24 de fevereiro de 2018

Capítulo 5

Mais tarde, fiquei feliz que o salão estivesse tão lotado, porque, quando cambaleei e esbarrei no homem, ele estendeu a mão instintivamente. Em um segundo, diversos braços vestindo ternos elegantes me endireitaram, um mar de rostos sorridentes e preocupados. Enquanto eu agradecia, pedindo desculpas, percebi meu erro. Não, não era Will — o cabelo tinha a mesma cor e o mesmo corte, a pele era do mesmo tom de caramelo. Mas eu devo ter engasgado de modo audível, porque o homem que não era Will falou:
— Desculpe, assustei você?
— Eu… não. Não.
Levei a mão à bochecha, meus olhos nos dele.
— Você… você só se parece com alguém que eu conheço. Conhecia.
Senti meu rosto corar, o tipo de mancha que começa no peito e sobe até o couro cabeludo.
— Você está bem?
— Ah, nossa. Ótima. Estou ótima.
Eu me sentia uma idiota. Meu rosto brilhava de idiotice.
— É da Inglaterra.
— Você não é.
— Não sou nem de Nova York. Sou de Boston. Joshua William Ryan Terceiro.
Ele estendeu a mão.
— Você tem o nome dele…
— Como?
Apertei sua mão. De perto, ele era bem diferente de Will. Os olhos eram castanho-escuros, as sobrancelhas eram mais baixas. Mas as semelhanças tinham me deixado completamente perturbada. Afastei o olhar, consciente de que ainda segurava seus dedos.
— Desculpe. Estou um pouco…
— Deixe-me eu pegar uma bebida para você.
— Não posso. Estou aqui com a minha… Minha amiga está logo ali.
Ele olhou para Agnes.
— Então pego uma bebida para as duas. Vai ser… hum… fácil achar vocês.
Ele sorriu e tocou meu cotovelo. Tentei não olhar fixamente para ele enquanto se afastava.
Quando me aproximei de Agnes, o homem que estava falando com ela foi puxado para longe pela esposa. Agnes ergueu a mão como se estivesse prestes a responder a algo que ele dissera, mas se viu falando com um monte de costas de paletós. Ela se virou, o rosto tenso.
— Desculpe. Fiquei presa na multidão.
— Meu vestido está errado, não está? — sussurrou ela para mim. — Cometi um erro terrível.
Agnes tinha percebido. No mar de corpos, seu vestido parecia vivo demais, mais vulgar que avant-garde.
— O que faço agora? É um desastre. Preciso trocar de roupa.
Tentei calcular se era possível ela ir para casa e retornar. Mesmo sem trânsito, demoraria uma hora. E havia sempre o risco de ela não voltar…
— Não! Não é um desastre. Nem um pouco. É só que…
Fiz uma pausa.
— Sabe, com um vestido desses, você precisa ter confiança.
— O quê?
— Tem que assumi-lo. Manter a cabeça erguida. Fingir que não liga a mínima.
Ela me encarou.
— Um amigo me disse isso uma vez. O homem para quem eu costumava trabalhar. Ele me disse para vestir minhas pernas listradas com orgulho.
— Suas o quê?
— Ele… Bem, ele estava me dizendo que ser diferente de todo mundo não é um problema. Agnes, você é cerca de cem vezes mais bonita que qualquer outra mulher aqui. É linda. E o vestido é incrível. Então seja um grande dane-se para os outros. Entende? Eu visto o que quiser.
Ela me olhava com atenção.
— Você acha isso mesmo?
— Acho, sim.
Agnes respirou fundo.
— Tem razão. Vou ser um grande dane-se.
Ela endireitou os ombros.
— De qualquer forma, nenhum homem liga para qual vestido a gente usa, não é mesmo?
— Nenhum.
Ela sorriu, lançando-me um olhar cúmplice.
— Só ligam para o que está por baixo.
— É um vestido e tanto, senhora — disse Joshua, surgindo ao meu lado.
Ele trazia uma taça para cada uma.
