13 de março de 2018

Capítulo 41

A Salamandra era negra como piche e duas vezes maior que Ignácio. Tinha até tocos de asas no dorso, onde ficavam as omoplatas de Ignácio. Porém, apesar dessas anomalias, era indiscutivelmente uma Salamandra, da ponta espinhosa do rabo até o bico desdentado na ponta do focinho.
Ignácio parecia concordar, pois trilou baixinho ao observar o demônio se limpar empoleirado no ombro de Khan. Fletcher o apaziguou com um pensamento e observou o séquito de xamãs marchar no encalço do líder, seguindo-o pela ponte. Um deles carregava um saco de pétalas amarelas da antecâmara.
Nenhum deles tinha seus demônios consigo nem carregavam os couros de conjuração, mas, mesmo das vigas no alto, Fletcher pôde ver que todos tinham pentagramas e outros símbolos tatuados nas mãos, exatamente como ele. Até os novos adeptos estavam marcados, ainda que vários segurassem as mãos com cuidado, como se as tatuagens só tivessem sido feitas recentemente.
De perto, Fletcher notou que esses adeptos eram menores que os outros, com presas ainda pouco desenvolvidas emergindo dos lábios inferiores. Vestiam pouco mais que sarongues de palha, mas os corpos foram polvilhados com pó branco, talvez para emular a pele do grande líder.
Um grito de Khan fez Fletcher pular. Ele deu ordens em latidos guturais e apontou para as cinco pontas do pentagrama. Os xamãs que o acompanhavam assumiram essas posições enquanto os adeptos se ajoelhavam atrás, observando atentamente.
Mais fala órquica se seguiu, e, em uníssono, os xamãs começaram a entalhar complexos símbolos que se entrelaçavam no ar. Era hipnotizante de se assistir. Por algum motivo, Fletcher sempre havia imaginado os xamãs orcs como conjuradores muito rudimentares, mal capazes de controlar qualquer coisa maior que um diabrete de nível baixo.
Precisou lembrar que os orcs já conjuravam muito antes dos humanos e, ainda que não ousasse sugerir tal coisa a Sylva, possivelmente antes dos elfos também.
Khan urrou outra ordem quando os entalhes terminaram. Um estranho anel de dupla hélice pairava no ar acima do pentagrama, e as mãos dos xamãs incandesciam em azul conforme eles bombeavam mana para o símbolo. Logo, o anel se tornou um disco de luz azul giratória, movendo-se mais rápido do que Fletcher poderia acompanhar. Os xamãs orcs começaram a uivar e entoar, erguendo as vozes contra o rugido do feitiço.
Conforme o cântico alcançava um crescendo, Khan se ajoelhou no chão e pressionou um pequeno botão na plataforma. Ele afundou no chão, e um ribombar ecoou pela pirâmide. O estrépito retinir da maquinaria soou do teto logo acima da cabeça de Fletcher. Por um momento, Kahn olhou para cima, para o barulho, e o rapaz se escondeu atrás da viga, coração batendo no peito, como um pássaro engaiolado.
Foi só quando escutou o chacoalhar de líquido no cano ao lado que a curiosidade de Fletcher o compeliu a espiar de novo. E o que ele viu foi repulsivo.
Sangue jorrava do cano para o buraco no centro do pentagrama, pulsando como uma artéria aberta. Conforme o fluido passava pelo feitiço, ele espumava e chiava, a consistência ficando mais viscosa, a cor, quase negra. Bem abaixo, o líquido coagulava e se solidificava sobre os ovos de gremlin, escorrendo dos buracos na base do pilar para a trincheira. Então, os ovos começaram a pulsar, palpitando na água conforme cresciam, transbordando da trincheira e enchendo o poço até a borda. Um praguejar sussurrado nas trevas ao lado revelou que mais alguém tinha visto a cena também.
Logo o sangue do cano se reduziu a pouco mais que um filete. O feitiço tremeluziu e se apagou, e os xamãs desabaram de exaustão. As palmas de Fletcher formigaram com suor enquanto ele contemplava o ritual macabro. O sangue dos orcs azuis tinha um propósito, afinal.
Khan grunhiu em aprovação, pegando um pedaço de carne de uma bolsa na cintura e levando à Salamandra. Ela o abocanhou com voracidade, engolindo-o com dois movimentos de cabeça que mais lembravam os de um pássaro.
O orc albino rosnou outra ordem, e os adeptos correram para formar uma fila atrás dele, alinhando-se sobre a ponte. Cada um pegou um punhado de pétalas amarelas do saco, e até Khan catou um bocado. Juntos, eles as meteram na boca, mastigaram e engoliram com um barulho audível. Os orcs mais jovens fizeram caretas com o gosto, e um até teve ânsia de vômito antes de se forçar a engolir com um gole de água de uma cabaça que trazia no cinto.
