16 de fevereiro de 2018

Capítulo 9

Calantha me acompanhou de volta para dentro do Saguão do Sanctum.
Deram risadas aqui e ali quando tropecei no meu vestido, que era literalmente um saco. O Komizar tinha removido o cinto feito de corda, dizendo que aquilo era um luxo que eu teria que fazer por merecer. Sim, sempre haveria mais a ser tirado de mim, e eu não tinha dúvidas que ele descobriria coisas que nem eu mesma sabia que valorizava e as tiraria de mim pedacinho por pedacinho. Eu teria que desempenhar o papel que ele estava pintando para mim por hora, a patética da realeza recebendo sua merecida punição.
Vi o objetivo do Komizar atingido, espelhado nas faces boquiabertas que estavam ao meu redor e que se aproximavam de mim. Ele havia me tornado extremamente ordinária aos olhos deles. Kaden passou empurrando por um círculo de governadores que estavam apinhados ao nosso redor. Nossos olhos se encontraram, e alguma coisa contorceu-se com violência dentro do meu peito. Como ele era capaz de fazer isso? Será que ele sabia que desfilariam comigo como um objeto de escárnio... e ainda assim me trouxe até aqui? Será que a lealdade a qualquer reino valia o preço de degradar alguém a quem se professara amar? Puxei meu vestido, tentando cobrir meus ombros. Ele me puxou das brutas mãos de Calantha e levou-me para longe dos olhares provocativos dos governadores, para as sombras atrás de uma pilastra. Pressionei-me junto à pilastra, grata por ter algo sólido em que me apoiar. Ele olhou dentro dos meus olhos, com os lábios semiabertos, como se estivesse buscando algo para dizer. A preocupação deixava marcadas entalhadas em sua face. Eu vi que ele não tinha desejado isso e, ainda assim, aqui estávamos... por causa dele. Eu não poderia facilitar as coisas para ele. Eu não faria isso.
— Então esta foi a vida que você prometeu a mim? O quão charmosamente maravilhosa ela é, Kaden.
Linhas aprofundaram-se em volta dos olhos dele, a sempre presente contenção de emoções sendo testada.
— Amanhã será melhor — sussurrou ele. — Juro.
Criados passavam com pressa por nós, carregando bandejas com pilhas de carnes escuras e quentes. Ouvi a irmandade e os governadores murmurando que estavam com fome e o baixo ruído de cadeiras sendo arrastadas pela pedra enquanto eles seguiam como um enxame em direção à mesa no centro da sala. Eu e Kaden permanecemos atrás da pilastra. Vi meio que uma tristeza no meu coração. Kaden haveria de pagar por isso como todos os outros... Só que ele não sabia disso ainda.
— A comida está aqui — murmurou ele por fim.
— Dê-me um instante, Kaden. Sozinha. Eu só preciso...
Ele balançou a cabeça.
— Não, Lia, eu não posso.
— Por favor — minha voz partiu-se. Mordi o lábio inferior, tentando conjurar um resquício que fosse de calma. — É só para eu ajustar o vestido. Permita-me um pouco de dignidade. — Puxei o tecido de volta para cima dos ombros.
Ele lançou um olhar embaraçado e de relance para minha mão enquanto eu segurava um punhado de tecido no meu peito.
— Não faça nenhuma tolice, Lia. — Disse ele. — Venha até a mesa quando tiver terminado.
Assenti, e ele foi embora, relutante.
Curvei-me e rasguei o tecido na bainha, até a altura dos meus joelhos, e então prendi o excesso de pano em um nó. Fiz o mesmo no meu pescoço, atando um nó menor no meu peito de forma que meus ombros permanecessem cobertos. Eu tinha esperanças de que o Komizar não fosse considerar os nós um luxo também.
Dignidade. Minha pele ficava aquecida pelo atrito com o tecido grosseiro. Os dedos dos meus pés doíam com o frio. Eu estava zonza por causa da fome. Eu não dava a mínima para a dignidade, que me havia sido tomada fazia muito tempo. Porém, eu precisava de um instante não tolhido, livre. Esse tanto não era mentira. Seria tal coisa possível aqui?
O dom é uma forma delicada de saber. É como os poucos Antigos que sobraram sobreviviam. Aprenda a ficar em quietude e você saberá.
