29 de maio de 2018

Capítulo 40

NO TELEFONE, ALGUMAS noites mais tarde, Peter diz de repente:
— Você me tem, não foi?
— Não!
Não contei a ele que tirei John no fim de semana. Eu não quero que ele – ou Genevieve, já que era assim – tivesse alguma informação extra. Está entre nós três agora.
— Então você me tem! — ele deixa escapar um gemido. — Eu não quero mais jogar este jogo. Isso está me deixando sozinho e realmente... frustrado. Eu não a vejo fora da escola faz uma semana! Quando é que isso vai acabar?
— Peter, eu não tenho o seu nome. Tenho John.
Eu me sinto um pouco culpada por mentir, mas é assim que os vencedores jogam este jogo. Você não pode dar um segundo pensamento. Há um silêncio na outra ponta. Então ele diz:
— Então você vai até a casa dele para tirá-lo? Ele vive no meio do nada. Eu poderia levá-la, se quiser.
— Eu ainda não descobri o meu plano de jogo, no entanto. Quem você tirou?
Tem que ser eu ou Genevieve. Ele fica quieto.
— Eu não vou dizer.
— Bem, você não disse a ninguém?
Como, por exemplo, Genevieve?
— Não.
Hmm.
— Certo, bem, eu só contei a você, então você, obviamente, me deve essa mesma cortesia.
— Eu não vou contar, você ofereceu a informação porque quis, e olha, se foi mentira e você me tem, por favor apenas me tire dessa loucura! — Peter explode. — Eu estou implorando. Venha à minha casa agora, e eu vou deixar você subir para o meu quarto. Ficarei sentado esperando como um patinho, se isso significar que eu poderei vê-la novamente.
— Não.
— Não?
— Não, eu não quero ganhar assim. Quando eu chegar ao seu nome, quero ter a satisfação de saber que venci justamente. Minha primeira vitória no Assassinos não pode ser maculada. — Faço uma pausa. — E, além disso, a sua casa é uma zona segura.
Peter solta um suspiro profundo.
— Você, pelo menos, virá para o meu jogo de lacrosse na sexta?
O jogo de lacrosse! É o lugar perfeito para tirá-lo. Tento manter minha voz calma e até responder:
— Eu não posso ir. Meu pai tem um encontro, e ele precisa de mim para cuidar da Kitty.
É uma mentira, mas Peter não sabe disso.
— Bem, você não pode trazê-la? Ela está pedindo para ir a um dos meus jogos.
Eu penso rápido.
— Não, porque ela tem uma aula de piano após a escola.
— Desde quando Kitty toca piano?
— Desde recentemente, na verdade. Ela ouviu da nossa vizinha que isso ajuda a treinar os filhotes; a acalmá-los.
Eu mordo meu lábio. Será que ele vai acreditar? Eu apresso em acrescentar:
— Prometo que estarei no próximo jogo, não importa o que aconteça.
Peter geme, desta vez ainda mais alto.
— Você está me matando, Covey.
Logo, meu querido Peter.
Eu vou surpreendê-lo no jogo; irei toda decorada em nossas cores da escola; Eu mesma vou pintar o número da camisa dele no rosto. Ele vai ficar tão feliz em me ver, não vai suspeitar de nada!
Não posso explicar totalmente por que este jogo Assassino é tão importante para mim. Eu só sei que a cada dia eu quero mais e mais a vitória. Eu quero vencer Genevieve, sim, mas é mais do que isso. Talvez seja para provar que eu mudei bastante: eu não sou um pequeno marshmallow macio; tenho alguma resistência dentro de mim.
Depois de Peter e eu desligarmos, mando uma mensagem de texto para John com a minha ideia, e ele se oferece para me levar ao jogo. É na escola dele. Eu pergunto se ele tem certeza de que não se importa de vir todo o caminho para me buscar, e ele diz que vai valer a pena para ver Kavinsky cair. Estou aliviada, porque a última coisa de que preciso é me perder no caminho para lá.

