16 de abril de 2018

Capítulo 68

NA MANHÃ DO recital natalino, acordo depois das dez, e eles já estão trabalhando há horas. Margot é a chef, e papai, o ajudante. Ela o mandou picar cebolas e aipo e lavar panelas. Para nós, ela diz:
— Lara Jean, preciso que você limpe o banheiro do primeiro andar, passe pano no chão e arrume. Kitty, você vai cuidar da decoração.
— Podemos pelo menos comer cereal primeiro? — pergunto.
— Podem, mas sejam rápidas.
Ela volta a pegar colheradas de massa de biscoito para botar na assadeira.
— Eu nem queria essa festa, e agora ela me manda limpar o banheiro — sussurro para Kitty. — Por que você fica com o trabalho bom?
— Porque sou mais nova — diz Kitty, sentando no banco em frente à bancada.
Margot se vira para mim.
— Ei, o banheiro precisava de limpeza de qualquer jeito! Além do mais, vai valer a pena. Não fazemos um recital natalino há tanto tempo. — Ela coloca a assadeira cheia de biscoitos no forno. — Pai, preciso que você dê um pulo no mercado daqui a pouco. Acabou o creme azedo, e precisamos de um saco grande de gelo.
— Sim, senhora! — responde papai.
O único que não é posto para trabalhar é Jamie Fox-Pickle, que está cochilando debaixo da árvore de Natal.

* * *

Estou usando uma gravata-borboleta xadrez vermelha e verde com camisa branca de botão e saia xadrez vermelha e preta. Li em um blog que misturar estampas xadrez está na moda. Vou até o quarto de Kitty e imploro para ela fazer uma coroa de trança em mim. Ela faz uma careta.
— Isso não é muito sexy.
Eu franzo a testa.
— Como é? Eu não quero ficar sexy! Estou tentando ficar festiva.
— Bem... você parece um garçom escocês, ou talvez uma atendente de bar do Brooklyn.
— O que você sabe sobre atendentes de bar do Brooklyn, Katherine? — pergunto.
Ela me olha com intensidade.
— Dã. Eu assisto HBO.
Hum. Talvez seja preciso colocar uma senha em certos canais na tevê.
Kitty vai até meu armário e pega meu vestido vermelho de tricô com ombros de fora e saia rodada.
— Vista este. Ainda tem cara de Natal, mas você não vai ficar parecendo um
elfo.
— Tudo bem, mas vou colocar meu broche de bengala de Natal.
— Pode usar o broche, mas deixe o cabelo solto. Nada de trança. — Faço minha melhor cara triste, mas Kitty balança a cabeça. — Posso enrolar as pontas para dar volume, mas nada de trança.
Ligo o baby liss e me sento no chão com Jamie no colo, e Kitty se senta na cama e divide meu cabelo. Ela parece uma profissional.
— O Josh respondeu se vem à festa? — pergunta ela.
— Não sei.
— E o Peter?
— Ele não vem.
— Por que não?
— Ele não vai poder.

