16 de abril de 2018

Capítulo 39

A MÃE DE Peter tem um antiquário chamado Linden & White na rua de paralelepípedos do Centro. O que ela mais vende é mobília, mas também tem mostruários de joias, cada um representando uma década. Minha década favorita é a de 1900. Tem um pingente de ouro em formato de coração com um diamante pequenininho no meio; parece uma estrela explodindo. Custa quatrocentos dólares. O antiquário fica ao lado da livraria McCalls, por isso às vezes dou uma passadinha na loja para olhar o pingente. Sempre acho que não estará mais lá, mas sempre está.
Uma vez, compramos um broche de ouro em formato de trevo da década de 1940 para o Dia das Mães. Margot e eu montamos uma barraca para vender limonada todos os sábados durante um mês e conseguimos juntar dezesseis dólares.
Lembro o orgulho que sentimos quando demos o dinheiro para nosso pai, arrumadinho dentro de um saco plástico. Na época, achei que estávamos pagando a maior parte e papai só ia ajudar um pouco.
Agora, percebo que o broche custou bem mais do que dezesseis dólares. Eu deveria perguntar a ele quanto custou de verdade. Mas talvez eu não queira saber. Talvez seja melhor não saber. Enterramos mamãe com o broche, era o favorito dela.
Estou de pé em frente ao mostruário, com os dedos encostados no vidro, quando Peter aparece, vindo dos fundos da loja.
— Oi — diz ele, surpreso.
— Oi — respondo. — O que você está fazendo aqui?
Peter me olha como se eu fosse burra.
— Minha mãe é a dona, lembra?
— Eu sei disso. Só nunca vi você aqui. Você trabalha na loja?
— Não, tive que trazer uma encomenda para minha mãe. Agora ela está dizendo que tenho que pegar um conjunto de cadeiras em Huntsburgh amanhã — diz Peter, mal-humorado. — São duas horas para ir e voltar. Um saco.
Assinto, solidária, e me afasto do mostruário. Finjo olhar para um globo rosa e preto. Na verdade, acho que Margot gostaria dele. Poderia ser um bom presente de Natal para ela. Observo-o com mais atenção.
— Quanto custa este globo?
— O preço que está na etiqueta. — Peter apoia o cotovelo no mostruário e se inclina para a frente. — Você devia ir.
Eu olho para ele.
— Aonde?
— Buscar as cadeiras comigo.
— Você acabou de reclamar do quanto vai ser um saco.
— É, sozinho. Se você for, talvez seja um pouco menos pior.
— Nossa, obrigada.
— De nada.
Eu reviro os olhos. Peter diz “de nada” para tudo! É tipo Não, Peter, esse não foi um agradecimento genuíno, então você não precisa responder.
— Então, você vai ou não?
— Ou não.
— Ah, vamos! Vou buscar as cadeiras em uma propriedade à venda. O dono era recluso. As coisas estão lá há cinquenta anos. Aposto que vai ter coisas para você olhar. Você gosta de coisas antigas, não gosta?
— Gosto — respondo, surpresa por ele saber isso sobre mim. — Na verdade, eu sempre quis ir a uma venda dessas. Como o dono morreu? Quanto tempo passou até que alguém encontrasse o corpo?
— Caramba, como você é mórbida. — Ele estremece. — Não sabia que você tinha esse lado.
— Eu tenho muitos lados — digo para ele, e me inclino para a frente. — E aí? Como ele morreu?
— Ele não morreu, sua esquisita. Só está velho. A família vai mandar o cara para um asilo. — Peter ergue uma sobrancelha para mim. — Então pego você amanhã às sete.
— Sete? Você não falou nada sobre sair às sete da manhã em um sábado!
— Desculpa — diz ele parecendo culpado. — Temos que chegar cedo, antes que todas as coisas boas sejam vendidas.