* * *

Depois da aula de sexta-feira, corro para casa para me aprontar. Eu me troco para as cores da escola – blusa azul-clara, shots brancos, meias até o joelho listradas de azul-claro e branco, uma fita azul no cabelo. Eu pinto um grande 15 na bochecha e o contorno com delineador branco.
Saio correndo assim que John para na entrada da nossa garagem. Ele está usando seu velho boné de beisebol surrado do Orioles. Ele me olha quando subo no interior. Sorrindo, João diz:
— Você parece uma maria chuteira.
Bato na aba de seu boné.
— Você costumava usar isso, tipo, todos os dias daquele verão.
Quando ele sai e começamos a seguir para a escola dele, John sorri como se tivesse um segredo. É contagioso. Agora eu estou sorrindo também, e nem sei o porquê.
— O quê? Por que você está sorrindo? — pergunto, puxando as minhas meias até o joelho.
— Nada — diz ele.
Espeto-o na lateral.
— Vamos!
— Minha mãe me fez um corte de cabelo ruim no início do verão, e eu fiquei com vergonha. Nunca mais deixei minha mãe cortar meu cabelo depois disso — ele verifica o tempo no painel. — Que horas você falou que o jogo começa? Cinco?
— Sim!
Estou praticamente saltando para cima e para baixo no meu lugar de tão animada. Peter vai ficar orgulhoso de mim por tirá-lo, eu sei que vai.
Nós chegamos à escola de John em menos de meia hora, e ainda há tempo antes de o ônibus escolar chegar, portanto, John corre para dentro e pega lanches para nós da máquina de venda automática. Ele volta com duas latas de refrigerante e um saco de batatas fritas de sal e vinagre para compartilhar.
Ele voltou faz pouco tempo quando um cara alto e negro em um uniforme de lacrosse se aproxima do carro.
— McClaren! — ele se abaixa e coloca o rosto perto da janela, e ele e John batem os punhos. — Você vem para a Danica de depois disso?
John olha para mim e diz:
— Não, eu não posso.
Seu amigo me percebe então; seus olhos se arregalam.
— Quem é?
— Eu sou Lara Jean, não sou daqui — digo, o que é idiota, porque ele provavelmente já sabe disso.
— Você é Lara Jean! — ele acena com entusiasmo. — Ouvi falar de você. Foi por sua causa que o McClaren ficou preso em um lar de idosos, estou certo?
Eu coro e John ri um tipo fácil de riso.
— Saia daqui, Avery.
Avery passa por cima de John e aperta minha mão.
— Prazer em conhecê-la, Lara Jean. Vejo você por aí.
Então ele corre para o campo. À medida que fico sentada esperando, mais algumas pessoas vêm até o carro de John para dar oi, e vejo que é exatamente como imaginei: ele tem muitos amigos, muitas garotas que o admiram. Um grupo de meninas passa pelo carro, indo para o campo, e uma em particular olha para o carro e diretamente para mim, perguntas em seus olhos. John não parece notar. Ele está me perguntando o que assisto de programas de TV, o que farei nas férias de primavera, em abril, nas férias de verão. Eu digo a ele sobre a ideia do papai de ir para a Coreia.