Fletcher se perguntou se seria algum tipo de droga ou veneno para deixar o corpo dormente ou embotar os sentidos. Eles certamente pareceram oscilar, mas o rapaz não saberia dizer se era por medo ou pelo efeito do que havia na água.
Depois de uma pausa momentânea, Khan falou de novo, e as palavras ásperas fizeram os xamãs se ajoelharem. Curvaram as cabeças em deferência, evitando o olhar de Khan. Cada um deles mergulhou os dedos no sangue do pentagrama, uma das mãos na chave da própria ponta do pentagrama, a outra na estrela em si.
— As chaves órquicas! — sussurrou Sylva, alto suficiente apenas para que Fletcher ouvisse.
O coração de Fletcher deu um pulo, e ele teve que cobrir a boca para conter o impulso de soltar uma exclamação. As coordenadas para a parte órquica do éter estavam ali embaixo; o segredo mais bem guardado revelado para todos. Não tinham notado os entalhes até que ficaram cheios de sangue.
Fletcher acenou freneticamente para Lisandro, até que conseguiu chamar a atenção do Grifo. Apontou para baixo, imitando os símbolos, e o grifo se inclinou do poleiro, correndo um grave risco para obter uma visão melhor da cena abaixo.
Fletcher sabia que, por toda Hominum, haveria pessoas copiando os símbolos cuidadosamente. Mesmo se o grupo fracassasse na missão, a empreitada não teria sido em vão. Eles tinham realizado algo que Hominum desistira de tentar muito tempo antes.
Com as coordenadas da região órquica do éter, os conjuradores de Hominum poderiam acessar um ecossistema inteiramente diferente, com novos demônios para capturar. Isso mudaria a guerra irrevogavelmente a favor deles, e fora a equipe de Fletcher a conquistar tal vitória.
Os símbolos em questão começaram a reluzir em azul, assim como o pentagrama, o sangue em seu interior fervendo e estourando com o fluxo de mana.
Não demorou muito para que uma esfera incandescente se expandisse no ar, um portal rodopiante para o éter. A bola era imensa, muito maior que qualquer outro portal que Fletcher já tivesse visto. Enquanto observava a rotação, um latejar monótono encheu a câmara, subindo e descendo com cada revolução da esfera.
Cuspindo polpa amarela e erguendo a tocha bem alto, Khan avançou até parar a uns 2 centímetros do portal. Fez uma careta para os adeptos, focalizando os olhos vermelhos em cada um deles. Então, sem um momento de hesitação, desapareceu no portal.
Fletcher ouviu Sylva exclamar de espanto quando, um de cada vez, os orcs adeptos seguiram o líder, desaparecendo em outro plano da existência. Os xamãs restantes entoavam cânticos em voz grave enquanto alimentavam os canais sangrentos do pentagrama com um fluxo constante de luz azul entrelaçada.
Na escuridão acima, Fletcher assistiu incrédulo os minutos se passarem. Tinham aprendido que o ar do éter era venenoso, capaz de provocar coisas como paralisia e, frequentemente, até morte. Conjuradores só podiam entrar nele vestindo trajes adequadamente vedados; o visor da capitã Lovett mal tinha rachado quando ela entrara havia quase dois anos, e o mero vestígio de veneno a deixara paralisada.
Os segundos escorriam com lentidão excruciante; a única mudança na cena abaixo era a fina camada de suor que se formava gradualmente nas costas dos xamãs. A equipe acima foi forçada a se esconder em silêncio, mal se permitindo respirar.
Fletcher observou enquanto Sylva sufocava um espirro, os olhos lacrimejando enquanto ela prendia o nariz. O coração do rapaz deu um salto quando ela conseguiu engoli-lo, fazendo os ombros chacoalharem com o esforço.
Passara-se quase meia hora quando o orc branco saiu do portal, a Salamandra negra montada bem no alto dos ombros. Os adeptos emergiram um mero instante depois, muitos cambaleando, como se tivessem pressa. Khan riu alto enquanto eles corriam para trás dos mestres xamãs.
Assim que o último adepto chegou, os xamãs permitiram que os portais se fechassem, mergulhando a câmara na escuridão. A única fonte de luz era a tocha de Khan, que sobrevivera à jornada ao éter.
Com uma última ordem, o albino guiou os outros orcs pelo pentagrama até o corredor oposto. Exaustos, os xamãs cambalearam atrás dele, ofegando roucamente por conta do esforço.
Mesmo depois que o salão ficou um breu total, Fletcher e os outros continuaram em silêncio, pois não tinham certeza da volta dos orcs. Foi só quando uma comemoração do lado de fora se infiltrou pela rocha que eles souberam que era seguro se mexer.
— Mas que diabos foi aquilo? — grunhiu Otelo,  engatinhando até Fletcher e Sylva. — Orcs são imunes ao veneno do éter?