— Champanhe. A única bebida amarela era Chartreuse, e fiquei meio enjoado só de olhar.
— Obrigada.
Peguei uma das taças.
Ele estendeu a mão para Agnes.
— Joshua William Ryan Terceiro.
— Você só pode ter inventado esse nome.
Os dois se viraram para mim.
— Ninguém que não seja um personagem de novela pode ter um nome desses — falei, percebendo que minha intenção fora pensar aquilo, não dizê-lo em voz alta.
— Certo. Bem, pode me chamar de Josh — disse ele, sereno.
— Louisa Clark — falei, acrescentando logo em seguida: — Primeira.
Seus olhos se estreitaram um pouco.
— Sra. Leonard Gopnik. Segunda — disse Agnes. — Mas você já deve saber disso.
— Sei, sim. Só se fala em você por aqui.
Essas palavras poderiam ter tido um impacto negativo, mas ele as disse com delicadeza. Vi os ombros de Agnes relaxarem um pouco. Josh nos contou que estava lá com a tia porque o marido dela viajara e ela não quis ir ao evento sozinha. Ele trabalhava para uma empresa de valores mobiliários, falando com gerentes financeiros e fundos de cobertura sobre a melhor maneira de administrar riscos. Contou que era especializado em investimentos e empréstimos corporativos.
— Não faço ideia do que nada disso significa — comentei.
— Na maior parte dos dias, eu também não.
Ele estava só sendo charmoso, é claro. Mas de repente o salão me pareceu um pouco menos frio. Josh era de Back Bay, em Boston, tinha acabado de se mudar para o que descreveu como uma toca de coelho no SoHo e engordara dois quilos desde que chegara porque os restaurantes de Manhattan eram bons demais.
Falou muitas outras coisas, mas eu não saberia dizer o quê, porque não conseguia parar de olhar para ele.
— E quanto a você, Srta. Louisa Clark Primeira? O que faz?
— Eu…
— Louisa é uma amiga minha. Está aqui de visita, da Inglaterra.
— E o que está achando de Nova York?
— Estou adorando — falei. — Acho que minha cabeça não para de girar desde que cheguei.
— E o Baile Amarelo é um de seus primeiros compromissos sociais. Bem, Sra. Leonard Gopnik Segunda, você não pensa pequeno mesmo.
A noite começou a passar voando, facilitada por uma segunda taça de champanhe. Durante o jantar, sentei-me entre Agnes e um homem que não se apresentou e só falou comigo uma vez, perguntando a meus seios quem eles conheciam, depois virando as costas quando ficou claro que a resposta era quase ninguém. Fiquei de olho no que Agnes bebia, seguindo as ordens do Sr. Gopnik, e, quando o vi olhando para mim, troquei a taça cheia dela pela minha, quase vazia, sentindo alívio quando o sorriso discreto dele mostrou aprovação.
Agnes estava falando alto demais com o homem à sua direita, a risada um pouco aguda demais, os gestos irregulares e nervosos. Observei as outras mulheres à mesa, todas com mais de quarenta anos, e vi a forma como olhavam para ela, seus olhares deslizando pesadamente entre si, como que para confirmar alguma opinião sombria expressada em particular. Era horrível.
O Sr. Gopnik não conseguia alcançar Agnes da posição em que estava, do outro lado da mesa, mas vi que a observava, mesmo enquanto ele sorria e cumprimentava pessoas e parecia, na superfície, o homem mais relaxado do mundo.
— Onde ela está?
Eu me inclinei para ouvir melhor o que Agnes dizia.
— A ex-mulher de Leonard. Onde está? Você precisa descobrir, Louisa. Só vou relaxar quando souber. Posso sentir a presença dela.
Alerta Roxo.
