20 de fevereiro de 2018

Capítulo 43

RAFE

Minha transição de soldado a rei fora abrupta, e parecia que todos os barões na assembleia queriam um pedaço meu. Eu sabia que a bravata deles era uma dissimulação para garantir que eu lhes desse ouvidos e atenção, o que assegurei que faria. Os oito oficiais do gabinete eram os mais exigentes, mas, por outro lado, eram aqueles que haviam trabalhado mais próximos ao meu pai.
É claro que fui bem recebido; no entanto, por trás de todas as boas-vindas vinha uma reprovação — Onde você estava? — e um aviso: O motim está bem espalhado. Vai demorar para ser remediado.
O Médico da Corte foi quem me apresentou o mais doloroso lembrete.
Tanto o seu pai quanto a sua mãe perguntaram por você nos seus leitos de morte. Prometi a eles que você estava a caminho. Eu não fui o único que ofereceu falsas esperanças e mentiras benéficas, mas tinha pouco tempo a perder pensando na minha culpa.
Se eu não estivesse em sessões separadamente com a assembleia, o gabinete ou a corte de generais, eu estava com todos ao mesmo tempo. O general Draeger com frequência se pronunciava, e, sendo ele o general que governava a capital, a voz dele tinha força. O homem fazia com que as suas opiniões fossem conhecidas, uma mensagem tanto para mim quanto para o restante das pessoas sobre as quais mantinha uma atenta vigília. Ele ainda estava com a mão preparada. O general faria com que eu pagasse pela minha ausência.
Todos eles sentiam a necessidade de testar esse rei que não vivenciara as experiências como tal, mas, conforme Sven havia me aconselhado, eu ouvia, pesava e agia. No entanto, não seria forçado. Essa era uma dança de dar e tomar, e, quando eles me forçavam a ir longe demais, eu os interrompia. Eu era lembrado de minha dança com Lia, de quando ela não recuou, batendo com o pé no chão e ficando onde estava.
Foi durante aquela dança que eu soube que ela não seria mais forçada. Eu a estava perdendo. Não, Rafe, não perdendo. Você a perdeu. Ela se foi para sempre. É melhor assim, lembrei a mim mesmo. Eu tinha um reino em frangalhos que precisava da minha atenção completa.
Quando a corte de generais ficou hesitante com a minha primeira ordem como rei, mantive minha posição e fiz com que eles soubessem que essa decisão não era desprovida de aconselhamentos. Reforços deveriam ser enviados a todos os postos avançados da fronteira ao norte e às cidades vulneráveis no meio, e tropas deveriam ser enviadas a postos avançados ao sul, onde deveriam ser divididas entre as fronteiras a leste e a oeste. As turbulências estavam fermentando, e, até que soubéssemos a exata extensão delas, essa era uma precaução necessária. Os barões protestaram, dizendo que a capital ficaria praticamente desprotegida.
— Mas antes eles têm que passar pelas fronteiras — falei.
— Nossas fronteiras já estão bem fortificadas com base nas avaliações do seu pai e dos conselheiros dele — disse o general Draeger, me interrompendo. — Você causaria ainda mais perturbações no reino por causa do que uma moça nem um pouco confiável disse?
A câmara ficou em silêncio na mesma hora. As palavras nem um pouco confiável saíram da língua do general com uma centena de nuances insinuadoras. Rumores e perguntas sobre a princesa e o meu relacionamento com ela com certeza já haviam corrido pela assembleia como se fosse fogo selvagem. Sem sombra de dúvida, eles sabiam da nossa amarga separação também. Essa era a primeira vez em que alguém havia se atrevido a trazer o assunto à tona.
Uma moça? Como se Lia fosse motivo de chacota. Imponderável e dispensável. Essa era outra manopla jogada no chão. Um teste da minha lealdade. Talvez eles fossem até mesmo rir em segredo se soubessem que eu havia clamado que Lia seria a futura rainha diante das minhas próprias tropas. Ao olhar para as faces deles encarando a minha, de repente vi a mim mesmo pelos olhos de Lia, a forma como eu havia questionado alguma coisa em que ela acreditava tão desesperadamente. Eu me via como um deles. Rafe, você nunca sentiu nada a fundo no seu âmago?
Eu não morderia a isca do general de trazer Lia para o meio da discussão.
— Minha decisão tem como base o que observei, general Draeger, e nada mais. Meu dever é manter os cidadãos de Dalbreck a salvo e o reino em segurança. Até que tenhamos mais informações, espero que as minhas ordens sejam levadas a cabo imediatamente.