Eu era varrida pelas palavras de Dihara. Eu tinha que encontrar aquele local de quietude de alguma forma. Apoiei-me na pilastra, caçando a quietude que eu encontrara na campina. Cerrei os olhos. Mas era impossível a paz vir. Que bem fazia ter um dom se não fosse possível conjurá-lo quando se quisesse? Eu não precisava de um saber silencioso. Eu precisava de algo afiado e letal.
Meus pensamentos tropeçavam uns nos outros, cheios de raiva e amargura, uma avalanche de lembranças passadas e presentes, tentando achar a culpa, para espelhá-la pelos arredores, a todas as partes culpadas. Conjurei um gole de veneno para cada um daqueles que haviam me feito vir parar aqui: o Chanceler, o Erudito... até mesmo minha mãe, que, conscientemente, suprimira meu dom. Por causa deles, eu havia sofrido anos por nunca ser o bastante.
Abri os olhos, tremendo, fitando a muralha de pedra manchada à minha frente, incapaz de me mexer. Eu estava a milhares de quilômetros de distância de quem eu era e de quem eu queria ser. Com as costas pressionadas mais perto da pilastra, achei que isso talvez fosse tudo que me mantinha em pé... E então senti alguma coisa. Uma pulsação. Algo escorrendo pela pedra, delicado distante. Que chegou à minha coluna, aquecendo-a, tamborilando, repetitivo. Como uma canção. Pressionei as mãos estiradas na pedra, tentando absorver a fraca batida, e o calor espalhou-se até meu peito, desceu aos meus braços, aos meus pés. A canção lentamente se esvaneceu, mas a calidez permaneceu comigo.
Dei um passo para fora, saindo de trás da pilastra, vagamente ciente de cabeças virando-se, sussurros, alguém gritando, mas eu estava hipnotizada por uma silhueta magra e indistinta no lado mais afastado do corredor, oculta nas sombras, À espera. Esperando por mim. Apertei os olhos para ver melhor, tentando enxergar o rosto da pessoa, mas nenhuma face se materializou.
Um puxão forte me fez ir para o lado e partiu minha atenção, e quando olhei para trás, a silhueta do outro lado do corredor já não estava mais lá. Pisquei. Ulrix empurrou-me em direção à mesa.
— O Komizar mandou você sentar!
Tanto os governadores quanto os criados estavam me observando. Alguns faziam cara feia, uns poucos sussurravam uns para os outros, e eu vi alguns esticarem as mãos para cima e esfregarem amuletos pendurados em volta dos pescoços. Meus olhos viajaram pela extensão da mesa até pararem no Komizar. O que não era de se surpreender, ele olhava para mim com um severo aviso estampado no rosto. Não me teste.
Será que eu tinha chamado a atenção deles com um simples olhar fixo e desfocado? Ou foi quando apertei os olhos para avistar alguém que estava oculto nas sombras? O que quer que fosse, não foi preciso muito. O Komizar podia não ter consideração alguma pelo dom, mas pelo menos uns poucos deles estavam famintos por esse mesmo dom, procurando qualquer pequeno sinal dele.
A consideração de alguns me deu forças. Procedi seguindo em frente, sem pressa, como se meu vestido de saco fosse um vestido de gala real, erguendo o queixo e imaginando Reena e Natyia ao meu lado. Fiz uma varredura com os olhos de um lado da mesa e depois do outro, tentando olhar diretamente nos olhos de muitos daqueles que ali estavam presentes, o máximo quanto me era possível. Buscando nos olhos deles. Trazendo-os para o meu lado. O Dragão não era o único capaz de roubar coisas. Pelo momento, eu tinha o público que ele tão altamente valorizava, mas, enquanto passava por ele para me sentar, senti o calafrio voltar. Ele era o ladrão de calidez além de ser o ladrão de meus sonhos, e senti uma pontada gélida no pescoço, visto que ele sabia o propósito de todos os movimentos que eu fazia e já havia calculado um contra-ataque. A força da presença dele era algo sólido e antigo, retorcido e determinado, mais velho do que as muralhas do Sanctum que nos cercavam. Ele não tinha chegado ao posto de Komizar sem razões para tal.