* * *

Margot está ao piano tocando “Blue Christmas”, e nosso antigo professor de piano, o sr. Choi, está sentado ao lado dela cantando junto. Do outro lado da sala, papai está exibindo um novo cacto para os Shah, os vizinhos que moram no fim da rua, e Kitty e Josh e algumas outras crianças tentam ensinar Jamie a sentar. Estou tomando ponche de cranberry e refrigerante de gengibre e conversando com tia D. sobre o divórcio dela quando chega Peter Kavinsky, usando um suéter verde-musgo com camisa de botão por baixo e segurando uma lata de biscoitos. Eu quase engasgo com o ponche.
Kitty o vê na mesma hora que eu.
— Você veio! — grita.
Ela corre para os braços dele, e Peter coloca a lata de biscoitos de lado, a pega no colo e dá um giro. Quando a coloca no chão, ela o leva pela mão até a mesa, onde estou ocupada reorganizando os biscoitos nos pratos.
— Lara Jean, olha o que o Peter trouxe — diz ela, empurrando-o.
Ele me entrega a lata de biscoitos.
— São biscoitos de frutas cristalizadas que minha mãe fez.
— O que você está fazendo aqui? — sussurro, irritada.
— Sua irmã me convidou. — Ele faz um gesto com a cabeça na direção de Kitty, que voltou correndo, de forma bem conveniente, até o cachorro. Josh está de pé agora, olhando para nós com a testa franzida. — Nós precisamos conversar.
Então agora ele quer conversar. Bem, tarde demais.
— Não temos nada para conversar.
Peter me segura pelo cotovelo, e eu tento me soltar dele, mas não consigo. Ele me leva para a cozinha.
— Quero que você invente uma desculpa para a Kitty e vá embora — digo. — E pode levar seus biscoitos de frutas cristalizadas.
— Primeiro me diga por que está com tanta raiva de mim.
— Porque sim! — explodo. — Todo mundo está falando que transamos no ofurô e que sou uma piranha, e você nem liga!
— Eu falei para os caras que era mentira!
— Falou? Você falou que só nos beijamos e mais nada? — Peter hesita, e eu continuo: — Ou disse: “Pessoal, não transamos no ofurô”, acompanhado de uma piscadela?
Peter me olha com irritação.
— Eu mereço um pouco mais de crédito, Covey.
— Você não presta, Kavinsky — diz uma voz.
Eu me viro. Lá está Josh, parado na porta, olhando com raiva para Peter.
— É sua culpa as pessoas estarem falando essas merdas sobre a Lara Jean. — Josh balança a cabeça com nojo. — Ela nunca faria aquilo.
— Fale baixo — sussurro, olhando ao redor.
Isso não pode estar acontecendo agora. Em um recital natalino, com todas as pessoas que conheço desde pequena na sala ao lado.
O queixo de Peter treme.
— Essa conversa é particular, Josh. É entre mim e a minha namorada. Por que você não vai jogar World of Warcraft? Ou que tal ver tevê? Tenho certeza de que uma maratona de Senhor dos Anéis deve estar passando em algum lugar.
— Vai se ferrar, Kavinsky — diz Josh.
Eu tomo um susto. Josh olha para mim.
— Lara Jean, é exatamente disso que estou tentando protegê-la. Ele não merece você. Só está puxando você para baixo.
Ao meu lado, Peter fica rígido.
— Cara, se toca! Ela não gosta mais de você. Acabou. Parte pra outra.
— Você não faz ideia do que está falando — diz Josh.
— Não estou nem aí. Ela me contou que você tentou dar um beijo nela. Se fizer isso de novo, vou quebrar a sua cara.
Josh dá uma gargalhada curta.
— Quero só ver.
Pânico começa a crescer no meu peito quando Peter anda na direção de Josh com determinação. Seguro o braço dele.
— Pare com isso!
É nessa hora que a vejo. Margot, um pouco atrás de Josh, com a mão na boca. A música do piano parou, o mundo parou de girar, porque Margot ouviu tudo.
— Não é verdade, é? Por favor, me diz que não é verdade.
Eu abro e fecho a boca. Não preciso dizer nada porque ela já sabe a resposta. Margot, que me conhece tão bem.
— Como você pôde? — pergunta ela, com a voz trêmula.
A dor em seus olhos me faz querer morrer. Nunca vi essa expressão nos olhos dela antes.
— Margot — Josh começa a dizer, e ela balança a cabeça e recua.
— Vá embora — diz ela, a voz falhando. Em seguida, olha para mim. — Você é minha irmã. A pessoa em quem mais confio no mundo.
— Gogo, espera...
Mas ela já saiu. Escuto seus passos subindo as escadas. Ouço a porta do quarto dela ser fechada sem bater.
E caio no choro.
— Sinto muito — diz Josh para mim, com tristeza. — É tudo culpa minha.
Ele sai pela porta dos fundos.
Peter se aproxima para me abraçar, mas eu o impeço.
— Você poderia apenas... ir embora?
Dor e surpresa surgem no rosto dele.
— Claro, eu posso ir embora — diz ele, e sai da cozinha.
Vou para o banheiro mais próximo, me sento no vaso e choro. Alguém bate à porta, e eu paro de chorar e grito:
— Só um minuto.
A voz alegre da sra. Shah responde:
— Desculpe, querida.
Ouço os passos dela se afastando.
Eu me levanto e jogo água fria no rosto. Meus olhos ainda estão vermelhos e inchados. Molho uma toalha de mão na pia e a passo no rosto. Minha mãe fazia isso comigo quando eu estava doente. Colocava um paninho molhado frio na minha testa e trocava por um novo quando não estava mais frio. Eu queria que minha mãe estivesse aqui.

* * *

Quando volto para a festa, o sr. Choi está sentado ao piano tocando “Have Yourself a Merry Little Christmas”, e a sra. Rothschild encurralou meu pai no sofá. Ela está bebendo bastante champanhe, e ele está com uma expressão levemente assustada. Assim que me vê, meu pai levanta do sofá e se aproxima de mim.
— Ah, graças a Deus — diz ele. — Onde está a Gogo? Ainda não fizemos nosso número.
— Ela não está se sentindo muito bem.
— Hum. Vou ver como Margot está.
— Acho que ela só quer ficar sozinha.
Papai franze a testa.
— Ela e o Josh brigaram? Ele já foi embora.
Eu engulo em seco.
— Talvez. Vou falar com ela.
Ele me dá um tapinha no ombro.
— Você é uma boa irmã, querida.
Eu forço um sorriso.
— Obrigada, pai.
Subo a escada, e a porta do quarto de Margot está trancada.
— Margot, posso entrar?
Nenhuma resposta.
— Por favor, deixe eu explicar...
Silêncio.
— Sinto muito, Margot, é sério. Por favor, fala comigo.
Eu me sento encostada à porta e começo a chorar. Minha irmã mais velha sabe como me magoar. Silêncio e distância são o pior castigo que ela podia me dar.

11 comentários:

  1. Queria que o Peter tivesse dado uns socos no Josh!

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  2. q irmã chataaaa
    termina com o menino, fica toda indiferente e agr fica assim -_- me poupeeeee chataaaa

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  3. Cara q merda.. E AGORA?! N sei nem o q disser...... 💔

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  4. Namorado de amiga e principalmente irmã NÃO se beija,não se pega!
    Entendo ela...ação e reação, ela está se sentindo traída pela irmã...mas o Amor delas é maior!

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    1. No cado delas é "ex namorado", e sem contar que Lara Jean não quis beijar o Josh, a inciativa não foi dela e ela ainda recuou.

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  5. Mandy Nerd K-Otaku21 de junho de 2018 13:49

    Eu.Odeio.O.Josh.

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  6. Kkkkkkk esse finalzinho de capítulo me lembrou a Anna batendo na porta da Elza, chamando ela pra brincar na neve. 🌚😂 (Viajei agora)!
    A.D.R

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  7. Josh que fez mais merda, mas ele tava confuso porque a Margot terminou com ele é ele sempre foi muito amigo da Lara Jean. A Lara tentou de tudo pra se afastar do Josh, uma hora a Margot vai entender.

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  8. Ah gente que sacoo. Tomei ranço do Josh e a da margot, a margot termina o namoro e depois quer colocar culpa na lara. O josh, sabendo q a lara n gostava mais dele e q ele era ex da irma dela, a beijou. Aaaaarg q raivaaa

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