7 de abril de 2018

Capítulo três


Call olhou fixamente para Tamara, completamente chocado. Ela estava diferente. Ou não; talvez a imagem na memória dele tivesse perdido a nitidez ao longo dos últimos seis meses. Mas Call não achava que fosse isso. Ele pensava tanto na garota que não conseguia conceber qualquer esquecimento a seu respeito. Não que isso tivesse alguma importância... tinha? Call percebeu que ainda a encarava e que Tamara provavelmente estava esperando que ele dissesse alguma coisa. Foi salvo por Devastação, que pulou na van com um latido alto e começou a lamber vigorosamente o rosto do menino.
— Jasper — disse Tamara, franzindo o rosto para o outro passageiro da van. — O que está fazendo aqui?
— Você enlouqueceu? Você organizou uma fuga da cadeia? — perguntou Jasper, transbordando de fúria. — E sequer me contou para que eu pudesse visitar Call outro dia?
— Desculpe por não ter checado sua agenda social. — Tamara revirou os olhos, subindo na van e empurrando Devastação de cima de Call, com os dedos no pelo do lobo em um gesto amigável...
Call não conseguia falar. Tinha tanto a dizer que acabou ficando preso entre o pensar e o verbalizar. Estava tão feliz só de olhar para Tamara, tão feliz por ela ainda gostar dele o suficiente para ajudá-lo. E, mesmo assim, ele sabia que não haviam desculpas suficientemente grandes para dar a ela.
Tamara olhou para ele e sorriu suavemente.
— Oi, Call.
Ele teve a sensação de mal conseguir engolir. O rosto da amiga tinha mudado sutilmente nos últimos seis meses, mas, de perto, ela parecia menos diferente do que ele imaginava. Ainda tinha os mesmos olhos grandes, escuros e solidários.
— Tamara. Você... planejou isso tudo? — perguntou ele, a voz rouca.
— Não sem ajuda — respondeu ela, chamando Call para fora da van. Ele pulou para perto dela, esticando a perna dolorida.
Eles estavam em frente a um chalé bonitinho, no centro de uma clareira. Havia um pequeno lago ao lado, com uma ponte que o atravessava. Em frente à casa, estava Anastasia Tarquin, seu carro branco estacionado na entrada.
Anastasia continuava com o terninho branco, agora sujo de fuligem. Ela olhou para Call daquele jeito que o deixava incrivelmente nervoso, como se estivesse vendo uma leoa vindo em sua direção na savana.
— Vou ficar na van — avisou Jasper, sem fôlego. — Mais tarde vocês podem me deixar em algum lugar. Tipo um posto de gasolina, sei lá. Eu volto sozinho.
— Anastasia me ajudou — explicou Tamara, basicamente para Call. — Ela me deixou descer para falar com Ravan. — A menina olhou para baixo. — Fiquei sem ter muito com quem conversar, depois que Aaron morreu, e você... se foi.
— Podia ter conversado comigo — disse Jasper, ainda na van.
— Você só queria falar sobre Celia — rebateu Tamara. — E ninguém falava comigo sobre Call porque...
— Porque acham que eu sou o Inimigo da Morte — argumentou Call. — E que eu desejava Aaron morto.
— Nem todos pensam isso — disse Tamara, com voz baixa. — Mas a maioria, sim.
— Call, Tamara — chamou Anastasia da varanda. — Entrem. — Ela cerrou os olhos. — Você também, Jasper.
Resmungando, Jasper finalmente saltou da van do presídio.
— Quando foi que aprendeu a dirigir? — perguntou Call.
— Kimiya me ensinou — respondeu Tamara, enquanto subiam os degraus da frente. — Eu disse a ela que precisava me distrair por causa... você sabe. De você e Aaron.
Você e Aaron. Aaron tinha morrido, e Call estava ali, vivo, mas deve ter parecido como uma morte em vida para Tamara, já que estivera preso no Panóptico, com todos acreditando que ele fosse mau.
Call percebeu o quão apavorado ficara com a possibilidade de que Tamara acreditasse nisso também. Sentiu-se quase fraco com o alívio de perceber que, aparentemente, não era esse o caso.
