16 de abril de 2018

Capítulo 62

ESTOU TODA EMBRULHADA no macacão de esqui rosa de Margot, com o gorro com pompom e a parca, e me sinto como um ovo de páscoa sabor morango. Quando tento colocar os esquis, um grupo de garotas da escola passa com calças de esquiar bem bonitas parecidas com calças de ginástica. Eu nem sabia que isso existia.
Eu sempre penso que poderia gostar de esquiar, aí vou esquiar e me lembro, ah, é, eu odeio. Todos estão na pista diamante negro, uma pista avançada, e eu estou no círculo verde, também conhecido como pista coelhinho. Sigo em ziguezague pelo caminho todo, e criancinhas passam voando por mim, o que me faz perder a concentração, porque fico morrendo de medo de atropelá-las. Elas voam como esquiadores olímpicos. Algumas nem estão usando os bastões. Elas são como Kitty. Ela consegue descer a pista diamante negro. Ela e meu pai adoram esquiar. Margot também, mas agora ela prefere o snowboard. Estou procurando Peter, mas ainda não o encontrei, e está começando a ficar meio chato ficar aqui sozinha.
Estou pensando em experimentar a pista intermediária só para ver como é quando vejo Peter e os amigos dele carregando pranchas de snowboard. Sem Genevieve por perto.
— Peter! — grito, sentindo alívio.
Ele vira a cabeça e acho que me vê, mas continua andando.
Hã.
Ele me viu. Eu sei que me viu.

* * *

Depois do jantar, Chris volta para as pistas para fazer snowboard. Ela diz que está viciada na adrenalina. Estou voltando para o quarto quando esbarro em Peter de novo, desta vez de bermuda e um casaco de moletom com capuz. Ele está com Gabe e Darrell. Os três estão com toalhas ao redor do pescoço.
— Oi, Laranjinha — diz Gabe, batendo em mim com a toalha. — Onde você andou o dia todo?
— Por aí. — Encaro Peter, mas ele não olha nos meus olhos. — Vi vocês nas pistas.
— E por que você não chamou a gente? — pergunta Darrell. — Eu queria exibir minhas piruetas para você.
— Ah, eu chamei o Peter, mas acho que ele não me ouviu — respondo, provocativa.
Peter finalmente me olha nos olhos.
— Não. Não ouvi.
A voz dele está fria e indiferente, tão atípica que o sorriso some do meu rosto. Gabe e Darrell trocam olhares.
— Encontramos você no ofurô — dizem para Peter, e saem andando.
Peter e eu ficamos no saguão, os dois sem dizer nada.
— Por acaso você está chateado comigo? — pergunto, por fim.
— Por que eu estaria chateado?
E ficamos em silêncio de novo.
— Sabe, foi você que me convenceu a vir neste passeio. O mínimo que poderia fazer é falar comigo.
— E o mínimo que você poderia fazer era sentar comigo no ônibus!
Meu queixo cai.
— Você está chateado só porque eu não sentei com você no ônibus?
Peter suspira com impaciência.
— Lara Jean, quando se está namorando alguém, existem... certas coisas que a gente faz, certo? Como sentar junto no passeio da escola. É o esperado.
— Só não entendo qual é o problema.
Como ele pode estar tão zangado por uma coisa tão pequena?
— Deixa pra lá.
Ele se vira como se fosse ir embora, e eu seguro a manga do moletom dele. Não quero brigar; só quero que seja divertido e leve como sempre é entre nós. Quero que ele pelo menos ainda seja meu amigo. Principalmente agora que estamos no fim.
— Não precisa ficar com raiva de mim. Eu não sabia que era tão importante. Juro que vou sentar com você na volta, ok?
Ele franze os lábios.
— Mas você entende por que fiquei com raiva?
Eu assinto.
— Aham.
— Tudo bem, então você deveria saber que perdeu donuts de café com chocolate e açúcar.
Eu abro a boca.
— Como você conseguiu? Achei que a loja não abria tão cedo!
— Eu saí e comprei ontem à noite especificamente para a viagem de ônibus — diz Peter. — Para nós dois.
Own. Fico tocada.
— E sobrou algum?
— Não. Comi tudo.
Ele parece tão arrogante que estico a mão e bato nos cordões do moletom.
— Sacanagem — digo, mas de maneira afetuosa.
Peter segura minha mão.
— Quer ouvir uma coisa engraçada?
— O quê?
— Acho que comecei a gostar de você.
Fico completamente paralisada. Em seguida, solto a mão da dele e começo a prender o cabelo em um rabo de cavalo, então lembro que não tenho elástico. Meu coração está disparado no peito, e de repente fica difícil pensar.
— Para de brincadeira.
— Não estou brincando. Por que você acha que beijei você naquele dia na casa do McClaren, no sétimo ano? Foi por isso que aceitei essa coisa toda. Sempre achei você bonita.
Meu rosto fica quente.
— De um jeito peculiar.
Peter dá o sorriso perfeito.
— E daí? Devo gostar de coisas peculiares, então.
Ele inclina o rosto para perto do meu, e eu digo de repente:
— Mas você ainda não é apaixonado pela Genevieve?
Peter franze a testa.
— Por que você sempre fala sobre a Gen? Estou tentando falar sobre nós, mas você só quer falar sobre ela. É, a Gen e eu temos uma história. Eu sempre vou gostar dela. — Ele dá de ombros. — Mas agora... eu gosto de você.
As pessoas estão entrando e saindo do hotel. Um cara da escola passa e dá um tapinha no ombro de Peter.
— E aí? — cumprimenta Peter.
Quando ele vai embora, Peter olha para mim.
— Então, qual é sua resposta?
Ele está me olhando com expectativa. Espera que eu diga sim.
Quero dizer sim, mas não quero ficar com um garoto cujo coração pertence a outra pessoa. Só uma vez, quero ser a primeira escolha de alguém.
— Você pode achar que gosta de mim, mas não é verdade. Se gostasse, não ia mais pensar nela.
Peter balança a cabeça.
— O que a Gen e eu temos não tem nada a ver com o que eu sinto por você.
— Como isso pode ser verdade, se desde o primeiro minuto isso tudo foi por causa da Genevieve?
— Não é justo — protesta ele. — Quando começamos, você gostava do Sanderson.
— Não gosto mais. — Eu engulo em seco. — Mas você ainda ama a Genevieve.
Frustrado, Peter recua e passa as mãos no cabelo.
— Deus, e agora você é uma especialista no amor? Você gostou de uns cinco caras na vida. Um era gay, um mora em Indiana ou Montana ou qualquer outro lugar, o McClaren se mudou antes que alguma coisa pudesse acontecer, o outro estava namorando sua irmã. Ah, e tem eu. Hum... O que todos nós temos em comum? Qual é nosso denominador comum, hein?
Sinto o sangue subir para o rosto.
— Isso não é justo.
Peter se inclina para mais perto.
— Você só gosta de caras com quem não tem chances, porque tem medo. Do que você tem tanto medo?
Eu me afasto dele até encostar na parede.
— Não tenho medo de nada.
— Até parece. Você prefere criar uma versão idealizada de alguém na sua mente a ficar com a pessoa de verdade.
Eu olho para ele com raiva.
— Você só está irritado porque não morri de felicidade de o grande Peter Kavinsky ter se declarado para mim. Seu ego é mesmo enorme.
Os olhos dele brilham.
— Ei, desculpe por não ter aparecido na porta da sua casa com flores para declarar meu amor eterno por você, Lara Jean. Mas isso não acontece na vida real. Vê se cresce.
Já chega. Não preciso ficar ouvindo isso. Eu me viro e saio andando. Por cima do ombro, grito:
— Divirta-se no ofurô.
— Eu sempre me divirto.