— Eu tenho uma história engraçada sobre o seu pai — John fala, olhando para mim de lado.
Eu gemo.
— Oh não. O que ele fez?
— Não foi ele; fui eu. — Ele limpa a garganta. — Isso é constrangedor.
Esfrego as minhas mãos juntas em antecipação.
— Então, eu fui até a sua casa para te convidar para o baile da oitava série. Eu tinha todo esse plano extravagante.
— Você não me convidou para o baile!
— Eu sei, estou chegando nessa parte. Você vai me deixar contar a história ou não?
— Você tinha um todo um plano extravagante — repito.
John acena com a cabeça.
— Então eu juntei um bando de galhos e algumas flores e as arrumei formando BAILE? na frente de sua janela. Mas seu pai chegou em casa enquanto eu estava no meio disso, e pensou que eu estivesse limpando os quintais das pessoas. Ele me deu dez dólares, eu perdi a cabeça e só fui para casa.
Eu rio.
— Eu... não acredito que você fez isso.
Não posso acreditar que isso quase aconteceu comigo. Que sentido teria, um menino fazendo algo assim para mim? Em toda a história das minhas cartas, dos garotos que já amei, nenhuma vez um menino gostou de mim de volta, ao mesmo tempo em que eu gostei dele. Era sempre eu sozinha, desejando um menino, e tudo estava bem, estava a salvo. Mas isso é novo. Ou velho. Velho e novo, porque é a primeira vez que estou ouvindo isso.
— O maior arrependimento da oitava série — John fala, e é aí que eu me lembro – Peter me disse uma vez que o maior arrependimento de John era não ter me convidado para o baile, e quão exultante fiquei quando ele falou isso, mas aí ele rapidamente voltou atrás e disse que era apenas brincadeira.
O ônibus escolar chega em seguida.
— Hora do show — eu digo.
Estou excitada quando vemos os jogadores descerem do ônibus — vejo Gabe, Darrell, mas nenhum Peter. Então a última pessoa sai do ônibus, e nada de Peter.
— Isso é estranho...
— Ele poderia vir dirigindo o seu próprio carro? — John pergunta.
Balanço a cabeça.
— Ele nunca dirige.
Pego o meu da bolsa e mando uma mensagem para ele. Onde você está?
Sem resposta. Algo está errado, eu sei disso. Peter nunca perde um jogo. Ele jogou mesmo quando estava gripado.
— Eu já volto — digo John.
Salto para fora do carro e corro para o campo. Os garotos estão se aquecendo. Encontro Gabe sobre a linha lateral amarrando suas chuteiras.
— Gabe! — eu chamo.
Ele olha para cima, surpreso.
— Grandona! E aí?
Ofegantemente lhe pergunto:
— Onde está Peter?
— Eu não sei — diz ele, coçando a parte de trás do pescoço. — Ele disse ao treinador teve uma emergência familiar. Soou muito legítimo. Kavinsky não perderia um jogo se não fosse importante.
Eu já estou correndo de volta para o carro. Assim que entro, pergunto:
— Você pode me levar para a casa do Peter?