Sentei-me no único assento que sobrara, um ao lado de Kaden, e instantaneamente soube que aquele era o pior lugar onde eu poderia ter me sentado. Rafe estava sentado diretamente do meu outro lado, seus olhos imediatamente se puseram em mim, olhos da cor do cobalto cortante, brilhando em contraste com o desgosto, buscando-me, quando tudo o que ele deveria ter feito era desviar o olhar. Olhei para ele de relance com ares de súplica, na esperança de que ele entendesse meu recado silencioso, e desviei o olhar, rezando aos deuses para que o Komizar não tivesse visto aquilo.
Calantha estava sentada ao lado de Rafe, com seu tapa-olho ornamentado em forma de olho azul como que me fitando, e seu outro olho azul leitoso fazendo uma varredura da mesa. Ele ergueu o prato de ossos, caveiras e dentes que tinha sido colocado à sua frente e começou a cantar em vendano. Algumas daquelas palavras eu nunca tinha ouvido antes.
— E cristav unter quiannad.
Um som murmurado. Uma pausa.
— Meunter ijotande.
Ela ergueu os ossos bem alto, acima de sua cabeça.
 — Yaveen hal an ziadre.
Depois colocou a bandeja de volta em cima da mesa e acrescentou, baixinho:
— Paviamma.
E então, para minha surpresa, todos os irmãos responderam na mesma moeda, e um solene paviamma ecoou em resposta.
Meunter. Nunca. Ziadre. Viver. Eu não estava certa do que havia acabado de acontecer, mas o tom havia se tornado sério. Alguma espécie de cântico. Parecia ter sido dito de cor. Seria o começo de um sombrio ritual bárbaro? Todas as histórias aterrorizante que ouvi quando criança voltaram torrencialmente a mim. O que será que eles fariam em seguida?
Inclinei-me para perto de Kaden e disse, em um sussurro:
— O que é isso? — Calantha passou a bandeja pela mesa e a irmandade esticou as mãos para pegar um osso ou uma caveira.
— Apenas o reconhecimento de um sacrifício — sussurrou Kaden em resposta. — Os ossos são um lembrete de que toda refeição é um dom que vem à custa de alguma criatura, que não é tomada sem gratidão.
Uma memória sagrada? Fiquei observando enquanto a bandeja era passada adiante e guerreiros que inspiravam medo esticavam as mãos para pilha e acrescentavam fragmentos desbotados nas correntes com fendas que tinham ao lado de seus corpos. Toda refeição é um dom. Balancei a cabeça em negativa, tentando combater meu desacordo, para apagar uma explicação que não era bem adequada no espaço que eu já tinha criado para isso. Relembrei as faces esqueléticas que haviam olhado para a minha enquanto eu passava pelos portões da cidade e o medo que eu tinha sentido ao ouvir os ossos sendo chacoalhados ao lado deles. Minhas primeiras impressões haviam plantado pensamentos sombrios em mim, de bárbaros sedentos por sangue exibindo sua selvageria.
Eu não me dei conta que estava fazendo cara feia até que vi o Komizar me fitando com um largo sorriso esnobe que contorcia sua boca. Minha ignorância foi exposta, pelo menos para ele, mas eu também havia captado a sutil observância que ele fizera de Kaden. Uma lenta e cuidadosa leitura dele. Aquilo ainda o corroía. Kaden havia seguido as minhas ordens e não as do Komizar.
Quando a bandeja de ossos foi passada à minha frente para um governador, estiquei a mão e apanhei um osso. Era um pedaço de maxilar com um dente ainda preso nele, fervido e limpo de todos os resquícios de carne. Senti Rafe me observando, mas tomei cuidado para não olhar na direção dele. Levantei-me e puxei um fio solto da bainha da minha roupa e então atei o osso e o dente em volta do meu pescoço com ele.
— Você consegue recitar as palavras também, Princesa Arabella? — perguntou o Komizar. — Ou é boa apenas para fazer uma cena?
Um convite para falar na própria língua deles? Sem querer, ele havia brincado com meu ponto forte. Eu poderia não saber o que significavam todas as palavras, mas seria capaz de repeti-las, todas. Umas poucas palavras seriam o bastante.
— Meunter ijotande. enade nay, sher Komizar, te mias wei etor azen urato chokabre.
Falei impecavelmente e, estava certa disso, sem nenhum indício de sotaque. A sala ficou em silêncio.