— Vou olhar o mapa de assentos — falei e pedi licença para me levantar.
Fiquei de pé diante do imenso painel na entrada da sala de jantar. Havia cerca de oitocentos nomes impressos lado a lado, e eu não sabia se a primeira Sra. Gopnik, Kathryn, ainda usava o sobrenome do marido. Soltei um palavrão baixinho bem no instante em que Josh surgiu atrás de mim.
— Perdeu alguém?
Baixei a voz.
— Preciso descobrir onde a primeira Sra. Gopnik está sentada. Você por acaso sabe se ela ainda usa o sobrenome do ex-marido? Agnes gostaria de… ter uma ideia de onde ela está.
Ele franziu o cenho.
— Ela está um pouco estressada — acrescentei.
— Sinto muito, não faço ideia. Mas minha tia talvez saiba. Ela conhece todo mundo. Fique aqui.
Ele encostou de leve em meu ombro descoberto e entrou na sala de jantar enquanto eu tentava reorganizar minha expressão, fingindo ser apenas uma garota olhando o mapa para confirmar a presença de meia dúzia de amigos, e não alguém cuja pele acabava de adquirir um tom inesperado de cor-de-rosa.
Ele voltou em um minuto.
— Ela ainda usa o sobrenome Gopnik — disse. — Tia Nancy comentou que acha que a viu perto da mesa de leilão.
Ele correu um dedo bem-cuidado pela lista de nomes.
— Aqui. Mesa 144. Passei por lá para olhar e tem uma mulher que se encaixa na descrição. Cinquenta e poucos anos, cabelo escuro, lançando dardos envenenados de dentro de uma bolsinha Chanel? Parece que escolheram para ela o lugar mais distante possível de Agnes.
— Ai, graças a Deus — falei. — Agnes vai ficar muito aliviada.
— Essas matronas nova-iorquinas podem ser bem assustadoras — disse ele. — Não culpo Agnes por querer se proteger. A alta sociedade inglesa é tão cruel assim?
— Alta sociedade inglesa? Ah, eu não… não sou muito de eventos sociais — respondi.
— Também não. Para falar a verdade, na maioria dos dias fico tão cansado depois do trabalho que só consigo pedir comida de algum restaurante. No que você trabalha mesmo, Louisa?
— Hum…
Olhei abruptamente para meu celular.
— Minha nossa! Preciso voltar para perto de Agnes.
— Vejo você antes de ir? Em que mesa está sentada?
— Trinta e dois — respondi antes de pensar em todos os motivos pelos quais não deveria ter feito isso.
— Então vejo você mais tarde.
Fiquei momentaneamente hipnotizada pelo sorriso de Josh.
— Aliás, eu queria dizer que você está linda.
Ele se inclinou para a frente e baixou a voz, fazendo-a ecoar de leve perto do meu ouvido.
— Na verdade, prefiro seu vestido ao da sua amiga. Já tirou uma foto?
— Uma foto?
— Aqui.
Ele ergueu a mão e, antes que eu tivesse a chance de entender o que estava fazendo, tirou uma foto de nós dois, nossas cabeças a centímetros de distância.
— Pronto. É só me dar seu telefone que eu envio para você.
— Você quer me mandar uma foto de nós dois juntos.
— Está percebendo minhas segundas intenções? — indagou ele, sorrindo. — Está bem, então. Guardo a foto para mim. Uma lembrança da garota mais bonita do baile. A menos que você queira deletar. Aí está. Pode deletar.
Ele estendeu o celular em minha direção.
Olhei para o aparelho, meu dedo pairando acima do botão, mas desisti.
— Parece uma grosseria deletar alguém que você acaba de conhecer. Mas, hum… obrigada… e por toda a operação secreta de busca das mesas. Foi muito gentil da sua parte.
— Foi um prazer.
Sorrimos um para o outro. Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, voltei correndo para a mesa.

