29 de maio de 2018

Capítulo 45

ESTÁ CHOVENDO DE NOVO. Eu tinha pensado que poderia levar Kitty e Jamie para o parque depois da escola, mas está assim agora. Em vez disso, eu me sento na cama e enrolo meu cabelo e assisto a chuva cair como gotas de prata. O tempo coincide com o meu humor, eu suponho.
Com e nossa separação, eu esqueci do jogo. Bem, agora estou me lembrando muito bem. Eu vou vencer. Vou tirá-la. Ela não pode ter Peter e ganhar o jogo. É muito injusto. E eu vou pensar em algum desejo perfeito, algo perfeito para tirar dela. Se eu soubesse o que desejar!
Preciso de ajuda. Eu ligo para Chris, e ela não atende. Estou prestes a ligar de novo, mas no último segundo mando mensagem de texto para John: Vai me ajudar a tirar Genevieve?
Demora alguns minutos para ele responder.
Seria uma honra.

* * *

John se instala no sofá e se inclina para frente, olhando-me atentamente.
— Certo, então como você quer fazer isso? Quer acabar com ela? Fazer uma operação sigilosa de ataque?
Pouso um copo de chá gelado na frente dele. Sentando ao seu lado, digo:
— Acho que temos que ficar na vigilância primeiro. Eu nem mesmo conheço a rotina dela. — E... se eu ganhar este jogo, descobrirei qual é o grande segredo dela, o que seria um bônus agradável.
— Eu gosto de onde sua mente está — diz John, inclinando a cabeça para trás e bebendo o chá.
— Eu sei onde eles guardam a chave de emergência. Chris e eu tivemos que pegar um aspirador na casa dela uma vez. E se... se eu tentar mexer com os seus nervos? Tipo deixar um bilhete no travesseiro escrito Estou de olho em você. Isso realmente poderia assustá-la.
John quase engasga com seu chá gelado.
— Espere, em que isso te ajudaria?
— Eu não sei. Você é o especialista nisso!
— Especialista? Como eu sou um especialista? Se eu fosse realmente bom, ainda estaria no jogo.
— Não havia como você saber que eu estaria em Belleview — aponto. — Foi apenas má sorte sua.
— Nós temos várias coincidências. Belleview. Você estar no Projeto das Nações Unidas naquele dia.
Olho para as minhas mãos.
— Isso... não foi uma total coincidência. Na verdade não foi coincidência nenhuma. Eu fui lá procurá-lo. Eu queria ver como você estava. Sabia que você estaria no Projeto das Nações Unidas. Eu lembrava o quanto você gostou no ensino fundamental.
— A única razão pela qual entrei foi porque eu poderia trabalhar no meu discurso em público. Por causa da minha gagueira. — Ele para. — Espere. Você foi lá por minha causa? Para ver como eu estava?
— Sim. Eu... eu sempre me perguntei.
John não fala nada; apenas olha para mim. Ele coloca o copo na mesa abruptamente. Depois o ergue novamente para colocar um descanso de copo sob ele.
— Você não contou o que aconteceu com você e Kavinsky naquela noite depois que eu fui embora.
— Ah. Nós terminamos.
— Vocês terminaram — ele repete, o rosto sem mostrar nada.
É quando noto Kitty à espreita na porta como uma pequena espiã.
— O que você quer, Kitty?
— Hum... ainda tem húmus de pimenta vermelha? — ela pergunta.
— Eu não sei, olhe lá.
John está com os olhos arregalados.
— Esta é a sua irmã mais nova? — Para Kitty, ele diz: — Da última vez que te vi, você ainda era uma criança.
— Sim, eu cresci — responde, nem um pouco educada.
Eu lanço-lhe um olhar.
— Seja educada as visitas.
Kitty vira sobre os calcanhares e corre para cima.
— Desculpe por minha irmã. Ela é muito próxima de Peter e tem umas ideias malucas...
— Ideias malucas? — John repete. Eu poderia me dar um tapa.
— Sim, quero dizer, ela acha que algo está acontecendo entre a gente. Mas obviamente não está, e você não gosta, tipo, gosta de mim desse jeito, então, sim, é uma maluquice. — Por que eu falei? Por que Deus me deu uma boca se só a uso para falar coisas estúpidas?
O silêncio dura tanto que eu abro a minha boca para dizer mais coisas estúpidas, mas então ele diz:
— Bem... não é tanta maluquice.
— Certo! Quer dizer, eu não quis dizer maluquice... — minha boca se fecha, e eu olho para a frente.
— Você se lembra daquela vez que brincamos de girar a garrafa no meu porão?
Eu aceno.
— Eu estava nervoso sobre beijar você, porque eu nunca tinha beijado uma garota antes — ele diz, e pega o copo de chá novamente. Ele toma um gole, mas não há mais chá, apenas gelo. Seus olhos encontram os meus, e ele sorri. — Os garotos encheram a minha cabeça sobre bafo.
— Você não tinha bafo — eu digo.
— Acho que foi mais ou menos quando o irmão mais velho do Trevor nos contou que ele fez uma garota... — John hesita, e eu aceno ansiosamente para ele continuar — ele alegou que fez uma menina ter um orgasmo apenas por beijá-la.
Deixo escapar uma risada balançando e ergo as palmas para a minha boca.
— Essa é a maior mentira que já ouvi! Eu nunca o vi conversando com uma garota. Além disso, não acho que isso seja mesmo possível. E se fosse, duvido que Sean Pike fosse capaz disso.
John ri também.