* * *

Naquela noite, preparo o almoço do dia seguinte para mim e para Peter. Faço sanduíches de rosbife com queijo e tomate, maionese para mim e mostarda para ele. Peter não gosta de maionese. São as coisas engraçadas que você aprende em um relacionamento de mentira.
Kitty entra na cozinha e tenta pegar uma metade de sanduíche. Dou um tapa na mão dela.
— Não é para você.
— Então é para quem?
— É para o meu almoço amanhã. Meu e do Peter.
Ela sobe em um banco e me observa embrulhar os sanduíches em papel-alumínio. Sanduíches ficam bem mais bonitos em papel-alumínio do que dentro de potes plásticos. Sempre que posso, uso papel-alumínio.
— Eu gosto do Peter — diz Kitty. — Ele é muito diferente do Josh, mas gosto dele.
Eu olho para ela.
— O que você quer dizer?
— Não sei. Ele é engraçado. Faz um monte de brincadeiras. Você deve estar muito apaixonada se está fazendo sanduíches para ele. Quando a Margot e o Josh começaram a namorar, ela fazia macarrão com molho de três queijos o tempo todo, porque é o prato favorito dele. Qual é o prato favorito do Peter?
— Eu... eu não sei. Quer dizer, ele gosta de tudo.
Kitty me olha de soslaio.
— Se você é a namorada dele, deveria saber qual é a sua comida favorita.
— Sei que ele não gosta de maionese — digo.
— Isso é porque maionese é nojento. Josh também odeia maionese.
Sinto uma pontada. Josh odeia mesmo maionese.
— Kitty, você sente falta do Josh?
Ela assente.
— Eu queria que ele ainda viesse aqui. — Um olhar de saudade surge no rosto dela, e estou quase lhe dando um abraço quando Kitty coloca as mãos nos quadris. — Mas não use todo o rosbife, preciso dele para meu lanche da semana que vem.
— Se acabar, faço salada de atum. Caramba.
— É bom mesmo — diz Kitty, e sai correndo.
“É bom mesmo”? De onde ela tira essas coisas?

* * *

Às sete e meia, estou sentada à janela esperando Peter chegar. Carrego um saco de papel pardo com nossos sanduíches e minha câmera, para o caso de haver alguma coisa sinistra ou legal que eu possa fotografar. Estou imaginando uma mansão velha, cinza e em ruínas, como se vê nos filmes de terror, com um portão e um laguinho sujo ou um labirinto no jardim.
A minivan da mãe de Peter para na porta da minha casa às 7h45, o que me deixa irritada. Eu poderia ter dormido mais uma hora inteira. Corro até o carro e entro, e, antes que eu possa falar qualquer coisa, ele diz:
— Desculpa, desculpa. Mas olha só o que eu trouxe para você. — Ele me passa um donut em um guardanapo, ainda quente. — Eu parei e comprei bem na hora que abriram, às sete e meia. É de café com chocolate e açúcar.
Eu arranco um pedaço e coloco na boca.
— Hum!
Ele me olha de soslaio enquanto acelera o carro.
— Então fiz a coisa certa ao me atrasar, né?
Eu concordo enquanto dou uma mordida grande.
— Você fez a coisa perfeita — digo, com a boca cheia. — Ei, trouxe água?
Peter me entrega uma garrafa de água pela metade, e tomo um grande gole.
— É o melhor donut que já comi — comento.
— Que bom. — Peter olha para mim e ri. — Você está com açúcar na cara toda.
Eu limpo a boca com o outro lado do guardanapo.
— Nas bochechas também — diz ele.
— Tudo bem, tudo bem. — O carro fica em silêncio, o que me deixa nervosa. — Que tal um pouco de música?
Pego meu celular.
— Na verdade, você se importa se ficarmos em silêncio por um tempo? Não consigo ouvir música antes de a cafeína começar a agir.