O general deu de ombros, e a assembleia assentiu, relutante. Eu sentia que eles queriam mais de mim, que eu denunciasse Lia perante todos como mais uma maquinadora morrighesa em quem não se podia confiar. Eles queriam que eu fosse total e completamente um deles outra vez.
Seguiu-se uma coroação apressada, e a pira do meu pai foi feita por fim. Ele estivera morto havia semanas, o corpo estava preservado e enrolado, mas, até que eu fosse encontrado, sua morte tinha que permanecer em segredo, e ele não podia ser liberado para os deuses de forma apropriada.
Quando ergui a tocha para acender a pira, senti-me estranhamente inadequado, como se eu devesse ter entendido melhor os deuses. Eu deveria ter escutado mais. O forte de Sven como meu tutor não tinha sido os reinos celestiais. A maior parte desses ensinamentos fora deixado a cargo de Merrick durante as minhas raras visitas à capela. Eu me lembrava de Lia me perguntando para que deus eu rezava. Eu ficava perdido em relação a qual resposta dar a ela.
Eles tinham nomes? Segundo a tradição morrighesa, havia quatro deles. Merrick havia me ensinado que havia três deuses que regiam de um único trono celestial e que cavalgavam nas costas de feras enquanto guardavam os portões do céu, quer dizer, quando não estavam jogando estrelas na terra. É pelos deuses que Dalbreck é um reino supremo. Nós somos os Remanescentes favoritos.
Fiquei observando as chamas engolfarem a mortalha do meu pai, o tecido se dissolvendo, o estopim empilhado caindo em volta dele para disfarçar as realidades da morte, as chamas irrompendo mais altas enquanto um reverenciado soldado e rei saía de um reino e adentrava outro, com toda uma corte observando, tanto a mim quanto à pira. O peso de todos os olhares, contemplativos e urgentes com a expectativa. Até mesmo agora eu teria de ser um exemplo de força para eles, a garantia de que a vida seguiria em frente como antes. Eu estava parado entre as pilastras elevadas de Minnaub, um antigo guerreiro entalhado em pedra a um dos meus lados, e seu cavalo de guerra erguido entalhado do outro, dois de uma dúzia de memoriais esculpidos que guardavam a praça, sentinelas de uma história gloriosa, e uma das muitas maravilhas de Dalbreck que eu queria mostrar a Lia.
Se ela tivesse vindo.
Meu rosto ficou quente com a labareda, mas eu não recuei um passo sequer. Lembrei-me de Lia me dizendo que Capseius era o deus dos ressentimentos, aquele a quem eu havia insolentemente balançado o punho cerrado quando estava lá em Terravin, e eu achava que ele estava provavelmente olhando para mim agora, rindo. As chamas crepitavam e estalavam, sibilando suas mensagens secretas aos céus. Uma fumaça preta erguia-se e pairava acima da praça, e, em vez de oferecer preces aos mortos, eu me pus de joelhos e ofereci as preces aos vivos, ouvindo os ofegos e sussurros daqueles que estavam ao meu redor, perguntando-se por que um rei de Dalbreck estaria se prostrando de joelhos.
Não havia nem se passado três dias após o funeral quando oficiais do gabinete, barões ou outros nobres começaram as suas investidas, com as filhas casadoiras convenientemente junto a eles enquanto deixavam mensagens insípidas que poderiam ter esperado até as reuniões da assembleia.
— Você se lembra da minha filha, não? — diziam eles, e então apresentavam-nas junto com um não tão sutil currículo resumindo as suas virtudes.
Gandry, o ministro-chefe e conselheiro mais próximo do meu pai, me viu revirar os olhos depois que um barão partiu com a filha e me disse que eu precisava considerar a sério o casamento, e rápido.
— Isso ajudaria a suprimir dúvidas e adicionar estabilidade ao reino.
— Ainda restam dúvidas?
— Você ficou fora por meses sem dizer nenhuma palavra.
Estranhamente, a culpa que eu sentia pela minha ausência se fora. Tinha ainda arrependimentos, em especial por não ter estado lá quando os meus pais morreram e pela preocupação extra que isso deve ter levado a eles. No entanto, eu havia feito o que nenhum rei ou general de Dalbreck fizera: pus os pés no solo vendano e vivi com o povo de lá durante várias semanas, o que me provia um entendimento único das mentes, das necessidades e maquinações vendanas. Talvez fosse por isso que eu sentia o suporte das tropas, se não dos escalões superiores da corte. Eu havia conduzido uma missão de cinco soldados que conseguiram superar estrategicamente milhares. De alguma forma, isso parecia necessário em vez de impulsivo, mas traduzir o sentimento em algo mensurável para o gabinete e para a assembleia apreciarem era outra questão.