— Parece que sim — sussurrou Sylva, lançando um fogo-fátuo para o espaço vazio abaixo. — Só que nós temos as chaves deles agora. Foi nossa equipe que fez isso: um anão, uma elfa e um humano.
Ela sorriu de orgulho, e, para Fletcher, aquele sorriso pareceu iluminar o salão mais que qualquer fogo-fátuo jamais poderia. Só por um instante, ele se permitiu desfrutar da alegria da conquista. As chaves órquicas eram guardadas com imenso cuidado, tanto que o objetivo de descobri-las nem tinha sido incluído na missão. Sua equipe tinha excedido as expectativas vezes sem conta.
Nos minutos que se seguiram, Lisandro os transportou para baixo isoladamente, até que se encontraram na plataforma pela primeira vez.
— Dê uma boa olhada em cada chave, Lisandro — instruiu Fletcher, apontando para os símbolos ensanguentados no chão.
Ele espiou sobre a beirada e lançou um fogo-fátuo para o fundo do poço. Os ovos ainda estavam lá, cada um deles agora inchado para o tamanho de um barril de cerveja. Eles latejavam e pulsavam, como coisas vivas, as cascas gelatinosas escorregadias de muco.
Otelo se agachou e examinou o pentagrama. Dentro do entalhe restava um encrostado resíduonegro, ainda fumegando do mana que o atravessara. O anão franziu o nariz e se levantou usando uma projeção rochosa próxima.
Um som de líquido soou sobre o pentagrama, e Otelo olhou para cima, só para receber um espirro de sangue dos canos.
— Você só pode estar de brincadeira — uivou Otelo, saindo daquele lugar e esfregando a cara freneticamente com a manga.
— Material orgânico para os pentagramas — observou Sylva, agachando-se para examinar conforme mais sangue escorria dos canos para se acumular nas linhas do pentagrama. — Assim como nossos couros de conjuração e a palma da mão de Fletcher. Deve ter um cano vindo do fundo do altar.
— Não me diga — retrucou Otelo com sarcasmo, molhando o rosto com água do cantil. Fletcher não teve como não rir baixinho do anão infeliz.
A câmara parecia diferente agora: tinham descoberto tanto, porém ainda restavam tantas perguntas sem resposta.
— Então, o que foi aquilo, alguma cerimônia de iniciação para os orcs noviços? — indagou Sylva, perambulando pelo pentagrama. — O primeiro gostinho do éter, talvez?
— Provavelmente — suspirou Otelo. — Bem, agora sabemos como os ovos de goblin são feitos.
— É, algum feitiço horrendo que mistura o sangue de orc com os ovos de gremlin — grunhiu Fletcher.
O rapaz usou a ponta do pé para testar o primeiro degrau da descida, tonto ao olhar para a espiral que rodeava o pilar.
— Por falar nisso... vamos lá dar uma olhada no que nos aguarda.
O primeiro passo pareceu bem firme, então ele continuou até sua cabeça ficar no nível da plataforma.
— Não deveríamos procurar os outros antes de descer aí? — sugeriu Otelo, espiando a escadaria com trepidação.
— Se existe alguma entrada para as cavernas goblínicas, é esta aqui. Os outros logo vão aparecer; os patrocinadores verão que o caminho está limpo pelo cristal de visualização de Lisandro e os guiarão até nós com os demônios.
Fletcher seguiu descendo, correndo os dedos pela rocha áspera como se isso pudesse evitar uma longa queda até o chão lá embaixo. As paredes pareciam se fechar, e ele se lembrou da escadaria pela qual Didric o levou até o tribunal. O medo lhe permeava a pele, transformando-se num suor frio. Eles estariam vulneráveis nas escadas, sem ter onde se esconder se algum inimigo aparecesse abaixo... ou acima.
Só o conforto da pele quente de Ignácio contra a nuca fortalecia sua determinação, mesmo enquanto Fletcher descia cada vez mais para dentro das entranhas da fera.
A trincheira ao redor do fundo das escadas estava cheia de ovos, além de uma camada viscosa de sangue coagulado. Fletcher não teve escolha senão passar entre eles, grunhindo de nojo. Quando subiu para o chão do lado oposto, tinha os culotes cobertos de gosma.
Sylva e Otelo tiveram o bom senso de saltar das escadas acima, e seus pés mal tocaram a margem da trincheira. Lisandro planou do alto sem problemas, e Fletcher percebeu que eles poderiam ter pegado uma carona com facilidade. Agora foi a vez de Otelo rir enquanto ele raspava a meleca nojenta com as costas da espada.
— Parece que eles acrescentam algumas centenas de ovos às reservas cada vez que realizam a cerimônia — observou Sylva. — Queria saber por que só estamos encontrando os goblins neste ano. Eles devem estar construindo todo um exército em segredo.