— Hã... claro.
Não sei se isso quer dizer que ele quer que eu fique quieta também. Eu não teria concordado com esse passeio se soubesse que teria que ficar em silêncio.
Peter está com uma expressão serena no rosto, como se fosse o capitão de um barco de pesca e estivéssemos flutuando placidamente em alto-mar. Só que não está dirigindo devagar; ele está dirigindo muito rápido.
Consigo ficar em silêncio por uns dez segundos.
— Espera, você quer que eu fique quieta também?
— Não, eu só não quero música. Você pode falar o quanto quiser.
— Tudo bem.
Mas fico em silêncio, porque é constrangedor quando alguém diz que você pode falar o quanto quiser.
— Ei, qual é a sua comida favorita?
— Eu gosto de tudo.
— Mas qual é sua favorita? Tipo, sua favorita de todas. É macarrão com queijo, frango frito, bife ou pizza?
— Gosto disso tudo. Igualmente.
Solto um suspiro irritado. Por que Peter não entende o conceito de escolher uma coisa favorita?
Peter imita meu suspiro e ri.
— Tudo bem. Gosto de pão de canela. É minha comida favorita.
— Pão de canela? — repito. — Você gosta de pão de canela mais do que de patas de caranguejo? Mais do que de cheeseburger?
— Sim.
— Mais do que de bife?
Peter hesita. Mas responde:
— Sim! Agora pare de criticar minha escolha. Não vou mudar de ideia.
Eu dou de ombros.
— Tudo bem.
Eu espero, dando a ele uma chance de me perguntar qual é minha comida favorita, mas ele não pergunta.
— Minha comida favorita é bolo — digo, por fim.
— Que tipo de bolo?
— Não importa. Qualquer um.
— Você acabou de me encher porque não escolhi!
— Mas é tão difícil escolher um tipo! — exclamo. — Tem aquele bolo de coco com cobertura de glacê parecida com uma bola de neve. Gosto muito desse. Mas também gosto de cheesecake, de torta de limão e de bolo de cenoura. E também de bolo red velvet com cobertura de cream cheese, e bolo de chocolate com cobertura de ganache. — Eu faço uma pausa. — Você já comeu bolo de azeite de oliva?
— Não. Parece estranho.
— É muito, muito gostoso. Úmido e delicioso. Vou fazer para você.
Peter geme.
— Você está me deixando com fome. Eu devia ter comprado um saco inteiro de donuts.
Eu abro o saco de papel pardo e pego o sanduíche dele. Escrevi um no papel-alumínio para saber qual era o dele.
— Você quer um sanduíche?
— Você fez para mim?
— Bom, eu estava preparando um para mim. Seria falta de educação trazer só um sanduíche e comer na sua frente.
Peter aceita o sanduíche e come com a parte de baixo ainda envolta no papel.
— Está gostoso — comenta, assentindo. — Que mostarda é essa?
— Mostarda de cerveja — respondo, satisfeita. — Meu pai compra de um catálogo de comida bacana. Ele adora cozinhar.
— Você não vai comer o seu?
— Estou guardando para depois.
No meio do caminho, Peter começa a costurar no trânsito e fica olhando para o relógio no painel.
— Por que você está com tanta pressa? — pergunto.
— Os Epstein — diz ele, batendo com os dedos no volante.
— Quem são os Epstein?
— Um casal idoso que tem um antiquário em Charlottesville. Da última vez, Phil chegou cinco minutos antes de mim e fez a limpa. Isso não vai acontecer hoje.
Impressionada, digo:
— Uau, eu não fazia ideia de que a concorrência nessa área era tão acirrada.
Como um sabe-tudo, Peter dá um sorrisinho.
— E as áreas não são todas assim?
Reviro os olhos para a janela. Peter é tão Peter.

