16 de abril de 2018

Capítulo 41

DURANTE A AULA de química, Peter escreve um bilhete: Posso ir à sua casa hoje para estudar para a prova?
Eu respondo: Não me lembro de nosso contrato incluir grupos de estudo. Depois que lê, Peter se vira e me lança um olhar ofendido. Eu respondo apenas com movimentos labiais: Estou brincando!

* * *

Durante o jantar, anuncio que Peter vai lá em casa estudar química e que vamos precisar da cozinha por um tempo, e meu pai ergue as sobrancelhas.
— Deixe a porta aberta — brinca ele.
Nossa cozinha nem tem porta.
— Pai — resmungo, e Kitty me acompanha.
— Peter é seu namorado? — pergunta papai, casualmente.
— Hã... mais ou menos — digo.
Depois que comemos e Kitty lava a louça, transformo a cozinha em uma sala de estudos. Meu livro e minhas anotações estão empilhados no meio da mesa, com uma fileira de marcadores de texto nas cores azul, amarelo e rosa, uma tigela de pipoca de micro-ondas e um prato de brownies de manteiga de amendoim que fiz à tarde. Deixo Kitty comer dois pedaços e só.
Ele disse que chegaria por volta das oito. Primeiro acho que ele está atrasado, como sempre, mas os minutos passam e percebo que não vem. Mando uma mensagem, mas Peter não responde.
Kitty vai até a cozinha no intervalo e fica rondando para tentar pegar outro pedaço de brownie, e acabo deixando.
— O Peter não vem? — pergunta ela.
Finjo que estou tão concentrada no estudo que não escuto.
Por volta das dez, ele manda uma mensagem dizendo: Desculpa, tive um problema. Não vai dar para ir hoje. Ele não diz onde está nem o que está fazendo, mas eu sei. Está com Genevieve. No almoço, andava distraído; ficava mandando mensagens pelo celular.
Mais tarde, eu os vi em frente ao vestiário feminino. Eles não me viram, mas eu, sim. Eles estavam apenas conversando, mas com Genevieve nunca é apenas alguma coisa. Ela colocou a mão no braço dele; ele tirou o cabelo dela da frente dos olhos.
Posso ser namorada só de mentira, mas isso não é só uma coisinha de nada.
Continuo estudando, mas é difícil me concentrar quando fico magoada. Digo para mim mesma que é só porque me dei o trabalho de fazer brownies e arrumar a cozinha. É falta de educação marcar um compromisso e não aparecer. Ele não tem educação? Será que gostaria se eu fizesse o mesmo? E qual é o sentido de toda essa mentira se ele vai voltar para ela de qualquer jeito? O que eu ganho com isso? As coisas estão melhores entre mim e Josh, praticamente voltaram ao normal. Se eu quisesse, podia acabar com tudo.
Na manhã seguinte, acordo ainda chateada. Ligo para Josh para pedir carona para a escola. Por um segundo, tenho medo de ele não atender; faz tempo que não conversamos. Mas ele atende e diz que não tem problema.
Vamos ver o que Peter acha de aparecer para me buscar e eu não estar em casa.
No caminho para a escola, começo a ficar inquieta. Talvez Peter tenha tido um motivo legítimo para não aparecer. Talvez não estivesse com Genevieve e acabei fazendo uma coisa muito mesquinha só por raiva.
Josh está me olhando, desconfiado.
— O que foi?
— Nada.
Ele não acredita em mim, consigo perceber.
— Você e o Kavinsky brigaram?
— Não.
Josh suspira.
— Tome cuidado. — Ele fala de um jeito condescendente de irmão mais velho que me dá vontade de gritar. — Não quero ver você magoada por causa daquele cara.
— Josh! Ele não vai me magoar. Caramba!
— Ele é um babaca. Sinto muito, mas é. Todos os caras do time de lacrosse são. Caras como o Kavinsky só ligam para uma coisa. Assim que conseguem o que querem, ficam entediados.
— Não o Peter. Ele namorou a Genevieve por quase quatro anos!
— Acredite em mim. Você não tem muita experiência com garotos, Lara Jean.
— Como você sabe? — pergunto, baixinho.
Josh me lança um olhar de Para com isso.
— Porque eu conheço você.
— Não tão bem quanto pensa.
Ficamos em silêncio o resto do caminho.
Não vai ser nada de mais. Peter vai parar na porta da minha casa, vai ver que não estou lá e vai embora. E daí se ele teve que desviar cinco minutos do caminho. Eu esperei ontem à noite durante duas malditas horas.
