29 de maio de 2018

Capítulo 49

Depois da escola, Kitty e eu montamos um acampamento na cozinha, onde há a melhor luz. Desço com os alto-falantes e coloco as Andrews Sisters para entrar no espírito certo. Kitty abre uma toalha e espalha toda a minha maquiagem, grampos, spray de cabelo.
Pego um pacote de cílios postiços individuais.
— Onde você conseguiu isso?
— Brielle os roubou de sua irmã e me deu um pacote.
— Kitty!
— Ela não vai notar. Ela tem toneladas!
— Você não pode simplesmente pegar as coisas das pessoas.
— Eu não peguei – Brielle pegou. De qualquer forma, não posso devolvê-los agora. Quer que eu os coloque em você ou não?
Hesito.
— Você sabe como?
— Sim, eu vi a irmã dela colocar muitas vezes — Kitty pega os cílios da minha mão. — Se não quiser que eu os coloque em você, tudo bem. Vou guardar para mim.
— Bem... tudo bem então. Mas sem mais roubos. — Eu franzo a testa. — Ei, vocês já pegaram as minhas coisas?
Começando a pensar sobre isso, não vejo o meu chapéu de algodão com orelhas de gato faz alguns meses.
— Shh, não fale mais — diz ela.
O cabelo é o que leva mais tempo. Kitty e eu vimos inúmeros tutoriais de cabelo para descobrir a logística dos bobes da época. Há um monte de truques, spray de cabelo e bobes envolvidos. E grampos. Um monte de grampos. Olho para mim mesma no espelho.
— Você não acha que meu cabelo parece um pouco... pesado?
— O que quer dizer com “pesado”?
— É como se parecesse que tenho um rocambole em cima da minha cabeça.
Kitty empurra o iPad na minha cara.
— Sim, o mesmo acontece com esta menina. Assim que deve parecer. Tem que ser autêntico. Se diminuis, não será fiel ao tema, e ninguém vai saber do que você supostamente está vestida. — assinto lentamente; ela tem um argumento. — Além disso, estou indo na sra. Rothschild para uma sessão de treinamento do Jamie. Não tenho tempo para começar tudo de novo.
Para o meu batom, alcançamos o tom perfeito de vermelho-cereja pela mistura de dois vermelhos diferentes – um tijolo e um fogo de caldeira – com um pó rosa brilhante para definir. Parece que beijei uma torta de cereja.
Estou movendo meus lábios para espalhar melhor o batom quando Kitty pergunta:
— Aquele menino bonitinho John Amber McAndrews virá busca-la, ou você vai encontrar com ele na casa de repouso?
Balanço o meu lenço em seu rosto em aviso.
— Ele virá me buscar, e é melhor que você seja legal. Além disso, ele não é um menino bonitinho.
— Ele é bonitinho em comparação com Peter — diz Kitty.
— Vamos ser honestas. Os dois são bonitos. Não é como o Peter que tem uma tatuagem ou músculos enormes. Na verdade, ele é muito vaidoso. Nós nunca passamos por uma janela ou uma porta de vidro sem Peter dar uma conferida no visual,
— Bem, é John vaidoso?
— Não, eu não penso assim.
— Hunf.
— Kitty, pare de fazer isso uma competição de John contra Peter. Não importa quem é mais bonito.
Kitty continua como se não me ouvisse.
— Peter tem um carro muito mais agradável. O que o menino Johnny dirige, um SUV chato? Quem se importa com um SUV? Tudo o que fazem é beber gasolina.
— Para ser justa, acho que é um híbrido.
— Você com certeza gosta de defendê-lo.
— Ele é meu amigo!
— Bem, e Peter é meu — diz ela.