* * *

Eu vejo o carro primeiro. Estacionado na rua em frente da casa dele. A próxima coisa que vejo é os dois, de pé juntos na rua para todos verem. Ele está com os braços em volta dela; ela está inclinada contra ele como se não se aguentasse sobre os próprios pés. O rosto dela está enterrado em seu peito. Ele está dizendo algo em seu ouvido, acariciando seus cabelos com ternura.
Tudo acontece no espaço de segundos, mas parece que o tempo passa em câmera lenta, como se eu estivesse me movendo através da água. Acho que vou parar de respirar; minha cabeça fica vaga; tudo ao meu redor são borrões. Quantas vezes eu os vi ficarem apenas assim? Vezes demais para contar.
— Continue dirigindo — consigo dizer a John, e ele obedece.
Ele dirige direto pela casa de Peter; eles nem sequer olham para cima.
Graças a Deus eles não olharam para cima.
— Você pode me levar para casa? — peço em voz baixa.
Eu não consigo nem olhar para John. Odeio que ele tenha visto também.
— Pode não ser... — John começa. Então ele para. — Foi apenas um abraço, Lara Jean.
— Eu sei.
Fosse o que fosse, ele perdeu o jogo por causa dela. Estamos quase na minha casa quando ele finalmente pergunta:
— O que você vai fazer?
Estive pensando sobre isso por todo o caminho.
— Vou pedir a Peter para vir hoje à noite, e então vou pegá-lo.
— Você ainda está jogando? — ele parece surpreso.
Olho para fora da janela, para todos os lugares familiares.
— É claro. Vou tirá-lo e então pegar Genevieve e eu vou ganhar.
— Por que você quer tanto ganhar? — ele me pergunta. — É o prêmio?
Eu não lhe respondo. Se eu abrir minha boca, vou chorar. Nós estamos na minha casa agora.
— Obrigado pela carona — murmuro. Então saio do carro antes que John possa responder.
Corro para dentro da casa, tiro os sapatos e corro até a escada para o meu quarto, onde deito e olho para o teto. Coloquei estrelas que brilham no escuro anos atrás, e tirei a maioria deles com exceção de uma, que grudou firme como uma estalactite.
A estrela iluminada, a estrela brilhante, a primeira estrela que vejo esta noite. Eu desejo poder, eu queria poder, ter o desejo esta noite. Eu queria não chorar. Eu mando mensagem de texto para Peter: Venha depois que terminar com Genevieve.
Ele escreve uma palavra como resposta: Okay.
Apenas “okay.” Não há negações, nem explicações ou esclarecimentos. Todo esse tempo eu tenho criado desculpas para ele. Confiei em Peter e não confiei em mim mesma. Por que estou fazendo todas essas concessões, fingindo estar bem com algo que realmente não estou? Só para mantê-lo? No contrato, concordamos em sempre dizer a verdade um ao outro. Concordamos em nunca quebrar o coração um do outro. Então acho que agora ele quebrou sua palavra duas vezes.

30 comentários:

  1. MDSS n tô acreditando 😒😒😒😒😒

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    1. Eu não acredito em dobro, eu aqui amando o Peter torcendo por ele e essa Genevive que vaca cadela ..

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  2. Acho que todos imaginavam isso mas ninguem queria acreditar...

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  3. EU NÃO ACREDITO!!!
    Como o Peter tem coragem de fazer​ issooo????
    #muitochateada

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  4. Que merda de garoto ele é, pô a Lara Jean tava realmente apaixonada e ele vem fazer essa bosta, tem que mais é levar chifre da Genevieve . Agora não sei quem vou shippar Lara Jean , acho que com o Josh, menos o John

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  5. Poxa peter, nos decepcionou

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  6. Nossa Peter eu torcia por você, agora vou shippar a Lara Jean com o John, Josh não urgh

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  7. eu pediria pro jhon acelerar e atropelar os dois

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  8. Caramba peter.... Pior que sempre soubemos que isso poderia acontecer, só não queríamos acreditar. Mas pode nao ser nada né? Ainda faz sentido acreditar nisso?

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  9. acho que ele pegou a gen.Ou ao contrario..pode ser,eu acho

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  10. Ainda acho que foi só mal entendido.
    Eles estavam com os nomes entre si ,eu acho que ele tirou ela do jogo.



    Preciso ir dormir...mas preciso mais ler o próximo capítulo kkkkkkk

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  11. Se é meu namorado eu ja teria dado a louca, nao acredito que a Lara Jean supor isso afz

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  12. Acho que não aconteceu nada entre Peter e Gen. Mas ele deu mancada. Não o acredito

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  13. Acho que não aconteceu nada entre Peter e Gen. Mas ele deu mancada. Não o acredito

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  14. Poxa Peter não acredito !

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  15. Eu já sabia kkkkk que estava aprontando

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  16. Eu acho que eles não estavam chifrando a laranja jeans.

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  17. Sem comentários. Como Peter faz isso?
    #chocada

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  18. Sem comentários. Como Peter faz isso?
    #chocada

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  19. Mesmo que tenha sido só um abraço, consolo, a PORRA QUE FOSSE, nós vivemos na TERRA, e, neste planetinha de merda, a sua atual, pegar você abraçando a sua ex, não tem desculpa.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!