Quando chegamos à escola, Josh segue para o corredor do último ano e eu vou para o corredor do segundo. Fico lançando olhares para o armário de Peter, mas ele não chega. Espero no meu armário até o sinal tocar, mas ele não aparece. Corro para a primeira aula, a mochila sacolejando nas costas.
O sr. Schuller está fazendo a chamada quando levanto o rosto e vejo Peter na porta, me olhando com raiva. Ele faz sinal para eu sair. Engulo em seco, desvio o olhar depressa para o caderno e finjo que não o vi. Mas ele sussurra meu nome, e sei que tenho que ir falar com ele.
Trêmula, eu levanto a mão.
— Sr. Schuller, posso ir ao banheiro?
— Você deveria ter ido antes da aula — murmura ele, mas faz sinal para eu ir.
Saio para o corredor e puxo Peter para longe da porta, para que o sr. Schuller não possa nos ver.
— Onde você estava hoje de manhã? — pergunta Peter.
Eu cruzo os braços e tento me empertigar. É difícil, porque sou baixinha e ele é muito alto.
— Olha quem fala.
Peter bufa.
— Pelo menos eu mandei uma mensagem de texto! Já te liguei umas dezessete vezes. Por que seu celular está desligado?
— Você sabe que não podemos ficar com o celular ligado na escola!
Ele bufa.
— Lara Jean, esperei vinte minutos na porta da sua casa.
Caramba.
— Ah, desculpa.
— Como você veio para a escola? Com o Sanderson?
— É.
Peter suspira.
— Olha, se você ficou com raiva porque eu não pude ir ontem, devia ter me ligado e dito em vez da merda que fez hoje de manhã.
— Bem, e a merda que você fez ontem à noite? — pergunto, baixinho.
Um sorriso curva os cantos da boca dele.
— Você acabou de dizer “merda”? É muito engraçado saindo da sua boca.
Eu o ignoro.
— Então... onde você estava? Estava com a Genevieve?
Não pergunto o que realmente quero saber: Vocês dois estão juntos?
Ele hesita.
— Ela precisava de mim.
Não consigo nem olhar para ele. Por que Peter é tão burro? Por que ela o controla tanto? É por causa de todo o tempo que eles passaram juntos? É o sexo? Não entendo. É decepcionante a falta de autocontrole que os garotos têm.
— Peter, se você vai sair correndo cada vez que ela chamar, não vejo sentido em continuar com essa farsa.
— Covey, para com isso! Eu já pedi desculpas. Não fica com raiva.
— Você não pediu desculpas — digo. — Quando foi que você pediu desculpas?
Com expressão arrependida, ele diz:
— Desculpa.
— Não quero mais que você se encontre com a Genevieve. Como você acha que isso me faz parecer aos olhos dela?
Peter olha para mim com firmeza.
— Não posso negar ajuda a Gen, então não me peça isso.
— Mas Peter, ela tem um namorado novo, não precisa de você.
Ele faz uma careta, e na mesma hora eu me arrependo do que disse.
— Desculpa — sussurro.
— Tudo bem. Eu não espero que você entenda. Gen e eu... A gente se entende.
Ele não sabe, mas, quando fala de Genevieve, seu rosto fica mais suave. Uma mistura de carinho com impaciência. E outra coisa. Amor. Peter pode negar o quanto quiser, mas sei que ele ainda a ama.
Solto um suspiro.
— Você pelo menos estudou para a prova?
Ele balança a cabeça, e suspiro de novo.
— Pode ler minhas anotações no almoço — digo, e volto para a aula.
Está começando a fazer sentido para mim. O motivo de ele sustentar uma mentira dessas, o motivo de passar o tempo com uma pessoa como eu. Não é para poder esquecer Gen. É para não esquecer. Eu sou a desculpa dele. Só estou guardando o lugar de Genevieve para ela. Quando entendo isso, todo o resto começa a fazer sentido.

12 comentários:

  1. Cacetada AGR EU TÔ COM RAIVA!! Ele bem q mereceu 😒

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  2. Tadinha dela ta sendo usada...

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  3. Ai estou enlouquecendo quando começo a tê-lo como preferido me decepciono

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  4. Nossa eu tava amando tanto o peter! Me decepcionou.

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  5. Q bostaaa... Lara Jean para de ser burraaa.. Acaba logo cm essa farsa, ele é o cachorrinho da Gen

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  6. Quase choro agora, ela ta apaixonada bicho!!

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  7. Lara com certeza na está sentindoalgo e ele ficou com ciúmes,bem feito!!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!