— Bem, agora eu sei que é mentira, mas naquela hora todos nós acreditamos nele.
— Quero dizer, foi um beijo maravilhoso? Não, não foi. — John estremece e eu rapidamente continuo: — Mas não foi completamente terrível. Eu juro. E ouça, não é como se eu fosse uma especialista em beijos de qualquer maneira. Quem sou eu para dizer?
— Certo, certo, você pode parar de tentar me fazer sentir melhor. — Ele deixa o copo na mesa. — Eu fiquei muito melhor nisso. É o que as meninas me dizem.
Essa conversa tomou um rumo estranho e confessional, e eu estou nervosa, mas não de uma maneira ruim. Eu gosto de partilhar segredos, ser conspiradora.
— Ah, então você já beijou muitas, hein?
Ele ri novamente.
— Um número respeitável. — Ele faz uma pausa. — Fico surpreso que ainda se lembre daquele dia. Você estava tão na de Kavinsky, não pensei que tivesse sequer notado quem mais estava lá.
Dou um empurrão em seu ombro.
— Eu não estava “tão na de Kavinsky”!
— Sim, estava. Você manteve os olhos sobre aquela garrafa o jogo inteiro, tipo assim — John pega a garrafa e fixa os olhos nela — à espera de seu momento.
Eu fico vermelha brilhante, sei que fico.
— Ah, fique quieto.
Rindo, ele diz:
— Como um falcão sobre a presa.
— Cala boca! — Agora eu estou rindo também. — Como você se lembra disso?
— Porque eu estava fazendo a mesma coisa.
— Estava olhando para Peter também? — digo isso como uma piada, para provocar, porque é divertido. Pela primeira vez em dias, eu estou me divertindo.
Ele olha diretamente para mim, os olhos azul-marinhos certos e constante, e minha respiração para em meu peito.
— Não. Eu estava olhando para você.
Há um zumbido em meus ouvidos, e é o som do meu coração batendo em velocidade tripla. Nas lembranças, tudo parece acontecer com música. Uma das minhas frases favoritas de O Zoológico de Vidro. Se eu fechar meus olhos, quase posso ouvi-la, naquele dia no porão da casa de John Ambrose McClaren. Daqui a alguns anos, quando eu olhar para trás neste momento, que música ouvirei então? Seus olhos prendem os meus, e sinto uma vibração que começa na minha garganta e se move por toda a minha clavícula e tórax.
— Eu gosto de você, Lara Jean. Eu gostei de você antes, e gosto ainda mais agora. Sei que você e Kavinsky acabaram de terminar, e você ainda está triste, mas eu só quero deixar inequivocamente claro.
— Hum... ok — eu sussurro.
Suas palavras – elas vêm claramente; elas não se perdem em qualquer direção. Nem sequer um vestígio de uma gagueira. Só... inequivocamente claras.
— Ok, então. Vamos ganhar um desejo para você. — Ele pega o celular e abre o Google Maps. — Eu procurei o endereço da Gen antes de vir para cá. Acho que você está certa, devemos tomar o nosso tempo, avaliar a situação. Não ir direto ao ataque.
— Hum hum.
Eu estou em uma espécie de estado de sonho; é difícil me concentrar. John Ambrose McClaren quer deixar inequivocamente claro. Eu saio dele quando Kitty volta para a sala, equilibrando um copo de refrigerante de laranja, uma tigela de húmus de pimenta e um saco de batata palha. Ela vem até o sofá e se senta entre nós. Erguendo o saco, ela pergunta:
— Vocês querem um pouco?
— Claro — diz John, pegando um pouco. — Ei, ouvi que você é muito boa em esquemas. Isso é verdade?
Cautelosamente, ela pergunta:
— O que o faz dizer isso?
— Você foi quem enviou as cartas de Lara Jean, certo? — Kitty acena. — Então eu diria que você é muito boa em esquemas.
— Quero dizer, sim. Eu acho.
— Incrível. Nós precisamos da sua ajuda.
As ideias de Kitty são um pouco extremas demais – como furar os pneus de Genevieve ou jogar uma bomba fedorenta em sua casa para forçá-la a sair, mas John escreve a cada uma das sugestões, o que não passa despercebido por Kitty. Pouca coisa passa.

18 comentários:

  1. "Jogar uma bomba fedorenta em sua casa para forçá-la a sair" eles bem q podiam fazer isso msm 😏

    ResponderExcluir
  2. Não sei não, tá sendo muito rápida as coisas com McClaren, mas por um lado acredito que Lara Jean realmente tenha um charme que o conquiste muito rápido

    ResponderExcluir
  3. Josh ainda eh o meu shippe , danesse John ou Peter

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Kkkkkkkk isso é o que Eu chamo de perseverança 😏
      A.D.R

      Excluir
    2. Kkkkkk tão eu! No fundo ainda existe esperança

      Excluir
  4. Quero o Peter de volta! 💔
    A.D.R

    ResponderExcluir
  5. Kitty ícone sensata

    ResponderExcluir
  6. O John não perdeu tempo e foi logo "flertar" com a Kitty😏
    Já gosto dele kkkkkkk

    ResponderExcluir
  7. Eu Aida prefiro Peter. Não sei por qual motivo, mas ainda prefiro

    ResponderExcluir
  8. John já querendo conquistar a sapeca da Kitty. Garoto esperto!

    ResponderExcluir
  9. Nossa! Confusa com essa avalanche de acontecimentos.

    ResponderExcluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!