* * *

Dei a boa notícia a Agnes (que soltou um suspiro audível), então me sentei e comi um pouco do meu peixe já frio enquanto esperava que minha cabeça parasse de girar. Ele não é o Will, disse a mim mesma. A voz era diferente. As sobrancelhas eram diferentes. Ele era americano. Ainda assim, havia algo em seu jeito — a segurança combinada à inteligência sagaz, o ar de quem poderia lidar com qualquer coisa que o destino reservasse, uma forma de olhar para mim que me deixava oca. Olhei para trás, lembrando que não tinha perguntado a Josh em que mesa ele estava.
— Louisa?
Virei-me para meu lado direito. Agnes me lançava um olhar penetrante.
— Preciso ir ao banheiro.
Demorei um minuto para entender que aquilo queria dizer que eu também devia ir.
Caminhamos lentamente em meio às mesas, eu tentando não varrer o salão com o olhar em busca de Josh. Todos se voltavam para Agnes enquanto ela passava, não apenas devido à cor viva de seu vestido, mas porque ela possuía um magnetismo, uma maneira inconsciente de chamar atenção. Caminhava com o queixo erguido, os ombros para trás, uma rainha.
E no instante em que entramos no banheiro, ela se deitou na espreguiçadeira que havia no canto e fez um gesto para que eu lhe desse um cigarro.
— Meu Deus. Esta noite. Acho que vou morrer se não formos embora logo.
A funcionária que cuidava do banheiro, uma mulher de sessenta e poucos anos, ergueu uma sobrancelha ao avistar o cigarro, então desviou o olhar.
— Hum… Agnes, acho que não é permitido fumar aqui dentro.
Ela ia fumar mesmo assim. Talvez as pessoas ricas não ligassem para as regras dos outros. O que iriam fazer com ela, afinal? Expulsá-la?
Ela acendeu o cigarro, deu um trago e suspirou, aliviada.
— Ai. Este vestido é tão desconfortável… E a calcinha fio dental está me rasgando feito uma lâmina, sabe?
Ela se contorceu diante do espelho, levantando o vestido e mexendo lá dentro com sua mão de unhas feitas.
— Eu não deveria ter colocado calcinha.
— Mas você está bem? — perguntei.
Ela sorriu para mim.
— Estou. Algumas pessoas foram muito gentis esta noite. Aquele Josh é muito gentil, e o Sr. Peterson, que está sentado ao meu lado, é muito simpático. Não está sendo tão ruim. Talvez algumas pessoas tenham finalmente aceitado que Leonard tem uma nova esposa.
— Só precisam de tempo.
— Segure isso. Preciso fazer pipi.
Ela me entregou o cigarro pela metade e entrou correndo em uma cabine. Ergui-o entre dois dedos como se fosse uma vela. Eu e a camareira nos entreolhamos e ela deu de ombros, como quem diz Fazer o quê?.
— Ai, meu Deus — exclamou Agnes de dentro da cabine. — Vou precisar tirar o vestido todo. É impossível levantá-lo. Você vai ter que me ajudar com o zíper depois.
— Está bem — respondi.
A camareira ergueu as sobrancelhas. Tentamos não rir.
Duas mulheres de meia-idade entraram no banheiro. Olharam para meu cigarro com reprovação.
— A questão, Jane, é que é como se uma loucura se apossasse deles — disse uma delas, parando diante do espelho para observar o próprio cabelo.
Eu não entendi por que ela precisava fazer isso: estava tão cheio de laquê que acho que nem um furacão seria capaz de movê-lo.
— Eu sei. Já vimos isso um milhão de vezes.
— Mas pelo menos eles costumam ter a decência de lidar com a coisa com alguma discrição. Essa é a grande decepção de Kathryn. A falta de discrição.
— É. Seria muito mais fácil para ela se pelo menos fosse alguém com alguma classe.
— Exato. Foi um comportamento clichê.
Nesse instante, as duas mulheres se viraram para mim.
— Louisa? — chamou uma voz abafada dentro da cabine. — Pode entrar aqui?
Eu sabia de quem as duas estavam falando. Soube só de olhar para a cara delas.
Houve um breve momento de silêncio.
— Você sabe que é proibido fumar aqui, não sabe? — falou uma das mulheres severamente.
— Sério? Sinto muito.
Apaguei o cigarro na pia e joguei água na ponta.
— Pode me ajudar, Louisa? Meu zíper está emperrado.
Elas sabiam. Ligaram os pontos e chegaram à conclusão. Vi suas expressões se enrijecerem. Passei por elas e bati duas vezes na porta da cabine, então Agnes me deixou entrar.
Ela estava de pé, de sutiã, o vestido tubular amarelo parado ao redor da cintura.
— O que… — começou ela.
