2 de fevereiro de 2018


Fim da jornada. A promessa. A esperança.
Conte-me de novo, Ama. Sobre a luz.
Busco em minhas memórias. Um sonho.
Uma história. Uma lembrança indistinta.
Eu era menor do que você, criança.
O limite entre verdade e sobrevivência se fortalece.
A necessidade. A esperança. Minha própria vó contando-me histórias, porque não havia mais nada além disso. Olho para esta criança fraca, de estômago sempre vazio, mesmo em seus sonhos. Esperançosa. À espera. Puxo seus braços finos e coloco seu corpo leve como uma pluma em meu colo.
Era uma vez, minha criança, uma princesa
que não era maior do que você. Ela
tinha o mundo ao alcance de seus dedos.
Ela ordenava, e a luz obedecia. O sol,
a lua e as estrelas ajoelhavam-se
e erguiam- se ao seu toque. Era uma vez...
Foi-se. Agora há apenas esta criança de olhos dourados em meus braços. É o que importa. Assim como o fim da jornada. A promessa. A esperança.
Venha, minha criança. Está na hora de partir.
Antes que venham os abutres. As coisas que duram.
As coisas que permanecem. As coisas que não me atrevo a dizer a ela.
Contarei mais a você enquanto caminhamos.
Sobre outrora.
Era uma vez...
— Os Últimos Testemunhos de Gaudrel

9 comentários:

  1. Aquele medo e arrepio na espinha logo no começo do livro...

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  2. Caraca foi intenso mas não entendi a avó da protagonista vai contar ou a protagonista e a vó fica o mistério só saberei no decorrer da leitura
    Mirtiz

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Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!