20 de fevereiro de 2018

Capítulo 76

Depois que minhas tias e Gwyneth me ajudaram a tomar banho e me vestir, enxotei todo mundo do meu quarto. Durante quase uma semana, estive consumida em reuniões com generais, oficiais e lordes, e hoje tinha abordado mais regimentos que chegaram depois de terem sidos chamados de volta a Civica. Eu precisava de um momento de paz. Lembrava-me do que Dihara havia me dito em relação ao dom. Aqueles que estão dentro de muralhas, eles deixam de alimentá-lo, assim como os Antigos fizeram... Você está cercada pelo ruído de sua própria criação. E houvera um contínuo fluxo de ruídos, a maior parte deles apaixonada e alta.
Eu, Rafe e Kaden tivemos conversas privadas com os generais Howland, Marques e Perry, com o capitão Reinaud, com o Marechal de Campo, com Sven e Tavish. Cumprimentei pessoalmente o general Howland, tentando colocar nosso inicio instável para trás. Nossa equipe de dez pessoas reuniu mapas, fez listas, e planejamos nossas estratégias. Eu e Kaden contamos a eles em vividos detalhes sobre as armas e os números com que nos depararíamos: 120 mil. Quando o Marechal de Campo sugeriu que o Komizar poderia dividir suas forças para realizar ataques em muitas frentes, Kaden lhe garantiu que ele não faria uma coisas dessas. O Komizar promoveria um ataque com força total em Morrighan, preparando impiedosamente o caminho até Civica para fazer desta uma rápida e decisiva vitória. Concordei com ele. O sangue do Komizar pulsava com o poder que esse exército lhe dava. Ele não o dividiria. Eu me lembrava de sua face enquanto ele contemplava a sua criação: o seu imenso e esmagador impacto era algo belo para ele.
Durante nossos encontros, discussões irromperam sobre tudo, desde o momento certo de agir, passando pelas rotas que o Komizar pegaria até as melhores maneiras de armar os nossos soldados. Uma coisa estava clara: nós precisávamos de mais... Então, esse chamado foi enviado também. Mais armas, mais soldados. Os lordes foram enviados de volta aos seus condados, com as mesmas ordens para conseguirem recuaram e suprimentos.
Todo o reino de Morrighan foi alistado no esforço. Metais foram trazidos às forjas para que fossem remodelados na forma de armas. Portões, portas, bules, nenhum item era pequeno demais ou desimportante demais que não pudesse ser usado para salvar o reino. O moinho estava preparado para trabalhar sem descanso. Mais madeira se fazia necessária para construir barreiras de defesa, armas de fustes ainda a serem imaginadas. O treinamento também começara, com o compartilhamento de habilidades, porque era inegável que os soldados de Dalbreck tinham uma disciplina refinada que seria útil. A princípio, isso causava irritação e amargura nos oficiais, o prospecto do regimento de cem soldados de Rafe treinando tropas morrighesas, mas eu acabei com esse argumento, deixando claro que o orgulho não deveria ser obstáculo à nossa sobrevivência, e Rafe também atenuou as coisas pedindo conselhos deles.
Fui pega com a guarda baixa várias vezes quando via Rafe e Kaden explicando ou discutindo estratégias. Eu observava os dois de maneira como nunca antes tinha feito, de formas que nada tinham a ver comigo. Formas estas que eram todas sobre as próprias histórias e esperanças, obrigações e metas deles. Eu observava Kaden, que evitava de forma habilidosa perguntas sobre o futuro de Venda até mesmo enquanto tramava fortalecer Morrighan. Algumas de nossas batalhas teriam de ser travadas depois. Eles ainda o chamavam de Assassino, não de uma forma depreciativa, e sim quase como um distintivo de honra pelo fato de que um cidadão morrighês tivesse se infiltrado nos escalões inimigos e retornava agora a Morrighan com seus próprios segredos vendanos.
Conforme os dias passavam, reuniões se prolongavam, e as tensões iam às alturas. Percebi que a maioria dos acessos não era relacionada a orgulho tanto quanto no início do entendimento e da percepção da luta monumental que tínhamos à nossa frente: eles entendiam isso plenamente, inclusive o general Howland, e todo mundo procurava respostas que não eram fáceis de encontrar. Como um exército de 30 mil homens, ainda espalhados pelo Reino, derrotaria um exército de 120 mil que era mais forte e armado com armas letais? No entanto, nós vivíamos encontrando uma resposta. Quando sacávamos mapas e os desenrolávamos pela mesa, eu tentava ler a mente do Komizar. Eu olhava para as estradas, as colinas, para os vales e para as muralhas que cercavam Civica. As linhas e os marcos viravam um botão, e alguma coisa fraca batia de leve no meu esterno. Os detalhes das nossas reuniões giravam sempre na minha cabeça. Era difícil bloquear os ruídos, mas eu sabia que precisava usar outras forças também, um conhecimento que ajudaria a nos guiar, porque as minhas dúvidas em relação a todas as nossas estratégias estavam crescendo, e cada dia ficava mais tensa com a preocupação com os meus irmãos e seus esquadrões.
