29 de maio de 2018

Capítulo 5

PETER E EU estamos na fila da pipoca no cinema. Até essa coisa banal parece a melhor coisa banal que já me aconteceu. Verifico o meu bolso para ter certeza de que ainda tenho meu tíquete. Vou querer guardar esse.
Olhando para Peter, sussurro:
— Este é o meu primeiro encontro.
Eu me sinto como a garota nerd do filme que fica com o cara mais descolado da escola, e não me importo nem um pouco. Nem um pouco mesmo.
— Como esse pode ser o seu primeiro encontro quando nós saímos tantas vezes?
— É o meu primeiro encontro de verdade. As outras foram apenas fingimento; este é para valer.
Ele franze a testa.
— Oh, espere, é para valer? Eu não tinha percebido.
Dou um soquinho no ombro dele, que ri, pega a minha mão e entrelaça os dedos com os meus. Parece que meu coração está batendo através da minha mão. É a primeira vez que damos as mãos de verdade, e parece diferente das outras vezes. Como uma corrente elétrica, mas de um jeito bom. Do melhor jeito.
Nós estamos nos movendo na fila, e percebo que estou nervosa, o que é estranho, porque este é Peter. Mas ele também é um Peter diferente, e eu sou uma Lara Jean diferente, porque este é um encontro, um encontro de verdade. Só para puxar conversa, pergunto:
— Então, quando você vai ao cinema, prefere chocolate ou jujubas?
— Nenhum dos dois. Sempre quero só pipoca.
— Então estamos condenados! Você não é nenhum dos dois, e eu sou os dois, ou todas as opções acima.
Nós chegamos ao caixa e começo a procurar minha carteira. Peter ri.
— Você acha que vou fazer uma garota pagar em seu primeiro encontro? — Ele incha o peito e diz ao caixa: — Queremos uma pipoca média com manteiga, e você pode colocar a manteiga em camadas? E um pote de jujubas e uma caixa de Milk Duds. E uma Cherry Coke pequena.
— Como você sabia que era isso o que eu queria?
— Eu presto muito mais atenção do que você pensa, Covey.
Peter passa o braço em volta dos meus ombros com um sorriso de autossatisfação, e acidentalmente bate no meu seio direito.
— Ai!
Ele ri, um riso envergonhado.
— Ops. Desculpe. Você está bem?
Dou-lhe uma cotovelada de lado, e ele ainda está rindo enquanto caminhamos para a sala, e é quando vemos Genevieve e Emily saindo do banheiro feminino. Da última vez que vi Genevieve, ela estava contando a todos no ônibus do passeio de esqui como Peter e eu fizemos sexo no ofurô. Sinto uma forte onda de pânico, de lutar ou fugir.
Peter diminui a velocidade por um segundo, e não tenho certeza do que vai acontecer. Será que temos que passar por cima de tudo e dar um oi? Será que continuamos andando? Seu braço aperta em torno de mim, e posso sentir a hesitação de Peter também. Ele está dividido.
Genevieve resolve o dilema. Ela caminha para a sala como se não tivesse nos visto. A mesma sala em que vamos entrar. Eu não olho para Peter, e ele não diz nada. Acho que vamos apenas fingir que ela não está aqui. Ele me conduz através do mesmo conjunto de portas e pegamos nossos assentos, na extrema esquerda dos fundos. Genevieve e Emily estão sentadas no meio. Vejo a cabeça loura dela, as costas do casaco cinza. Eu me obrigo a desviar o olhar. Se Gen se virar, não quero ser pega olhando.
Nós sentamos, e estou tirando meu casaco e começando a ficar confortável no meu lugar quando o celular de Peter vibra. Ele o puxa para fora do bolso e, em seguida, coloca de volta, e sei que era Gen, mas sinto que não posso perguntar. Sua presença furou a noite. Fez duas marcas de mordida de vampiro nela.
As luzes se apagam, e Peter coloca o braço ao meu redor novamente. Será que ele vai ficar assim o filme todo?, eu me pergunto. Eu me sinto dura, e tento equilibrar minha respiração. Ele sussurra em meu ouvido:
— Relaxe, Covey.
Estou tentando, mas é meio impossível relaxar sob estas circunstâncias. Peter dá um apertão no meu ombro, se inclina e roça o nariz em meu pescoço.
— Você tem um cheiro bom — diz ele em voz baixa.
Dou uma risada um pouco alta demais, e o homem sentado na nossa frente se vira em seu assento e olha para mim. Repreendia, eu digo a Peter:
— Desculpe, sinto cócegas.
— Não se preocupe — ele responde, mantendo o braço à minha volta.
Eu sorrio e assinto, mas agora estou me perguntando: será que ele espera que nós façamos coisas durante o filme? Foi por isso que ele escolheu assentos na parte de trás quando ainda havia lugares livres no meio? O pânico está subindo dentro de mim. Genevieve está aqui! E outras pessoas também! Posso ter ficado de amassos com ele no ofurô, mas não havia ninguém ao redor para ver. Além disso, eu meio que quero só ver o filme. Eu me inclino para frente para tomar um gole de refrigerante, mas na verdade é apenas para que poder sutilmente me afastar dele.