* * *

Estou tremendo.
É verdade? Será que ele está certo?
No quarto, coloco a camisola de flanela e meias grossas. Nem vou escovar os dentes. Apago a luz e me deito na cama. Mas não consigo dormir. Cada vez que fecho os olhos, vejo o rosto de Peter. Como ele ousa dizer que preciso crescer? O que ele sabe sobre as coisas? Como se ele fosse tão maduro!
Mas... será que ele está certo sobre mim? Só gosto de garotos impossíveis? Eu sempre soube que Peter era muita areia para meu caminhãozinho. Sempre soube que ele não era meu. Mas hoje ele disse que gosta de mim. Ele falou o que eu mais desejava ouvir. Então por que eu não respondi que gosto dele também? Porque eu gosto dele. Claro que gosto. Que garota não se apaixonaria por Peter Kavinsky, o garoto mais bonito de todos os Garotos Bonitos? Agora que o conheço de verdade, sei que ele é bem mais do que isso.
Não quero mais ter medo. Quero ser corajosa. Quero... que a vida comece a acontecer. Quero me apaixonar e quero que um garoto se apaixone por mim.
Antes que eu possa me convencer do contrário, coloco o casaco acolchoado, enfio o cartão magnético do quarto no bolso e vou para o ofurô.

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Não ta não, tem 2 capitulos 62, o segundo é o 63, só foi colocado errado

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  2. Uuuiiiirrraaaa!!! Agr sim né!!! Tava decepcionada q ela tinha estragado tudo mas entendo, eu faria o msm

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  3. Ela tem problemas? A Chris disse oque acontecia nesses passeio e em nenhum segundo ela desconfiou de justamente no passeio o Peter se declarar...aff laranjinha

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Boa leitura, E SEM SPOILER!