2 de fevereiro de 2018

Capítulo 7

Os velhos homens haverão de ter sonhos,
As jovens damas terão visões,
A fera da floresta haverá de virar-se e ir embora,
Eles verão o filho do infortúnio vindo,
E abrirão caminho.
— Canção de Venda —



O ASSASSINO
Eu não sabia ao certo se deveria admirar ou planejar uma morte mais lenta e dolorosa para a renegada da realeza. Estrangulá-la com minhas próprias mãos poderia ser a melhor opção. Ou talvez fosse mais justo brincar com ela e fazer com que se contorcesse primeiro. Eu tinha pouca paciência com sanguessugas egoístas que achavam que seu sangue azul lhes dava direito a terem privilégios especiais, e ela não teria nenhum privilégio comigo agora.
Por causa dela, eu tinha comido mais poeira de estrada e voltado atrás mais quilômetros do que jamais admitiria a meus camaradas. A essa altura, eu já deveria ter ido embora, deveria estar voltando com o trabalho feito, mas, no fim das contas, a culpa disso era só minha. Eu havia subestimado a Princesa.
Em sua fuga, ela provou ser mais calculista do que uma fugitiva em pânico, levando testemunhas a acreditarem que ela se dirigia para o norte, em vez de o sul. Além disso, a Princesa continuava a deixar pista enganosas. Porém, fazendeiros que tendem à embriaguez também tendem a ter a língua solta e uma quedinha por se vangloriar de suas boas trocas. Agora eu estava seguindo a minha última pista, alguém que vira duas pessoas passando e descendo pela rua principal de Terravin com três asnos, embora não se soubesse o sexo dos viajantes, sendo descritos apenas como mendigos imundos. Para o próprio bem dela, eu esperava que nossa esperta princesa não tivesse feito mais nenhuma troca.
— Ei, você! — chamei um menino de cabelos cacheados que conduzia um cavalo até um celeiro. — A cerveja daqui é decente?
O menino parou, como se tivesse que pensar a respeito, tirando os cabelos da frente dos olhos.
— Ouvi dizer que é. — Ele se virou para ir embora.
— E quanto à comida?
Ele parou de novo, como se cada resposta exigisse que ele pensasse antes de responder, ou talvez simplesmente não estivesse tão ansioso assim para tirar os arreios e escovar seu cavalo.
— O cozido de peixe é o melhor.
— Muito obrigado. — Desci do cavalo. — Queria saber se vocês teriam mulas ou asnos em algum lugar na cidade para alugar. Eu preciso de alguns para carregar suprimentos colinas acima.
Os olhos dele ficaram radiantes.
— Nós temos três. Pertencem a uma das pessoas que trabalham aqui.
— Você acha que ele permitiria que eu os alugasse?
— Ela — corrigiu-me o menino. — E não vejo por que não. Ela só os levou para viagens curtas até a cidade desde que chegou aqui umas poucas semanas atrás. Você pode verificar isso lá dentro. A moça está servindo as mesas.
Sorri. Finalmente.
— Mais uma vez, obrigado. Você foi muito prestativo.
Joguei a ele uma moeda por ter se dado ao trabalho de responder às minhas perguntas e vi suas feições mudarem. Eu fizera um amigo de confiança.
Nenhuma suspeita seria lançada na minha direção.
O menino seguiu seu caminho, e fui andando com meu cavalo até o lado mais afastado da estalagem, onde ficavam os postes para que os fregueses da taverna prendessem suas montarias. Durante todos os quilômetros poeirentos que cobri, tive muito tempo para imaginar coisas sobre a menina que eu enfim estava prestes a encontrar. Será que ela teria tanto medo assim de casamento a ponto de fugir e adentrar o desconhecido parecer uma perspectiva melhor? Como será que ela era? Eu não sabia nada além da sua idade e os rumores de que ela tinha longos cabelos escuros, mas imaginava que não seria difícil identificar alguém da realeza.
Ela tem apenas dezessete anos. Apenas alguns anos mais nova do que eu, mas com a diferença de uma vida inteira nas vidas que levamos. Ainda assim, alguém da realeza servindo mesas? Essa menina era cheia de surpresas. Era um infortúnio para a moça que, por causa de seu nascimento, ela representasse uma ameaça para Venda. No entanto, na maior parte do tempo eu me perguntava... Se ela realmente tinha o dom, será que estava vendo que eu estava a caminho?
Atei meu cavalo ao último poste com um nó desajeitado, deixando-o bem longe dos outros cavalos, e avistei um camarada ativando uma bomba hidráulica e enfiando a cabeça debaixo do fluxo de água. Não era uma má ideia fazer o mesmo antes de me aventurar lá dentro, e se eu pudesse comprar uma bebida para ele, melhor ainda. Viajantes solitários sempre chamavam atenção demais.

8 comentários:

  1. Acho que me apaixonei😂😂😂

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    1. Potterhead-selecionada15 de fevereiro de 2018 02:00

      Rápido assim?😱

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    2. Ahhhhh eu gostei dos dois por enquanto. Mas provavelmente um dos dois devem fazer besteira. Aí a gente vai querer bater em um deles KKKKK'

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  2. Será q ele vai se apaixonar pela princesa? 😍

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    1. Pse. Acho que, como ela tá "disfarçada" ele não vai perceber tanto e aí... PA!!

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  3. ihhhhhhh já vi que vou ficar indecisa

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Boa leitura, E SEM SPOILER!