Abri a janela com tudo, o ar fresco da noite fazendo a minha face tremer, e rezei, para um deus ou para os quatros deuses, eu não tinha certeza. Havia tanta coisa que eu não sabia, mas tinha certeza de que não aguentaria perder outros irmãos.
Não houve qualquer respostas deles, mas Rafe já tinha me dito que isso aconteceria. Ou eles viriam, ou não viriam. Eu tinha que ter esperanças e confiar que a mensagem tivesse chegado até lá a tempo. Tragam-nos para casa, eu implorava aos deuses. E então falei para os meus irmãos, tal como as palavras de Walther chegaram até mim. Tomem cuidado, meus irmãos.  Tomem cuidado.
Fiquei com o olhar fixo, observando Civica, com as memórias noturnas silenciando-se, uma fraca canção ainda prendendo ao ar. Que assim seja para todo o sempre. Para todo o sempre. Uma cidade escura, exceto pelas janelas reluzindo douradas, observando a noite.
A paz foi se assentando, refeições estavam sendo preparadas, ondas de fumaça saindo das chaminés.
Então a paz foi perturbada.
Sons subiam, arrastando-se pelas minhas costas.
Sons que não pertenciam ao mundo do lado de fora da minha janela.
O esmagar de pedras.
O sibilar de um riacho.
Um uivo fúnebre.
Fervor, Jezelia, fervor.
Meu coração ficou acelerado. Eu senti a respiração do Komizar no meu pescoço, o dedo dele tracejando o kavah no meu ombro. Vi os olhos ônix dele na escuridão e o sorriso por trás deles.
— Devo caminhar com você?
Deu um pulo e girei.
Minha tia Cloris enfiou a cabeça dentro da minha câmara, e sua pergunta era um lembrete para que eu não me atrasasse.
Eu sorri, tentando mascarar o meu alarme. Embora a minha tia tivesse tolerado a completa falta de protocolo em todos os níveis com uma graça surpreendente, eu via os sinais da sua impaciência retornando. Ela queria que as coisas voltassem a ser como antes. Eu não podia prometer isso, mas poderia dar isso a ele nesta noite.
— Vou caminhar com você — falei.
Ela saiu tão silenciosamente quanto chegou, e fechei a janela, voltando à minha penteadeira. Embora, por outro lado, não fosse fazer qualquer tranca elegante esta noite — não que eu em algum momento fosse particularmente habilidosa nessa coisa de fazer tranças, nem mesmo com as duas mãos. No entanto, eu tinha me tornado habilidosa no uso de uma espada e uma faca com qualquer uma das mãos.
Quando o médico deu uma olhada na minha mão e refez as bandagens, dei uma boa olhada nela, para ver como estava, pela primeira vez. A ferida em si, exceto pelos três pequenos pontos de cada lado, mal era visível; no entanto, minha mão ainda estava inchada. Parecia uma luva de veias azuis inchada como salsichas gordas, e parecia muito estranha e entorpecida. Alguma coisa se partira ou tinha sido dilacerada, provavelmente quando soltei a flecha para matar Malich. O médico ficou pasmo com o contínuo inchaço e disse que era essencial que eu mantivesse a mão elevada nos travesseiros à noite, e ele fez uma tipoia para que eu a usasse durante o dia. Quando perguntei a ele se o entorpecimento da mão pararia, ele apenas disse Vamos ver.
Coloquei de lado minha escova e olhei no espelho. Meus cabelos caíam livremente soltos pelos meus ombros. Do lado de fora, eu tinha quase que a mesma aparência de antes, talvez um pouco mais magra; porém, por dentro, nada era igual. Nada mais seria igual novamente.
Ele está noivo.
O pensamento veio sem que eu esperasse por ele, como uma repentina golfada de vento. Uma montanha de demandas bloqueara esse pensamento, mas agora um único momento desprovido de pressa permitira que ele entrasse.
Eu me pus de pé em um pulo, afastando-me da minha penteadeira, ajustando o meu cinto, minha tipoia, embainhando a minha faca na lateral do corpo, aprendendo a fazer com uma das mãos o que sempre tinha feito com duas.