* * *

Depois do filme, temos um entendimento tácito para nos apressar para a saída, então não vemos Genevieve novamente. Nós dois saímos correndo do cinema como se o diabo estivesse nos nossos calcanhares – o que, suponho, ela meio que seja.
Peter está com fome, mas estou cheia de toda a porcaria que comi para ter um jantar de verdade, então sugiro irmos à lanchonete e dividir uma porção de batatas fritas. Mas Peter diz:
— Sinto que devíamos ir a um restaurante de verdade já que este é o seu primeiro encontro.
— Nunca soube que você tinha esse lado romântico.
Meu tom é de brincadeira, mas estou falando sério.
— Acostume-se com isso — ele se gaba. — Eu sei como tratar uma garota.
Ele me leva ao Biscuit Soul Food – seu restaurante favorito, segundo ele. Eu o vejo devorar frango frito regado com mel quente e Tabasco, e me pergunto quantas vezes Genevieve se sentou e o assistiu fazer a mesma coisa. Nossa cidade não é tão grande. Não há muitos lugares onde podemos ir que ele já não tenha ido com Genevieve. Quando me levanto para ir ao banheiro, de repente me pergunto se ele está respondendo a mensagem dela, mas me obrigo a afastar esse pensamento na mesma hora. E daí se ele responder? Eles ainda são amigos. Ele pode fazer isso. Não deixarei a Gen arruinar esta noite para mim. Eu quero estar aqui, vivendo o momento, apenas os dois no nosso primeiro encontro.
Volto para a mesa, e Peter terminou o frango frito e agora tem uma pilha de guardanapos sujos na sua frente. Ele tem o hábito de limpar os dedos cada vez que dá uma mordida. Há mel em seu rosto, e um pouco de pão está preso ali, mas não digo a ele porque acho engraçado.
— Então, como foi o seu primeiro encontro? — Peter me pergunta, se estendendo para trás em sua cadeira. — Conte como se não fosse comigo.
— Eu gostei quando você soube que tipos de lanches eu gosto no cinema. — Ele balança a cabeça encorajadoramente. — E... eu gostei do filme.
— Sim, eu percebi. Você ficou me mandando ficar quieto e apontando para a tela.
— Aquele homem na nossa frente estava ficando louco — hesito. Eu não tenho certeza se deveria dizer a próxima coisa, o que estive pensando a noite toda. — Eu não sei... é só comigo, ou...
Ele se inclina mais perto, realmente ouvindo.
— O quê?
Eu tomo uma respiração profunda.
— É... meio estranho? Quero dizer, primeiro a gente fingia, depois não, aí tivemos uma briga, e agora aqui estamos nós e você está comendo frango frito. Parece que fizemos tudo na ordem errada, e é bom, mas... ainda parece meio de cabeça para baixo.
Além disso, você ficou tentando me apalpar durante o filme?
— Acho que é um pouco estranho — ele admite.
Tomo um gole do chá gelado, aliviada que ele não pense que sou estranha por dizer toda essa esquisitice. Ele sorri para mim.
— Talvez o que nós precisamos é de um novo contrato.
Não posso dizer se ele está brincando ou se é sério, então jogo junto.
— O que haveria nele?
— Deixa eu pensar... acho que eu teria que ligar para você todas as noites antes de ir para a cama. Você teria que concordar em ir para todos os meus jogos de lacrosse. Algumas práticas também. Eu teria que ir à sua casa jantar. Você teria que vir para festas comigo.
Faço uma careta para a parte das festas.
— Vamos apenas fazer as coisas que queremos fazer. Como antes. — De repente, ouço a voz de Margot em minha cabeça. — Vamos... Vamos nos divertir.
Ele balança a cabeça, e agora ele é quem parece aliviado.
— Sim!
Gosto que ele não leve as coisas tão a sério. Em outras pessoas, isso poderia ser irritante, mas não nele. É uma de suas melhores qualidades, penso. Isso e seu rosto. Eu poderia olhar para o rosto dele durante todo o dia. Tomo um gole de chá do canudo e olho para ele. Um contrato pode realmente ser bom para nós. Pode nos ajudar a deixar a cabeça fora dos problemas e nos manter responsáveis. Acho que Margot ficaria orgulhosa de mim por isso. Puxo um pequeno caderno da minha bolsa e uma caneta. Escrevo Novo Contrato de Lara Jean e Peter no topo da página.