Por dentro, a casa tinha uma sala bonita, com cortinas de renda e mesinhas cobertas por tecidos bordados. Havia uma jarra de limonada sobre uma mesa de centro. Era um ambiente receptivo, mas do mesmo modo que a casa da bruxa coberta de doces também o era. Mesmo assim, não reclamaria. Não estava preso, e Tamara estava ali. Tinham até trazido Devastação.
— Me deixe ver essas algemas — pediu Tamara, quando Call sentou no primeiro sofá que via em meses. Quem imaginaria que seria possível sentir saudade de sofás? Tamara franziu a testa. — De que elas são feitas? Isto não é metal.
— Não é possível removê-las sem ferramentas especiais — informou Anastasia. — Infelizmente não tenho nenhuma aqui. — Ela se levantou. — Call, venha comigo. Vou ver se consigo improvisar alguma coisa.
Sem saber quanto tempo teria com Tamara, ele relutou em abrir mão da presença da amiga, mas as algemas realmente precisavam sair. A contragosto, ele se levantou e seguiu Anastasia até a cozinha.
Ela apontou para um banco. Havia uma bolsa preta grande e pesada na bancada, parecendo um kit antiquado de instrumentos médicos. Enfiando a mão ali dentro, Anastasia pegou alguns cristais que, depois, pousou sobre uma bandeja. Então, ligou o maçarico embaixo destes.
Enquanto aqueciam, ela se virou para Call.
— Foi uma pena não termos conseguido resgatá-lo antes. Sei que a espera foi dura.
Call se remexeu no assento. Anastasia frequentemente agia como se soubesse o que ele estava pensando ou sentindo. Às vezes tinha razão, outras não, mas sua convicção jamais se abalava.
Anastasia também tinha outra convicção, uma que mencionou para ele na única vez que o visitou no Panóptico. Ela acreditava que, por ser a mãe de Constantine Madden, também era mãe de Call.
Call não achava que as coisas funcionavam assim, mas sabia que não deveria discutir com Anastasia. Ela parecia absolutamente certa disso. Ele decidiu que, simplesmente, nunca mais tocaria no assunto, e torcia para que ele jamais ressurgisse.
— Tamara, é claro, ficou arrasada por não poder visitar — acrescentou.
Call queria acreditar.
— Ela é uma boa amiga.
— Amiga? — Anastasia deu uma risada barulhenta. — Ela gosta de você. Acho uma graça.
Call encarou a mulher, os pensamentos girando. Tamara não gostava dele! Isso era ridículo. Tamara era linda, inteligente, rica e tinha sobrancelhas perfeitas. Desde que a conhecera, ele soube que ela era muita areia para seu caminhãozinho. Ele se lembrou de tê-la visto dançando com Aaron no início do Ano de Bronze. Formavam um belo casal. E Call sabia que jamais formariam um belo casal. Se dançassem juntos — mesmo que ele conseguisse acompanhar com sua perna —, tinha certeza de que pisaria no pé da menina.
Os cristais começaram a fazer um barulho estranho e choroso, e Anastasia desligou o fogo.
— Terra e fogo juntos — explicou. — É mais fácil extrair assim.
Então, estendeu uma das mãos e derreteu a corrente que ligava as algemas. Call precisou desviar muito rápido de um respingo de metal líquido. A gota atingiu o linóleo e soltou fumaça, escurecendo o plástico ao redor dos respingos.
Anastasia franziu o rosto para o chão.
— Isto é tudo que posso fazer por agora, mas deve ajudar com sua mobilidade até podermos remover as algemas propriamente ditas.
Call mal prestava atenção. Observava o chão que derretia, pensando: poderia ser verdade? Será que Tamara realmente gostava dele? Anastasia era um pouco estranha e, talvez, meio maluca. Provavelmente, não sabia do que estava falando.
Mas e se soubesse?
— Volte para a sala — disse Anastasia. — Eu já vou, depois que arrumar as coisas.
Mecanicamente, Call voltou para onde Tamara e Jasper discutiam a respeito da casa.
— Anastasia encontrou esta casa onde podemos nos esconder dos magos — dizia Tamara. — Ela ergueu uma magia de disfarce no ar em volta a fim de impedir que seja encontrada. Aqui estamos seguros para planejar os próximos passos.
Call a encarou, como se ela não fosse uma de suas melhores amigas. Como se não tivesse compartilhado um aposento com ela nos últimos três anos. Não, Tamara não podia gostar dele. Inclusive, se gostava de alguém, era de Aaron.