* * *

A câmara de jantar da família era para refeições menores e mais íntimas, mas nesta noite havia dezesseis de nós. Eu teria simplesmente sorvido um pouco de caldo no meu quarto e caído na cama, como fiz em noites anteriores, ou teria comido durante as nossas reuniões tarde da noite, mas a minha mãe veio me ver e ela mesma sugerira isso, e já fazia dias que ela não deixava o quarto. Pensei na minha dúvida nos dias depois da morte de Aster e em como Rafe dissera que eu precisava me reestabelecer e seguir em frente. Parecia que era isso que ela estava tentando fazer agora.  Minhas tias entraram na conversa, dizendo que, no frenesi de atividades dos últimos dias, elas haviam encontrado todo mundo apenas em momentos passageiros. Elas disseram que nós tínhamos uma longa luta à frente, e um jantar compartilhado nos daria uma oportunidade de nos aproximarmos mais. Eu não podia discutir com aqueles argumentos.
Eu e Berdi fomos as primeiras a chegar na sala de jantar, e, quando ela me abraçou, senti um cheiro quente de pão fresco e vi um pouquinho de farinha na sua bochecha.
— Você esteve na cozinha?
Ela piscou.
— Posso ter dado uma passada por lá. Sua mãe me pediu, e fiquei feliz em fazer esse favor. — Eu estava prestes a perguntar o que estiveram fazendo lá, quando Gwyneth e Natiya entraram atrás de nós.
O olhar contemplativo de Natiya se ergueu de imediato para o alto teto e então ela analisou as paredes cobertas de tapeçarias. Eu me lembrava da primeiríssima vez em que eu jantara com Natiya. Ela tinha se deparado com a minha gula com uma inocência de olhos arregalados e perguntas. Agora ela observava, quieta, parecendo um gato nos arbustos, pronto para pular, não diferente do restante de nós. Todos nós estávamos portando armas à mesa, o que no passado teria sido proibido por causa do protocolo. Hoje à noite, ninguém apresentaria qualquer objeção a isso, nem mesmo minha tia Cloris.
Nós nos ajeitamos a uma extremidade da mesa.
Minha mãe e minhas tias, assim como a tia de Pauline, lady Adele, vieram em seguida. Os cabelos da minha mãe estavam penteados e trançados, seu vestido estava bem-passado, e o fogo nela, que havia ficado apagado nesses últimos dias, voltara à tona. Eu o via nos olhos dela, nos seus ombros nivelados, no seu queixo alto: os traidores não venceriam. Fiquei surpresa ao vê-la conversando com Berdi como se fossem velhas amigas.
Orrin, Tavish e Kaden entraram juntos a passos largos, todos parecendo levemente desconfortáveis, mas minha mãe cumprimentou-os com ternura e apontou para os seus assentos, e eu me dei conta do quão pouco todos eles realmente conheciam uns aos outros, embora estivéssemos aqui há dias. Nós realmente precisávamos nos reunir. Partilhar uma refeição era mais do que nutrir corpos. Criados começaram a encher cálices de cerveja e vinho. Embora minha mãe tivesse prometido manter a refeição simples, o moscatel espumante de cereja era uma exceção.
— Onde está Pauline? — perguntei a Gwyneth.
Lady Adele ouviu a minha pergunta é empertigou-se, esperando também por uma resposta. Eu sabia que, depois da briga entre elas duas na nossa primeira noite aqui, Pauline passara a evitar a tia. Era por isso que ela permanecia na abadia com o bebê. Hoje, ela tinha se mudado de volta.
— Ela precisou ir até a abadia pegar alguma coisa — foi a resposta de Gwyneth. É claro que nós duas sabíamos o que era. — Logo estará aqui — completou, mas, quando lady Adele desviou o olhar, Gwyneth deu de ombros como se também não soubesse quanto ao que estaria retardando a chegada de Pauline, ou mesmo se ela viria.
