16 de abril de 2018

Capítulo 61

ÀS SEIS E meia da manhã do dia da viagem para a estação de esqui, meu pai me deixa na escola. Ainda nem amanheceu. Parece que a cada dia o sol demora mais para aparecer. Antes que eu saia do carro, meu pai tira um gorro do bolso do casaco. É rosa-claro com um pompom. Ele coloca na minha cabeça, cobrindo as orelhas.
— Encontrei no armário do corredor. Acho que era da sua mãe. Ela era uma ótima esquiadora.
— Eu sei. Eu lembro.
— Promete que vai esquiar pelo menos uma vez?
— Prometo.
— Estou tão feliz de você estar indo nessa viagem. É bom experimentar coisas novas.
Dou um sorriso fraco. Se ele soubesse o que acontece na estação de esqui, não ficaria tão feliz. Vejo Peter e os amigos conversando em frente ao ônibus fretado.
— Obrigada pela carona, pai. Até amanhã à noite.
Dou um beijo na bochecha dele e pego a bolsa.
— Fecha o casaco — grita ele, quando bato a porta do carro.
Fecho o casaco e observo o carro se afastar. Do outro lado do estacionamento, Peter está conversando com Genevieve. Ele diz alguma coisa, e ela ri. Em seguida, me vê e faz sinal para eu me aproximar.
Genevieve se afasta, olhando para a prancheta.
Quando chego lá, ele pega a bolsa pendurada em meu ombro e coloca ao lado da dele.
— Vou colocar no ônibus.
— Está muito frio — digo, batendo os dentes.
Peter me puxa para perto de si e me abraça.
— Vou manter você aquecida.
Olho para ele com cara de que brega, mas ele está com a atenção voltada para outra coisa. Está observando Genevieve. Ele apoia o queixo no meu ombro, e eu me contorço para me soltar.
— O que foi?
— Nada — respondo.

* * *

A sra. Davenport e o treinador White estão olhando as bolsas dos alunos. A sra. Davenport está olhando as das garotas, e o treinador White, as dos garotos.
— O que eles estão procurando? — pergunto a Peter.
— Álcool.
Pego o celular e mando uma mensagem para Chris.
Não traga álcool! Estão verificando as bolsas!
Nenhuma resposta.
Você está acordada??
Acorda!
Nessa hora, o carro da mãe dela para no estacionamento, e Chris cambaleia para fora. Está com cara de quem acabou de acordar.
Que alívio! Peter pode conversar com Genevieve o quanto quiser; vou me sentar com Chris e comer os lanches que preparei. Tenho jujubas de morango, ervilhas com wasabi, que Chris ama, e palitinhos de biscoito com chocolate.
Peter resmunga.
— A Chris vem?
Eu o ignoro e aceno para ela.
Genevieve está de pé ao lado do ônibus, segurando a prancheta, quando vê Chris. Ela franze a testa e anda até a prima.
— Você não se inscreveu para o passeio.
Eu corro até as duas e fico ao lado de Chris.
— Nos anúncios da semana passada, disseram que ainda havia vagas — digo a ela.
— É, para as quais você tinha que se inscrever. — Genevieve balança a cabeça. — Sinto muito, mas Chrissy não pode ir se não se inscreveu nem fez o depósito.
Faço uma careta. Chris odeia ser chamada de “Chrissy”. Sempre odiou. Ela passou a usar o apelido Chris no primeiro ano do ensino médio, e as únicas pessoas que ainda a chamam assim são Genevieve e a avó delas.
Peter surge ao meu lado.
— O que está acontecendo? — pergunta ele.
Genevieve cruza os braços.
— A Chrissy não se inscreveu para o passeio. Sinto muito, mas ela não pode ir.
Estou em pânico, mas Chris continua com um sorrisinho debochado e não diz uma palavra. Peter revira os olhos.
— Gen, deixe ela ir. Quem liga se ela não se inscreveu?
As bochechas dela ficam vermelhas de raiva.
— Eu não criei as regras, Peter! Então ela deveria poder ir de graça? Isso é justo com as outras pessoas?
Chris finalmente se pronuncia:
— Ah, já falei com a Davenport e ela disse que estava tudo bem. — Chris faz biquinho para Genevieve. — Que pena, Gen.
— Tanto faz, não ligo.
Genevieve se vira e sai andando na direção da sra. Davenport. Chris fica observando-a se afastar, sorrindo. Eu puxo a manga do casaco dela.
— Por que você não falou logo no começo? — sussurro.
— Porque era mais divertido assim, óbvio. — Ela coloca o braço sobre meus ombros. — Vai ser um fim de semana interessante, Covey.
— Você não trouxe álcool, trouxe? — sussurro, preocupada. — Estão olhando as bolsas.
— Não se preocupe comigo. Já cuidei de tudo.
Quando olho para ela com dúvida, ela sussurra:
— Tem um vidro de xampu cheio de tequila no fundo da mala.
— Espero que você tenha lavado isso muito bem! Você pode passar mal!
Estou imaginando Chris e os amigos tentando beber doses de tequila cheias de bolhas e depois tendo que ir para o hospital para fazer uma lavagem estomacal.
Chris mexe no meu cabelo.
— Ah, Lara Jean.

