20 de fevereiro de 2018

Capítulo 58

KADEN

— Olá, Andrés.
Eu havia prometido a Lia que não confrontaria o meu pai. Mas nada tinha dito em relação ao meu irmão. Eu ouvira Pauline se perguntar em voz alta para Gwyneth se poderia ter sido Andrés quem a havia seguido até a estalagem e alertado o Chanceler sobre onde elas estavam ficando. Pauline não revelara a sua identidade a Andrés, mas ela se lembrava de ele lhe havia feito muitas perguntas. Uma vez que ela ficara sabendo do que o Vice-Regente fizera a mim, isso a levou a imaginar se as perguntas dele não eram assim tão inocentes. Afinal de contas, ele era filho do Chanceler.
Surpreendi Andrés no portão do cemitério logo depois que ele entrou ali, rapidamente enganchando um braço por cima do ombro dele, como se fôssemos velhos amigos, com a outra mão segurando discretamente uma adaga pressionada na lateral do corpo dele.
— Vamos dar uma volta, certo? — ele captou a mensagem de imediato e andava no mesmo ritmo que eu.
Eu o conduzi até a cripta de Morrighan no centro do cemitério, um lugar cheio de teias de aranha, espíritos, luz fraca e paredes espessas. Uma vez que havíamos descido as escadas, eu o empurrei para longe. Ele tropeçou para frente e se virou.
Ele colocou a cabeça em um ângulo para o lado enquanto finalmente dava uma olhada em mim. O entendimento veio rápido. Eu provavelmente era parecido demais com o nosso pai. Andrés puxara à mãe dele, sua coloração cinzenta, um rosto redondo de querubim, mais adequado para pedir esmolas nas esquinas das ruas... mas não era um filho bastardo.
— Kaden? — vi os dedos dele contorcendo-se, como se fosse pegar sua arma. — Eu achei que você estivesse morto.
— Esse era o objetivo. Mas não aconteceu assim.
— Sei que você tem motivos para sentir raiva pelo que ele fez a você, Kaden, mas já se passaram anos. Nosso pai mudou.
— Com certeza.
Ele olhou de relance para a minha adaga, ainda segura com firmeza na lateral do meu corpo.
— O que você quer? — ele me perguntou.
— Respostas. E talvez um pouco de sangue para pagar por tudo que eu perdi.
— Como foi que soube onde me encontrar?
— Marisol me contou — foi a minha resposta.
Ele franziu o rosto.
— Pauline, você quer dizer.
— Imaginei que já soubesse.
— A barriga me confundiu, mas a voz dela... eu tinha encontrado Pauline uma vez. Ela não se lembrava de mim. Acho que não causei uma grande impressão, mas ela me impressionou. Ela está...
— Ela não vai voltar — falei com firmeza, de modo que ele soubesse que quaisquer olhos que ele tivesse colocado em Pauline seriam uma coisa do passado. — Diga-me, Andrés, como foi que você foi o único a não cavalgar com o pelotão do príncipe Walther da única vez em que eles encontraram uma brigada vendana?
Ele estreitou os olhos.
— Não cavalguei com eles porque estava doente.
— Eu não me lembro de você sendo do tipo que vivia doente. Isso acontece com frequência ou foi só uma coincidência o fato de que, ficando em casa, seu pescoço foi salvo?
— O que você está querendo dizer com isso, meu irmão? — disse ele, com desprezo.
— Eu realmente preciso deixar claro?
— Fiquei doente por uma semana, quase delirando. O Médico da Corte pode confirmar isso. Quando voltei a mim, o pai disse que eu tinha ficado doente com uma febre.
— Você estava com ele quando ficou doente?
— Sim. Eu tinha jantado com ele e com uns poucos membros do gabinete nos apartamentos dele na noite anterior ao dia em que eu deveria sair em cavalgada, mas, quando estava de saída, fiquei zonzo e caí. Os criados do nosso pai me ajudaram a ir para a cama. Eu não me lembro de muita coisa depois disso. Que diferença faz? Ninguém sabia com o que Walther e os outros iriam se deparar!
— É claro que alguém sabia. E esse alguém não queria que o seu único filho fosse a um massacre que ele havia planejado. Estou achando que o filho ficou feliz em desempenhar o seu papel.
Ele sacou a espada.
— Você está falando em traição.
Os olhos dele estavam arregalados e ensandecidos, a voz, desesperada, e passou pela minha cabeça que ele poderia, de fato, estar falando a verdade. Pauline me dissera que ele sentia o pesar pela morte do pelotão. Se o pesar dele não fosse real, por que outro motivo ele viria aqui para sofrer com o luto todos os dias? Eu o analisei, pensando na possibilidade de algum outro tipo de motivação, mas eu só via aflição nos olhos dele, e não engodo.
— Coloque isso de lado, Andrés. Eu preferiria não matar você.
Ele abaixou a espada.
— Quem é você? — ele me perguntou, como se sentisse que eu não era mais apenas o seu irmãozinho descartado.
— Ninguém que você queira conhecer — falei. — Quem mais estava lá na noite em que você ficou doente?
Ele pensou por um instante e depois me disse que, além do seu pai, ele também havia jantado com o Chanceler, o Capitão da Vigília e o Médico da Corte.

4 comentários:

  1. Descobriram todos HHAHHAHAHAHAHAH
    T
    R
    E
    T
    A

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  2. Tô confundida por completo o pai dele é o vice ou o chanceler alguém me explica num cap e 1 no próximo é outro

    Mirtiz

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  3. O pai dele sempre foi o vice-regente.
    Nao tinha ficado claro.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!