* * *

Estamos parados em um sinal de trânsito quando Peter se senta ereto de repente.
— Ah, merda! Os Epstein!
Eu estava quase dormindo. Meus olhos se abrem na mesma hora.
— Onde? Onde?
— Carro vermelho! Dois carros à frente, à direita.
Eu estico o pescoço para olhar. É um casal de cabelo grisalho, com uns sessenta ou setenta anos. É difícil ter certeza, tão de longe.
Assim que o sinal fica verde, Peter acelera e sai dirigindo pelo acostamento. Eu grito “Vai, vai, vai!”, e logo passamos pelos Epstein. Meu coração está disparado e não consigo deixar de colocar a cabeça para fora da janela e gritar, porque é tão emocionante. Meu cabelo balança ao vento, e sei que vai ficar todo embaraçado, mas não me importo.
— Uhullll! — grito.
— Você é louca — diz Peter, me puxando pela barra da camisa.
Ele está me olhando como olhou no dia em que eu o beijei no corredor. Como se eu fosse uma pessoa diferente do que ele imaginava.
Quando chegamos à casa, já há alguns carros estacionados. Estico o pescoço para tentar ver melhor. Eu estava esperando uma mansão com portão de ferro fundido e talvez uma ou duas gárgulas, mas é só uma casa normal. Devo parecer decepcionada, porque, quando para o carro, Peter diz para mim:
— Não julgue uma venda pela casa. Já vi todo tipo de tesouro em casas normais e lixo em casas elegantes.
Eu saio do carro e me abaixo para amarrar o cadarço.
— Vamos, Lara Jean! Os Epstein vão chegar a qualquer momento!
Peter segura minha mão e corremos até a porta da frente; estou ofegante e tentando acompanhá-lo. As pernas dele são tão mais compridas do que as minhas.
Assim que entramos, Peter vai direto até um homem de terno, e eu me inclino para tentar recuperar o fôlego. Algumas pessoas andam pela casa e olham a mobília. Tem uma mesa de jantar comprida no meio de uma sala cheia de louça, cristais e enfeites de porcelana. Vou até lá para olhar. Gosto de uma cremeira branca com flores cor-de-rosa, mas não sei se posso tocar e ver quanto custa. Pode ser muito caro.
Tem uma cesta grande com enfeites de Natal antigos: Papais Noéis e renas de plástico e ornamentos de vidro. Estou remexendo na cesta quando Peter se aproxima com um sorriso enorme no rosto.
— Missão cumprida. — Ele indica um casal idoso que está olhando um aparador de madeira e sussurra: — Os Epstein.
— Você comprou as cadeiras? — grita o sr. Epstein. Ele está tentando parecer casual, não irritado, mas mantém as mãos na cintura e uma postura muito rígida.
— Você sabe que sim — responde Peter. — Boa sorte da próxima vez. — Para mim, ele diz: — Está vendo alguma coisa legal?
— Um monte. — Eu mostro uma rena rosa. É de cristal e tem o nariz azul. — Isto ficaria lindo na minha penteadeira. Você pode perguntar ao cara quanto custa?
— Não, mas você pode perguntar. Vai ser bom para aprender a negociar.
Peter segura minha mão e me leva até o homem de terno. Ele está preenchendo uma papelada em uma prancheta. Parece ocupado e importante. Nem sei se eu deveria estar aqui. Acho que não preciso da rena de verdade.
Mas Peter está me olhando com expectativa, então pigarreio e pergunto:
— Com licença, senhor, quanto custa essa rena?
— Ah, ela faz parte de um lote — responde ele.
— Ah. Hã, me desculpe, mas o que é um lote?
— Quer dizer que é parte de um conjunto. Você tem que comprar o conjunto inteiro. Custa setenta e cinco dólares. É vintage, entende?
Começo a recuar.
— Obrigada — digo.
Peter me puxa e dá um sorriso largo para o homem.
— Você não pode juntar com as cadeiras? Um brinde com a compra?
O homem suspira.
— Não quero separar o conjunto.
Ele se vira para mexer nos papéis na prancheta.
Peter me lança um olhar como quem diz É você que quer a rena, é você que tem que falar. Olho para ele como quem diz Não quero tanto assim, e Peter balança a cabeça com firmeza e me empurra na direção do homem.
— Por favor, senhor. Pago dez dólares por ela. Ninguém vai saber que falta uma rena. E, olha, a patinha está lascada embaixo, está vendo?
Eu mostro a rena.
— Tudo bem, tudo bem. Pode levar — diz o homem, meio irritado, então abro um sorriso para ele e pego a carteira na bolsa, mas ele faz sinal indicando que não precisa.
— Obrigada! Muito obrigada.
Seguro a rena contra o peito. Talvez barganhar não seja tão difícil quanto eu pensava.
Peter pisca para mim e diz para o homem:
— Vou estacionar a minivan mais perto para podermos carregar as cadeiras.
Eles saem pela porta dos fundos e fico andando pela casa, olhando as fotos emolduradas nas paredes. Fico curiosa para saber se também estão à venda. Algumas parecem bem velhas: são fotos em preto e branco de homens de terno e chapéu. Uma das fotos mostra uma garota com vestido de crisma, todo branco e rendado como um vestido de noiva. A garota não está sorrindo, mas tem um brilho malicioso nos olhos que me faz lembrar Kitty.
— É minha filha, Patrícia. — Eu me viro. Um senhor idoso de suéter azul e calça jeans grossa está encostado na escada, me olhando. Parece muito frágil; a pele é branca e fina como papel. — Ela mora em Ohio. É contadora.
Ele ainda está me olhando, como se eu lhe lembrasse alguém.
— Sua casa é linda — digo, apesar de não ser. É velha e precisa de uma boa reforma. Mas as coisas lá dentro são lindas.
— Está vazia agora. Todas as minhas coisas foram vendidas. Não vou poder levar comigo, sabe.
— O senhor quer dizer quando morrer? — sussurro.
Ele me encara.
— Não. Quero dizer para o asilo.
Ops.
— Certo — digo, e dou uma risadinha, como costumo fazer quando fico constrangida.
— O que você está segurando?
Eu mostro.
— Isto. Ele... o homem de terno me deu. Você quer de volta? Eu não paguei. Faz parte de um lote.
Ele sorri, e as rugas na pele fina ficam mais fundas.
— Era a favorita da Patty.
Eu a estendo na direção dele.
— Talvez ela queira guardar...
— Não, pode ficar. É sua. Ela nem se deu o trabalho de me ajudar com a mudança. — Ele assente, ressentido. — Tem mais alguma coisa que você queira levar? Tenho um baú cheio de roupas antigas dela.
Eca. Drama familiar. Melhor não me envolver nisso. Mas roupas vintage! Isso é tentador.