Rafe fitou-me, levemente boquiaberto. Eu não sabia ao certo se ele tinha entendido ou não, mas então Calantha inclinou-se para perto dele, sussurrando as essência das palavras que eu disse: Você não é, caro Komizar, o único que conheceu a fome. O Komizar desferiu a ela um condenador olhar de relance para silenciar a mulher.
Olhei para a longa fileira de irmãos que incluíam Griz, Eben, Finch e Malich. Como Rafe, eles estavam boquiabertos. Voltei-me novamente para o Komizar.
— E se você for me chamar com ar zombeteiro — acrescentei — pedirei que pelo menos me chame de forma correta. Jezelia. Meu nome é Jezelia.
Esperei para ver se haveria reação ao meu nome, mas não houve: nem do Komizar, nem de mais ninguém. Baixei meus olhar contemplativo e sentei-me.
— Ah, esqueci-me, vocês da realeza são ricos o bastante para terem muitos nomes, tais como casacos de inverno. Bem, que seja Jezelia — disse o Komizar, e ergueu um brinde zombeteiro para mim. Risadas saíram rolando de línguas que segundos antes eu havia silenciado. Gracejos e mais brindes zombeteiros seguiram-se. Ele tinha a habilidade suprema de distorcer os momentos ao seu favor. Deixou todos pensando nos excessos dos membros da realeza, inclusive seus muitos nomes.
A refeição teve início, e Kaden encorajou-me a comer. Forcei-me a fazer descer um pouco de comida, sabendo que em algum lugar bem lá no fundo, eu estava morrendo de fome. O Komizar ordenou que as mãos de Rafe fossem desacorrentadas de forma que ele pudesse comer, e então encheu-se de eloquência ao dizer o quanto os outros reinos estavam finalmente dando a devida importância a Venda, até mesmo enviando a realeza e seu estimado gabinete para jantar com eles. Embora seu tom fosse desdenhoso, vi quando ele se inclinou em direção a Rafe mais uma vez e perguntou-lhe sobre a corte de Dalbreck. Rafe escolheu com cuidado suas palavras. Encontrei-me observando hipnotizada, notando como ele conseguia passar de prisioneiro em grilhões ao brilhante emissário em um piscar de olhos.
Então notei que Calantha inclinou-se para a frente, servindo a Rafe mais cerveja ale, mesmo que ele não tivesse pedido. Estaria ela tentando fazer com que ele soltasse a língua? Ou ela estava sendo atenciosa por outros motivos? Calantha era bonita, de um jeito perturbador. De um jeito que não é deste mundo. Seus cabelos sem cor caíam em longas ondas que passavam de seus ombros desnudos. Nada em relação a ela parecia natural, inclusive seus longos e esguios dedos e suas unhas pintadas. Eu me perguntava que posição ela ocuparia no Sanctum. Havia outras mulheres no saguão, umas poucas sentadas ao lado de soldados, muitas ao lado dos criados, e a silhueta esguia que eu havia visto nas sombras, quer dizer... isso se fosse mesmo uma mulher. Mas Calantha era dotada de uma ousadia... Desde seu brilhante tapa-olho até as delicadas correntes que retiniam em volta da sua cintura.
Fiquei pasmada ao ver Rafe sorrindo e desempenhando o papel do enfastiado emissário que buscava somente o melhor acordo para si. O Komizar embebia-se com as palavras dele, mesmo que tentasse manter distância. Rafe sabia exatamente quais palavras jogar e quando se conter com uma medida de imprecisão, mantendo a curiosidade  do Komizar atiçada. Eu me perguntava como o empregado de fazenda por quem eu havia me apaixonado tinha tantas facetas que eu não conhecia. Observava os lábios dele se movendo, as fracas linhas formando-se em leque em volta de seus olhos quando ele sorria, a largura de seus ombros. Um príncipe. Como é que eu nem mesmo havia suspeitado disso? Lembrei-me dele cerrando o rosto naquela primeira noite em que eu o havia servido na taverna, a pungência de cada palavra que ele dirigiu a mim. Eu o havia deixado no altar. Com quanta raiva ele deve ter ficado para me rastrear até lá na taverna... O que também queria dizer que ele era habilidoso. Havia tanta coisa que eu ainda desconhecia sobre Rafe.
Olhei de relance para o Komizar, que havia ficado quieto, e deparei-me com seus olhos fixos em mim. Engoli em seco. Por quanto tempo ele vinha me observando? Será que tinha me visto observando Rafe?
Subitamente ele soltou um bocejo e depois, sem pressa, deslizou a mão pela tira de couro em seu peito.