* * *

Colocar o vestido é um processo complexo, e eu gosto de cada etapa. É tudo sobre a antecipação, a esperança para a noite. Lentamente, coloquei as meias com liga, então não tenho que correr com elas. Tenho sempre que ficar arrumando a parte de trás das pernas. Em seguida, o vestido – azul marinho com raminhos brancos e pequenas frutas do azevinho e mangas esvoaçantes. Por último os sapatos. Saltos vermelhos metálicos com um arco nos dedos e uma fita no tornozelo.
Tudo junto, fica muito bem, e eu tenho que admitir que Kitty estava certa sobre o cacho em cima da minha cabeça. Qualquer coisa menor não seria suficiente.
Na minha saída, papai faz um grande barulho sobre quão bonita estou, e tira cerca de um milhão de fotos, que manda prontamente por mensagem para Margot. Ela imediatamente nos chama no videochat para poder ver por si mesma.
— Certifique-se de tirar uma foto de você e Stormy juntas — pede Margot. —Quero ver que traje sexy ela vai vestir.
— Na verdade não é tão sexy — eu digo. — Ela o costurou sozinha, um vestido padrão de 1940.
— Tenho certeza de que ela encontrará uma maneira de parecer sexy — diz Margot. — O que John McClaren vestirá?
— Eu não faço ideia. Ele diz que é uma surpresa.
— Hmm.
É um hmm muito sugestivo, o que ignoro. Papai está tirando uma última foto de mim na varanda da frente quando a sra. Rothschild aparece.
— Você está maravilhosa, Lara Jean — diz ela.
— Está, não é? — papai diz com carinho.
— Deus, eu amo os anos quarenta — ela comenda.
— Você já viu o documentário de Ken Burns A guerra? — papai pergunta. — Se tem algum interesse na Segunda Guerra Mundial, é obrigatório ver.
— Vocês deviam assisti-lo juntos — Kitty aponta, e sra. Rothschild atira-lhe um olhar de advertência. — Você tem ele em DVD? — ela pergunta para papai. Kitty está brilhando de emoção.
— Claro, você pode pegá-lo emprestado a qualquer hora — papai responde, indiferente como sempre, e Kitty faz uma careta, e em seguida a boca dela se abre.
Viro-me para ver o que ela está olhando, e é um Mustang conversível vermelho que vem pela nossa rua, com John McClaren ao volante.
Meu queixo cai com a visão. Ele está de figurino completo: camisa social com gravata, calça social, cinto e chapéu. Seu cabelo está dividido para o lado. Ele parece arrojado, como um verdadeiro soldado. Ele sorri para mim e acena.
— Uau — eu respiro.
— Uau está completamente certo — diz a Sra Rothschild, com olhos esbugalhados ao meu lado.
Papai e seu DVD do Ken Burns são esquecidos; estamos todos olhando para John neste figurino, neste carro. É como eu sonhei. Ele estaciona o carro na frente da casa, e todos nós apressamos até ele.
— De quem é esse carro? — demanda Kitty.
— É do meu pai — diz John. — Eu o peguei emprestado. Tive que prometer estacionar realmente longe de qualquer outro carro, embora, por isso espero que esteja usando sapatos confortáveis, Lara Jean. — Ele para e me olha de cima a baixo — Uau. Você está maravilhosa — ele aponta para o meu rocambole — quero dizer, seu cabelo parece tão... real.
— É de verdade! — eu o toco com cuidado, e de repente me sinto bastante consciente do penteado e do batom vermelho.
— Eu sei, quero dizer, parece autêntico.
— Assim como você — eu digo.
— Posso sentar dentro dele? — Kitty pergunta, com a mão na porta do lado do passageiro.
— Claro — diz John. Ele sai do carro. — Mas você não quer experimentar o banco do motorista?
Kitty acena com a cabeça rapidamente. A sra. Rothschild entra também, e papai tira uma foto delas juntas. Kitty posa com um braço casualmente caído sobre o volante. John e eu estamos parados do lado, e eu lhe pergunto:
— Onde foi que você comprou essa roupa?
— Eu encomendei no eBay — ele franze a testa. — Estou usando o chapéu certo? Você acha que ele é pequeno demais para a minha cabeça?
— De jeito nenhum. Acho que parece exatamente da maneira que tem que supostamente parecer — fico tocada que ele tenha se dado ao trabalho de comprar uma roupa para a festa. Não consigo pensar em muitos meninos que fariam isso — Stormy vai pirar quando vir você.
Ele estuda o meu rosto.
— E você? Você gostou?
Eu coro.
— Gostei. Acho que você parece... super.

