16 de abril de 2018

Capítulo 1

JOSH É O namorado de Margot, mas acho que eu poderia dizer que minha família toda é apaixonada por ele. É difícil saber quem o ama mais. Antes de ele ser namorado de Margot, era só Josh. E estava sempre por perto. Eu digo “sempre”, mas acho que isso não é bem verdade. Ele se mudou para a casa ao lado da nossa cinco anos atrás, mas parece que faz muito mais tempo.
Meu pai adora Josh porque ele é menino, e meu pai vive cercado de meninas. Estou falando sério: ele passa o dia todo cercado por mulheres. Meu pai é ginecologista e obstetra, e também pai de três filhas, então são só garotas, garotas, garotas o dia inteiro. Ele compartilha com Josh o amor por quadrinhos, e os dois também saem juntos para pescar. Meu pai tentou nos levar para pescar uma única vez, mas eu chorei quando meus sapatos ficaram sujos de lama, Margot chorou quando o livro dela molhou, e Kitty chorou porque ainda era um bebê.
Kitty adora Josh porque ele joga cartas com ela e não fica entediado. Ou pelo menos finge não ficar entediado. Eles fazem acordos: se eu ganhar a próxima rodada, você tem que preparar um sanduíche de creme de amendoim crocante com pão torrado, sem a casca, para mim. Essa é Kitty. Em algum momento o creme de amendoim crocante acaba, e Josh diz que é uma pena, mas ela terá que escolher outra coisa. Porém, Kitty enche tanto o saco dele que ele sai e compra, porque Josh é assim. Se eu tivesse que dizer por que Margot o ama, provavelmente diria que é porque todos nós amamos.
Estamos na sala, e Kitty está colando figuras de cachorros em uma cartolina enorme. Tem papel e pedaços de papel cortado por toda a parte ao redor dela. Cantarolando baixinho, ela diz:
— Quando papai me perguntar o que quero de Natal, vou dizer: “Pode escolher qualquer uma dessas raças e estamos quites.”
Margot e Josh estão no sofá; eu estou deitada no chão, assistindo à tevê. Josh fez uma tigela grande de pipoca, e estou concentrada em comê-la, de punhado em punhado.
Começa um comercial de perfume: uma garota corre pelas ruas de Paris usando um vestido frente única roxo, fino como papel de seda. O que eu não daria para ser essa garota de vestido fino como papel de seda correndo por Paris na primavera!
Eu me sento tão de repente que engasgo com um grão de milho que não estourou. Entre acessos de tosse, digo:
— Margot, vamos nos encontrar em Paris nas minhas férias!
Já posso me imaginar girando com um macaron de pistache em uma das mãos e um de framboesa na outra.
Os olhos de Margot se iluminam.
— Você acha que papai vai deixar?
— Claro, é cultura. Ele tem que deixar.
Mas eu nunca viajei de avião sozinha. E também nunca saí do país. Será que Margot iria me buscar no aeroporto ou eu teria que encontrar o albergue sozinha?
Josh deve ter visto a preocupação repentina no meu rosto, porque diz:
— Não se preocupe. Seu pai vai deixar se eu for com você.
Eu me alegro.
— É! Podemos ficar em albergues e comer pão e queijo o dia inteiro.
— Podemos visitar o túmulo do Jim Morrison! — diz Josh.
— Podemos ir a uma parfumerie e criar nossos próprios perfumes! — digo, e Josh ri com deboche.
— Hã, tenho certeza de que “criar nossos próprios perfumes” em uma parfumerie custaria a mesma coisa que uma semana no albergue. — Ele cutuca Margot. — Sua irmã tem mania de grandeza.
— Ela é a mais elegante de nós três — concorda Margot.
— E eu? — choraminga Kitty.
— Você? — Eu faço um som debochado. — Você é a garota menos elegante da família Song. Tenho que implorar para você lavar os pés à noite, e nem estou falando de tomar banho.
O rosto de Kitty se contrai e fica vermelho.
— Eu não estava falando disso, sua pateta. Estava falando sobre Paris.
Faço um gesto distraído com a mão.
— Você é nova demais para ficar em um albergue.
Ela vai até Margot e sobe no colo dela, apesar de ter nove anos e ser grande demais para ficar no colo das pessoas.
— Margot, você vai me deixar ir, não vai?
— Talvez pudesse ser uma viagem de férias em família — sugere Margot, beijando a bochecha dela. — Você, Lara Jean e papai poderiam ir juntos.
Eu franzo a testa. Não era essa a viagem para Paris que eu estava imaginando.
Por cima da cabeça de Kitty, Josh faz movimentos labiais: “Conversamos depois.” Eu faço um sinal discreto de positivo.