Sven entrou andando com o capitão Azia, e eu fiquei surpresa ao ver ambos trajando uniformes de oficiais. O capitão Azia ficou ruborizado com a bajulação das minhas tias, e me dei conta do quão jovem ele era. Ele e Sven rapidamente se engajaram em uma conversa com elas e com lady Adele. Eu me perguntava o que teria acontecido com Rafe. Servi o meu moscatel e então ouvi as passadas dele. Eu as conhecia tão bem quanto as minhas próprias passadas. Seu peso, o ritmo, o leve retirar da bainha da sua espada. Ele entrou apressado e parou um pouco na entrada, com os cabelos levemente soprados ao vento, vestindo os azuis dalbretchianos. Senti um aperto na barriga contra a minha vontade. Ele pediu desculpas por estar atrasado, pois tinha ficado preso em conversas com alguns dos seus homens. Cumprimentou a minha mãe com mais pedidos de desculpas e depois se voltou para mim. Ele notou minha tipoia.
— O médico disse que isso ajudaria a reduzir o inchaço — expliquei.
Ele olhou para tipoia, depois voltou a olhar para mim, olhou para tipoia de novo, e eu soube que ele estava procurando palavras enquanto outras giravam na sua cabeça. Eu conhecia os tiques dele, suas pausas, suas respirações. Será que a noiva de Rafe algum dia o conheceria tão bem?
— Fico contente por estar seguindo o conselho médico — disse ele finalmente.
Eram apenas poucas palavras supérfluas, mas todo mundo fez uma pausa nas próprias conversas para nos observar. Ele se virou e tomou o seu lugar no assento à extremidade oposta da mesa.
Antes que os primeiros pratos fossem trazidos, minha mãe se virou para mim.
— Lia, você gostaria de oferecer a memória sagrada?
Isso era mais do que simples educação. Era o reconhecimento por parte dela da posição que eu tinha agora.
A recordação deu um puxão atrás do meu esterno, e eu me levantei. Um reconhecimento de sacrifício. No entanto, não havia qualquer prato de ossos a ser erguido. Disse algumas das palavras apenas para mim mesma, e outras para que todos ouvissem.
E cristav unter quiannad.
— Um sacrifício sempre lembrado.
Meunter ijotande.
— Nunca esquecido.
Yaveen hal an ziadre.
— Nós vivemos mais um dia. E, com isso, que os céus nos concedam sabedoria. Paviamma.
Apenas Kaden ecoou paviamma em resposta a mim.
Minha mãe olhou para mim com incerteza. Aquela não era uma prece tradicional.
— Essa é uma prece vendana? — ela perguntou.
— Sim — respondi. — E em parte é uma prece morrighesa.
— Mas aquela última palavra? — perguntou-me lady Adele. — Paveem?
— Paviamma — falei. Senti um aperto inesperado na garganta.
— É uma palavra vendana — respondeu-lhe Rafe. — Ela pode significar muitas coisas, dependendo de como é dita. Amizade, perdão, amor.
— Conhece o idioma, Vossa Majestade? — perguntou-lhe minha mãe.
Ele manteve os olhos desviados dos meus.
— Não tão bem quanto a princesa e, é claro, Kaden, mas sei o bastante para me virar.
O olhar contemplativo da minha mãe voltou-se para Kaden e depois para mim. Eu vi a preocupação nos olhos dela. Um idioma vendano, um assassino vendano sentado à nossa mesa, uma prece vendana e a resposta somente de Kaden a ela. Eu e ele partilhávamos mais do que apenas a fuga de Venda.
Sven pareceu notar a pausa da minha mãe e se lançou na conversa, falando sobre como ele aprendera vendano depois de ficar prisioneiro em uma mina durante dois anos com um companheiro chamado Falgriz. — Um homem que era um animal, mas que me ajudou a sobreviver.
Ele entreteve todo mundo com uma história pitoresca, e fiquei grata a ele por tirar a atenção de mim. Minhas tias estavam enfeitiçadas pelo relato cheio de coragem da fuga de Sven. Tavish revirava os olhos como se ele já tivesse ouvido aquela história antes muitas vezes.
O primeiro prato foi servido: bolinhas de queijo.
Comida para confortar as pessoas. Ergui o olhar para minha mãe, e ela sorriu. Era isso que ela servia sempre quando eu e meus irmãos não estávamos nos sentido bem. Fiquei grata porque ela não tinha exagerado para impressionar outro rei Jaxon. Em vista de tudo o que acontecera, um jantar simples parecia o mais apropriado.
Quando a minha mãe fez perguntas sobre os Valsprey, Sven disse a ela que com certeza a mensagem tinha chegado ao posto avançado, mas que não teríamos nenhuma resposta. Ele explicou que se tratava de uma mensagem apenas de ida, em que tínhamos que depositar nossas esperanças.
