20 de fevereiro de 2018

Capítulo 63

Pés pisoteavam a passagem de pedra apenas uma hora depois disso. Pensei que teríamos mais tempo. As passadas soavam altas e apressadas. Raivosas. Nós nos levantamos, apoiadas na parede oposta, esperando que a porta se abrisse, com terra nas mãos, preparadas para lançá-la nos os olhos dos guardas.
— Quando a porta abrir, não deem aos olhos deles uma oportunidade de se ajustarem à luz — falei. — Nós só temos uma chance com isso. Mirem visando o máximo de efeito possível.
Pauline sussurrou preces enquanto Gwyneth soltava xingamentos baixinhos. Elas haviam rasgado várias faixas de tecido do vestido de Gwyneth e fizeram com elas uma corda forte e fina, dando nós nas extremidades para que cada uma delas tivesse uma boa pegada. Os guardas não seriam os únicos com garrotes. Não havia muita coisa que a minha mão esquerda pudesse fazer, mas eu ainda podia causar bastante dano a uma traqueia com os nós dos dedos da mão direita. Eu havia dito a Gwyneth e Pauline quais eram os pontos fracos que tinha notado nos guardas. Além dos olhos deles, suas virilhas, seus narizes e seus joelhos eram todos pontos vulneráveis... assim como suas gargantas. Eles portavam apenas armas, não usavam qualquer armadura. Em algum ponto em nossa briga planejada, eu esperava conseguir a arma de pelo menos um dos guardas incapacitados.
As passadas pararam do lado de fora da porta. Chaves foram agitadas ruidosamente. A tranca emitia ruídos. Xingamentos abafados. Mais ruídos. Andem logo. Minha pegada ficou mais apertada na terra que eu tinha na mão. Andem logo! Alguma coisa não parecia certa.
Um raivoso clangor metálico de chaves.
Droga! Fiquem para trás!
Um estrondo chacoalhou a porta. E mais um. O som da madeira se rachando fazia as paredes tremerem.
Um buraco foi aberto na porta, e então surgiu um raio de luz, e a ponta prateada de um machado. A ponta do machado desapareceu por um momento, e se seguiu mais um alto som de rachadura quando a lâmina quebrou mais uma parte da porta, que foi aberta, e eu estava preparada para me lançar para cima deles, mas então...
Olhos brilhantes e um largo sorriso.
Mechas de cabelos pretos.
Uma visão pela qual eu não esperava.
— Esperem! — gritei, colocando a mão para fora a fim de fazer com que as outras parassem.
Kaden estava do outro lado da porta partida, agarrando o machado. O suor brilhava no seu rosto, e o peito dele subia e descia com a exaustão. Jeb e Tavish deram passos atrás dele, e eu disse a Gwyneth e Pauline que elas podiam confiar naqueles homens. Jeb estendeu a mão.
— Graças aos deuses encontramos vocês. Por aqui — disse ele. — Não temos muito tempo.
Deixei cair a terra que estava na minha mão, pensando no quão perto eu chegara de esmagar a traqueia dele. Jeb Sorriu.
— Você lembrou.
— Duvidava de mim?
— Nunca duvidei.
Pauline foi correndo em direção a Kaden, batendo com força as mãos nos ombros dele.
— O bebê!
— Ele está bem — respondeu-lhe Kaden. — Berdi está com o menino e mandou chamar uma ama de leite. Eu disse para ela ir até a abadia se esconder.
— Andem logo. Por aqui — ordenou-nos Tavish, que se virou e nos conduziu por um passadiço abaixo.
Eu reconhecia onde estávamos agora: no depósito de armas da cidadela, um de seus anexos. O arsenal era pequeno em comparação com o Acampamento de Piers, que tinha o propósito somente de armar os guardas da cidadela. Eles deviam estar nos mantendo em uma de suas salas de armazenamento, mas isso só confirmava as minhas suspeitas. Embora os guardas da cidadela pudessem ser cúmplices nos esquemas dos traidores, isso não queria dizer que os soldados nos escalões o fossem. Ouvi uma bateria de gritos à frente. Jeb, que vinha atrás de nós, na retaguarda, notou os meus passos, cujo ritmo diminuía.