* * *

Acontece que Margot está, como sempre, certa. Stormy encurtou a bainha do vestido; está bem acima do joelho.
— Eu ainda tenho pernas — ela se alegra, girando. — Minha melhor característica, por todas as cavalgadas que fiz quando menina.
Ela está mostrando um pouco de decote também.
Um homem de cabelos prateados que veio na van de Ferncliff está lançando olhares apreciativos para ela, e Stormy finge não perceber, o tempo todo batendo os cílios e alisando o quadril com uma mão. Ele deve ser o homem bonito que Stormy mencionou para mim.
Tiro uma foto dela ao piano e envio diretamente para Margot, que manda responde com emojis sorridentes e dois polegares para cima.
Estou arrumando a peça central da bandeira americana, assistindo John arrastar uma mesa mais perto do centro da sala na direção de Stormy, quando Alicia aparece ao meu lado, e aí somos duas olhando para ele.
— Você deveria sair com ele.
— Alicia, eu te falei, acabei de sair de um relacionamento — sussurro de volta. Não consigo tirar os meus olhos dele com aquele figurino, com o cabelo dividido de lado.
— Bem, entre em um novo. A vida é curta — pela primeira vez, Alicia e Stormy estão na mesma página.
Stormy está agora endireitando a gravata de John, seu pequeno chapéu. Ela ainda lambe o dedo e tenta arrumar o seu cabelo, mas ele se afasta. Nossos olhos se encontram e ele faz uma careta desesperada do tipo, Me ajuda.
— Salve-o — diz Alicia. — Eu termino a mesa. Minha exibição do campo de concentração já está pronta. — Ela a montou bem na frente das portas, então é a primeira coisa que você vê quando entra.
Corro até John e Stormy. Stormy sorri para mim.
— Ela não se parece absolutamente com uma boneca? — ela fala.
Com um rosto sérioa John diz:
— Lara Jean, você se parece absolutamente com uma boneca.
Eu rio e toco o topo da minha cabeça.
— Uma boneca com um penteado que parede um rocambole.
As pessoas estão começando a chegar, embora ainda não sejam sete horas. Tenho percebido que os idosos, em geral, tendem a aparecer cedo para as coisas. Eu ainda preciso arrumar a música. Stormy diz que quando damos uma festa, a música é absolutamente a primeira coisa a se pensar, porque ela define o estado de espírito no segundo em que seu convidado entra. Posso sentir meus nervos começarem a pulsar.
Ainda há muito o que fazer.
— É melhor eu terminar os ajustes.
— Me diga o que você precisa fazer — diz John — serei o seu assistente neste baile. Será que as pessoas falavam “baile” nos anos quarenta?
Eu rio.
— Provavelmente! — E rapidamente acrescento: — Tudo bem, você pode ajustar os alto-falantes e o iPod? Eles estão na bolsa na mesa de refrescos. E pode pegar a senhora Taylor no 5A? Eu prometi a ela uma escolta.
John me dá uma saudação e corre. Formigamento sobe e desde pela minha espinha, como água com gás. Esta será uma noite para recordar!

* * *

Nós temos uma hora e meia, e Cristal Clemons, uma senhora do andar de Stormy, está conduzindo todos em uma aula de dança de swing. É claro que Stormy está na frente – passos de rock sempre valem a pena. Eu estou seguindo ao longo da mesa de refrescos: um-dois, três-quatro, cinco-seis. Logo no início eu dancei com o sr. Morales, mas apenas uma vez, porque as mulheres me fuzilavam com os olhos por eu tirar um homem elegível, fisicamente saudável, do circuito. Homens estão em falta nas casas de repouso, de modo que não há parceiros de dança o suficiente do sexo masculino, não o suficiente nem para a metade. Eu já ouvi algumas das mulheres sussurrando que é rude um cavalheiro não dançar quando há senhoras sem parceiros – olhando incisivamente para o pobre John.
John está de pé, no outro extremo da mesa, bebendo Coca-Cola e balançando a cabeça com a batida. Estive tão ocupada correndo por aí, nós mal tivemos a chance de conversar. Eu me inclino sobre a mesa e grito:
— Divertindo-se?
Ele balança a cabeça. Então, de repente, ele bate o copo em cima da mesa, tão forte que a mesa balança e eu pulo.
— Tudo bem — diz ele — É fazer ou morrer. Dia D.
— O quê?
— Vamos dançar — diz John.
Timidamente eu digo:
— Você não tem que dançar se não quer, John.
— Não, eu quero. Não tive aulas de swing com Stormy para nada.
Arregalo os olhos.
— Quando você teve aulas de swing com Stormy?
— Não se preocupe com isso — ele responde. — Só dance comigo.
— Bem... você tem um bônus de guerra sobrando? — eu brinco.
John pesca um bilhete do bolso da calça e o deixa na mesa de refrescos. Então pega a minha mão e me leva para o centro da pista de dança, como um soldado que sai para o campo de batalha. Ele é todo uma concentração sombria. Ele sinaliza para o sr. Morales, que está controlando a música, porque ele é o único que consegue mexer no meu celular. In the Mood de Glenn Miller sai dos alto-falantes. John me dá um aceno determinado.
— Vamos lá.
E então nós estamos dançando. Passo de rock, de lado, juntos, de lado, repete. Passo de rock, um-dois-três, um-dois-três. Nós pisamos nos pés um do outro cerca de um milhão de vezes, mas ele está me girando – giro, giro – e nossos rostos estão livres e nós dois estamos rindo. Quando a música acaba, ele me puxa para frente e depois me joga para trás uma última vez. Todo mundo está aplaudindo. Morales grita:
— Aos jovens!
John me pega e me levanta no ar como se fôssemos patinadores de gelo, e a plateia fica em êxtase. Estou sorrindo tanto que meu rosto poderia rachar no meio.

