Com a mãe ou com as irmãs. Você tem sorte de ter duas delas. Sei que já sabe disso melhor do que a maioria das pessoas, mas seus pais não estarão sempre ali. Se acontecer da maneira que se supõe, eles irão primeiro. Mas suas irmãs são suas para a vida toda.
— Você tem uma?
Ela balança a cabeça, uma sugestão de um sorriso se formando em seu rosto bronzeado.
— Eu tenho uma irmã mais velha. Jeanie. Nós não somos próximas como vocês garotas, mas à medida que envelhecemos, ela se parece cada vez mais com a nossa mãe. Então quando sinto muitas saudades, visito Jeanie e começo a enxergar o rosto da minha mãe de novo — ela franze o nariz — isso soou estranho?
— Não. Eu acho que soa... adorável — eu hesito. — Às vezes, quando ouço a voz da Margot... quando ela está lá embaixo e nos chama para descer e nos apressar para o carro, ou quando diz que o jantar está pronto... às vezes ela soa muito como a minha mãe, e eu quase acredito. Só por um segundo — lágrimas brotam em meus olhos.
A sra. Rothschild tem lágrimas em seus olhos também.
— Não acho que uma menina deva perder a sua mãe. Eu sou adulta e é completamente normal e esperado que a minha mãe esteja morta, mas eu ainda me sinto órfã às vezes — ela sorri para mim — mas isso é apenas inevitável, certo? Quando você perde alguém e ainda dói, é quando você sabe que o amor era real.
Eu limpo meus olhos. Com Peter e eu, o amor era verdadeiro? Porque ainda dói. Mas talvez apenas faça parte. Fungando, pergunto:
— Então, só para ter certeza, se meu pai convidá-la para sair, você aceitar?
Ela ruge um riso, em seguida, coloca a mão sobre a boca quando Kitty se mexe no sofá.
— Agora vejo de onde Kitty pegou isso.
— Trina, você não respondeu a pergunta.
— A resposta é sim.
Eu sorrio para mim mesma. Sim.

* * *

Até eu tirar toda a minha maquiagem e vestir o meu pijama, já são quase três da manhã. Eu não estou cansada, no entanto. O que realmente quero fazer é conversar com Margot, passar por todos os detalhes da noite. Escócia está cinco horas à frente, o que significa que são quase oito por lá.
Ela levanta bem cedo, então acho que vale a pena tentar.
Eu a pego quando ela está se preparando para tomar café da manhã. Ela deixa seu computador sobre a cômoda para que possamos conversar enquanto ela passa protetor solar, rímel e batom.
Conto a ela sobre a festa, sobre a aparição de Peter e Genevieve, e mais importante, o beijo com John.
— Margot, acho que eu posso estar apaixonada por mais de uma pessoa de cada vez. — Eu poderia até ser uma garota que se apaixona doze mil vezes. Eu tenho uma imagem repentina na minha cabeça de mim como uma abelha, sorvendo o néctar de uma margarida, depois de uma rosa e depois de um lírio. Cada garoto é doce a sua própria maneira.
— Você? — Ela para de prender o cabelo em um rabo de cavalo e bate o dedo na tela. — Lara Jean, acho que você meio que se apaixona por cada pessoa que conhece. É parte do seu charme. Você é apaixonada por amor.
Isto pode ser verdade. Talvez eu seja apaixonada por amor! Essa não parece uma maneira tão ruim ser.

5 comentários:

  1. Haha 💟 Será q vai rolar com a Trina e o pai dela??!

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    Respostas
    1. Talvez sim, talvez não...������������������������������������������������������������������������

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  2. Mandy Nerd K-Otaku23 de junho de 2018 19:44

    Gente,eu sou a Lara Jean ♥kkkkkk também me apaixono por cada garoto que conheço ♡♡♡

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  3. "Isto pode ser verdade. Talvez eu seja apaixonada por amor! Essa não parece uma maneira tão ruim ser."
    ahh... que amor!!
    -s2

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Boa leitura, E SEM SPOILER!