— Quanto tempo você tem até precisar voltar ao Magisterium? — perguntou Call de repente. — Quero dizer, vão perceber que você sumiu.
Ótimo, ele pensou. Está parecendo que quero me livrar dela. Ele teve o pensamento aterrorizante de que pudesse ficar tão travado diante de Tamara como tinha ficado com Celia quando descobriu que ela queria sair com ele. E se ele arruinasse a amizade? E se fizesse papel de bobo?
Tamara não o encarou.
— Não posso voltar, Call.
— E eu? — gritou Jasper. — E quanto à minha volta para a escola? Eu tenho que voltar! Celia está lá!
Call não conseguia processar direito o sacrifício que Tamara estava planejando fazer.
— Nunca mais? — perguntou a ela. — Você nunca mais vai poder voltar para a escola?
Talvez ele realmente tivesse um charme avassalador no fim das contas. Talvez ela gostasse mesmo dele. Ou talvez fosse uma grande amiga de verdade.
Talvez ele jamais fosse saber.
Tamara olhou demoradamente para Call.
— Não vou ficar lá, aprendendo mágica, enquanto os aprendizes falam que os magos vão te pegar e arrancar sua cabeça. Não vou voltar, a não ser que você volte comigo. E, para isso acontecer, temos que limpar seu nome.
Call engoliu em seco. Ele sabia que os outros alunos diriam coisas horríveis a seu respeito, mas não tinha pensado na parte de arrancarem sua cabeça. Pior, ele não achava que houvesse uma maneira de limpar seu nome — não enquanto todos pensavam que seu nome secreto era Constantine Madden.
— Vocês estão se ouvindo? — perguntou Jasper. — Como planejam fazer isso?
— Ainda não sei — admitiu Tamara. — Mas Ravan ajudou antes, e vai ajudar com isso.
— Ravan? — perguntou Jasper. — Aquela era no Panóptico era Ravan? Tamara, você não pode confiar em um Devorado, mesmo que ela um dia tenha sido sua irmã!
A mente de Call girava, ainda pensando no que Tamara havia feito ao tirá-lo da prisão. E logo com Anastasia Tarquin. Como Tamara e Anastasia foram trabalhar juntas? O que Anastasia queria?
Enquanto Jasper e Tamara discutiam, Call se flagrou olhando para a amiga, decorando suas feições — os olhos, o tom de voz quando se irritava, a curva de sua boca enquanto sorria. Ele temia que fosse perdê-la de novo. Estava acostumado a uma vida atribulada e seus improváveis esquemas de fuga. Estava acostumado a arrastar um Jasper indisposto para o referido esquema. Mas, antigamente, Aaron estava com eles.
Call sempre presumiu que todos concordavam com Aaron, e como ele gostava de Call, as pessoas o aturavam também.
Sem ele, tudo parecia estranho e errado. Desequilibrado. Incerto. Sem Aaron, será que Tamara continuaria gostando de Call? Será que conseguiriam continuar amigos agora que eram apenas dois, e não três?
O pensamento em Aaron se fechou, como um punho frio, no coração de Call. Aaron deveria estar ali, discutindo sobre o que todos fariam. Em vez disso, ele estava morto. Call e Tamara tinham sido deixados para trás, juntos. Pensar nisso fez o coração de Call acelerar, de nervoso e algo mais.
Anastasia Tarquin voltou para a sala. Atrás dela, vinha uma figura familiar, vestindo túnicas pesadas. Tamara engasgou e levantou um pouco do sofá.
Era Mestre Joseph.
Call se levantou, pronto para atacar, mas nenhum Caos saiu de seus dedos. Mesmo sem a corrente, de algum modo as algemas o impediam de utilizar qualquer magia.
Tamara engasgou. Jasper recuou alguns passos e, depois, congelou, encarando. Claro, na última vez que vira o professor de Constantine, o túmulo do Inimigo da Morte estava ruindo a seu redor.
— O que — começou Jasper, com a voz sufocada — ele está fazendo aqui?
— Anastasia? — chamou Tamara, levantando a voz. — O que está acontecendo?
