16 de abril de 2018

Capítulo 50

MEU PAI FICA animado quando peço a ele para assinar a permissão para o passeio de esqui.
— Ah, Lara Jean, isso é ótimo. Peter convenceu você? Você tem medo de esquiar desde os dez anos, caiu e não conseguia se levantar!
— É, eu lembro.
Minhas botas congelaram nos esquis e fiquei lá, caída, pelo que pareceram dias.
Meu pai assina a permissão.
— Ei, de repente poderíamos todos ir para Wintergreen no Natal. O Peter também. — Está explicado a quem puxei. Meu pai. Ele vive no mundo da fantasia. Ao me entregar o papel, ele completa: — Você pode usar a calça de neve da Margot. As luvas também.
Não digo para ele que não vou precisar porque vou ficar aconchegada no hotel lendo e tomando chocolate quente perto da lareira. Acho que vou levar minhas agulhas de tricô.
Quando falo com Margot ao telefone, naquela noite, conto que vou no passeio à estação de esqui, e ela fica surpresa.
— Mas você odeia esquiar.
— Vou experimentar snowboard.
— Só... tome cuidado — pede ela.

* * *

Penso que minha irmã está falando das pistas, mas, quando Chris vai lá em casa na noite seguinte, para pegar um vestido emprestado, descubro do que Margot estava falando.
— Você sabe que todo mundo transa na viagem, né? É praticamente um encontro sexual com a bênção da escola.
— O quê?
— Foi lá que perdi a virgindade, no primeiro ano.
— Pensei que você tivesse perdido no bosque perto da sua casa.
— Ah, é. Tanto faz, a questão é que transei nesse passeio.
— Tem professores tomando conta — digo, preocupada. — Como as pessoas podem fazer sexo com adultos por perto?
— Os adultos vão dormir cedo porque são velhos — diz Chris. — As pessoas saem escondidas. Além do mais, tem um ofurô. Você sabia que tem um ofurô?
— Não... O Peter não mencionou isso.
Bem, isso é fácil de resolver. Não vou colocar biquíni na mala. Não podem obrigar ninguém a entrar em um ofurô.
— Quando eu fui, as pessoas entraram peladas.
Meus olhos se arregalam. Peladas!
— Elas ficaram nuas?
— Bem, as garotas tiraram o sutiã do biquíni. Então se prepara. — Chris rói a unha. — Ano passado, soube que o sr. Dunhan entrou no ofurô com os alunos e foi bem estranho.
— Isso parece aquele programa, “Largados e pelados” — murmuro.
— Está mais para “Tarados e pelados”.
Não que eu esteja com medo de Peter tentar alguma coisa comigo. Sei que não vai, porque ele não me vê assim. Mas será que as pessoas vão esperar isso? Vou ter que entrar escondida no quarto dele no meio da noite para as pessoas pensarem que estamos fazendo alguma coisa? Não quero me meter em confusão em uma viagem da escola, mas Peter consegue me convencer a fazer coisas que não quero.
Eu seguro a mão de Chris.
— Você pode vir também? Por favor, por favor!
Ela balança a cabeça.
— Você sabe que não. Eu não participo de passeios da escola.
— Mas você já foi!
— É, no primeiro ano. Agora, não vou mais.
— Mas eu preciso de você! — Desesperada, aperto as mãos dela. — Lembra que ajudei você ano passado, quando você foi àquele festival? Passei o fim de semana todo entrando e saindo da sua casa para sua mãe achar que você estava lá! Não se esqueça das coisas que fiz por você, Chris! Preciso de você!
Insensibilizada, Chris afasta as mãos das minhas e vai até o espelho examinar a pele do rosto.
— O Kavinsky não vai pressionar você a fazer sexo se você não quiser. Tirando o fato de ele ter namorado o demônio, ele não é um babaca. É bem tranquilo, na verdade.
— O que você quer dizer com tranquilo? No sentido de que não se importa muito com sexo?
— Ah, Deus, não. Ele e a Gen viviam o tempo todo com tesão. Ela toma pílula há mais tempo do que eu. Pena que todo mundo na minha família pensa que ela é uma santa. — Chris espreme uma espinha no queixo. — Que falsa. Eu devia mandar uma carta anônima para nossa avó... Mas eu não faria isso. Não sou fofoqueira como ela. Lembra aquela vez que ela contou para minha avó que eu ia para a escola bêbada? — Ela não espera que eu responda. Quando Chris começa a falar sobre Genevieve, não para nunca. — Ela queria usar o dinheiro que guardou para a minha faculdade com reabilitação! Fizeram uma reunião familiar sobre mim! Fico tão feliz de você ter roubado o Kavinsky dela.
— Eu não roubei. Eles já tinham terminado!
Chris ri com deboche.
— Claro, se prefere acreditar nisso. A Gen vai ao passeio, sabe? Ela é representante de turma, então basicamente é quem está organizando tudo. Tome cuidado. Não esquie sozinha.
Sufoco um gritinho.
— Chris, estou implorando. Por favor, vai comigo. — Em uma súbita onda de inspiração, acrescento: — Se você vier, a Genevieve vai ficar furiosa! Ela está organizando tudo, é a viagem dela. Tudo que ela menos quer é ver você lá.
Os lábios dela se abrem em um sorriso.
— Você sabe bem como me manipular. — Ela vira o queixo para mim. — Você acha que essa espinha está pronta para ser espremida?

5 comentários:

  1. Haha 😏 agr o passeio vai ficar bom
    Tomara q a Chris estrague tudo q a Gen arrumou 🌚

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  2. Adooooooro quando a Chris entra no meio... 😏 Quer dizer que vai dar alguma confusão (eu espero...)

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  3. Espero muito que tenha bastante sangue e discórdia nesse passeio.

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  4. Chris e a melhor😁 Espero ver uma boa treta 🤔😏

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Boa leitura, E SEM SPOILER!