20 de fevereiro de 2018

Capítulo 61

Ele está perto das minhas crianças,
Seus lábios roçam o meu pescoço,
Sua saliva molha a minha bochecha,
Sua carícia esmaga as minhas respirações,
Mais do que espadas,
Mais do que punhos cerrados,
Minhas palavras o amedrontavam.
Vejo o meu fim,
Mas as palavras que dei a você,
Rezo para que ele não as possa tirar.
— Canção de Venda —



RAFE

Apenas uns poucos de nós cavalgavam pelo bosque. O restante permanecera na cidade, dispersos de modo a não atraírem atenção... mas em prontidão. Conforme nos aproximávamos da cabana, ergui minha mão, em uma ordem sem palavras para que todos parassem. Eles também ouviram aquilo. Um gato, talvez, ou...
Irrompemos em um galope. Conforme nos aproximávamos, avistei Kaden correndo do bosque em direção à cabana. Ele nos viu, mas continuou correndo.
— Pauline! Lia! — gritou enquanto corria.
Nós nos apinhamos e passamos pela porta da cabana apenas para encontrá-la vazia, exceto pelo gemido do bebê. Todos nós olhamos para a cama ao mesmo, e Kaden se curvou para baixo, puxando um pacotinho de debaixo do móvel.
— É de Pauline — disse ele, enquanto aninhava o bebê nos braços. Ele puxou o cobertor para o lado de modo a se certificar de que o bebê não estivesse ferido. — Ela nunca teria deixado o bebê assim. — E então, como se Kaden tivesse se dado conta da nossa presença, perguntou: — O que diabo vocês estão fazendo aqui?
Antes que eu pudesse responder, Berdi e uma jovem menina irromperam porta adentro. Berdi berrou avisos e ameaças antes de finalmente exigir que o bebê fosse entregue a ela. Foi um pandemônio e uma confusão enquanto perguntas eram lançadas até que Orrin entrou apressado e disse que havia trilhas frescas de cavalo do lado de fora que não eram nossas.
— Alguém as pegou — disse Kaden. — Ela escondeu o bebê debaixo da cama, para que não fosse levado também.
A menina que estava com Berdi foi correndo em direção à porta.
— Eu preciso ir à abadia!
Tanto Kaden quando Berdi gritaram para que ela parasse, mas a garota já tinha saído em disparada. Subi no cavalo e corri atrás dela, não sabendo ao certo quais eram seus motivos. Ela sacou uma faca para me afastar. Foi então que ela me falou dos bilhetes.

Um comentário:

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Boa leitura, E SEM SPOILER!