16 de abril de 2018

Capítulo 67

NA MANHÃ DE Natal, Kitty acorda todo mundo enquanto ainda está escuro, tradição dela, e nosso pai faz waffles, tradição dele.
Só comemos waffles no Natal porque concordamos que dá muito trabalho pegar a grelha, limpá-la e depois guardar de volta na prateleira mais alta, onde sempre fica. Além disso, comer waffles vira uma tradição especial dessa forma.
Nós nos revezamos abrindo os presentes para fazer com que demore mais. Dou a Margot o cachecol e o scrapbook, que ela adora. Ela examina cada página e elogia meu trabalho artesanal, impressionada com minhas escolhas de fonte e recortes de papel. Margot o abraça contra o peito.
— É o presente perfeito.
Sinto toda a tensão e os sentimentos ruins entre nós evaporarem. O presente de Margot para mim é um suéter de caxemira rosa-claro da Escócia. Experimento por cima da camisola. É muito macio e elegante.
O presente de Margot para Kitty é um kit de arte com pastéis, aquarelas e canetas especiais, que faz Kitty gritar como um porquinho. Em troca, Kitty dá para ela meias com macacos. Dou a Kitty uma cesta nova para a bicicleta e a colônia de formigas que ela pediu meses atrás, e Kitty me dá um livro sobre tricô.
— Para você poder melhorar — explica ela.
Nós três juntamos dinheiro para o presente de nosso pai, um suéter escandinavo grosso que o faz parecer um esquimó. Fica um pouco grande, mas ele insiste que gosta daquele jeito. Ele dá para Margot um e-reader novo e moderno, para Kitty um capacete de bicicleta com o nome dela (Katherine, não Kitty) e para mim um vale-presente da Linden & White.
— Eu queria ter comprado aquele colar com pingente de coração que você sempre olha, mas tinha sido vendido — diz ele. — Mas aposto que você vai encontrar outro como aquele.
Dou um pulo e o abraço. Sinto vontade de chorar.
Papai Noel, ou seja, papai, nos dá presentes bobos como sacos de carvão e pistolas de água com tinta invisível dentro, mas também coisas práticas como meias esportivas, tinta para impressora e meu tipo favorito de caneta. Parece que Papai Noel também faz compras em lojas de departamento.
Quando acabamos de abrir os presentes, posso ver que Kitty está decepcionada por não encontrar nenhum cachorrinho, mas ela não diz nada. Eu a puxo para meu colo.
— Talvez no seu aniversário mês que vem — sussurro.
Ela assente.
Papai vai ver se a grelha de waffle já está quente, e a campainha toca.
— Kitty, você pode atender? — grita ele da cozinha.
Ela vai até a porta e, segundos depois, ouvimos um grito agudo. Margot e eu damos um pulo e corremos até lá, e bem ali, no capacho, há uma cesta com um filhotinho marrom com um laço no pescoço.
Nós duas começamos a pular e a gritar junto com ela.
Kitty pega o cachorrinho no colo e corre para a sala com ele, onde nosso pai está sorrindo.
— Papai, papai, papai! — grita ela. — Obrigada, obrigada, obrigada!
Papai conta que escolheu o filhote no abrigo de animais duas noites antes, e nossa vizinha, a sra. Rothschild, estava escondendo-o em casa. É macho, aliás; descobrimos isso bem depressa, pois ele faz xixi por todo o chão da cozinha. É um vira-lata de wheaten terrier, e Kitty declara que é muito melhor do que um akita ou um pastor alemão.
— Eu sempre quis um cachorro com franjinha — digo, aninhando-o contra a bochecha.
— Que nome vamos dar para ele? — pergunta Margot.
Nós olhamos para Kitty, que morde o lábio inferior, pensativa.
— Não sei — responde ela, por fim.
— Que tal Sandy? — sugiro.
Kitty faz expressão de desprezo.
— Não é original.
— E que tal François? Podemos chamá-lo de Frankie.
— Não, obrigada — diz Kitty. Inclinando a cabeça, ela diz: — Que tal Jamie?
— Jamie — repete papai. — Gostei.
Margot assente.
— Soa bem mesmo.
— Qual é o nome completo? — pergunto, colocando-o no chão.
— Jamie Fox-Pickle, mas só vamos chamá-lo assim quando ele fizer besteira. — Ela bate palmas e chama com voz infantil: — Vem, Jamie!
Ele corre até ela, balançando o rabo como louco.
Nunca a vi tão feliz nem com tanta paciência. Ela passa todo o dia de Natal tentando ensinar truques a ele e levando-o lá fora para fazer xixi. Os olhos dela não param de brilhar. Acabo desejando ser pequena de novo, para que tudo pudesse ser resolvido com um cachorrinho de presente de Natal.
Só olho o celular uma vez para ver se Peter ligou. E ele não ligou.

12 comentários:

  1. Então o colar de coração foi vendido...hum...

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  2. Já dá até pra saber q foi o Peter q comprou né... 😍💚 own xenti
    CARA finalmente ela ganhou um cachorro

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  3. Melhor manhã de Natal? Quem sabe?
    Não me diga que uma certa Lara Jean ganhe um colar que ela queria muito de um certo Peter?
    Amei que a Kitty ganhou um cachorrinho!! Não era um akita, mas ainda assim...! Eu to amandoooo!!!!

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  4. Quando a campainha tocou eu jurava que ia ser o Peter com o cachorrinho E o colar.

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  5. Eeeeeegdbrsjhdnwzbsvheh tô doida aqui kkkk

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  6. É melhor ele ter comprado o colar pra ela

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  7. Eu queria ter comprado aquele colar com pingente de coração que você sempre olha, mas tinha sido vendido —
    Vendido, né?!
    Isso tem cheiro de Peter. 😍

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  8. So sei q o Peter ja tem tudo prontinhoooo <3

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Boa leitura, E SEM SPOILER!