16 de abril de 2018

Capítulo 58

FICO PENSANDO NO que vou dizer quando entro na escola na manhã de sábado. Talvez só Oi, John, como vai? Sou a Lara Jean. Não o vejo desde o oitavo ano. E se ele não me reconhecer? E se nem se lembrar de mim?
Olho os cartazes no saguão e encontro o nome de John na Assembleia Geral. Ele estará representando a República Popular da China.
A Assembleia Geral vai se reunir no auditório. Há mesas montadas para cada representante e, no pódio montado no palco, uma garota de terninho preto faz um discurso sobre a não proliferação de armamentos nucleares.
Pretendo me sentar nos fundos e assistir, mas não encontro um lugar vazio, então fico de pé no fundo do auditório com os braços cruzados e procuro John. Tem muita gente ali, e todo mundo está virado para a frente, então é difícil saber quem é quem.
Um garoto de terno azul-marinho se vira e olha para mim.
— Você é estafeta? — sussurra ele.
Ele está segurando um pedaço de papel dobrado.
Fico sem resposta.
— Hã...
Não sei bem o que é um estafeta, mas vejo uma garota andando pela sala entregando bilhetes às pessoas.
O garoto coloca o papel na minha mão, vira-se e rabisca no caderno. O bilhete está endereçado para o Brasil, enviado pela França. Então acho que sou estafeta.
As mesas não estão em ordem alfabética, e começo a andar de um lado para outro para tentar encontrar o Brasil. Eu finalmente encontro: um cara de gravata-borboleta, e outras pessoas estão levantando a mão com bilhetes para eu entregar. Em pouco tempo, também estou correndo de um lado para outro.
Pelo canto do olho, vejo a mão de um garoto levantada para eu pegar o bilhete e me apresso, e ele vira a cabeça só um pouco. E, ah, meu Deus, é John Ambrose McClaren, representante da República Popular da China, a poucos metros de mim.
Ele tem cabelo louro-claro cortado curto. As bochechas são rosadas do jeito que eu lembro. Ainda têm aquele aspecto saudável que o faz parecer mais novo. Ele está usando calça de sarja e uma camisa social azul-clara com suéter azul-marinho por cima. Parece sério, concentrado, como se fosse um representante de verdade e aquilo tudo não passasse de fingimento.
Sinceramente, ele está do jeito que imaginei que ficaria.
John segura o papel com a mão estendida enquanto toma notas, a cabeça baixa. Estico a mão para pegar. Quando meus dedos se fecham ao redor do bilhete, ele ergue o rosto para mim e arregala os olhos, surpreso.
— Oi — sussurro.
Nós dois ainda estamos segurando o bilhete.
— Oi — responde ele.
Ele pisca e solta o papel, e saio andando, com o coração disparado. Escuto quando ele chama meu nome em um sussurro alto, mas não paro.
Olho para o papel. A caligrafia dele é caprichada, precisa. Entrego o bilhete aos Estados Unidos, depois ignoro a Grã-Bretanha, que está balançando um bilhete para mim, e saio pela porta dupla do auditório para a tarde ensolarada.
Acabei de ver John McClaren. Depois de todos esses anos, eu finalmente o vi. E ele me reconheceu. Na mesma hora, soube quem eu era.
Recebo uma mensagem de texto de Peter na hora do almoço.
Você encontrou o McClaren?
Escrevo que sim, mas apago antes de mandar. Acabo respondendo que não. Não sei bem por que faço isso. Acho que talvez eu queira guardar essa informação só para mim. Fico feliz em saber que John se lembrou de mim, e talvez isso baste.

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