16 de abril de 2018

Capítulo 49

NA NOITE SEGUINTE, Peter e eu estudamos na Starbucks por algumas horas. Bem, eu estudo e ele fica se levantando e indo falar com o pessoal da escola. A caminho de casa, ele pergunta:
— Você se inscreveu no passeio para a estação de esqui?
— Não. Eu esquio muito mal.
Só gente popular como Peter e os amigos vão no passeio para a estação de esqui. Eu poderia tentar convencer Chris a ir, mas ela provavelmente riria na minha cara. Ela não vai a nenhum passeio da escola.
— Você não precisa esquiar. Pode fazer snowboard. É o que eu faço.
Eu olho para ele.
— Você me imagina fazendo snowboard?
— Eu ensino. Vamos, vai ser divertido. — Peter segura minha mão. — Por favor, por favor, por favor, Lara Jean. Vamos, seja legal. Vai ser divertido, eu juro.
Ele me pega de surpresa. A viagem só acontece nas férias de inverno. Então ele quer levar isso, nós, adiante até lá. Por algum motivo, fico aliviada.
— Se você não quiser fazer snowboard — continua ele —, o hotel tem uma lareira de pedra enorme e poltronas confortáveis. Você pode se sentar e ler durante horas. E vendem o melhor chocolate quente do mundo, lá. Vou comprar um para você.
Ele aperta minha mão.
Meu coração dá um salto.
— Tudo bem, eu vou. Mas é melhor que o chocolate quente seja tão bom quanto você diz.
— Compro quantos você quiser.
— Então é melhor você levar um monte de moedas — digo, e Peter ri. — O que foi?
— Nada.
Quando chego em casa, saio do carro e ele vai embora, mas então lembro que deixei a bolsa no chão do carro dele, e papai e Kitty não estão em casa. Estão na escola de Kitty, em uma reunião de pais e professores.
Procuro cegamente debaixo do deque, tateando no escuro em busca da cópia da chave que deixamos escondida embaixo do carrinho de mão. Então lembro que a cópia está na gaveta da bagunça dentro de casa porque me esqueci de colocá-la de volta na última vez que fiquei trancada do lado de fora. Não tenho chave, celular, ou como entrar em casa.
Josh! Josh tem uma chave. Ele às vezes molha as plantas do meu pai, quando viajamos de férias.
Encontro uma pedrinha no caminho e atravesso o gramado até estar embaixo da janela de Josh. Jogo a pedra e erro. Encontro outra, e ela quica no vidro, quase sem fazer som. Tento de novo, com uma pedra maior. Essa eu acerto.
Josh abre a janela e coloca a cabeça para fora.
— Oi. O Kavinsky já foi embora?
Surpresa, eu digo:
— Foi. Esqueci a bolsa no carro dele. Você pode jogar a cópia da chave para mim?
Josh suspira, como se eu estivesse pedindo um favor enorme.
— Já volto.
Ele desaparece.
Fico esperando Josh voltar até a janela, mas ele não volta. Em vez disso, sai pela porta da frente. Está de casaco e calça de moletom. É o casaco de moletom favorito de Margot. Quando eles começaram a namorar, ela o usava o tempo todo, como se fosse uma jaqueta do time da escola.
Estico a mão para pegar a chave, e Josh me entrega.
— Obrigada, Josh.
Eu me viro para entrar, mas ele me impede.
— Espera. Estou preocupado com você.
— O quê? Por quê?
Ele dá um suspiro pesado e ajeita os óculos. Ele só usa os óculos à noite.
— Essa coisa com o Kavinsky...
— De novo, não. Josh...
— Ele está usando você, Lara Jean. E você merece mais do que isso. Você é... inocente. Não é como as outras garotas. Ele é um cara típico. Você não pode confiar nele.
— Acho que conheço o Peter bem melhor do que você.
— Só estou preocupado. — Josh pigarreia. — Você é como se fosse minha irmã mais nova.
Tenho vontade de bater nele por causa disso.
— Não sou, não.
Uma expressão de desconforto atravessa o rosto de Josh. Sei o que ele está pensando, porque nós dois estamos pensando a mesma coisa.
Nessa hora, faróis surgem na nossa rua. É o carro de Peter. Ele voltou. Devolvo a chave para Josh e corro até a porta de casa.
— Obrigada, Josh! — grito por cima do ombro.
Vou até a janela do motorista.
— Você esqueceu a bolsa — diz Peter, olhando na direção da casa de Josh.
— Eu sei — digo, sem fôlego. — Obrigada por voltar.
— Ele está ali?
— Não sei. Estava um minuto atrás.
— Então, só para garantir — diz Peter, e inclina a cabeça para fora e me dá um beijo na boca.
Fico perplexa.
Quando se afasta, Peter está sorrindo.
— Boa noite, Lara Jean.
Ele some na noite, e eu continuo ali, com os dedos nos lábios. Peter Kavinsky acabou de me beijar. Ele me beijou, e eu gostei. Tenho quase certeza de que gostei. Tenho quase certeza de que gosto dele.

* * *

Na manhã seguinte, estou guardando os livros no armário quando vejo Peter seguindo pelo corredor. Meu coração bate com tanta força que sinto o eco nos ouvidos. Ele ainda não me viu. Encaro o armário e começo a arrumar os livros em pilhas.
De trás da porta, ele diz:
— Oi.
— Oi — respondo.
— Pode deixar, Covey. Não vou mais beijar você, então não precisa se preocupar com isso.
Ah.
Então é isso. Não importa se eu gosto dele ou não, porque ele não gosta de mim.
É meio bobo ficar tão decepcionada por uma coisa que você acabou de perceber que quer, não é?
Não deixe ele perceber que você está decepcionada.
Eu o encaro.
— Eu não estava preocupada.
— Estava, sim. Olhe para você: seu rosto está todo tenso.
Peter ri, e tento relaxar o rosto e parecer serena.
— Não vai mais acontecer. Foi só por causa do Sanderson.
— Que bom.
— Que bom — diz ele, e segura minha mão, fecha a porta do meu armário e me acompanha até a aula como um namorado de verdade, como se estivéssemos mesmo apaixonados.
Como posso saber o que é real e o que não é? Parece que sou a única que não sabe a diferença.

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