* * *

Entramos no ônibus, e Peter se senta em um banco no meio, mas eu sigo em frente, para o fundo.
— Ei — diz ele, surpreso. — Você não vai se sentar comigo?
— Vou me sentar com a Chris.
Tento continuar seguindo pelo corredor, mas Peter segura meu braço.
— Lara Jean! Você está de brincadeira? Você tem que se sentar comigo. — Ele olha ao redor para ver se tem alguém ouvindo. — Você é minha namorada.
Eu solto meu braço.
— Vamos terminar em breve, não vamos? É melhor assim, vai deixar as coisas mais realistas.
Quando me sento ao lado dela, Chris está balançando a cabeça para mim.
— O que foi? Eu não posso deixar você se sentar sozinha. Você veio por minha causa, afinal. — Eu abro a mochila e mostro os lanches. — Eu trouxe seus preferidos. O que você quer comer primeiro? Jujuba ou biscoito com chocolate?
— Nem amanheceu direito ainda — reclama ela. E depois: — Me passa as jujubas.
Sorrindo, abro o saco para ela.
— Pode comer à vontade.
Paro de sorrir quando vejo Genevieve entrar no ônibus e se sentar ao lado de Peter.
— Isso é culpa sua — diz Chris.
— Fiz isso por você!
Mas não é verdade. Acho que talvez eu só esteja cansada dessa coisa de ser namorada de alguém, mas não de verdade.
Chris se espreguiça.
— Sei que você gosta desse papo de botar as amigas em primeiro lugar, mas, se eu fosse você, tomaria cuidado. Minha prima é pior que uma barracuda.
Coloco uma jujuba na boca e mastigo. É difícil de engolir. Vejo Genevieve cochichar algo no ouvido de Peter, e Chris adormece na mesma hora, como disse que faria, com a cabeça no meu ombro.

* * *

O hotel é exatamente como Peter descreveu: tem uma lareira grande, tapetes de pele de urso e vários cantinhos para se aconchegar. Está nevando lá fora, flocos pequenininhos e leves. Chris está de bom humor; na metade do caminho, acordou e começou a flertar com Charlie Blanchard, que vai levá-la na pista diamante negro. Até demos a sorte de pegar um quarto duplo, em vez de triplo, porque todas as outras garotas haviam se dividido em trios.
Chris foi fazer snowboard com Charlie. Ela me perguntou se eu queria ir junto, mas agradeci e recusei. Tentei esquiar junto com Margot uma vez, e acabamos descendo a pista em momentos diferentes, tendo que ficar esperando e se perdendo uma da outra o dia todo.
Se Peter me convidasse para fazer snowboard com ele, acho que iria. Mas ele não me convida, e estou com fome, então volto para o hotel para almoçar.
A sra. Davenport está lá olhando o celular e tomando sopa. Ela é jovem, mas parece velha. Acho que é a base pesada e o cabelo repartido no meio. Ela não é casada. Chris me disse que a viu discutindo com um cara em frente a Waffle House uma vez, então acho que tem um namorado.
Quando me vê sentada sozinha, comendo um sanduíche perto da lareira, ela faz sinal para eu me aproximar. Levo meu prato até a mesa dela. Eu preferia comer sozinha e ler meu livro, mas não tenho muita escolha.
— Você precisa ficar aqui no hotel o fim de semana todo ou também pode ir esquiar? — pergunto.
— Oficialmente, tenho que cuidar desta área — diz ela, limpando os cantos da boca. — O treinador White toma conta das pistas.
— Isso não parece muito justo.
— Não me importo. Na verdade, gosto de ficar no hotel. É tranquilo. Além do mais, alguém tem que estar aqui para o caso de haver uma emergência. — Ela toma mais uma colherada de sopa. — E você, Lara Jean? Por que não está nas pistas com todo mundo?
— Não sou boa esquiadora — respondo, constrangida.
— Ah, é? Eu soube que o Kavinsky é ótimo no snowboard. Devia pedir para ele ensinar a você. Vocês não estão namorando?
A sra. Davenport adora ficar sabendo dos dramas dos alunos. Ela chama de “ficar de olho”, mas na verdade é uma fofoqueira. Se você der abertura, ela vai atrás do máximo de sujeira que puder. Sei que ela e Genevieve são próximas.
Tenho um vislumbre rápido de Genevieve e Peter no ônibus com as cabeças próximas, e a imagem faz meu coração ficar apertado. Nosso contrato ainda não acabou. Por que eu deveria deixá-la tê-lo de volta antes da hora?
— Sim, estamos juntos. — Fico de pé. — Quer saber? Acho que vou tentar a sorte nas pistas.

5 comentários:

  1. Os capitulos 62 e 63 estão invertidos.

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  2. ISSO AÍ!!!! N deixa ela ficar com o Peter!!!

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  3. Garotinha cinhumenta essa Lara Jean.... Gosto disso! Vai fundo, garota, ARRASA!

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  4. Lara Jean assim vc deixa o Peter a disposição da Gen, lute pelo que vc quer.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!