— Temo não ter sido totalmente honesta com você — respondeu a mulher. — Nem sobre mim, nem sobre meus motivos para soltar Call. Veja bem, antes de me chamar Anastasia Tarquin, eu tinha outro nome: Eliza Madden. Eu era a mãe de Constantine e Jericho Madden.
O coração de Call despencou.
Os olhos de Tamara ficaram gigantescos.
— O quê?
— Sim — disse Anastasia. — Tenho certeza de que nunca pensou no Inimigo da Morte como alguém que tivesse mãe, mas ele tem. Perdi meus dois filhos, mas não perderei Call. Não vou permitir que os magos o trancafiem até apodrecer. E, certamente, não vou permitir que o condenem à morte após um julgamento teatral.
— Me condenar à... morte? — repetiu Call.
Será que era o medo de Anastasia falando, ou ela sabia de alguma coisa? Será que era verdade?
— Íamos limpar seu nome! Em vez disso, você vai jogá-lo de volta nas mãos do monstro responsável pela perda de seu filho? — perguntou Tamara, gesticulando para Mestre Joseph.
— Isso é mentira — disse Mestre Joseph.
Ele mexeu as mãos e lançou Tamara de volta ao sofá, seu corpo batendo nas almofadas.
— Deixe Tamara em paz! — gritou Call, esquecendo-se de todo o resto.
Devastação começou a rosnar, e fogo faiscou do centro da palma da mão de Jasper.
Mestre Joseph olhou para eles com pena.
— Torcia para que viessem por vontade própria, mas sou plenamente capaz de levá-lo à força.
O rosto de Anastasia parecia mármore.
— Você não vai machucar Callum — disse ela. — Joseph!
Ela não podia realmente confiar em Mestre Joseph, podia? Call tentou se levantar, mas foi derrubado por outra onda lançada por ele. Mais uma vez, Mestre Joseph girou o punho e um vórtice de vento se ergueu de seus dedos e espiralou em direção a eles.
Call e Tamara estavam grudados no sofá, Jasper preso à parede. Até Devastação foi derrubado e choramingava e rosnava com a força do vento.
A porta abriu atrás de Mestre Joseph. Através dela, vieram os Dominados — os seguidores zumbis sem mentes do Inimigo da Morte. Um dos grandes crimes de Constantine foi fabricá-los; e também, de acordo com pessoas como Mestre Joseph, uma de suas grandes conquistas.
Implacavelmente, os Dominados cercaram Call, Tamara e Jasper, pegando-os pelos braços e marchando com eles para fora. Uma vez lá, pararam, formando um círculo espaçado. Pareciam totalmente bizarros e deslocados na bela clareira com a pequena casinha no meio.
Anastasia e Mestre Joseph estavam na varanda. A mulher olhava para Call com o mesmo apetite de antes. Outro carro despontou na entrada. Devastação, latindo e rosnando, correu em volta do círculo, sem conseguir se aproximar.
Por que os Dominados tinham parado? Call sabia que eles não tomavam as próprias decisões; eram cascas de seres humanos que tiveram o caos forçado para dentro de suas almas e, portanto, obedeciam totalmente a seu Mestre.
Seu Mestre. Constantine Madden tinha feito os Dominados. Ele era o Makar, seu Mestre. Era a única coisa mais ou menos boa de se ter a alma de Constantine.
Call pigarreou. Isso seria constrangedor.
— Me soltem — exigiu ele. — Sou seu Mestre. Sou o Inimigo da Morte. A alma dele é igual a minha. Me soltem, Dominados.
Nas últimas duas vezes que tinha feito isso, funcionou.
Daquela vez, nada aconteceu.
Parecia que Call batia contra uma parede. Os Dominados simplesmente o encararam, os olhos reluzentes girando como os de Devastação.
Talvez fosse por causa das algemas, pensou Call, tentando contorcer as mãos para retirá-las dos punhos.
Então, a porta do carro recém-chegado abriu, revelando um menino alto com cabelos castanhos desgrenhados. Vestia uma jaqueta de couro e um sorriso cruel.
Alex Strike. O assassino de Aaron e o único outro mago do caos que Call conhecia.
Um rugido saiu da garganta de Call quando ele avançou para cima de Alex. Atrás dele, Tamara gritava e chutava os Dominados que a seguravam.
— Eu vou te matar! — Havia lágrimas no rosto de Call enquanto ele se lançava contra Alex. — Eu vou te matar!
