16 de abril de 2018

Capítulo 5

NA NOITE ANTERIOR à partida de Margot, nós três estamos no quarto dela ajudando-a a guardar as últimas coisas. Kitty está organizando os itens de banho, arrumando tudo direitinho na nécessaire. Margot tenta decidir que casaco levar.
— Será que levo o sobretudo e casaco acolchoado ou só o sobretudo? — ela me pergunta.
— Só o sobretudo. Você pode usá-lo para ocasiões formais ou informais. — Estou deitada na cama dela, orientando o processo de arrumação das malas. — Kitty, aperte a tampa do hidratante.
— O pote é novinho, a tampa já está bem apertada! — resmunga ela, mas aperta mesmo assim.
— Faz mais frio na Escócia do que aqui — diz Margot, dobrando o casaco e o colocando em cima da mala. — Acho que vou levar os dois.
— Não sei por que você perguntou se já sabia o que ia fazer — retruco. — Aliás, você disse que vinha para casa no Natal. Ainda vem, não vem?
— Só se você parar de ser tão chata — responde Margot.
Sinceramente, Margot nem está levando tanta coisa. Ela não precisa de muito. Se fosse eu, já teria colocado o quarto todo nas malas, mas Margot não. O quarto dela parece o mesmo. Quase.
Ela se senta ao meu lado, e Kitty se senta ao pé da cama.
— Tudo está mudando — digo, suspirando.
Margot faz uma careta e passa o braço sobre meus ombros.
— Nada está mudando, não de verdade. Somos as irmãs Song para sempre, lembra?
Nosso pai está de pé à porta. Ele bate na moldura, embora a porta esteja aberta e dê para ver claramente que é ele.
— Vou começar a colocar as coisas no carro — anuncia.
Observamos da cama quando ele leva uma das malas para o andar de baixo, depois volta para pegar outra.
— Ah, não precisam se levantar. Não se deem o trabalho — diz ele, seco.
— Não se preocupe, não vamos — nós três cantarolamos.
Durante a última semana, nosso pai entrou em modo de arrumação de primavera, mesmo não sendo primavera. Está se livrando de tudo que encontra: da máquina de pão que nunca usamos, de CDs, de cobertores velhos, da antiga máquina de escrever da nossa mãe. Vai doar tudo. Um psiquiatra provavelmente veria uma ligação entre isso e a partida de Margot para a faculdade, mas não consigo explicar por quê. Seja lá o que for, é irritante. Tive que enxotá-lo da minha coleção de unicórnios de cristal duas vezes.
Eu deito a cabeça no colo de Margot.
— Então você vem mesmo passar o Natal em casa, certo?
— Certo.
— Eu queria poder ir com você — diz Kitty, fazendo beicinho. — Você é mais legal que a Lara Jean.
Dou um beliscão nela.
— Viu? — reclama ela.
— Lara Jean vai ser legal se você se comportar — diz Margot. — E vocês duas têm que tomar conta do papai. Não deixem que ele trabalhe todos os sábados. Lembrem que ele tem que levar o carro para a vistoria mês que vem e não se esqueçam de comprar filtro para a cafeteira. Vocês sempre esquecem o filtro.
— Sim, sargento — Kitty e eu dizemos em coro.
Procuro tristeza, medo ou preocupação no rosto de Margot, ou algum sinal de que ela esteja apreensiva por estar indo para tão longe, de que vai sentir nossa falta tanto quanto vamos sentir a dela. Mas não vejo nada.
Nós três dormimos no quarto de Margot naquela noite.
Kitty adormece primeiro, como sempre. Fico deitada no escuro ao lado dela com os olhos abertos. Não consigo dormir. A ideia de que a partir de amanhã à noite Margot não vai mais dormir neste quarto me deixa tão triste que mal consigo suportar.
Odeio mudanças mais do que quase qualquer outra coisa.
No escuro, Margot pergunta:
— Lara Jean... você acha que já se apaixonou? De verdade?
Ela me pega desprevenida; não tenho uma resposta na ponta da língua. Enquanto ainda estou tentando pensar em uma, ela já está falando de novo:
— Eu queria ter me apaixonado mais de uma vez. Acho que as pessoas devem se apaixonar pelo menos duas vezes no ensino médio...
Ela solta um suspiro e dorme. Margot adormece assim mesmo: um suspiro sonhador e ela parte para a terra do nunca, do nada.

