16 de abril de 2018

Capítulo 65

AS PESSOAS ESTÃO começando a voltar para o ônibus. Sinto seus olhares em mim e mantenho o rosto virado para a janela.
Passo o dedo no vidro embaçado. A janela está tão fria que deixa uma marca.
Chris se senta ao meu lado.
— Hã... acabei de ouvir uma história muito doida.
— O que você ouviu? — pergunto, sem emoção. — Que Peter e eu transamos no ofurô ontem à noite?
— Ah, meu Deus! É! Você está bem?
Meu peito parece apertado. Se eu respirar, sei que vou começar a chorar de novo. Fecho os olhos.
— É mentira. Quem contou isso para você?
— Charlie.
Peter está vindo pelo corredor. Ele para ao nosso lado e olha para mim, preocupado.
— Ei, por que você não voltou para a mesa? Está tudo bem?
— Todo mundo está dizendo que fizemos sexo no ofurô — respondo, baixinho.
Peter resmunga.
— As pessoas precisam cuidar das próprias vidas.
Ele não parece surpreso.
— Você já sabia?
— Alguns dos caras vieram falar comigo hoje de manhã.
— Mas... de onde eles tiraram essa ideia?
Acho que vou vomitar.
Peter dá de ombros.
— Sei lá, talvez alguém tenha visto a gente. Que importância tem? Não é verdade.
Aperto bem os lábios. Não posso chorar agora porque, se começar, não vou conseguir parar nunca mais. Vou chorar o caminho todo para casa, todo mundo vai ver, e não vou suportar. Fixo o olhar em algum ponto acima do ombro de Peter.
— Não estou entendendo. Por que você está com raiva de mim?
Ele ainda está confuso. As pessoas estão começando a se acumular atrás de Peter. Elas querem chegar a seus lugares.
— As pessoas estão esperando atrás de você — digo a ele.
— Chris, pode devolver meu lugar?
Chris olha para mim, e eu balanço a cabeça.
— É meu lugar agora, Kavinsky.
— Para com isso, Lara Jean — diz Peter, tocando em meu ombro.
Eu afasto a mão dele, que fica surpreso. As pessoas estão olhando para nós, sussurrando e rindo. Peter olha por cima do ombro com o rosto vermelho. E finalmente continua pelo corredor.
— Você está bem? — pergunta Chris.
Consigo sentir as lágrimas surgindo nos olhos.
— Não. Nem um pouco.
Ela suspira.
— Não é justo com as garotas. As coisas são fáceis para os garotos. Tenho certeza de que todo mundo deu os parabéns a Peter, dando tapinhas nas costas dele por ser tão garanhão.
Fungando, eu pergunto:
— Você acha que foi ele quem inventou isso?
— Sei lá.
Uma lágrima escorre pela minha bochecha, e Chris a limpa com a manga do suéter.
— Pode não ter sido ele. Mas não importa, Lara Jean, porque mesmo se ele não originou o boato, duvido que tenha desencorajado, você sabe como é.
Eu balanço a cabeça.
— Estou dizendo que tenho certeza de que ele negou tudo, mas com um sorriso arrogante na cara. Caras como Peter são assim. Adoram parecer o maioral, adoram ter a admiração de todos os garotos. — Com amargura, ela completa: — Eles ligam mais para a reputação deles do que para a sua. — Ela balança a cabeça. — Mas o que está feito, está feito. Você só precisa manter a cabeça erguida e agir como se não desse a menor bola.
Eu assinto, mas mais lágrimas escorrem.
— Ele não vale a pena, Lara Jean. Deixa a Gen ficar com ele. — Chris bagunça meu cabelo. — O que mais você pode fazer?
Genevieve é a última a entrar no ônibus. Eu me ajeito depressa, seco as lágrimas e me preparo para o pior. Mas ela não vai para o lugar dela. Para no de Bethy Morgan e sussurra alguma coisa no ouvido dela. Bethy arqueja e se vira para olhar para mim.
Ah, meu Deus.
Chris e eu vemos Genevieve ir de assento em assento.
— Aquela vaca — murmura Chris.
Lágrimas ardem nos meus olhos.
— Vou dormir um pouco.
Apoio a cabeça no ombro de Chris e choro. Ela fica com o braço ao redor dos meus ombros.

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