— Não se preocupe, eles são dos nossos.
Nossos? Tentei esconder o que isso queria dizer enquanto eu corria.
Passamos por uma porta que dava para dentro da sala de provisões principal, e no centro dela havia cinco homens, parcialmente vestidos, em diversas etapas de trocar seus uniformes. Mais uma meia dúzia deles estava no chão, com as faces voltadas para baixo e mãos presas atrás deles, além de pontas de espadas junto aos seus pescoços apontadas por vários homens vestindo mantos simples. Sven rasgou faixas de camisa e chamou Jeb e Tavish para ajudá-lo a fazer mordaças para os homens que estavam algemados.
— Está tudo bem com você? — perguntou-me Kaden, dando uma olhada em mim e esticando a mão para pegar na minha.
— Estou bem — falei, recuando. — O Capitão da Vigília está dentro do esquema, e pelo alguns dos guardas da cidadela são vendanos. Eles falam um morrighês impecável. Parece que os eruditos estavam ocupados ensinando idiomas para eles.
A fúria lampejou nos olhos de Kaden. Havia tanto que o Komizar nunca lhe dissera, mas esse era o jeito do Komizar, tratando pessoas como se fossem marionetes e nunca partilhando informações demais com um único indivíduo que fosse. O poder tinha que permanecer sendo todo dele. Kaden apanhou uma faixa de tecido.
— Vamos melhorar isso aqui — disse ele, erguendo a minha mão com a bandagem ensanguentada.
Ele me viu ficar pálida de dor.
— Quão ruim a sua mão está?
— Eu vou sobreviver — falei — mas não Malich. Ele está morto. O Komizar e seu ninho serpentiforme de vermes de caverna desenvolveram outra arma interessante: um arco e flecha que dispara múltiplas flechas de ferro de uma só vez. Por sorte apenas uma delas me atingiu.
Ele enrolou com gentileza a faixa de tecido em volta da minha mão.
— Prenda a respiração — disse ele, antes de puxar o tecido para que ficasse bem apertado. — Um pouco de pressão vai ajudar a estancar o sangramento.
A dor passava por mim aos solavancos e depois subia pulsando pelo meu braço.
— Vou pegar um manto para você — disse ele. — Não pode sair daqui assim, ou vai chamar atenção. E então tem mais coisas que preciso lhe dizer.
Ele foi até uma pilha confusa em cima de uma mesa, as roupas descartadas de homens quase vestidos, presumi, e procurou alguma coisa entre elas.
O padre Maguire surgiu atrás de mim, alarmando-me com suas vestimentas. Havia uma espada embainhada na lateral do seu corpo, quase escondida pelas suas vestes.
— Você sabe usar uma dessas? — perguntei.
— Estou prestes a aprender — ele respondeu, e então me falou que finalmente encontrara nos arquivos as informações que eu pedira. — Não havia nenhum parente.
Assenti. Isso era apenas mais confirmação, mais um pedaço do quadro borrado que tinha ganhado foco na escuridão da cela.
Gwyneth e Pauline já haviam entrado no meio da sala, absorvendo a comoção de atividades e tornando-se parte delas, um plano sendo desenvolvido e que eu estava começando a entender. No canto mais afastado, avistei Orrin puxando alabardas de uma prateleira, e depois Natiya carregando um punhado de bainhas de ombros nos braços, todas elas talhadas com a insígnia morrighesa. Ela as entregou aos soldados parcialmente vestidos e cruzou a sala, indo até Gwyneth e Pauline, em meio a conversas ruidosas e explicações que apenas ouvi em parte, pois, no canto oposto, outra coisa chamou a minha atenção.