* * *

Acordo no meio da noite, e Margot não está na cama. Kitty está encolhida ao meu lado, mas não Margot. Está escuro como breu; só o luar entra pelas cortinas. Saio da cama e vou até a janela. Prendo a respiração. Lá estão eles: Josh e Margot, de pé na entrada da garagem. O rosto de Margot está virado para longe dele, na direção da lua. Josh está chorando. Não encostam um no outro, e há espaço suficiente entre eles para eu saber que minha irmã não mudou de ideia.
Solto a cortina e volto para a cama, onde Kitty rolou mais para o meio. Eu a empurro um pouco para deixar espaço para Margot. Queria não ter visto aquilo. Foi íntimo demais. Real demais. Era para ser um momento só deles. Se houvesse um jeito de apagar aquela imagem da memória, eu o faria.
Deito de lado na cama e fecho os olhos. Como deve ser ter um garoto tão apaixonado que chora por você? E não qualquer garoto. Josh. Nosso Josh.
Em resposta à pergunta de Margot: sim. Acho que já me apaixonei de verdade.
Mas só uma vez. Por Josh. Nosso Josh.

34 comentários:

  1. Mas só uma vez. Por Josh. Nosso Josh.
    Puta merda! Essa eu não esperava

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    1. quase surtei nss ela tinha se apaixonado por ele se ela estiver(ainda)apaixonada por ele PS;estou no email do meu vo

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  2. — Eu queria ter me apaixonado mais de uma vez. Acho que as pessoas devem se apaixonar pelo menos duas vezes no ensino médio...

    ixi, to no final de graduação e ainda não rolou kkkkkk

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  3. Ue
    Buguei por um segundo aque

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  4. Fiquei desconfiada desde o segundo capítulo... mas achei q ia acontecer depois que a irmã fosse embora. .

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  5. QUEEE?? Ela ama Josh? Já vejo a treta

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  6. Bem que eu senti algo quando ela falava no Josh!

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  7. Q previsível, já tava imaginando isso

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    1. Claro Josh foi a primeira palavra. Ficou óbvio demais chega ser chato ou ainda mais emocionante kkkj

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  8. AAAAAAA

    Suspeitei desde o princípio

    Mds.. galero ela gosta(va) do Josh... Será que tem uma carta pra ele?

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  9. Mano só queria entender melhor os sentimentos de Margot!! se ela namorava ele obviamente sentia algo por ele, mas e agora? como ela pode deixar ele chorando assim? coitado

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  10. Acho que o ex da sua irmã não é o mais indicado para crush!!

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    1. Concordo plenamente. Já aconteceu de me apaixonar uma vez pelo msm cara me lasquei ela é mais bonita e eu sou mais Margot

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  11. Isso foo tão previsível desde o primeiro capítulo, que eu ficaria impressionada se ela tivesse tido qualquer outro ao invés dele

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  12. "Josh" me lembra de Until Dawn..
    Tá, parei.
    Sobre ela ter se apaixonado por ele foi bem previsível :/

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  13. Gente, é claro q foi previsível, afinal, esse era o bojetivo creio. Sabermos que ela gostava dele desde o começo. Se o objetivo fosse não ser previsível provavelmente a altora não diria que ela era apaixonada por ele em pleno capítulo 5 daaa...

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  14. "Como deve ser ter um garoto tão apaixonado que chora por você?"

    Josh sou eu na vida real. Amo já faz um ano e meio uma mina da faculdade, já me declarei mas não durou muito. Ela tinha prioridades na vida dela e eu não era uma delas. Até hoje eu choro por isso.

    Gabriel

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  15. Tala, tala, talarica kkkkkkkk
    Como se eu já não desconfiasse

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  16. Tô amando a história... muito boa e envolvente 💜💜💜💜 já amo a Lara Jean

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  17. Af queria ter lido o livro antes de ver o filme

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  18. É o livro original? Essa história e a do livro original???

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  19. gosto de ler os quando acabo os capítulos achei meio mancada gostar do mesmo menino que a irmã queria ter essa relação com minha irmão mais não chega nem perto !!

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  20. WsEst amando esse luvli foda

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  21. Doidooo no filme nessa hora que eles estão comverconve, ela lembra da carta que escreveu para ele

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  22. Margot que sempre colocou ordem na casa, assumiu o papel de mãe. Por isso eles estão tão perdidos com a possibilidade de ficar sem ela. Caraca hein kkkk

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  23. Puts! Sabia que ela tinha sentimentos por ele!!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!