Mais tarde, na mesma noite, Josh já foi embora. Kitty e nosso pai estão dormindo. Margot e eu ficamos na cozinha. Ela está sentada à mesa, no computador; sento ao lado dela, fazendo bolinhas de massa de biscoito e passando na canela e no açúcar.
Decidi preparar biscoitos como uma oferta de paz para Kitty. Mais cedo, quando fui dar boa-noite, ela me deu as costas e não quis falar comigo porque ainda está convencida de que vou tentar cortá-la da viagem a Paris. Meu plano é colocar um prato ao lado de seu travesseiro, para ela acordar com o cheiro de biscoitos recém-assados.
Margot está quieta demais, e então, do nada, ela olha para mim e dispara:
— Terminei com Josh hoje. Depois do jantar.
A bola de massa de biscoito cai dos meus dedos na tigela de açúcar.
— Já estava na hora — completa ela.
Os olhos de Margot não estão vermelhos; acho que ela não chorou. Sua voz está calma e firme. Qualquer pessoa que olhasse para ela pensaria que está tudo bem. Porque Margot sempre parece bem, mesmo quando não está.
— Não entendo por que você precisava terminar com ele. Você não é obrigada a terminar só porque vai para a faculdade.
— Lara Jean, eu vou para a Escócia, não para a Universidade da Virgínia. Saint Andrews fica a mais de seis mil quilômetros daqui. — Ela empurra os óculos para ajeitá-los no nariz. — Qual seria o sentido?
Não consigo acreditar que Margot está falando isso.
— O sentido é que é o Josh. Josh, que ama você mais do que qualquer garoto já amou uma garota!
Margot revira os olhos. Ela acha que estou sendo dramática, mas não estou. É verdade, Josh a ama tanto assim. Ele jamais olharia para outra garota.
— Sabe o que mamãe me disse uma vez? — indaga ela, de repente.
— O quê?
Por um momento, esqueço Josh. Porque, não importa o que eu esteja fazendo, se Margot e eu estivermos no meio de uma discussão ou se eu estiver prestes a ser atropelada por um carro, sempre vou parar para ouvir uma história sobre minha mãe. Qualquer detalhe, qualquer lembrança que Margot tenha, eu também quero ter. Mas estou melhor do que Kitty. Ela não tem nenhuma lembrança da nossa mãe que não tenha vindo de nós. Contamos tantas histórias para ela, tantas vezes, que passaram a ser dela. “Lembram aquela vez...”, começa Kitty. E aí, conta a história como se tivesse estado presente e não fosse apenas um bebezinho.
— Ela me aconselhou a não ir para a faculdade namorando. Disse que não queria que eu fosse aquela garota chorando ao telefone com o namorado e dizendo não para as oportunidades, em vez de sim.
A Escócia é o sim de Margot, acho. Distraidamente, pego um punhado de massa de biscoito e enfio na boca.
— Você não devia comer massa de biscoito crua.
Eu a ignoro.
— Josh nunca impediria você de fazer alguma coisa. Ele não é assim. Lembra quando você decidiu concorrer a presidente do corpo estudantil e ele ajudou na campanha? Josh é seu maior fã!
Quando falo isso, os cantos da boca de Margot se curvam para baixo, e eu me levanto e a abraço. Ela afasta a cabeça e sorri para mim.
— Eu estou bem — garante ela. Mas não está, eu sei que não.
— Não é tarde demais, sabe. Você pode ir até lá agora e dizer a ele que mudou de ideia.
Margot balança a cabeça.
— Acabou, Lara Jean. — Eu a solto, e ela fecha o laptop. — Quando vai sair a primeira fornada? Estou com fome.
Eu olho para o timer magnético em formato de ovo na geladeira.
— Mais quatro minutos. — Sento à mesa e digo: — Não ligo para o que você diz, Margot. Esse não é o fim de vocês dois. Você o ama demais.
Margot balança a cabeça.
— Lara Jean — começa, com sua voz paciente, como se eu fosse uma criança, e ela, uma mulher sábia de quarenta e dois anos.
Coloco uma colherada de massa de biscoito debaixo do nariz dela, que hesita antes de abrir a boca. Dou para ela como se ela fosse um bebê.
— Espere para ver, você e o Josh vão voltar logo, logo.
Mas, enquanto falo, sei que não é verdade. Margot não é o tipo de garota que termina e volta por impulso; quando decide uma coisa, é aquilo mesmo. Sem enrolação, sem arrependimento. É como ela disse: acabou, simplesmente acabou.
Eu queria (e esse é um pensamento que tive muitas, muitas vezes, tantas que até perdi a conta) ser mais parecida com Margot. Porque às vezes parece que nunca vai acabar para mim.
Mais tarde, depois de lavar a louça e colocar os biscoitos em um prato ao lado do travesseiro de Kitty, vou para o quarto.
Não acendo a luz. Vou até a janela. A luz de Josh ainda está acesa.