* * *

Depois, John me ajuda a desmontar todas as decorações e arrumar tudo. Ele vai para o estacionamento com as duas caixas grandes, e eu fico para trás para dar adeus a todos e garantir que pegamos tudo. Eu ainda me sinto meio inebriada pela noite. A festa foi tão boa, e Janette ficou tão satisfeita. Ela se aproximou-se e apertou os meus ombros e disse:
— Eu estou orgulhosa de você, Lara Jean.
E então a dança com John... a eu de treze anos teria morrido. A eu de dezesseis anos está flutuando pelo corredor da casa de repouso, e é como se eu estivesse em um sonho.
Estou flutuando para fora da entrada da frente quando vejo Genevieve e Peter subindo, braços dados, e é como se estivéssemos em uma máquina do tempo e o ano anterior nunca tivesse acontecido. Nós nunca acontecemos.
Eles estão se aproximando. Agora, estão a cerca de três metros de distância, e estou congelada no lugar. Há uma maneira de sair dessa? Sair desta humilhação, e de perder mais uma vez? Eu estava tão presa na festa temática americana e John que esqueci tudo sobre o jogo. Quais são as minhas opções aqui? Se eu virar e correr de volta para a casa de repouso, ela vai apenas me esperar no estacionamento a noite toda. Dessa forma, eu sou um coelho sob a pata dela novamente. Dessa forma, ela ganha.
E então é tarde demais. Eles já me viram. Peter deixa cair o braço de Genevieve.
— O que você está fazendo aqui? — ele me pergunta. — E o que é toda essa maquiagem? — ele aponta para os meus olhos, os meus lábios.
Minhas bochechas queimam. Eu ignoro o comentário sobre a minha maquiagem e simplesmente digo:
— Eu trabalho aqui, lembra? Eu sei porque você está aqui, Genevieve. Peter, muito obrigado por ajudá-la a me tirar. Você é uma verdadeira comédia.
— Covey, eu não vim aqui para ajudá-la a tirá-la. Eu nem sabia que você estaria aqui. Eu te falei, não dou a mínima para este jogo! — Ele se vira para Genevieve. Acusador, ele diz: — Você falou que precisava pegar algo da amiga de sua avó.
— Eu preciso — ela responde. — Esta é apenas uma coincidência incrível. Acho que ganhei, hein?
Ela é tão presunçosa, tão segura de si mesma e da sua vitória sobre mim.
— Você não me marcou ainda.
Devo apenas correr e voltar para dentro? Stormy me deixaria passar a noite se eu precisasse. Só que então o Mustang conversível vermelho de John vem rugindo pelo estacionamento.
— Oi, pessoal! — diz ele, e as bocas de Peter e Gen se abrem. É só então que penso em quão estranho devemos parecer juntos, John em seu uniforme da Segunda Guerra Mundial, com seu pequeno chapéu Jaunty, eu com o meu penteado de época e batom vermelho.
Peter olha ele.
— O que você está fazendo aqui?
— Minha bisavó vive aqui — John responde alegremente. — Stormy. Você pode ter ouvido falar dela. Ela é uma amiga de Lara Jean.
— Tenho certeza que ele não se lembraria — aponto.
Peter franze o cenho para mim, e eu sei que ele não lembra. É a mesma coisa de ele dizer não.
— O que há com as roupas? — pergunta ele, com a voz rouca.
— Festa temática americana — responde John. — Bastante exclusiva. Somente VIPs. Desculpem, gente — então ele tira o chapéu para ele, o que posso dizer que deixa Peter louco, o que por sua vez me deixa feliz.
— O que diabos é uma festa temática americana? — Peter me pergunta.
John estende seu braço magnanimamente para o banco do passageiro.
— É sobre a Segunda Guerra Mundial.
