16 de fevereiro de 2018

Capítulo 7

As paredes fechavam-se, e a trilha parecia ficar mais e mais estreita a cada passada. Fui conduzida por um corredor escuro, subindo dois lances de escada com cheiro de bolor, ao longo de um outro corredor não mais largo do que a distância de um braço, e depois desci vários degraus. A parte de dentro dessa fortaleza era tão semelhante à de um labirinto quanto parecia de fora, séculos de arquitetura misturados.
Este não era o caminho que dava para o Saguão do Sanctum. Senti meu coração ficar acelerado. Aonde estariam me levando agora? Meus cabelos ainda estavam molhados sobre os meus ombros, e meus pés descalços estavam gélidos no chão frio. Memorizei minha trilha, certa de que isso faria alguma diferença em algum momento. Tudo importava. Todos os detalhes. Toda tremulação de um cílio. De todas as pessoas agora, eu ansiava por Gwyneth, tão silenciosa em seus movimentos e tão boa em esconder seus segredos com um sorriso, exceto quando se tratava de coisas com as quais se importava, como Simone. Foi então que as mentiras transpareceram no rosto de Gwyneth. Até mesmo agora, eu estava aprendendo com ela. Tudo com que eu ainda me importava tinha que parar de transparecer no meu rosto.
Na última virada, nós descemos por um passadiço friorento que dava para uma grande porta dupla, cujas espessas dobradiças negras separavam-se em espinhos emaranhados. Os guardas bateram à porta, e eu ouvi o pesado deslizar de uma tranca ser destravada lá dentro. Fui jogada para frente, porque os guardas não pareciam conhecer outra forma de liberar os prisioneiros, mas, dessa vez, eu estava preparada para isso, e apenas cambaleei.
Entrei em um aposento silencioso. Meu olhar contemplativo recaiu primeiramente sobre Kaden, que estava com o maxilar cerrado, o sinal revelador de sua veia erguendo-se no pescoço, enquanto ele absorvia minha nova e áspera vestimenta. Será que foi vergonha ou raiva o que vi, em um lampejo, passar por seus olhos? Mas eu também notei que ele havia tomado banho e trocado de roupas. Com seu disfarce morriguês descartado, ele parecia um deles agora, um animal de uma estirpe diferente. Trajava uma camisa solta cortada no estilo local, dos vendanos, e havia uma trilha de ossos pendurada em seu cinto de armas. Esse havia sido o verdadeiro Kaden o tempo todo.
E então eu vi Rafe. Ele estava de costas para mim, e suas mãos estavam acorrentadas atrás dele, com um guarda bem próximo, ao seu lado. Desviei o olhar rapidamente e fixei meus olhos compenetrados no Komizar em vez disso.
— Momento apropriado e perfeito, Princesa — disse ele. — Seu empregado de fazenda também acabou de chegar. — Ele fez um aceno para que eu fosse para a frente até ficar parada, em pé, ao lado de Rafe.
O Komizar ainda usava a bainha de ombro de meu irmão, e agora a espada de Walther também estava pendurada nela. Ele abriu um largo sorriso enquanto eu absorvia aquilo tudo. Moldei meu olhar contemplativo para que se tornasse aço. A partir desse momento, eu faria dos bens roubados do meu irmão a minha força em vez de a minha fraqueza.
Ele deu um passo até o centro do aposento e jogou as mãos nas laterais do corpo.
— Hoje é um dia histórico em Venda, meus irmãos. Não um, mas dois prisioneiros. — Ele ainda falava em morriguês, e eu presumia que fosse por nós. Eu nãos sabia se Rafe entendia vendano ou não. Amaldiçoei-me por não ter perguntado isso quando estávamos na sala de espera. Detalhes como esse poderiam fazer a diferença mais para a frente. O Komizar voltou sua atenção para mim e para Rafe. — Eu espero que vocês dois apreciem a boa fortuna de serem até mesmo prisioneiros. Este é um privilégio raro, embora possa ser efêmero. — Sua voz tinha um tom brincalhão, e sua expressão quase cordial. Ele veio andando e aproximou-se de mim, ergueu uma mecha de cabelos molhados do meu ombro e então deixou cair com repulsa. — Eu já sei por que você está aqui. Um membro da realeza com um suposto dom que meu Assassino acredita que será útil para Venda — ele deu de ombros. — O tempo dirá.
Ele voltou-se para Rafe.