Levei um dedo aos lábios e apontei para fora. Ela olhou na direção de meu dedo como se pudesse ver através da porta e fez uma careta. Virei-a de costas para mim. O zíper, tendo percorrido dois terços do caminho, estava preso na altura da cintura. Tentei duas, três vezes, então peguei meu celular na bolsa e acendi a lanterna, tentando ver o que estava detendo o fecho.
— Pode consertar isso? — sussurrou ela.
— Estou tentando.
— Tem que conseguir. Não posso aparecer assim na frente daquelas mulheres.
Agnes estava a centímetros de mim com seu sutiã minúsculo, sua pele branca exalando ondas de algum perfume caro. Tentei me mover ao redor dela, estreitando os olhos para o zíper, mas não consegui fazer nada. Ela precisava de espaço para tirar o vestido todo para que eu pudesse mexer no fecho, senão seria impossível. Olhei para Agnes e dei de ombros. Ela pareceu angustiada por um momento.
— Acho que não consigo fazer isso aqui dentro. Não tem espaço. E não estou enxergando.
— Não posso sair assim. Vão dizer que sou uma piranha.
Ela levou as mãos ao rosto, desesperada.
O silêncio opressivo lá fora me informou que as mulheres aguardavam nosso próximo passo. Ninguém estava nem sequer fingindo usar o banheiro.
Estávamos presas. Dei um passo para trás e balancei a cabeça, pensando. Então tive uma ideia.
— Um grande dane-se — sussurrei.
Os olhos de Agnes se arregalaram.
Olhei-a com firmeza e acenei com a cabeça discretamente. Ela franziu o cenho, então sua expressão se neutralizou.
Abri a porta da cabine e cheguei para trás. Agnes respirou fundo, endireitou a coluna e então saiu, passando pelas duas mulheres como uma supermodelo no camarim, a parte de cima do vestido em torno da cintura, o sutiã como dois triângulos delicados que mal tapavam os seios pálidos. Ela parou no meio do banheiro e se inclinou para a frente, de forma que eu pudesse tirar seu vestido com cuidado pela cabeça. Então se endireitou, agora nua a não ser pela calcinha e pelo sutiã minúsculos, um verdadeiro exemplo de aparente despreocupação.
Não ousei olhar para o rosto das mulheres, mas enquanto apoiava o vestido amarelo em meu braço ouvi uma inspiração dramática e senti as reverberações no ar.
Bem, eu… — começou uma delas.
— Gostaria de um kit de costura, madame?
A camareira surgiu ao meu lado. Abriu o pequeno pacote enquanto Agnes esperava sentada, lânguida, na espreguiçadeira, as longas pernas pálidas estendidas para o lado de modo recatado.
Outras duas mulheres entraram e pararam de falar de imediato ao avistarem Agnes seminua. Uma delas tossiu e ambas desviaram os olhos em um movimento estudado, encontrando uma nova banalidade sobre a qual conversar. Agnes ficou parada na cadeira, a aparência alegremente inalterada.
A camareira me deu um alfinete e, com a ponta, consegui soltar o pequeno fiapo embolado, puxando-o delicadamente até que o zíper deslizasse de novo.
— Consegui!
Agnes se levantou, segurou a mão estendida da camareira e entrou com delicadeza no vestido amarelo, que nós duas erguemos em torno dela. Quando ele se encaixou perfeitamente, puxei o zíper de modo suave até que ela estivesse coberta, cada centímetro do vestido aderindo a sua pele. Ela o alisou ao redor das pernas infinitas.
A camareira pegou uma lata de laquê.
— Aqui — sussurrou. — Permita-me.
Inclinou-se para a frente e borrifou o spray no fecho do vestido.
— Isso vai ajudar a não abrir.
Sorri, radiante, para ela.
— Obrigada. É gentileza sua — disse Agnes.
Ela pegou uma nota de cinquenta dólares na bolsa e a entregou para a mulher. Então voltou-se para mim com um sorriso.
— Louisa, querida, vamos voltar para nossa mesa?
E, com um aceno de cabeça imperioso para as duas mulheres, ergueu o queixo e caminhou lentamente rumo à porta.
Fez-se silêncio. Então a camareira se voltou para mim e guardou o dinheiro no bolso com um grande sorriso.
Isso, sim — disse ela, a voz subitamente audível — é classe.

4 comentários:

  1. Esse livro está maravilhoso!

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  2. 👏👏👏 Parabéns a atitude de Louisa e a postura de Agnes.

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  3. Preciso de um filme desse livro ahhaha

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Boa leitura, E SEM SPOILER!