23 comentários:

  1. Como faz para baixar o livro escolhido

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  2. Margot é muito besta😭

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  3. Margot é muito besta😭

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  4. Quando eu fui ler a parte: "Tem papel e pedaços de papel (..)". Tive que ler mais de 3 vezes por que eu lia "Papel pedaço papel'' e ''Pedaço papel'' em vez da frase certa kkkkkk *Aquele momento em que você se desconcentra lendo e confunde as palavras

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  5. Eu acho q ela tá certa.. Sla... Eles n poderiam namorar por anos a distância, seria ruim pros dois, eles deveriam só seguir em frente 😗 msm q toda a sua família goste dele, vc n precisa se prender a uma pessoa só pra agradar os outros

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    1. sim, de alguma forma eles iriam se prender nesse relacionamento ambos se iludindo com o pensamento, que seria tudo igual quando voltasse mas não seria
      obs: me empolguei haha

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  6. Eu amei essa história é bem triativa

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  7. Gostei muito e criativo e bem sincero

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  8. Estou viciada em romances comuns, cansei um pouco de personagens com poderes especiais, vampiros, vidas amorosas dividas em trio, batalhas e etc. Só quero livros normais por enquanto e OBRIGADA KARINA por proporcionar ambos a nós.
    Estou amando ler por aqui!

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  9. Josh, amorzinho, fica assim não, tu tem a mim UAHSAUSAUSHAUSHAUH <33

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  10. Muitissisisimo obrigado,eu sou a Fernanda adoro ler e gostaria muito de ler este livro mas não tenho dinheiro para comprar,e meus pais estaão passable por dificuldades. Obrigada a este site,vcs salvaram o meu aniversario a minha pascoa ,meu natal ♡

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  11. Estou adorando 😍,quero ver o filme

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  12. As vezes acho que ela ta certa e as vezes nao.... Josh e o seu namorado e ele e tipo...sla ... Nao sei nem oque faria no lugar de Margot

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Boa leitura, E SEM SPOILER!