* * *

Quando Peter me encontra, estou sentada de pernas cruzadas no chão da sala de música, olhando dentro de um baú velho. O sr. Clarke está cochilando no sofá ao meu lado. Encontrei um minivestido da década de 1960 rosa como algodão-doce pelo qual fiquei maluca e uma blusa sem mangas de botão com pequenas margaridas que posso amarrar na cintura.
— Olha, Peter! — Mostro o vestido. — O sr. Clarke disse que posso ficar com ele.
— Quem é o sr. Clarke? — pergunta Peter, e a voz dele preenche a sala.
Eu aponto para o senhor cochilando e levo o dedo aos lábios.
— Bem, é melhor a gente sair logo daqui, antes que o cara responsável pelas vendas o veja dando coisas de graça.
Eu me levanto depressa.
— Tchau, sr. Clarke — digo, mas não alto demais. Acho que é melhor deixá-lo dormir. Ele estava chateado antes, quando me contou sobre o divórcio.
O sr. Clarke abre os olhos.
— Esse é seu namorado?
— Na verdade, não — respondo.
Mas Peter coloca o braço sobre meus ombros.
— Sim, senhor. Sou o namorado dela.
Não gosto do jeito como ele fala, como se estivesse debochando de mim e do sr. Clarke.
— Obrigada pelas roupas, sr. Clarke — digo, e ele se senta mais ereto e estica a mão para pegar a minha. Eu seguro a dele, e o sr. Clarke beija minha mão. Seus lábios parecem as asas de uma mariposa seca.
— De nada, Patty.
Dou um aceno de adeus e pego minhas coisas novas. Quando saímos pela porta da frente, Peter pergunta:
— Quem é Patty?
Mas finjo não escutar.
Acho que adormeço em dois segundos por causa da agitação do dia, porque a próxima coisa que percebo é que estamos parados na porta da minha casa, e Peter está sacudindo meu ombro.
— Chegamos, Lara Jean.
Abro os olhos. Estou segurando o vestido e a blusa contra o peito como se fossem um cobertorzinho de criança, e minha rena está no colo. Meus novos tesouros. Sinto como se tivesse acabado de roubar um banco e conseguido fugir.
— Obrigada pelo dia de hoje, Peter.
— Obrigado por ir comigo. — E, de repente, ele acrescenta: — Ah, é. Eu me esqueci de dizer uma coisa. Minha mãe quer que você vá jantar lá em casa amanhã à noite.
Meu queixo cai.
— Você contou sobre nós para sua mãe?
Peter me olha com irritação.
— A Kitty sabe sobre nós! Além do mais, minha mãe e eu somos bem próximos. Na nossa família, somos só ela, eu e meu irmão, Owen. Se você não quiser ir, não precisa. Mas saiba que minha mãe vai achar você mal-educada por recusar o convite.
— Só estou dizendo... Quanto mais gente souber, mais difícil será gerenciar tudo. Você precisa restringir as mentiras ao menor número possível de pessoas.
— Como você sabe tanto sobre mentir?
— Ah, eu mentia o tempo todo quando era criança. Mas eu não as encarava como mentiras. Achava que era brincar de faz-de-conta. Uma vez falei para Kitty que ela era adotada e que a família dela era de um circo itinerante. Foi por isso que ela começou a fazer ginástica olímpica.

13 comentários:

  1. Tomare que mostre o senhor Clarke mais vezes me emocionei com ele

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    1. Tbm! Caiu até um olho na minha lágrima quando ele chamou ela de Patty :,)

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  2. Hauheuahsueh 😂😂😂😂 imagino como a Kitty sofre com a Laranjinha 😂😂😂
    Eu falei q só ia ler mais 1 capítulo mas já li 2 e agr fiquei com vontade de ler o próximo 😫😗♥

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  3. A MELHOR MENTIRA: Foi da irmã gêmea dela que morreu de câncer... Ri muito nessa hora

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  4. "Você gosta de coisas antigas não gosta?" ELE ESTÁ GOSTANDO DE VOCÉ JARANJINHA

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  5. "Você gosta de coisas antigas não gosta?" ELE ESTÁ GOSTANDO DE VOCÉ JARANJINHA

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  6. Comecei ler pela manha e não consigo mais parar....
    Agora sim estou shippando esse casal.. Mas ainda shippo com o "NOSSO JOSH"

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Boa leitura, E SEM SPOILER!