16 de abril de 2018

Capítulo 36

O BILHETE DE Peter de hoje diz: Quer tomar sorvete depois da aula?
Ele desenhou dois quadrados, um sim e um não. Faço um “X” no sim e coloco o bilhete no armário dele.

* * *

Quando a aula termina, encontro Peter no estacionamento, e seguimos com o pessoal do lacrosse para a sorveteria. Peço uma casquinha de iogurte natural com cereal, morangos, kiwi e abacaxi, e Peter pede uma de limão com pedaços de biscoito. Pego a carteira para pagar o meu, mas Peter não deixa. Ele pisca e diz:
— Pode deixar.
— Achei que você tinha dito que não ia pagar nada — sussurro para ele.
— Meus amigos estão aqui. Não posso parecer pão-duro na frente deles. — Em seguida, passa o braço por cima dos meus ombros e diz, alto: — Enquanto você for minha namorada, não vai pagar por sorvete.
Eu reviro os olhos, mas não vou rejeitar uma casquinha de graça. Nunca tive um garoto pagando coisas para mim. Eu poderia me acostumar com esse tratamento.
Eu estava preparada para encontrar Genevieve, mas ela não apareceu ainda. Acho que Peter está pensando a mesma coisa, porque fica com os olhos grudados na porta. Conhecendo Genevieve, sei que algo ruim vai acontecer. Até o momento, ela tem andado estranha e perturbadoramente quieta. Quase nunca almoça no refeitório, porque ela e Emily Nussbaum têm comido fora do colégio, e, quando a vejo nos corredores, ela lança sorrisos falsos que não mostram os dentes, o que é ainda mais ameaçador.
Quando ela vai fazer algo contra mim? Quando terei meu momento Jamila Singh? Chris diz que Genevieve está obcecada demais com o namorado da faculdade para se preocupar comigo e Peter, mas não acredito. Já vi como ela olha para ele. Como se Peter fosse sua propriedade.
Os garotos juntam algumas mesas, e praticamente tomamos conta do lugar. É como no almoço, com eles falando alto, conversando sobre o jogo de futebol americano na próxima sexta. Acho que não digo duas palavras. Não tenho nada para falar. Apenas tomo o sorvete de iogurte que ganhei de graça e aprecio o fato de não estar em casa arrumando minha coleção de sapatos ou vendo o canal de golfe com meu pai.

* * *

Estamos voltando para o carro quando Gabe diz:
— Ei, Lara Jean, você sabia que, se disser seu nome muito rápido, o som parece o da palavra laranja? Experimenta! Larajean.
— Larajean — repito, obediente. — Larajean. Laranjinha. Na verdade, acho que parece mais laranjinha do que laranja.
Gabe assente.
— Vou começar a chamar você de Laranjinha. Você é tão pequena que combina. Não acha?
Dou de ombros.
— Tá.
Gabe se vira para Darrell.
— Ela é tão pequena que poderia ser nossa mascote.
— Ei, não sou tão pequena — protesto.
— Qual é a sua altura? — pergunta Darrell.
— Um metro e sessenta — digo, exagerando. Está mais para um e cinquenta e cinco.
Gabe joga a colher no lixo.
— Você é tão pequena que caberia no meu bolso!
Todos os garotos riem. Peter está sorrindo, mas de um jeito meio confuso. De repente, Gabe me pega e me joga por cima do ombro, como se eu fosse uma criança e ele fosse meu pai.
— Gabe! Me põe no chão! — grito, balançando as pernas e socando o peito dele. Ele começa a girar em círculos, e todos os garotos acham graça.
— Vou adotar você, Laranjinha! Você vai ser meu bichinho de estimação. Vou colocar você na minha antiga gaiola de hamster!
Estou rindo tanto que não consigo respirar e começo a ficar tonta.
— Me coloca no chão!
— Solta ela, cara — diz Peter, mas também está rindo.
Gabe corre na direção da picape de alguém e me coloca na caçamba.
— Ei, me tira daqui! — grito.
Gabe já saiu correndo. Todos os garotos entram em seus carros.
— Tchau, Laranjinha! — gritam.
Peter corre até mim e me ajuda a descer.
— Seus amigos são malucos — comento, quando meus pés tocam o asfalto.
— Eles gostam de você.
— Sério?
— É. Eles odiavam quando eu trazia a Gen. Mas não se importam de você ficar com a gente. — Peter passa o braço por cima dos meus ombros. — Vamos, Laranjinha. Vou levar você para casa.
Quando estamos andando na direção do carro dele, deixo o cabelo cair na frente do rosto para que Peter não me veja sorrindo. É legal fazer parte de um grupo, me sentir aceita em algum lugar.

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