— No entanto, você... Diga-me por que eu não deveria arregaçar suas entranhas agora mesmo e punir os soldados que não o mataram assim que o viram.
— Porque tenho notícias para você, Komizar, que serão benéficas para Venda — a resposta de Rafe foi rápida e confiante.
O Komizar riu de um jeito que fez com que o aposento inteiro ficasse mais sombrio.
— Foi isso que ouvi dizer. — Ele foi andando até a mesa no centro da sala, ergueu-se e sentou-se na ponta dela, balançando as pernas. Ele parecia mais um rufião sentado em um bar do que um regente. — O chievdar Stavick falou-me a respeito de sua reivindicação — disse ele. — Mas o que os soldados me disseram foi diferente. Um empregado de fazenda aflito, é o que eles dizem de você, e a princesa parecia achar que você apareceu somente por causa dela. Entendo que houve um abraço receptivo.
— Eu era um rosto familiar em uma terra estranha. — Foi a resposta de Rafe. — Não pude evitar que a moça se prendesse a mim; no entanto, não sou um tolo quando se trata de mulheres. Prazer é uma coisa, negócios são outra. Eu não apareceria à porta do inimigo por causa de uma mera distração de verão.
Os olhos do Komizar, que estavam voltados para mim, tremeluziram. Olhei com ódio para Rafe.
— Uma distração — repetiu o Komizar, assentindo. — Então isso de você ser um empregado de fazenda foi apenas um estratagema?
— O príncipe me enviou para descobrir se a moça realmente havia fugido do casamento ou se era o caso de uma retaliação planejada o tempo todo, por conta de agravos passados. Caso você não estivesse ciente disso, Dalbreck tinha uma longa e instável relação com nossos vizinhos mais próximos. Devo recitar a história inteira de ações mesquinhas perpetradas por Morrighan? Contudo, a oferta de casamento do rei foi um esforço genuíno de enterrar os agravos passados.
— E de criar uma aliança.
— Sim.
— Para exercerem mais poder sobre nós.
— Mas não é disso que se tratam todas as manobras políticas? Poder e conseguir mais disso tudo? — O tom de Rafe era frio, cheio de autoridade e contumaz.
Parecia dar uma pausa ao Komizar, cujos olhos se estreitaram, e então um canto da sua boca ergueu-se em um largo e divertido sorriso.
— Para mim você parece mais um empregado de fazenda do que o emissário de um príncipe. — Ele se virou, fazendo uma varredura pelo aposento. — Griz! — gritou ele. — Onde está esse homem?
Um dos governadores informou ao Komizar de que Griz ainda se encontrava no Saguão do Sanctum, e um guarda foi enviado para trazê-lo de volta. O Komizar explicou que Griz havia visto o príncipe e sua corte quando esteve em Dalbreck em uma cerimônia pública no ano passado. Ele seria capaz de identificar se Rafe seria genuíno ou uma farsa.
— Deseja mudar sua história agora? A verdade significaria que eu poderia ter minha refeição da noite mais cedo, e estaria disposto a tornar sua morte rápida e relativamente indolor.
— Mantenho minha história. — foi a resposta de Rafe, sem hesitação.
Respire, Lia. Respire. Olhei para Kaden e tentei não trair meu pânico, esperando por ajuda. Ele me devia isso. Ele retribuiu meu olhar compenetrado, mal mexendo a cabeça, Não. Esqueci. Venda sempre vem em primeiro lugar. O medo ergueu-se em meu peito, e olhei para as armas em cintos por todos os lados, os governadores, os guardas, os irmãos não identificados de Venda. Mais de uma dúzia deles enchia o aposento. Se eu fosse até mesmo capaz de desarmar um deles e matar outro, que chance teríamos eu e Rafe contra todos? Especialmente com Rafe estando com suas mãos acorrentadas às suas costas. Avancei alguns centímetros e então vi Rafe flexionar uma das mãos, um sinal silencioso. Parei. A sala permaneceu em silêncio, os segundos passavam de forma torturante, e o Komizar parecia desfrutar cada segundo. Então ouvimos as passadas, o pesado pisar de um gigante descendo o corredor.
A porta abriu-se e Griz entrou.
 Bedage akki — disse o Komizar, jogando um dos braços em volta dos ombros de Griz. Ele foi andando para pôr-se na frente de Rafe, falando em vendano, enquanto explicava a reivindicação de Rafe. — Você estava na cerimônia e viu o príncipe e sua corte pessoal. Você reconhece esse homem?
