16 de abril de 2018

Capítulo 33

DEPOIS DA AULA, Chris e eu estamos no meu quarto. Ela está encrencada com a mãe por ter passado a noite fora, então veio se esconder aqui até a mãe sair para o clube do livro. Estamos compartilhando um saco enorme de batatinhas da Kitty, que vou ter que substituir porque ela vai reclamar se não tiver nenhum para levar para a escola na segunda-feira.
Chris enfia um punhado de batatas na boca.
— Me conta logo, Lara Jean. Até onde vocês dois chegaram?
Eu quase engasgo.
— Não chegamos a lugar algum! E não temos planos de ir a lugar algum no futuro próximo.
Nem nunca.
— Sério? Nem a mão por cima do sutiã? Uma apalpada rápida no peito?
— Não! Já falei, Margot e eu não somos assim.
Chris ri com deboche.
— Você está de brincadeira? É claro que a Margot e o Josh já fizeram sexo. Para de ser ingênua, Lara Jean.
— Eu não estou sendo ingênua — respondo. — Eu sei que eles não fizeram nada.
— Ah, é? Como você tem tanta certeza? Eu adoraria saber.
— Não vou contar.
Se eu contar para Chris, ela só vai rir mais. Ela não entende, porque só tem um irmão mais novo. Não sabe como é entre irmãs. Margot e eu fizemos um pacto ainda no fundamental. Juramos que não faríamos sexo antes de nos casarmos ou de estarmos muito, muito apaixonadas e com, no mínimo, vinte e um anos. Margot podia estar muito, muito apaixonada, mas não se casou nem fez vinte e um. Ela jamais descumpriria a promessa. Entre irmãs, um pacto é tudo.
— Não, eu adoraria saber, mesmo.
Chris está com aquele brilho faminto nos olhos, e sei que está só começando.
— Você só quer debochar, e não vou deixar — retruco.
Chris revira os olhos.
— Tudo bem. Mas não tem como eles não terem trepado.
Acho que Chris fala assim de propósito, para tentar provocar uma reação em mim. Ela adora conflitos, então tomo cuidado de não reagir ao que ela diz.
— Quer parar de falar sobre minha irmã e Josh fazendo sexo? — peço com a voz calma. — Você sabe que eu não gosto disso.
Chris pega uma caneta permanente na bolsa e começa a colorir a unha do polegar.
— Você precisa parar de ser tão medrosa. Falando sério, você enfiou na cabeça que é um momento importante que define toda a sua vida, mas na verdade dura menos de cinco minutos e nem é a melhor parte.
Sei que ela está esperando que eu pergunte qual é a melhor parte, e estou curiosa, mas a ignoro e digo:
— Acho que caneta permanente é tóxica para as unhas.
Ela só balança a cabeça como se eu fosse uma causa perdida.
Mas eu me pergunto... como seria? Ficar tão íntima de um garoto, deixar ele me ver nua, sem nada a esconder. Será que é assustador por apenas um segundo ou dois ou é assustador o tempo todo? E se eu não gostar? E se gostar demais? É muita coisa para pensar.

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