— Tenho certeza de nossos hóspedes estão ficando cansados, mas onde eu deveria colocá-los? — Ele explicou detalhadamente que, visto que eles não faziam prisioneiros em Venda, não tinham prisões de verdade, que a justiça era rápida até mesmo para seus próprios cidadãos. Ele analisou suas diversas opções, mas eu senti que estava nos levando por uma trilha que ele já havia mapeado. O Komizar disse que poderia nos enfiar de volta na sala de espera pela noite, mas que era úmida e sombria, e havia apenas um pequeno colchão de palha para dividirmos. Ele olhou para Kaden enquanto falava isso. — Mas há um quarto vazio não longe dos meus próprios aposentos que é seguro. — Ele se sentou relaxado em sua cadeira. — Sim. — disse devagar, como se estivesse considerando a possibilidade. — Vou colocar o Emissário lá. Mas onde eu deveria colocar a princesa para que ela fique em segurança também?
Malich gritou do outro lado da mesa.
— A princesa pode ficar comigo. Ela não irá a lugar algum, e nós ainda temos umas coisinhas a serem discutidas.
Os soldados que estavam perto dele deram risada.
Kaden empurrou sua cadeira para trás e levantou-se, olhando feio para Malich.
— Ela ficará em meus aposentos — disse ele com firmeza.
O Komizar sorriu. Eu não gostava do rumo que aquele jogo estava tomando. Ele esfregou o queixo.
 — Ou eu poderia simplesmente trancafiá-la junto com o emissário? Talvez isso fosse melhor. Manter os dois prisioneiros juntos? Diga-me, Jezelia, o que você preferiria? Deixarei a escolha para você.
Os olhos do Komizar ficaram pousados em mim, frios e desafiadores. Será que meus olhares cheios de ódio para o emissário tinham parecido genuíno ou obviamente planejados? Sempre há mais coisas que podiam ser tomadas. Ele estava procurando por mais alguma coisa que eu valorizasse além de uma corda em volta de minha cintura.
Minhas mãos tremiam em meu colo debaixo da mesa. Apertei-as, cerrando-as em punhos, e endireitei-as, forçando-as a me obedecerem a serem convincentes. Empurrei minha cadeira para trás e fiquei em pé, parada, ao lado de Kaden. Ergui a palma da minha mão até a bochecha dele, e então puxei seu rosto para junto do meu, dando-lhe um beijo longo e cheio de paixão. As mãos dele deslizaram até a minha cintura, puxando-me mais para perto de si. A sala irrompeu em assovios e sibilos. Lentamente eu me afastei dele, olhando nos olhos surpresos de Kaden.
— Acabei me sentindo confortável com o Assassino depois da longa jornada pelo Cam Lateux — falei ao Komizar. — Ficarei com ele com ele em vez de ficar com aquele com aquele parasita traiçoeiro. — Desferi para Rafe um último olhar de ódio, ao qual ele retribuiu com uma olhadela de relance, cheia de fúria fria. Mas ele estava vivo. Por ora, ele era algo que não valia a pena ser tomado de mim.

10 comentários:

  1. "Eu me perguntava como o empregado de fazenda por quem eu havia me apaixonado tinha tantas facetas que eu não conhecia." Cara, a autora gosta de enganar. Na canção de Venda, fala q o Dragão usará muitas facetas.. E quem está fazendo isso é o príncipe :0

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    1. Talvez o Dragão que usa de muitas facetas seja a própria Lia

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    2. Talvez o Dragão que usa de muitas facetas seja a própria Lia

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  2. A estou de boca aberta 😱😱😱

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  3. Ai como ela tá bandida kkkkkkkk

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  4. Coitado do Kaden... Ela fica usando ele, essa desgraçada!

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  5. já não sei para quem eu torço nesse triangulo amoroso

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  6. Noooo "por ora, ele era algo que não valia pena ser tomado de mim" manoo ela tá protegendo muito ele. Amo Rafezelia❤

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Boa leitura, E SEM SPOILER!