2 de fevereiro de 2018

Capítulo 51

RAFE

Eu tinha doze anos quando Sven começou a me ensinar a rastrear.
Reclamei com amargura, preferindo passar meu tempo treinando com uma espada ou aprendendo manobras sobre o lombo de um cavalo. Eu não gostava do trabalho silencioso e cauteloso de um rastreador. Era um soldado. Ou me tornaria um.
Ele havia me empurrado, feito com que eu caísse estirado no chão. Nem sempre o inimigo vem marchando em grandes exércitosmenino, disse-me com desdém. Às vezeso inimigo é apenas uma pessoa capaz de derrubar um reino. Ele cravou um olhar feio em mim, com o nariz empinado, me desafiando a me levantar. Devo dizer a seu pai que você quer ser aquela pessoa que vai fracassar com o Reino porque quer ficar girando uma longa vara de metal? Fiz uma careta, mas balancei a cabeça em negativa. Eu não queria ser essa pessoa. Tinha sido colocado de lado cedo, tinha sido entregue a Sven para que ele fizesse de mim um homem. E Sven havia cuidado de seu trabalho com zelo. Estendeu uma das mãos para que eu me levantasse, e dei ouvidos a ele.
Sven conhecia os modos da natureza selvagem, os modos do vento, do solo, das rochas e do gramado, e sabia ler as trilhas que o inimigo deixava para trás. As pistas estavam em mais do que simplesmente os restos deixado por fogueiras ou excrementos. Em mais do que sangue derramado no chão. Em mais do que pegadas ou rastros de cavalos — na verdade, você teria sorte caso se deparasse com algo assim. Havia também ervas pisadas. Um galho partido. Um mínimo de pistas em meio à vegetação que tivesse sido roçada por um ombro ou por um cavalo. Até mesmo o chão rochoso deixava sinais. Um cascalho esmagado no solo. Cascalhos amontoados em padrões irregulares. Um sulco na terra causado por uma pedra recém-lançada. Poeira lançada por cascos e pelo vento aonde não era o lugar dela. Mas nesse momento eu ponderava sobre essas instruções que me foram passadas há tempos, a chuva é tanto amiga quanto inimiga, dependendo em cima de quem ela cai.
Tão em cima da hora, Sven conseguira reunir apenas um modesto esquadrão formado por três homens, especialmente considerando que Dalbreck estava preparando uma exibição de força no posto avançado de Azentil. Eles me alcançaram no terceiro dia. Conseguiram fazer a jornada em menos tempo do que eu, porque eu tinha deixado sinais claros no meu caminho, às vezes empilhando pedras que seriam facilmente vistas de longe quando o solo ficava rochoso.
Eu achava que estávamos dois dias inteiros atrás de Lia agora. Talvez mais. Os rastros ficaram escassos. Tínhamos que nos espalhar ou ficar voltando várias vezes quando perdíamos a trilha, mas encontramos os rastros deles de novo bem do lado de fora da Cidade da Magia Negra. Conforme fomos nos aproximando do lugar, vimos que as trilhas haviam sido obliteradas por dúzias de cavalos viajando na direção oposta. Uma patrulha — mas de quem seria?
Encontramos os rastros novamente descendo uma trilha estreita entre as paredes que se agigantavam. No fim da trilha havia uma ruína, onde agora eu estava sentado, agachado. Eu queria quebrar alguma coisa, mas tudo ao meu redor já estava quebrado. Fixei o olhar na impressão de um dedo do pé ensanguentado em uma placa de mármore perto de uma lagoa, enquanto ouvia o feroz cair da chuva, cujas gotas eram todas inimigas, e não amigas.
Sven estava sentado em um pilar caído à minha frente. Ele balançou a cabeça, olhando para os pés. Eu conhecia a chance real de tentar alcançar rastros de pessoas que estavam pelo menos dois dias à nossa frente. Poderiam ser milhares de quilômetros ou mais antes de nos depararmos com trilhas recentes. Isso se conseguíssemos achá-las. As chuvas torrenciais teriam lavado tudo entre nós e eles.
— Seu pai vai querer a minha cabeça por isso — disse Sven.
— E um dia eu serei rei, e vou querer sua cabeça por não ter me ajudado.
— Quando isso acontecer, serei um homem muito velho.
— Meu pai já é um homem muito velho. Posso vir a ser rei mais cedo do que você imagina.
— Vamos procurar algum sinal novamente?
— Em que direção, Sven? A partir desse ponto, há uma dúzia de rotas que eles podem ter seguido.
— Poderíamos nos dividir.
— E isso cobriria cerca de metade das possibilidades e nos deixaria, com um homem contra cinco caso pegássemos a rota certa.
Eu sabia que Sven não estava sugerindo nada disso a sério, e ele não estava preocupado com o meu pai nem com o próprio pescoço. Estava me forçando a tomar a difícil e definitiva decisão.
— Talvez esteja na hora de admitir que ela está fora de nosso alcance, não?
— Pare de me provocar, Sven.
— Então tome sua decisão e viva sua vida conforme o que decidir. — Eu não podia nem suportar o pensamento de deixar Lia nas mãos dos bárbaros por tanto tempo, mas isso era tudo que eu poderia fazer. — Vamos cavalgar. Chegaremos em Venda antes deles.

5 comentários:

  1. Ue
    Rafe rei?
    Aaaa não tô entendendo mais nada

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    Respostas
    1. Ele é o príncipe herdeiro de Dalbreck. Quando o pai dele morrer, ele vira rei.

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  2. kkkkk o rafe e o principe e kaden o assassino autora nos enganou direitinho

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  3. Ele é o príncipe com quem a Lia iria se casar

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