Griz apertou os olhos, analisando Rafe. Ele alternou o peso entre os pés, olhando com desconfiança e parecendo desconfortável com todos aqueles olhos voltados para ele.
— É difícil dizer. Havia uma grande multidão na praça. Faz muito tempo, mas...
Ele coçou a cabeça, olhando para ele com mais atenção. Vi o reconhecimento nos olhos dele, e meu estômago pulou para a minha garganta.
— E então? — quis saber o Komizar.
Griz lançou-me um olhar de relance e de esguelha. Fiquei fitando-o sem respirar, paralisada onde estava. Ele voltou a olhar para Rafe, assentindo pensativo.
— É, eu me lembro desse daí. Ele estava parado bem ao lado do príncipe, todo enervado, vestindo um daqueles casacos frufrus. Eles eram camaradas. Ele e o príncipe deram risada algumas vezes. — Ele assentiu como se estivesse satisfeito com a lembrança e então seu rosto marcado por cicatrizes contorceu-se em uma contração de desprazer. — Mais alguma coisa?
— Isso é tudo — respondeu-lhe o Komizar.
Griz olhou de relance para mim mais uma vez antes de virar-se e sair do recinto.
Tentei deixar que o ar preso no meu peito saísse em uma respiração estável. Será que Griz havia acabado de mentir por mim? Ou será que ele mentira por Rafe? Há espiões por toda parte, Lia. Uma mão lava a outra em troca de olhos observadores. Mas não Griz. Aquilo era impossível. Ele era tão supremamente vendano! Ainda assim, eu me lembro de que ele havia escondido sua fluência em morriguês dos outros.
— Então, moço frufru, Emissário do Príncipe — disse o Komizar — qual a mensagem importante do seu regente?
— Como eu disse antes, essa mensagem é para seus ouvidos somente.
Os olhos do Komizar ficaram incendiados de repente.
— Não insulte os meus irmãos.
Os governadores grunhiram ameaças.
Rafe cedeu.
— O rei de Dalbreck está morrendo. É uma questão de semanas, talvez dias. Até então, as mãos do príncipe estão atadas. Ele nada pode fazer, mas logo a mão do poder passará para ele. Quando isso acontecer, as coisas serão diferentes. Ele quer estar preparado para isso. O príncipe e o pai dele têm ideias muito diferentes em relação a alianças e poder.
— Que tipo de ideias?
— O príncipe tem vistas para o futuro. Ele acha que alianças por meio de matrimônio são primitivas e vê uma aliança com Venda como sendo muito mais benéfica para Dalbreck do que uma aliança com Morrighan.
— E o benefício para Venda seria...?
— Há um porto que queremos em Morrighan e alguns quilômetros de colinas. O resto é seu.
— O príncipe tem sonhos grandiosos.
— Vale a pena ter sonhos que não sejam grandiosos?
— E como haveríamos de saber que este não é mais um dos truques de Dalbreck?
— Assim que o pai estiver morto, o próprio príncipe virá negociar com você como sinal de boa fé... No entanto, é claro, em tal ocasião ele seria o rei.
— Aqui? — interrompeu-o Kaden, cujo tom de voz estava rígido e cheio de ceticismo.
Rafe olhou para ele, mantendo sua expressão inalterada, mas, na fração de um segundo, vi o esforço em sua face. Se suas mãos não estivessem acorrentadas, não estou certa de que ele teria sido capaz de conter-se. Como eu havia algum dia imaginado que eles eram amigos?
— Em uma área neutra no Cam Lateux, a ser determinada — foi a resposta de Rafe, que voltou a olhar para o Komizar. — Ele enviará um mensageiro com detalhes; porém, ele deseja que você esteja preparado. A aliança terá que ser feita rapidamente, antes que Morrighan sequer a fareje.
O Komizar analisou Rafe, arrancando silêncio com isso. Por fim, ele balançou a cabeça em negativa.
