22 de março de 2018

Capítulo 36

Pela posição do sol no céu, já era tarde quando Fletcher acordou. Era hora de encarar a realidade.
Fletcher vestiu seu novo uniforme — pois não tinha muitas roupas — e prendeu, em seguida, suas pistolas, a espada, o arco e o estojo com as flechas junto ao corpo. Seu alforje da missão ficou às costas, e ele percebeu que aquilo era tudo. Todos os seus bens materiais estavam com ele naquele momento.
Por um instante teve o louco desejo de evitar as responsabilidades da nobreza. Desejou poder sair pela janela, pegar um barco até Swazulu e não voltar nunca mais. Ele afastou aqueles pensamentos tentadores com um sorriso triste e saiu porta afora.
Lá embaixo, a área do bar estava lotada de homens e mulheres sentados do lado direito, e anões do lado esquerdo. O local, antes barulhento devido às conversas, ficou completamente em silêncio à medida que cabeças se viravam para encará-lo. Berdon, o único humano sentado entre os anões, assentiu com a cabeça, encorajando-o.
Fletcher pigarreou.
— É muito bom ver todos vocês — disse ele. — Muito bom ver tantos rostos conhecidos.
Silêncio.
— Nossos novos amigos, os anões — disse ele, sinalizando para a esquerda — tiveram a bondade de organizar nossas acomodações para essa noite, assim como transporte para nosso local de destino. Também forneceram ferramentas, comida, roupas e materiais de construção. Tudo o que precisamos para recomeçar nossas vidas. Tenho certeza de que não estou sozinho quando digo que somos muito gratos por tudo o que eles fizeram por nós.
Suas palavras fizeram com que uma salva de palmas começasse do lado direito da sala, e ele sentiu alívio percorrendo seu corpo. Mas por pouco tempo.
— E tenho certeza de que não estou sozinha ao perguntar: mas a que preço? — soou uma voz.
Alguém se ergueu e Fletcher viu que era Janet, a porta-voz de Pelego.
— Qual é a jogada? — perguntou ela. — E por que eles estão todos aqui reunidos? Tem alguma coisa que você não está nos contando e acho que sei muito bem o que é.
— Já vou contar a história completa — disse Fletcher, desejando estar imprimindo autoridade à voz. — Se você fizer o favor de se sentar e escutar.
Janet se sentou, mas os braços cruzados e olhar penetrante deixavam claro que as palavras fizeram pouco para acalmá-la.
— Em troca de sua ajuda, concordei que cinquenta anões podem se juntar à nossa colônia. São as pessoas que vocês estão vendo sentadas aqui. — Ele apontou para os anões, que esperavam nervosos pela reação dos humanos.
Janet franziu o cenho.
— Então... nós não devemos nada a eles? — perguntou ela. — Eles não estão aqui para coletar pagamento?
— Não. Claro que não — respondeu Fletcher, confuso. — Foi isso que você pensou que ia acontecer?
— Você por acaso viu o que está lá fora? — disse Janet, apontando para a entrada da taverna. — Há um monte de carroças cheias de fardos de tecidos e lona, equipamentos de pesca, machados, picaretas e pás, velas de cera, utensílios de cozinha, material de caça, sementes de todas os vegetais e frutas que conheço. — Ela parou para respirar. — Vi baús cheios de remédios e sabonetes, tintas e papéis, lençóis e até travesseiros... Caramba, vi até meia dúzia de cabras em algum lugar dos fundos. E você está dizendo que podemos simplesmente nos apropriar de tudo? Sem ficar devendo nada?
— Tudo o que está lá fora é para uso de todos nós — disse Fletcher, sinalizando todos na taverna. — Anão, homem, seja quem for.
Janet sorriu.
— Ora, eu acho isso maravilhoso!
Parte dos aldeões já sorria, alguns até erguerem os copos para brindar aos anões do outro lado da taverna. Mas Fletcher podia ver que nem todos pareciam felizes com a situação: alguns estavam carrancudos atrás da caneca de cerveja, alguns murmurando baixinho. Ele ergueu a mão, exigindo sua atenção.
— Vamos todos partir em breve, por isso quero que peguem seus pertences e se juntem aos anões nas carroças imediatamente. Mas, antes, quero deixar algo bastante claro: se algum de vocês está insatisfeito com essas medidas, pode ir embora agora. Existem milhares de oportunidades nesta cidade, especialmente para trabalhadores qualificados como vocês. Portanto, se acham que não podem suportar viver com anões, saiam agora.
Fletcher deixou os olhos se demorarem em cada um dos aldeões carrancudos. Ele conhecia todos pelo nome. Pelego era uma vila pequena.
— Eu estou fora — anunciou um deles, levantando-se e indo em direção à porta. Era um homenzarrão, anteriormente pertencente à guarda de Pelego. Seu nome era Clint, e ele fora rival de Didric muito tempo antes. Fletcher suspeitava de que esse fora o motivo pelo qual ele não tinha conseguido uma posição como guarda na prisão de Pelego. — Vou tentar a sorte entre os homens — continuou ele, ignorando os olhares dos demais aldeões. — Ouvi dizer que os Pinkertons estão contratando.
Alguns outros aldeões o seguiram, uns parecendo envergonhados, outros orgulhosos de sua decisão, congratulando Clint.
— Diga aos sargentos Murphy e Turner que eu mandei um oi — disse Fletcher enquanto Clint e os outros saíam.
A porta fechou atrás deles, mas, com sua saída, eles pareciam ter levado um peso embora. Ao todo, cerca de uma dúzia de homens e mulheres haviam saído, deixando aproximadamente cem anões e humanos na taverna.
— Muito bem — disse Fletcher, batendo palmas. — Vamos indo.

12 comentários:

  1. gostei como Fletcher agil ,foi muito bom sem discriminação

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    1. Concordo, e além disso ele foi muito justo e direto com os que não queriam ficar com os anões

      ps: que bom ver alguém comentando nessa série... não sei se é porque os que o leem são desanimados ou se poucos leem, mas quase ninguém comenta. Que pena...

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    2. acho que é pq geral quer chegar no próximo capítulo kkkk


      Lucas

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    3. Verdade apesar de tantas referência a outra saga essa é boazinha

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  2. não dá tempo para comentar... proximo!!! proximo!!!

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  3. Vai que é a tua Fletcher!!!

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  4. Nossa tô comendo os livros, comecei sábado já tô.aqui rsrsrs parabéns pelo trabalho.

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  5. a evolução do fletcher esta sendo muita rapida, de pebleu para uns dos nobres ganhando respeito por todas as raças!

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  6. Ele vai ser realmente um nobre cmo o pai, justo cm todos sem distinção. Sera ele uma candidato ao trono???? 😁

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  7. Candidato ao trono eu não sei, afinal tem o Rei Harold.
    a não ser que os 2 Reis morram, aí sim, Fletcher poderia tentar o trono.
    Com o apoio do povo, e das raças dos elfos e anões

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  8. Eu me pergunto quando o Fletcher vai ter um guarda-roupa ,se vcs contarem as trocas de roupa que ele teve a série toda, não dá 15,e na maioria das vezes as roupas dele acaba ficando em fragalhos ou esquecida em algum lugar

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  9. Se o rei Harold gosta da Alice...bem que poderiam ficar juntos.
    Desde que o F chegou ficou distante da mãe. Com quem ela está?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!