Um guerreiro. Alguém girando no ar uma maça para quebrar a tranca em mais um armário de armas. A tranca foi voando para cima de uma parede, e o armário se abriu com um estrondo, mas, então, ele parou, parecendo sentir a minha presença. Ele se virou, com os olhos encontrando os meus, e então a sua atenção se voltou para a minha mão coberta por bandagens. Olhando para baixo, vi que minha calça e minha camisa estavam cobertas de sangue. Ele cruzou a sala, com passos medidos. Calculados. Apesar de todo o fervor dele ao quebrar a tranca, havia restrição nos seus movimentos enquanto ele se aproximava de mim.
A rigidez dos seus passos largos.
O puxar dos seus ombros.
Contendo-se.
Era isso que eu via nos seus movimentos, mas não foi isso o que vi no seu olhar contemplativo quando parou na minha frente. Nos olhos dele, eu o vi puxando-me para os seus braços, seus lábios baixando-se de encontro aos meus, um beijo que nunca teria fim, abraçando-me até que reinos desaparecessem e até que o mundo permanecesse parado, sendo tudo que nós sempre fomos um para o outro. Antes.
Esperei. Na expectativa. No desejo.
Algumas coisas duram. As coisas que importam.
E, ainda assim, ele se continha. Distante. Um rei. Um soldado calculando o próximo movimento.
— Não há tempo para explicações — disse ele.
— Eu não preciso de uma explicação. Você está aqui. Isso é tudo o que importa.
Ele olhou de relance para a minha mão.
— Nós podemos esperar e nos reagrupar ou seguir em frente agora. A decisão é sua.
Analisei os soldados dele na sala.
— Quantos soldados você tem?
— Uma centena. Mas eles são...
— Eu sei. São os melhores.
Havia apenas umas poucas horas antes que a sessão do conclave terminasse e os lordes se dispersassem de volta para os seus lares. Agora seria minha última chance de falar com todos eles. Minutos contavam.
— Meus irmãos estão seguindo em direção a uma emboscada. Meu pai está morrendo. E o Komizar está a caminho. Não há mais tempo a esperar.
— O Komizar? A ponte está consertada?
Assenti.
Ele ergueu o meu queixo, virando o meu rosto em direção à janela.
— Você está pálida. Quanto desse sangue é seu?
A maior parte, mas ouvi uma pungência perigosa na voz dele e decidi não falar a verdade.
— A maior parte é de Malich. Ele se saiu pior nessa. Morreu.
— Então você consegue carregar uma arma?
— Sim — falei, embainhando uma espada que Kaden tinha entregado a mim, sentindo como se os meus movimentos já tivessem se tornado os movimentos deles.
Os outros terminaram suas preparações e estavam reunidos atrás de Rafe, também esperando pela minha resposta. Seis dos homens de Rafe, incluindo Jeb, agora estavam vestidos e equipados como guardas da cidadela. O restante deles trajava os robes simples de tecido áspero que fazendeiros e mercadores locais usavam, todos de tons e estilos diferentes, de modo a não chamar atenção. Tavish e Orrin vestiam roupas parecidas, assim como Sven. Pauline e Gwyneth usavam cinturões com armas e haviam colocado mantos também.
Era isso, pensei, e o terror subiu pela minha garganta.
— Ela fica — falei, apontando para Natiya, que foi voando para frente, enfurecida.
Kaden agarrou-a por trás, prendendo-a ao seu peito.
— Dê ouvidos a ela, Natiya — disse ele. — Escute. Não faça com que Lia fique olhando para trás, preocupada com você. Ela vai fazer isso. Todos nós temos nossas fraquezas, e você será a dela. Por favor. Seu dia ainda vai chegar.
Os olhos dela ficaram cheios de lágrimas, e ela travou o olhar contemplativo no meu.
— Meu dia é hoje. — A voz dela tremia de raiva. Ela pouco entendia como funcionava a corte e não sabia quem havia traído quem. A menina sabia apenas que queria justiça, mas hoje eu não poderia devolver o que ela perdera.
— Não — falei — não hoje. Vejo muitos amanhãs para você, Natiya, dias em que precisarei de você ao meu lado, mas hoje não é um desses dias. Por favor, volte para a abadia e espere lá com Berdi.