— Eu não tenho motivos para confiar em você nem para acreditar nisso de que o príncipe seja de alguma forma diferente de seu pai traiçoeiro ou de qualquer um dos pais conspiradores antes deles. Todos de Dalbreck são porcos inimigos. — Ele se levantou e andou em volta do recinto, com a cabeça curvada, pensativa. — Ainda assim... é um jogo interessante esse que seu príncipe está jogando... ou que você está jogando. — Ele olhou para as faces dos governadores, de Kaden e dos outros que estavam presentes ali, como se estivesse colhendo opiniões, mas nenhuma palavra foi trocada, apenas alguns assentimentos com as cabeças, e dos mais sutis. Ele se virou e ficou cara a cara com Rafe novamente. — Umas poucas semanas são o bastante para jogarmos este jogo. O que pode até mesmo ser divertido. Se o pai do príncipe não estiver morto e um mensageiro não chegar dentro de um mês, então seu supremamente tolo emissário será enviado de volta ao príncipe... Um dedo e um pé de cada vez. Nesse interim, enviarei meus próprios cavaleiros a Dalbreck para que confirmem a saúde precária do rei.
— Eu não esperaria menos do que isso. — Foi a resposta de Rafe.
O Komizar deu um passo para mais perto dele, ficando quase peito a peito com Rafe, descansando a mão no punho da espada de Walther.
— O que você ganha com isso, Moço Emissário?
— O que mais? — respondeu-lhe Rafe. — Poder. O príncipe também fez promessas para mim.
O Komizar sorriu, e vi um brilho de admiração nos olhos dele.
Eu havia escutado Rafe cuspindo uma mentira atrás da outra com tamanha graça e facilidade que eu mesma quase acreditei nele. Fiquei maravilhada com a forma como ele as trazia à tona, mas então lembrei da facilidade com que ele havia mentido para mim em Terravin. Essa não era uma diligência nova para ele.
O Komizar disse a todos que nossos negócios lá haviam terminado e que eles deveriam retornar ao Saguão do sanctum. Ele iria até lá em breve. Mais umas poucas palavras foram trocadas com um governador aqui e um guarda ali, sem a ajuda de um Guardião do Tempo chispando seu relógio, e tudo isso feito com um ar casual notavelmente em desacordo com a conversa anterior. Rafe seria enviado de volta, um pedaço de cada vez. Os guardas conduziram Rafe para fora, e os governadores saíram em fila atrás dele. Kaden esticou a mão para segurar meu braço.
O Komizar repeliu Kaden.
— Eu acompanho a princesa. — disse ele. — Vamos nos reunir muito em breve. Preciso de alguns minutos com ela. Para conversar.
— Posso esperar — disse Kaden.
— A sós — uma dispensa, firme e final.
Meu sangue corria frio nas veias. A sós com o Komizar.
Kaden olhou de relance para ele e para mim e depois voltou a olhar para ele de novo, sem se mover, mas eu sabia que ele iria embora, de um jeito ou de outro. Seria melhor se fosse no meu tempo. Nos meus termos. Agora. Criou-se um nó de medo na minha barriga. Agora.
— Está tudo bem, Kaden — falei, forçando minhas palavras a saírem com clareza e firmeza, ignorando o Komizar, como se ele não estivesse ali. — Pode ir.
Uma flecha perfeitamente mirada.
Se Kaden fosse embora agora, seria sob minhas ordens, não as do Komizar. O silêncio era opressivo, pesado e inesperado. Kaden olhou para mim, sabendo o que eu havia feito. Os limites da lealdade haviam sido forçados. Ele balançou a cabeça e saiu, com os danos já feitos, a porta pesada, ruidosa, enquanto ele se retirava do recinto. Essa era uma vitória que não duraria muito. Agora eu estava sozinha ali com o Komizar.
— Então... você tem uma língua no fim das contas.
Mantive os olhos fixos na porta.
— Para aqueles que merecem as minhas palavras.
— Foi o que me disseram muitas vezes antes.
Uma das sobrancelhas ergueu-se de leve enquanto ele me analisava.
— É curioso que você não tenha demonstrado qualquer reação quando o emissário revelou a traição de Dalbreck para com Morrighan. Talvez você não se importe com seu próprio reino? Ou será possível que você não tenha visto verdade alguma na história dele?
— Pelo contrário, Komizar, eu acreditei em cada palavra do que ele disse. Simplesmente não achei isso surpreendente. Caso você não esteja ciente, meu pai estabeleceu uma recompensa pela minha cabeça porque fugi da aliança por meio do casamento. Fui traída pelo meu próprio pai, por que não seria traída por um reino? Estou cansada da traição de todos os homens.