Na primeira livra, escrevo: Peter será pontual.
Peter estica o pescoço para ler de cabeça para baixo.
— Espere, aí diz “Peter será pontual”?
— Se você disser que vai estar em um lugar, então esteja lá.
Peter faz uma careta.
— Eu não apareci uma vez e você guarda todo esse rancor...
— Mas você está sempre atrasado.
— Isso não é o mesmo que não aparecer!
— Estar atrasado o tempo todo mostra uma falta de respeito para a pessoa que está esperando por você.
— Eu respeito você! Eu a respeito mais do que qualquer garota que conheço!
Aponto para ele.
— “Garota”? Apenas “garota”? Os meninos você respeita mais do que a mim?
Peter joga a cabeça para trás e geme tão alto que parece um rugido. Estico a mão até o outro lado da mesa, por cima da comida, o agarro pelo colarinho e o beijo antes que possamos brigar novamente. Embora eu tenha que dizer, é este tipo de discussão, o tipo implicante, não do tipo que magoa, que nos faz sentir como nós pela primeira vez a noite toda.
Isto é o que decidimos:
- Peter não vai se atrasar mais do que cinco minutos.
- Lara Jean não vai obrigar Peter a fazer artesanato de qualquer tipo.
- Peter não tem que ligar para Lara Jean antes de ir para a cama toda noite, mas ele pode ligar se tiver vontade.
- Lara Jean só vai a festas se ela se sentir bem com isso.
- Peter dará caronas a Lara Jean sempre que ela quiser.
- Lara Jean e Peter sempre dirão a verdade um ao outro.
Há uma coisa que quero adicionar ao contrato, mas estou nervosa para abordar o assunto agora que as coisas estão indo bem.
Peter ainda pode ser amigo de Genevieve, desde que seja sincero com Lara Jean sobre isso. Ou talvez seja Peter não vai mentir para Lara Jean sobre Genevieve. Mas isso é redundante, porque nós já temos a regra sobre sempre a dizer a verdade um ao outro. Uma regra assim não seria verdadeira. O que eu realmente quero dizer é Peter vai sempre escolher Lara Jean acima de Genevieve.
Mas eu não posso dizer. Claro que não posso. Eu não sei uma tonelada sobre namoro ou caras, mas sei que a insegurança ciumenta é um desvio real.
Então mordo a língua; não digo o que estou pensando. Há somente uma coisa, uma coisa realmente importante sobre a qual quero ter certeza.
— Peter?
— Sim?
— Eu não quero que a gente parta o coração um do outro.
Peter ri com facilidade; coloca a mão em concha em minha bochecha.
— Está pensando em quebrar o meu coração, Covey?
— Não. E tenho certeza de que você não está pensando em quebrar o meu. Ninguém planeja isso.
— Então vamos colocar no contrato. Peter e Lara Jean prometem não partir o coração um do outro.
Olho para ele, tão aliviada quanto qualquer coisa, e então escrevo: Lara Jean e Peter não vão partir o coração um do outro.

10 comentários:

  1. O meu deuzo q cozinha mai lina 💟
    Só queria saber PQ A GENEVIEVE ESTÁ EM TODOS OS LUGARES?!!!

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  2. Né esse embuste tá em todo lugar

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  3. Josh ��
    Ainda te amo cara!��
    Liz

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  4. Sinto pena do Josh e da Margot...
    Acho q vai aparecer algm pra eles...

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  5. Me irrita ver que o Peter ainda dá tanta moral pra essa Genevieve. Como a Lara Jean vai se sentir segura assim?!
    A.D.R
    P.S ás vezes sinto falta do Josh!

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  6. eu achava que era surtada, mas mano como alguém pode estar num encontro com um deus desse e tá pensando na bruaca? Aproveita o voy e deixa a vaca de lado aaaaa

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Boa leitura, E SEM SPOILER!