— Eu não estava perguntando para você; estava perguntando a ela — Peter estala. Ele olha para mim, os olhos duros. — Trata-se de um encontro? Você está em um encontro com ele? E que diabo de carro é esse?
Antes que eu possa responder, Genevieve faz um movimento em direção a mim, e eu me esquivo. Corro para trás do pilar.
— Não seja criança, Lara Jean — ela fala. — Basta aceitar que você perdeu e eu ganhei!
Espreito por trás do pilar, e John me lança um olhar que diz: Entre. Rapidamente eu aceno de cabeça. Então ele abre a porta do passageiro, e eu corro para lá o mais rápido que posso. Mal fecho a porta fechada, e ele já está partindo, Peter e Gen ficando para trás na nossa poeira.
Eu me viro para olhar. Peter olha fixamente nós, a boca aberta. Ele está com ciúmes, e eu estou feliz.
— Obrigado por me salvar — falo, ainda tentando recuperar o fôlego.
Meu coração está batendo tão forte em meu peito. John está olhando para a frente, com um largo sorriso no rosto.
— A qualquer hora.
Nós paramos em um semáforo, e ele vira a cabeça e olha para mim, e então nós estamos olhando um para o outro, rindo como loucos, e estou sem fôlego novamente.
— Você viu a cara deles? — John suspira, deixando cair a cabeça sobre o volante.
— Foi clássico!
— Como num filme! — ele sorri para mim, jubilante, olhos azuis acesos.
— Assim como num filme — eu concordo, inclinando a cabeça para trás contra o banco e arregalando os olhos para a lua, arregalando tanto que dói. Eu estou em um Mustang conversível vermelho ao lado de um garoto de uniforme, e o ar da noite parece como cetim frio em minha pele, e todas as estrelas estão lá, e eu estou feliz. Pela maneira como John ainda está sorrindo para si mesmo, sei que ele também está. Temos de brincar de faz de conta esta noite. Esquecer Peter e Genevieve. O farol fica verde, e eu ergo os meus braços.
— Vá rápido, Johnny! — eu exclamo, e ele acelera e eu solto um grito. Nós olhamos um pouco em torno, e no próximo semáforo ele desacelera e coloca o braço à minha volta, me puxando para mais perto ao seu lado.
— Não é assim que eles faziam nos anos cinquenta? — pergunta ele, uma mão no volante e a outra em volta dos meus ombros.
Minha frequência cardíaca aumenta novamente.
— Bem, tecnicamente estamos vestidos para os anos quarenta...
E, em seguida, ele me beija. Seus lábios são quentes e firmes contra os meus, e meus olhos se fecham. Quando ele se afasta apenas uma fração, ele olha para mim e diz, parte sério, parte não:
— Melhor do que da primeira vez?
Estou atordoada. Ele tem um pouco do meu batom em seu rosto agora. Eu me estico e limpo a sua boca. O farol fica verde; não nos movemos; ele ainda está olhando para mim.
Alguém buzina forte atrás de nós.
— Mudou para o verde.
Ele não faz nenhum movimento; ainda está olhando para mim.
— Responda primeiro.
— Melhor.
John pressiona o pé no acelerador, e estamos nos movendo novamente. Eu ainda estou sem fôlego. Para o vento, eu grito:
— Um dia quero ver você fazer um discurso no Projeto das Nações Unidas!
John ri.
— O quê? Por quê?
— Acho que seria algo de se ver. Aposto que você seria... grandioso. Sabe, de todos nós, acho que você mudou mais.
— Como?
— Você costumava ser mais quieto. Em seus próprios pensamentos. Agora você está tão confiante.
— Eu ainda fico nervoso, Lara Jean.
John tem um topete, um pequeno mecha de cabelo que não fica para baixo; é teimosa. É isso mais do que qualquer outra coisa que faz o meu coração apertar.