— Detenham Call — pediu Alex, preguiçosamente.
Segundos depois, o menino sentiu que uma dúzia de Dominados o segurava, as garras como ferro.
Os olhos de Alex dançaram.
— Eu fiz estes — disse ele, indicando os Dominados na clareira. — Eu sou seu Makar, não você nem Constantine. Eles obedecem a mim.
— Basta! — exigiu Anastasia, da varanda. — Você não vai ferir Call. Ninguém vai feri-lo. Alex, você entendeu? Precisamos deixar nossas diferenças para trás.
Alex a encarou com olhos afiados, depois encarou Mestre Joseph, como se esperasse ouvir alguma coisa diferente.
Em vez disso, Mestre Joseph sorriu para todos eles, como se tudo estivesse indo muito bem.
— Sim, ninguém vai machucar ninguém. Vamos todos voltar para a fortaleza em paz. Temos muito a discutir. O futuro pelo qual tanto esperamos finalmente chegou.
Alex assumiu uma expressão petulante, mas nenhum dos adultos pareceu notar.
Os olhos de Anastasia estavam fixos em Call.
— Sei que provavelmente está muito chateado comigo agora, mas sei o que é melhor para você. Você precisa de proteção. Os magos só entendem demonstrações de força. Você se colocou a sua mercê, e viu só o que aconteceu?
— Ravan vai ficar sabendo! — gritou Tamara. — Quando eu não me encontrar com ela como disse que faria, ela vai saber que você nos traiu. Ela vai contar para alguém.
Anastasia balançou a cabeça e estalou a língua, como se Tamara tivesse algum retardo.
— Quem vai acreditar nela? Ravan é uma elemental fugitiva que ateou fogo a um presídio.
Tamara pareceu derrotada e furiosa consigo mesma. Call queria dizer que ela não tinha culpa pelo plano ter tido um desvio de rota, que esse tipo de coisa sempre acontecia quando ele estava envolvido. Mas, antes que pudesse falar qualquer coisa, a coisa morta que o segurava começou a arrastá-lo para a van. Em poucos instantes, estavam lá dentro com Devastação.
— Sério? — perguntou Jasper, sombriamente, de um dos bancos. — Reuniões clandestinas com os capangas do Inimigo da Morte definitivamente não vão limpar seu nome, Call. Pelo contrário. Isso é o oposto de limpar seu nome.
— Ninguém planejou isso, Jasper! — Tamara se irritou.
— Mestre Joseph planejou — rebateu ele, de modo muito incisivo. Call estava acostumado a comentários críticos, mas, dessa vez, era diferente. Jasper estava certo.
Frustrado, Devastação uivou e andou de um lado para o outro naquele espacinho antes de se ajeitar na perna de Call.
Call esperava ouvir alguém sentando no banco do motorista, dando partida no motor, mas, em vez disso, sentiu a van inteira ser suspensa no ar.
Todos caíram de lado, gritando. Jasper aterrissou em Call antes de rolar sobre Devastação. Call bateu a perna com força no banco. Tamara tombou por cima do amigo, o cabelo caindo na boca de Call e o joelho acertando um lugar que o menino não queria pensar.
Ai.
Em seguida, a van arrancou novamente, e eles rolaram para o lado oposto.
— Ei! — gritou Call, quando recuperou o ar. — Achei que ninguém deveria se machucar!
Após mais alguns minutos de arrancadas, a van estabilizou e passou a flutuar mais suavemente. Eles ficaram no chão até terem certeza de que era seguro, e depois voltaram para os bancos.
Jasper esfregou o pescoço.
Tamara estava quieta ao lado de Call. Respirando fundo, ele esticou uma de suas mãos algemadas e pegou a dela. Estava quente e macia, e ele segurou firme enquanto voavam para a fortaleza que outrora havia pertencido ao verdadeiro Inimigo da Morte.

6 comentários:

  1. Não sei se me sinto mau por tamara ter sido enganada ou call não poder fazer nada

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  2. Shippar ou não shippar? Eis a questão.

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  3. Tem mais vilão que mocinho util nessa saga mds

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  4. Tamara era linda, inteligente, rica e tinha sobrancelhas perfeitas.
    Ah não kkkkkkkkkk shippo muito

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Boa leitura, E SEM SPOILER!