— Então manteremos essa esperança — afirmou minha tia Bernette — e seremos gratos a todos vocês por provê-la.
Minha mãe ergueu a taça e ofereceu um brinde a Rafe, aos seus soldados, aos Valsprey e até mesmo ao coronel que receberia a mensagem e ajudaria os filhos dela. Seguiu-se um encontro de brindes, circulando a mesa e oferecendo gratidão a todos os presentes que ajudaram a desmascarar a conspiração.
Meu peito ficava mais quente com tantos goles do moscatel, e uma criada pôs-se a encher de novo o meu cálice.
— E a você, Kaden — disse a minha mãe. — Eu sinto muitíssimo pela forma como foi traído pelos seus, e sou duplamente grata por estar nos ajudando agora.
— Um filho morrighês de volta ao lar — disse minha tia Cloris, erguendo a taça.
Observei enquanto Kaden se contorcia com isso de presumir em que ele não era mais vendano, mas ele assentiu, tentando aceitar o reconhecimento com graça.
— E a... — Ergui minha taça,  tentando tirar a atenção dele. Cabeças voltaram-se na minha direção enquanto todo mundo esperava para ouvir a quem ou ao que eu brindaria. Olhei para Rafe. Era como se ele soubesse o que eu ia dizer antes de mim. O azul gélido dos seus olhos perdurava os meus. Nós tínhamos que deixar isso para trás.  Reagrupar, seguir em frente.  É isso que um bom soldado faz.
Engoli em seco.
— Eu gostaria de oferecer meus parabéns ao rei Jaxon por seu vindouro casamento. Ao rei e à sua noiva, desejo-lhes uma longa e muita Feliz vida juntos.
Rafe não se mexeu, não assentiu e nada disse. Sven ergueu a taça e deu uma cotovelada em Tavish para que ele fizesse o mesmo, e logo se seguiu uma onda de votos de felicidade pela mesa. Rafe virou o restante do vinho e disse um “Obrigado” baixinhos.
De repente, parecia que havia areia na minha garganta, e eu me dei conta de que eu não lhes desejava bem algum e que me sentia pequena e mesquinha, e a dor crescia no meu peito. Virei a minha bebida, secando o cálice.
E então ouvimos mais passadas. Pequenas, hesitantes, o suave som do chinelo na pedra.
Pauline.
Cabeças foram viradas em direção à porta, com expectativa. No entanto, em seguida, o som suave misteriosamente parou. Lady Adele franziu o rosto.
— Talvez eu...
Kaden empurrou a cadeira para trás e se levantou.
— Com licença — disse ele, e sem outra explicação, saiu da sala.

8 comentários:

  1. Pelo amor de Venda,kaden e pauline ....não,por favor nãoooo

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  2. Acho que o coração da Lia é mais vendano do que morrighues
    Agora, torta de climão entre Kaden e Pauline, não curti, não consigo aceitar que esses dois vão ficar juntos

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  3. Acompanhem meu raciocinio: Lia foi prometida a Rafe e pelo que eu saiba esses papéis não foram anulados, portanto o Rafe não pode se casar com outra mulher se já está prometido a Lia. Que essa segunda noiva vá pentear macacos. E seu pai chato também.

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    1. aiiii, não lembrava disso. Acalmou meu coração

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  4. Shipo muito Kaden e Pauline

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  5. Gosto muito também de Kaden e Pauline.

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  6. Concordo com o comentário do Reginaldo me deu uma esperança que os dois possam no fim ficarem juntos pelos Deuses! Pois eles merecem ficar juntos depois de tudo que passaram pra que isso acontecesse! DM

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  7. Eu acho que a autora queria separar o Rafe é a Lia, durante esse tempo de preparação para a guerra, e talvez até durante a guerra, então inventou esse noivado do Rafe como desculpa

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Boa leitura, E SEM SPOILER!