Ela sacou a falx e trespassou o ovo mais próximo bem no meio. Um fluido opaco espirrou, e o ovo verde se desinflou num saco murcho. O fedor era horrível, similar a esgoto apodrecido.
— Muito obrigado — resmungou Otelo, passando bem longe do saco vazio. — Agora temos que esperar aqui com esse fedor no ar.
Sylva revirou os olhos.
— Bem, como é que eu poderia...
Uma seta de besta atravessou o ombro de Fletcher. O rapaz o fitou, as penas azuis emergindo do ombro como um estranho novo membro. Mais uma o acertou na coxa, e ele caiu de joelhos. Não havia dor, só a dormência indistinta do choque enquanto o braço pendia inútil junto ao corpo. O khopesh escorregou dos dedos.
Sylva rugiu e disparou um relâmpago contra a plataforma acima, de onde viera o ataque. O feitiço acertou o teto num borrifo de poeira e reboco.
Otelo já estava no dorso de Lisandro, e o Grifo venceu a altura com batidas furiosas das asas. O eco de passos se afastando disse a Fletcher que era inútil. O assassino já tinha fugido.
— Não, não, não — sussurrou Sylva, segurando-o nos braços enquanto ele tombava para trás.
A dor veio então. Era como se ele estivesse sendo rasgado em dois. A trajetória quase vertical da primeira seta a tinha levado através das costas até a parte de cima do peito. Respirar era doloroso.
— Tira ela — grasnou Fletcher. Sentindo o gosto metálico do sangue nos lábios, soube que fora atingido no pulmão. — Temos que curar...
Ele ofegou quando Sylva partiu a ponta de aço da haste entre os dedos e arrancou a seta num único movimento fluido. Em seguida, engasgou-se conforme seu pulmão começou a se encher de sangue.
O procedimento foi repetido na coxa, sendo que Sylva primeiro empurrou a seta mais para dentro para que pudesse pegar a ponta de aço do outro lado.
Enquanto Fletcher gorgolejava, Sylva entalhou o feitiço de cura no ar, e os filamentos brancos tremeluziram ao redor dos ferimentos. Ignácio se juntou ao esforço, lambendo a ferida numa tentativa desesperada de estancar o sangramento.
Só que estava demorando, demorando demais, e a perna de Fletcher espirrava carmesim na terra. Fora atingido na artéria.
Fletcher assistia a tudo em um silêncio soturno. Não queria morrer naquele poço fétido, com o mundo inteiro assistindo. Ele seria um fracasso, além de símbolo da desunião de Hominum. Um mártir para tudo que ele odiava.
Foi então que se lembrou das poções de Electra, atadas ao seu peito. Incapaz de falar, Fletcher arrancou uma delas da bandoleira e despachou a rolha com um peteleco do dedão. Engoliu de uma vez, sentindo um gosto tão metálico quanto o sangue que lhe manchava os dentes. Por um momento, não sentiu nada além da vida se esvaindo do corpo. Então...
— Uau! — exclamou Sylva, enquanto o próprio feitiço de cura se apagava.
Fletcher sentiu uma sensação fria correr pelo corpo. A dor se foi, quase na mesma hora. Ele olhou para a perna e não encontrou nada além de uma área de pele manchada de sangue visível pelo rasgo nos culotes. O peito estava no mesmo estado.
Ignácio saltou para o ombro dele, enrolando-se em seu pescoço. Sob a pele da Salamandra, o mestre sentia o martelar do coração aterrorizado do demônio.
— Calma aí, amigo — murmurou Fletcher. — Ainda estou aqui.
— Achei que eu tinha te perdido — sussurrou Sylva, pressionando a testa contra a dele, ofegando de emoção. Pelo mais breve dos instantes, tão rápido que Fletcher não poderia nem ter certeza se tinha acontecido mesmo, ele sentiu os macios lábios da elfa tocarem os seus.
Então Otelo pousou ao lado dele com um baque, e eles se embrulharam num abraço de urso.
— Essa foi por muito pouco — soluçou o anão,  apertando os outros dois com tanta força que Fletcher achou que suas costelas poderiam rachar. — Nunca mais faça isso comigo de novo.


5 comentários:

  1. MEU DEUUS s( quase morro de susto com o Fletcher

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  2. — Achei que eu tinha te perdido — sussurrou Sylva, pressionando a testa contra a dele, ofegando de emoção. Pelo mais breve dos instantes, tão rápido que Fletcher não poderia nem ter certeza se tinha acontecido mesmo, ele sentiu os macios lábios da elfa tocarem os seus.

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  3. Geeeeennnnnteeee o que foi isssooo

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  4. Meios elfos à caminho gente kkkkkkkk

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  5. Sem palavras para esse capítulo

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Boa leitura, E SEM SPOILER!