16 de abril de 2018

Capítulo 63

O OFURÔ FICA atrás do prédio principal, no meio do bosque, em uma plataforma de madeira. No caminho, encontro um grupo de cabelo molhado voltando para o quarto antes do toque de recolher, às onze horas. Já são 22h45. Não tenho muito tempo.
Espero que Peter ainda esteja lá. Não quero perder a coragem. Assim, acelero o passo, e é nessa hora que o vejo sozinho no ofurô, com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados.
— Oi — digo, e minha voz ecoa no bosque.
Ele abre os olhos de repente. Nervoso, olha por cima do meu ombro.
— Lara Jean! O que você está fazendo aqui?
— Vim ver você — respondo, e minha respiração sai em nuvens brancas.
Começo a tirar as botas e as meias. Minhas mãos estão tremendo, e não é por causa do frio. Estou nervosa.
— Hã... o que você está fazendo?
Peter está me olhando como se eu fosse louca.
— Vou entrar!
Tremendo, abro o casaco acolchoado e o coloco no banco. Vapor sobe da água. Mergulho os pés e me sento na beirada do ofurô. Está mais quente do que um banho habitual, mas é gostoso. Peter ainda olha para mim com cautela. Meu coração está disparado, e é difícil olhar nos olhos dele. Nunca senti tanto medo na vida.
— Aquilo que você falou antes... você me pegou de surpresa, eu não soube o que dizer. Mas... Bem, eu também gosto de você.
Minha voz sai tão desajeitada e insegura que desejo poder recomeçar e repetir tudo com tranquilidade e confiança. Tento mais uma vez, com voz mais alta.
— Eu gosto de você, Peter.
Peter pisca e parece muito jovem de repente.
— Não entendo vocês, garotas. Penso que entendi, mas então... então...
— Então?
Prendo a respiração enquanto espero. Estou muito nervosa; fico engolindo em seco, e o som soa alto em meus ouvidos. Até minha respiração parece mais alta, até meus batimentos cardíacos. As pupilas dele estão dilatadas, e Peter me olha com intensidade. Está me encarando como se nunca tivesse me visto.
— E então, não sei.
Acho que paro de respirar quando o ouço dizer “não sei”. Fiz uma besteira tão grande que agora ele está em dúvida? Não pode terminar assim, não quando finalmente encontrei coragem. Não posso deixar. Meu coração está acelerado, com um zilhão de batimentos por minuto, quando me aproximo dele. Eu inclino a cabeça e encosto os lábios nos dele. Peter parece surpreso, mas logo corresponde o beijo com seus lábios macios, e no começo fico nervosa, mas ele apoia a mão na minha nuca e acaricia meu cabelo de um jeito tranquilizador, e de repente não estou mais tão nervosa. Que bom que estou sentada, porque meus joelhos ficam bambos.
Ele me puxa para a água, e fico sentada dentro do ofurô. Minha camisola está encharcada, mas não ligo. Não ligo para nada. Eu nunca imaginei que beijar pudesse ser tão bom.
Meus braços estão grudados nas laterais do corpo, para que os jatos não façam a saia subir. Peter está segurando meu rosto e me beijando.
— Você está bem? — sussurra ele.
A voz dele está diferente: rouca, urgente e meio vulnerável. Ele não parece o Peter que eu conheço. Não está tranquilo nem entediado nem achando graça. Sei pela forma como ele me olha agora que faria qualquer coisa que eu pedisse, e é uma sensação estranha e poderosa.
Abraço o pescoço dele. Gosto do cheiro do cloro em sua pele. Peter está com cheiro de piscina, verão e férias. Não é como nos filmes. É muito melhor, porque é real.
— Toca no meu cabelo de novo — peço, e os cantos da boca dele se levantam.
Eu me inclino na direção dele e o beijo. Ele começa a passar os dedos no meu cabelo, e a sensação é tão boa que não consigo pensar direito. É melhor do que lavar o cabelo no salão. Passo as mãos pelas costas dele, na linha da coluna, e Peter treme e me puxa mais para perto. As costas de um garoto são bem diferentes das costas de uma garota: mais musculosas e sólidas.
Entre beijos, ele diz:
— Passou do toque de recolher. Temos que voltar.
— Não quero.
Só quero ficar e estar ali, com Peter, naquele momento.
— Eu também não, mas não quero meter você em confusão — retruca ele. Peter parece preocupado, e isso é tão fofo.
Delicadamente, toco na bochecha dele com as costas da mão. É tão macia. Seu rosto é tão bonito que eu poderia ficar olhando para ele durante horas.
Eu me levanto, e na mesma hora começo a tremer. Começo a torcer a água da camisola, e Peter sai do ofurô e coloca a toalha sobre os meus ombros. Ele me dá a mão, e eu saio, batendo os dentes. Ele começa a me secar com a toalha, meus braços e minhas pernas. Eu me sento para colocar as meias e as botas. Ele me ajuda a colocar o casaco e fecha o zíper.
Voltamos correndo para o hotel. Antes de ele ir para o corredor dos garotos, e eu, para o das garotas, dou mais um beijo nele e sinto como se estivesse voando.

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