O lábio dela tremia. Natiya tinha treze anos e estava pronta para lutar contra o mundo, mas viu que eu não mudaria de ideia e, com raiva, virou-se e se afastou de mim, saindo em direção à abadia.
Voltei a olhar para Rafe, que assentiu.
— Vamos pegar alguns traidores.

* * *

Demos a volta atrás do anexo, caminhando em direção ao vilarejo, com Rafe e Kaden ao meu lado. Uma carroça seguia, pesada, junto conosco, e um carrinho de mão era empurrado um pouco mais à frente, e ainda mais deles seguiam atrás, com sacos de lona jogados sobre os ombros, com suas supostas mercadorias transbordando pelo topo. Nossas botas faziam uma batida irregular nas pedras de cantaria do chão; as rodas da carroça rangiam e sofriam solavancos; nossos mantos ondulavam ao vento, e todos os ruídos soavam como um arauto anunciando a nossa aproximação. Ainda assim, de alguma forma, nós nos mesclávamos com os cidadãos que estavam nos arredores cuidando dos seus afazeres.
Enquanto caminhávamos, mais homens se juntavam a nós, esperando e em prontidão, parecendo comerciantes que se dirigiam para o mercado, e eu me perguntava como Rafe conseguira reunir tamanho esquadrão, não apenas de soldados, mas de soldados que eram bons atores, percebendo as menores pistas. Rafe dissera que eles chegavam a um número de cem homens. Pensei no que nós seis tínhamos sido capazes de fazer em Venda. Lá, no entanto, nós estávamos tentando fugir do inimigo, e não tentando entrar no covil sombrio deles. Por quanto tempo uma centena de soldados poderia conter o exército morrighês? Havia pelo menos 2 mil soldados estacionados no Acampamento de Piers, apenas a uma curta distância dali.
Meu coração socava o peito. Isso não era qualquer rebelião da infância. Tratava-se de um golpe — o que, aos olhos da lei morrighesa, é o mais imperdoável dos crimes. Eu havia recebido um extenso sermão quanto a isso quando tinha catorze anos. Naquela época, minha punição fora o banimento para a minha câmara por um mês. Hoje, se falhássemos, a rebelião seria motivo para um enforcamento em massa de proporções épicas. Eu tentava não pensar nas falhas do nosso pequeno exército, apenas no que estava em jogo. Tudo.
A parte frontal da cidadela estava à vista e, pela primeira vez, os passos de Rafe ficaram hesitantes.
— Eu não tenho como prometer que soldados morrigheses não vão morrer.
Assenti. Eu dissera a Rafe e aos homens dele que eu queria que o mínimo de sangue possível fosse derramado. Embora tivesse vendanos entre os guardas da cidadela, alguns deles ainda eram morrigheses e decerto acreditavam que estavam apenas seguindo ordens.
Ele ainda não tinha se movido para frente, com uma careta repuxada entre as sobrancelhas.
— Você não precisa entrar, Lia. Nós podemos ir primeiro, e, assim que o corredor estiver seguro, mandamos chamar você. — Ele e Kaden trocaram um olhar de relance. Um olhar de relance de quem sabia das coisas.
— Se algum de vocês tentar me impedir, vão morrer. Estão entendendo?
— Você está machucada, Lia — falou Kaden.
— Uma das minhas mãos está machucada — respondi. — Minhas forças não são as mesmas que as suas.
Nós chegamos à praça, e então os homens que estavam disfarçados de guardas da cidadela subiram os degraus que davam para a cadeia de guardas estacionados na entrada. Jeb, com seu morrighês perfeitíssimo, disse a eles que seu esquadrão estava ali para liberá-los. O guarda do centro parecia confuso, não reconhecendo Jeb nem os outros, e negou-se a se mover, mas era tarde demais para eles agirem. Os homens de Rafe foram rápidos e seguros de si, e suas espadas curtas cortaram o ar com um único e uníssono xing, espadas estas que foram com a mesma rapidez pressionadas nos peitos dos guardas. Eles nos empurraram para trás, para o escuro recesso do portal, tomando as armas deles enquanto o restante de nós subia os degraus, deixando cair mantos e desenrolando mais armas dos carrinhos e dos sacos.