Ele me puxou mais para perto de si, com o peito ainda decorado com o mais fino trabalho dos artesãos morrigueses, um presente de Greta para Walther no dia de casamento deles. Cílios espessos ladeavam os negros e frios olhos do Komizar, que estavam cheios de um brilho arrogante. Eu queria arrancar os olhos dele, mas não tinha unhas para isso. Queria sacar minha adaga, mas eles haviam tomado ela também. Olhei de relance para baixo, para a espada que ele tinha ao lado do corpo, engastada com o jaspe de Morrighan, quase ao meu alcance.
— Você está tão cansada ao ponto de ser tola? — ele me perguntou. — É mais difícil matar um homem do que um cavalo, Princesa. — Ele apertou a pegada no meu braço. — Você sabe o que acontece quando se mata o Komizar?
— Todo mundo comemora?
Um sorriso fraco, porém largo, iluminou seu rosto.
— O trabalho recai sobre você. — ele soltou meu braço e foi andando até a mesa, repousando a mão perto de um sulco profundo. — Foi aqui que matei o último Komizar. Eu tinha 18 anos naquela época. Onze anos atrás. Kaden não passava de um menino. Ele mal chegava a altura de meu umbigo. Pequeno para a idade dele. Ele tinha passado muita fome, mas conseguiu recuperar o tempo perdido sob os meus cuidados. Um Komizar deve criar seu próprio Rahtan, e Kaden é meu Rahtan desde o começo. Nós temos uma longa história. É profunda a lealdade dele a mim. — O Komizar passou o polegar pelo sulco, como se estivesse relembrando o momento em que foi feito.
Ele voltou seu escrutínio bem aguçado de novo para a minha pessoa.
— Não tente abrir seu caminho entre nós seduzindo-o. Minha lealdade a ele é profunda também. Estou permitindo que Kaden tenha essa diversão por hora, além do fato de que você talvez venha a ser a uma diversão interessante para todos nós. No entanto, não se engane em relação a isso, você e seu suposto dom valem menos do que nada para mim. O emissário tem uma chance melhor de estar vivo no final do mês do que você. Então não orquestre jogos que haverá de perder.
A irritação dele alimentava-me. Minha cunha bem mirada havia atingido o alvo. Você está fazendo com que eu goste mais de jogos a cada minuto que passa, eu queria dizer. Era como se ele pudesse ler a minha mente. Os olhos dele ardiam com brilho, derretido com ameaça.
— Vou repetir, caso seus embotados ouvidos de realeza não tenham entendido da primeira vez: sua posição é precária.
Retribuí o olhar compenetrado dele, sabendo que logo veria todo seu exército de assassinos portando as espadas de Morrighan em seus quadris, que, para o resto da minha vida, eu ouviria os gritos moribundos do meu irmão e dos camaradas dele sendo jogados para cima pelo vento, em um penhasco, na minha cara, tudo isso por causa do Komizar e de seu descaso por fronteiras e tratados antigos.
— Para falar a verdade, não há nada de precário quanto à minha posição — falei. — Sou procurada por traição na minha terra natal, e aqui você tomou minha liberdade, meus sonhos e a vida do meu irmão. Tudo com que me importo se foi, e você está usando a bainha de ombro do meu irmão morto como prova disso. O que mais poderia tirar de mim?
Ele levou a mão para cima, envolvendo meu pescoço com ela, traçando gentilmente com o polegar uma linha ao longo da minha garganta. Ele pressionou o lugar com mais força, e senti minha pulsação trêmula sob o toque dele.
— Acredite em mim, Princesa — ele sussurrou. — Sempre há mais para se tirar.

7 comentários:

  1. Gente,
    Sempre leio COZINHAR ao invés de KOMIZAR. Esse livro vai acabar com o meu regime. kkkkkk

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  2. Gente to impactada essa menina não tem medo de morrer

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  3. Esta me surpreendendo Lia, acredito que Rafe, junto a Kaden tenha feito algum acordo, para que Ghys mentisse.

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  4. Ela é maravilhosaaa. Não tem medo dele, e isso ta me lembrando a Julliete com o Warner

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  5. Acabei de ler a saga Academia de Vampiros. Eu sei que este livro não tem nada a ver com AV, mas não tem como não comparar a Lia com a Rose. A Lia é extremamente forte e madura pra idade dela, muito diferente da Rose, que apesar das responsabilidade é bem imatura, uma imaturidade adequada a idade dela. Mas a Lia... gente ela é a minha heroína! Kkkk Muito inteligente e madura, pelo menos até agora.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!