20 de fevereiro de 2018

Capítulo 89

RAFE

— Onde é que Vossa Majestade está com a cabeça? — sussurrou Sven entredentes.
Ele sabia onde minha cabeça estava. No mesmo lugar para onde vagara incontáveis vezes nesses últimos meses, mas Lia tinha os deveres dela, e eu tinha os meus.
— Sim, continue, lorde Gandry — falei, sentando-me um pouco mais reto na minha cadeira.
Voltei a atenção aos Barões da Assembleia, onde ela era devida.
Sven levara a sério as minhas últimas palavras para ele lá em Morrighan. Palavras que eu achava que ele não fosse ouvir, e provavelmente não eram as últimas palavras que Gwyneth tinha em mente. Acorde, seu velho tolo! Você não está dispensado dos seus deveres ainda. Acorde ou vou jogar você em uma gamela de água. Está me ouvindo, Sven? Eu ainda preciso de você.
Sempre que nós discutíamos em relação a alguma questão agora, ele me lembrava da minha confissão: de que eu precisava dele. Era verdade. E não apenas como conselheiro.
Os morrigheses haviam-no depositado bondosamente de volta na nossa porta tão logo ele fora capaz de viajar. Eu mantinha os dias dele curtos. Ele ainda se cansava com facilidade, mas era um milagre que estivesse vivo.
Depois da batalha no Vale do Sentinela, a longa cavalgada de volta a Dalbreck dera ao general Draeger e a mim diversas oportunidades para conversarmos. Ele me disse que estava repensando o noivado. A filha dele era jovem, brilhante e criativa, e o peso de tal contrato poderia impedir o seu crescimento e reduzir os seus ânimos. Afinal de contas, a moça só tinha catorze anos. Com a derrota do Komizar e meu retorno a Dalbreck garantido, o noivado se provaria uma distração para o trabalho que teríamos pela frente, e o bem do reino era tudo que importava. Será que eu acharia que poderíamos dissolver o contrato de comum acordo?
Fiquei pensando nisso durante cerca de cinco segundos, e concordei.
Quando a assembleia por fim encerrou a reunião, voltei ao meu escritório. O comércio estava enérgico novamente, e os cofres estavam cheios, em parte devido ao acordo com Morrighan, sem dúvida fortemente sugerido pela rainha de Venda. O porto de Piadro foi concedido a Dalbreck em troca de dez por cento dos nossos lucros. Era um acordo benéfico para as duas partes.
— Chegou uma outra mensagem do Mantenedor de Venda.
O braço direito de Lia. Kaden. Sem dúvida ele estava pedindo por mais uma escolta, suprimentos, alguma coisa. No entanto, eu sabia que eles precisavam disso e que não pediriam se não fosse necessário. Dar uma mãozinha para o reestabelecimento deles beneficiava a todos os reinos.
— Dê o que quer que ele deseje.
— Que ela deseje, você quer dizer.
Sim, ela. Eu sabia que as solicitações, no fim das contas, vinham de Lia. Porém, ela chamava igualmente os outros reinos pedindo ajuda, e nós sabíamos que os Reinos Menores seguiam os exemplos de Morrighan e Dalbreck. Nós nos falávamos somente através de mensagens por meio dos nossos emissários. Isso tornava as coisas mais fáceis para nós. No entanto, ouvi os relatórios. Venda estava prosperando sob a regência de Lia. Não fiquei surpreso. Um dos assentamentos de fazenda deles estava sendo estabelecido logo além das nossas fronteiras. Isso deixava alguns cidadãos nervosos, mas eu me esforçava para confortá-los. Venda não era como costumava ser antes.
— O Mantenedor incluiu alguma coisa junto com esta mensagem. Pode ser que queira dar uma olhada.
— O que quer que seja...
— Dê uma olhada.
Ele colocou um pequeno pacote em cima da minha escrivaninha que estava envolvido em tecido e amarrado com corda, e então enfiou a mensagem na minha mão.

Carroções.
Grãos.
Escoltas.

A lista seguia em frente. As solicitações de costume.
No entanto, no final, um bilhete do Mantenedor:

Encontrei essa coisa enfiada atrás de uma manjedoura no celeiro de Berdi.
Acho que pertence a você.

— Devo abrir? — perguntou-me Sven.
Fiquei com o olhar fixo no pacote por um bom tempo.
Eu sou seu e você é minha e nenhum reino jamais vai ficar entre nós.
Por um bom tempo mesmo.
Eu sabia o que tinha ali.
Uma coisa branca.
Uma coisa bonita.
Algo que tinha sido jogado fora há muito tempo.
— Jaxon?
— Não — falei. — Pode jogar fora.

4 comentários:

  1. Oh ôu. Alguém está seguindo em frente.

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  2. Mandou jogar fora o vestido de casamento deles. Não acredito que Rafe va desistir de Lia.

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  3. VOU MATAR ELE! JURO QUE SE PUDESSE O RAFE JÁ ESTARIA COM A CABEÇA ENFIADA NUM BALDE DE MERDA!!!!-DESAPONTADA, DECEPCIONADA E MUITO BRAVA!!!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!