47 comentários:

  1. @AA@AAAAAAA@AAA q romântico 💟 o Peter é um Babaca com letra maiuscula, amei ele com ciúme MANOO q idiota cara.. John TE AMO 💚💚💚

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    1. Achei muito bom o Peter ficar com ciúmes, lindo o beijo da Lara e do John , mais ainda acho que ela deve fica com o Peter.

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    2. AAAAA GENTE QUE PETER OQ, É JOHNNN E LARAA AAAAAH QUE AMORRRR

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  2. Eu não sei se fico feliz por ela estar vivendo tudo isso e o Peter esteja sofrendo um pouco por ter sido tão tonto ou se fico triste porque adoro o Peter e ela juntos.

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    1. Aaaah...aquele dilema Kkkkk
      Não é só você 😐

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    2. Penso assim tbm, gosto muito dela com o pitter, amo quando ele chama ela de covey, ainda espero mesmo que eles fiquem juntos, estou de coração partido pelo que está acontecendo, mas fiquei muito chateada com o pitter.

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  3. Prefiro o Peter..o John é legalzinho mais meio sem sal....

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    1. Sem sal??? Sério?? Ele é mais divertido que o Peter e presta bem mais atenção na Lara Jean, dá mais valor a ela.

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  4. Sim Peter foi um babaca inutil..mas prefiro ele...john é legal mais meio sem sal....

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  5. Eu prefiro mil vezes o peter ♥ O John sr

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  6. Peter pq vc não foi atrás de Lara jean Pq????? Eu shippo tanto esse casal !! Jhon vc é um amigo!!! Lara Jean tem que ficar com Peter

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  7. Peter sempre acompanhado de Gen... Ela fez certo em terminar. Ela nunca foi sua primeira opção.
    Já John faz tudo por Ela! Fofo! ❤

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    1. Verdade. eles deveriam ficar juntos, o peter foi um babaca. o john é uma amor <3

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  8. Respostas
    1. Tbm sinto, desde do começo queria eles e ainda quero

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  9. Peter continua sempre com a Genevieve.. Ainda bem que a Lara Jean estava com o John.. Amei.

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  10. Comecei a shippar eles só nesse capítulo , pq se não...

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  11. nAO SEI QUEM SHIPPAAAAAR
    AMAS SIPPHO ELES SIM PQ NEH RS

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  12. Como podem shippar ela com o Peter, o John é incrível faz tudo por ela, tudo que o Peter jamais fez, o Peter é legal gosto dele. Mas o John é sensa ♥️

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    1. Ela ama o Peter,sempre vai amar o Peter,John é legal,beleza,mas o Peter...oh Peter kavinsky! Como pode ser tão lindo!

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  13. Mil vezes ela com o John, pois os dois tem o mesmo gosto e fazem as coisas que gostam juntos, já Peter so sabia reclamar e fazer o que ele queria

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  14. ainda bem q a Laranjinha beijou o Jhon caso contrário eu msm faria

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  15. eu ainda n sei como tem gente que ainda shipa a lara com o peter --' gente o peter é um idiota, o tempo inteiro fez a lara de boba sabendo que foi a gen que gravou o video, eu shipo a lara com qualquer um menos com o peter e o john é um fofo e fariam um lindo casal :)

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  16. Meu deus, lara Jean💕💕💕💕

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  17. Esse capítulo tá sem duvidas no meu top 3 dos preferidos desse livro ❤❤

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  18. Eu tenho vontade de cuspir na cara desse sujeito
    Quero Lara e Peter de volta
    John Ambrose McClaren Vc esta na minha lista negra

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  19. Esse foi o melhor capítulo até agora 👏👏😂😂😂😂

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  20. Ainda ctz eu prefiro o Peter, ele deve ter um bom motivo pra ele ter feito oq fez..... parece que as pessoas se esquecem das coisas que ele fez pra ela .....😒😉😉💪

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  21. Eu prefiro o PETER,mas admito que to shippando esse casal, e o John faz muito bem para a Lara Jean

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  22. É Peter eu acho que o jogo virou não é mesmo?! kkkkkk agora é o "nosso Johnny"

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  23. "Não seja criança, Lara Jean — ela fala. — Basta aceitar que você perdeu e eu ganhei!" Queen nojo ela tenta se aproveita de tudo 😑

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  24. Jhon é muito fofo mas por algum motivo ainda prefiro Peter

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  25. Qual será o grande segredo da Gen. Não aguento mais de curiosidade

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  26. Eu queria muito,muito, muito que a Lara ficasse com o John

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  27. Por que a Gen não podia simplesmente estar no livro, não me importaria de ler sem elaa GRRRRR

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  28. Antes dos shipp ,eu acho que tem coisa errada nessa história toda. Entendo a Lara mas acho q ela devia procurar saber o que é, a Chris ta estranha e até a kitt parece saber de algo.

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  29. Ai, esse povo falando que John é sem sal... Tem razão, ele é pura doçura!
    Peter pode ficar com o sal todo pra ele. Lara Jean e John são, e é com o coração partido que eu digo, perfeitos um para o outro. No entanto, acho que ela ainda vai acabar ficando com o Peter. Nunca fiquei tão triste, pela personagem principal, ficar com quem eu queria desde o começo.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!