16 de abril de 2018

Capítulo 3

ESTAMOS NOS ÚLTIMOS dias de verão. Nossos últimos dias com Margot. Talvez não seja tão ruim ela ter terminado com Josh; assim temos mais tempo só para nós, as irmãs. Tenho certeza de que ela deve ter pensado nisso. Tenho certeza de que era parte do plano.
Estamos saindo do nosso bairro de carro quando vemos Josh passar correndo. Ele entrou para a equipe de atletismo no ano passado, e agora está sempre correndo por aí. Kitty grita o nome dele, mas as janelas estão fechadas, e não ia adiantar mesmo, porque ele finge não ouvir.
— Vamos dar a volta — pede Kitty para Margot. — Talvez ele queira vir com a gente.
— Este dia é só das irmãs Song — digo a ela.
Passamos o resto da manhã na Target, comprando coisas de última hora: mix de nozes e frutas secas com mel para o voo, desodorante e elástico de cabelo. Deixamos Kitty empurrar o carrinho, para ela poder fazer aquele negócio de dar uma corridinha e subir na parte de trás como se estivesse conduzindo uma carruagem. Mas Margot só a deixa fazer isso umas duas vezes antes de mandá-la parar, para não irritar os outros clientes.
Em seguida, voltamos para casa e almoçamos salada de frango com uvas verdes, e então está quase na hora da competição de natação de Kitty. Preparamos sanduíches de presunto e queijo e salada de frutas e levamos o laptop de Margot para assistirmos a uns filmes, porque competições de natação podem demorar bastante. Também fazemos um cartaz com a inscrição Vai, Kitty!. Desenho um cachorro nele. Papai acaba não conseguindo chegar à competição a tempo porque está fazendo um parto, e, quando se trata de desculpas, essa é uma das melhores. (Era menina, e escolheram o nome Patricia Rose, em homenagem às duas avós. Meu pai sempre descobre os nomes para mim. É a primeira coisa que pergunto quando ele chega em casa depois de um parto.)
Kitty está tão empolgada por ter ganhado dois prêmios de primeiro lugar e um de segundo que se esquece de perguntar por Josh até estarmos no carro, voltando para casa. Ela está no banco de trás com a toalha enrolada no cabelo como um turbante e as fitas do prêmio penduradas nas orelhas como brincos. Então se inclina para a frente e diz:
— Ei! Por que Josh não foi à competição?
Posso ver Margot hesitar, então respondo por ela. Talvez a única coisa em que eu seja melhor do que Margot é em mentir.
— Ele teve que trabalhar na livraria hoje. Mas queria muito ter vindo.
Margot estica a mão por cima da caixa de câmbio e aperta a minha com gratidão.
Kitty faz beicinho.
— Essa foi a última competição da temporada! Ele prometeu que ia me ver nadar.
— Foi de última hora — explico. — Ele não conseguiu fugir do trabalho porque um dos colegas teve uma emergência.
Kitty assente, contrariada. Por mais nova que seja, ela entende de emergências.
— Vamos tomar sorvete — declara Margot, de repente.
Kitty se alegra, e a emergência imaginária de Josh é esquecida.
— Isso! Quero uma casquinha! Posso pedir casquinha com duas bolas? Quero de menta com pedaços de chocolate e de amendoim crocante. Não, tutti-frutti e brownie. Não, espere...
Eu me viro no banco.
— Você não consegue terminar as duas bolas e a casquinha. Talvez até consiga comer as duas bolas, mas não a casquinha.
— Consigo sim. Hoje eu consigo. Estou morrendo de fome.
— Tudo bem, mas é melhor você comer tudo.
Eu balanço o dedo para ela e falo como se fosse uma ameaça, o que a faz revirar os olhos e rir. Quanto a mim, vou pedir o de sempre: cereja com pedaços de chocolate e casquinha recheada.
Margot entra no drive-thru e, enquanto esperamos nossa vez, eu digo:
— Aposto que não tem essa sorveteria na Escócia.
— Não deve ter mesmo — responde ela.
— Você só vai voltar aqui no Dia de Ação de Graças.
Margot olha direto para a frente.
— Natal — corrige ela. — O feriado de Ação de Graças é curto demais para um voo tão longo, lembra?
Kitty faz beicinho.
— O Dia de Ação de Graças vai ser um saco.
Eu fico em silêncio. Nunca tivemos um Dia de Ação de Graças sem Margot. Ela sempre prepara o peru, os brócolis gratinados e as cebolas cremosas. Eu faço as tortas (de abóbora e de noz-pecã) e o purê de batatas. Kitty experimenta tudo e arruma a mesa. Não sei assar peru. Além disso, nossas duas avós estarão presentes, e Nana, a mãe do nosso pai, gosta mais de Margot. Ela diz que Kitty a deixa exausta e que eu sou sonhadora demais. De repente, entro em pânico e fica difícil respirar. Não estou dando mais a mínima para o sorvete de cereja com pedaços de chocolate. Não consigo imaginar um Dia de Ação de Graças sem Margot. Não consigo imaginar nem a próxima segunda-feira sem ela. Sei que a maioria das irmãs não se dá bem, mas sou mais próxima de Margot do que de qualquer outra pessoa no mundo. Como poderemos ser as irmãs Song sem Margot?

13 comentários:

  1. Coitada de Lara entrou em pânico (era provável). Imagina passar anos de sua vida com a pessoa mais próxima e do nada ela não vai estar mais aqui todos os dias, Terrível... 💖 adorei por vc ter postado o livro me ajudou muito

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  2. Pq q ela n conta logo?! Alguma hora eles vão descobrir... Essa casa vai virar de cabeça pra baixo sem a Margot, MDS!!
    XENTI, kd os comentários?!!! É horrível tu terminar o capítulo e n ter nenhum comentário pra ler

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  3. Como ela consegue esconder? estou imaginando a decepção de sua irmãzinha ao descobrir!!!

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  4. Eu e minha irmã somos assim. Principalmente depois q mamãe ficou doente

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  5. Nossa, que relação bonita a delas.

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  6. tou a gostar muitooo ahhh

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  7. Eu tô amando esse livro

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  8. To apaixonada pelo livro

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  9. Gente, o jeito que todas as três se amam é lindo

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  10. aaaaa apaixonada por esse livro

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  11. Muito obrigada por postar o livro!! Estou amando. Conheci a historia por causa do filme na nefix

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Boa leitura, E SEM SPOILER!