Derrubar a próxima fileira de guardas não foi algo tão sangrento. Eles nos avistaram da ponta do passadiço. Dois deles foram para perto das portas pesadas do corredor enquanto o restante vinha nos atacar, ombro a ombro, carregando alabardas cujo alcance era bem maior do que o das nossas espadas. Os arqueiros de Rafe foram para frente, gritando uma ordem em forma de aviso para que eles parassem, o que os homens não fizeram, e diversas flechas voaram debaixo dos escudos dos guardas em direção às pernas deles. Quando eles tropeçaram, foram repentinamente atacados, e nós fomos para as portas antes que outros guardas pudessem barrá-las. Quando um deles começou a gritar para avisar os outros, Sven derrubou-o, deixando-o inconsciente.
Os dois últimos guardas, postados do lado de fora das portas fechadas que davam para o Saguão de Aldrid, eram, na melhor das hipóteses, protocolo. O propósito deles era desviar visitantes que não tinham sido convidados, e não se defender de ataques. Seus cabelos eram grisalhos, suas barrigas, protuberantes, e suas armaduras consistiam apenas em um capacete de couro e um peitoral. Eles sacaram suas espadas, incertos.
Dei um passo à frente, e eles me reconheceram.
— Vossa Alteza... — o guarda se conteve de repente, não sabendo ao certo do que como me chamar.
— Coloquem as armas no chão e fujam — ordenei. — Nós não queremos ferir vocês, mas faremos isso, se for preciso. O reino e as vidas dos meus irmãos estão em jogo.
Os olhos deles ficaram arregalados com o medo, mas os dois mantiveram as posições.
— Nós temos nossas ordens.
— Eu também tenho as minhas — respondi. — Mexam-se. Agora. Todos os segundos que vocês demorarem colocam vidas em riscos.
Eles não se mexeram.
Olhei para os arqueiros que estavam à minha direita.
— Atirem neles — ordenei.
Quando os guardas voltaram suas atenções para os arqueiros, Rafe e Kaden entraram pela esquerda, acertando nas espadas dos guardas. Dessa forma, eles a soltaram e foram parar contra a parede.
Antes que as portas fossem abertas, implementamos o último dos nossos planos. Além de mim, somente Pauline conhecia a disposição da cidadela, e enviei-a com instruções precisas sobre o que ela deveria trazer de volta para mim. Jeb e o capitão Azia foram junto com ela.
— O guarda postado na porta deles é vendano — falei. — Talvez você tenha que matá-lo.
Kaden partiu com dois dos soldados vestidos como guardas da cidadela. Sua jornada era incerta, embora eu tivesse dito a ele exatamente o que procurar. Gwyneth foi mandada em outra direção com o restante dos soldados vestidos como guardas. Com todo o gabinete reunido no Salão de Aldrid, eu rezava para que os passadiços fossem estar, em sua maior parte, vazios.
Minha cabeça latejava com o som das passadas que se afastavam, uma vida inteira de vozes sendo despertadas dentro de mim.
Olha essa língua, Arabella!
Calada!
Essa questão está terminada!
Vá para a sua câmara!
Rafe e Tavish olhavam para mim, esperando pelo sinal de que eu estava pronta.
Outras vozes soavam na minha cabeça.
Não demore, senhorita.
Confie na força dentro de você.
Nutra a raiva. Use-a.
Era fácil fazer isso. Saquei minha espada e assenti. As portas foram abertas, e entrei com Rafe de um lado e Tavish do outro, com Orrin e seus melhores arqueiros nos flanqueando e Sven liderando as fileiras de portadores de escudos que estavam diante de nós, além de mais soldados que vinham na retaguarda, soldados estes que estavam dispostos a dar suas vidas por outro reino e uma causa incerta.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!