20 de fevereiro de 2018

Capítulo 48

O desespero criava dentes.
Garras.
Transformava-se em um animal dentro de mim
que não conhecia limites.
Dilacerava e abria os meus pensamentos mais sombrios,
deixando que se estendessem como se fossem asas negras.
— As palavras perdidas de Morrighan —



RAFE

O general estava uma hora atrasado. Eu fervilhava de raiva quando ele finalmente chegou, acompanhado de sua jovem filha a tiracolo. Contive meus xingamentos, mas não a minha fúria.
— Precisamos conversar em particular.
— Ela é de confiança.
— Não é uma questão de...
Ele passou roçando por mim, caminhando em direção à minha mesa.
— O coronel Haverstrom me explicou as suas solicitações — ele virou para ficar de frente para mim. — Partindo tão cedo? Mas você acabou de chegar. Eu achava que já tivéssemos tido essa conversa. Parece que me lembro de você clamando que ficaria aqui, e agora mudou de ideia?
Empurrei-o para uma cadeira, quase derrubando-o no chão. A filha dele sugou o ar assustada e recuou para junto da parede.
— Eu não pedi por um relato do que eu disse ou deixei de dizer, e estas não são solicitações, general Draeger. São ordens.
Ele se ajeitou no assento.
— E são ordens que eu receio que não serão facilmente cumpridas. Talvez você se lembre de que foi por sua insistência que as companhias em Falworth foram enviadas aos postos remotos. Nossos recursos aqui na capital estão bem dispersos. Além disso, o que cem homens podem fazer?
— Para os meus propósitos, bem mais do que uma brigada inteira que seria vista e parada nas fronteiras.
— Tudo por essa princesa?
Mantive o punho cerrado na lateral do corpo, jurando para mim mesmo que eu não quebraria o maxilar dele na frente da filha.
— Não — falei com firmeza. — Por Dalbreck. O que serve a Morrighan vai nos servir dez vezes.
— Nós não temos aliança alguma com eles. isso não vai passar de uma loucura impetuosa.
— A corte deles está correndo riscos. Se o reino de Morrighan cair, o mesmo acontecerá conosco.
Ele deu de ombros, fazendo uma exibição flamejante da sua dúvida.
— Assim você diz, e realmente respeito a sua posição como rei. No entanto, cem homens equipados segundo as suas especificações... isso pode levar algum tempo para ser feito. Seria um esforço muito grande da minha parte.
— Você tem até amanhã de manhã.
— Imagino que isso poderia ser possível com a motivação certa.
Ele puxou alguns papéis do casaco e jogou-os em cima da minha mesa.
Só tive que olhar para eles de relance por um breve instante. Encarei-o, desacreditando aquilo.
— Eu poderia pedir a sua cabeça por isso — não se tratava de uma ameaça vazia.
— Sim, você poderia — concordou ele. — Mas não vai. Porque eu sou o único que pode conseguir aquilo de que necessita tão rapidamente quanto deseja. Mande cortar a minha cabeça, e você terá que se dirigir a outras guarnições militares bem mais afastadas. Pense nisso, por toda a urgência que clama, você realmente tem tanto tempo assim a perder, Vossa Majestade? E, ainda por cima, está pisando em solo muito instável. Isso acrescentaria estabilidade ao seu reinado. Estou pensando no reino.
— No inferno que você está pensando no reino! Você é um oportunista ambicioso tentando, por meio de coação, alcançar uma posição de poder de uma forma ou de outra.
Olhei para a menina, cujos olhos estavam arregalados com o terror.
— Pelos deuses, general! Ela é só uma criança!
— Ela tem catorze anos. Com certeza você pode esperar até que ela atinja a maioridade, não? E deve admitir que ela é uma beldade.
Olhei para a menina que estava se encolhendo junto à parede.
— Você concordou com isso? — rugi.
Ela assentiu.
Eu me virei, balançando a cabeça.
— Isso é extorsão.
— É negociação, Vossa Majestade, uma prática tão antiga quanto o reino, prática esta que o seu pai era bem versado. Agora, quanto mais cedo você assinar esses documentos, mais cedo o noivado pode ser anunciado e posso colocar as suas ordens em execução.
Olhei com ódio para ele. Execução era uma escolha de palavras apropriada. Eu me virei e saí do aposento, porque tudo o que conseguia ver era o pescoço dele apertado entre as minhas mãos. Eu nunca sentira que precisava do conselho moderado de Sven tanto quanto agora.

8 comentários:

  1. gente, eu vou sofrer no mínimo uma dúzia de unfartos até o final desse livro!!!

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  2. Um capítulo mais confuso do que o outro

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  3. Eu literalmente estou com medo de chegar ao fim desse livro !!!

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  4. Gente vocês precisam parar de querer ler o livro em um dia e começar a ler com atenção.
    O general está dizendo que só vai fazer o que o Rafe quer se ele se casar com a filha dele que só tem 14 anos .

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  5. É que o general quer que ele casa com a filha dele

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  6. É a coisa só piora..agora o rafe vai ter q noivar..

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Boa leitura, E SEM SPOILER!