Fechei o livro de registros na minha mesa e esfreguei os olhos. Os números nos fundos do tesouro eram os menores de todos os tempos. Eu deveria sair com o secretário do comércio amanhã e me encontrar com mercadores e fazendeiros fundamentais em um esforço para aumentar o comércio, assim como o conteúdo dos cofres. Fitei a capa desgastada de couro do livro de registros. Alguma outra coisa ainda se revirava dentro de mim. Ou talvez fossem muitas coisas, cada uma tão fraca que eu não conseguia articular qualquer uma delas, que seguiam direções diferentes.
O escritório se fechou sobre mim, e empurrei a cadeira para trás e saí para o pórtico. Eu ainda pensava naquele lugar como sendo o escritório do meu pai, e a presença dele estava evidente em todos os cantos, lembranças de uma longa vida e de um longo reinado. Estas haviam sido as suas câmaras de reuniões desde que eu era criança. Eu me lembrei de quando ele me chamou para entrar ali e me dizer que eu moraria com Sven dentro de umas poucas semanas. Eu só tinha sete anos de idade e mal entendia o que ele estava dizendo... sabia apenas que não queria ir. Eu estava com medo. Sven foi convidado a entrar para se encontrar comigo, austero, imponente e nada parecido com o meu pai. Encontrar-me com ele não havia ajudado a acalmar meus medos, e eu me esforcei para conter as lágrimas. Agora, depois de todos esses anos, eu me perguntava se o meu pai havia feito o mesmo, com cada um de nós tentando ser mais forte para o outro. Quantas decisões difíceis ele tivera que tomar, das quais nunca tomei conhecimento?
Estar sozinho era um momento raro para mim. Todas as noites, as reuniões avançavam para além da hora do jantar. Eu me sentia menos como um rei e mais como um fazendeiro estressado tentando conduzir um campo de porcos ensebados e soltos para que eles entrassem em um cercado. Eu me reclinei junto ao corrimão espesso de pedra, sentindo a fria brisa despenteando os meus cabelos. A noite estava fria, com as pilastras iluminadas de Minnaub reluzindo ao longe, a capital adormecida, as mil estrelas do céu piscando acima da silhueta escura da cidade. A mesma vista em que meu pai pusera os olhos incontáveis vezes quando lutava com as demandas da sua corte, mas suas preocupações haviam sido diferentes das minhas.
Será que ela já chegou lá?
Será que está a salvo?
E então, inesperadamente: Será que estava certa?
Seria isso o que continuava a me incomodar? Até mesmo lá no posto avançado de Marabella, o coronel Bodeen e os capitães haviam duvidado do que ela dizia. Na verdade, eu não tinha visto qualquer evidência de um exército colossal, não nas minhas andanças pela cidade com Calantha e Ulrix, nem ouvira falar disso nas conversas soltas no Saguão do Sanctum.
Porém, tinha sim visto a brigada de quinhentos homens que escoltaram Lia cidade adentro. Apenas aquilo já fora alarmante e inesperado, mas poderia ter sido o tal exército deles inteiro.
No entanto, havia os dízimos. Ouvi os murmúrios descontes dos governadores, e mesmo assim eles ainda o proviam. Seria devido ao medo... ou a uma expectativa de recompensa? Não havia qualquer dúvida de que, como o Komizar, eles queriam mais. Eu tinha visto isso nos olhos deles, quando eles observaram o espólio dos soldados dalbretchianos assassinados.
E então havia o frasco, um estranho e poderoso líquido que tinha sido capaz de danificar uma imensa ponte de ferro com uma única rajada. Aquilo não se encaixava na imagem de uma cidade rudimentar e empobrecida. Hague havia se referido a isso como uma ocorrência de sorte, o resultado da terrível mão de obra vendana. Talvez. Havia uma dezena de dúvidas, e nem mesmo uma delas era tão convincente que apontava para o impossível, o fato de que um pobre reino bárbaro houvesse erguido um exército poderoso o bastante a ponto de esmagar todos os outros reinos combinados. Eu já havia forçado os limites da lógica junto à assembleia quando despachei tropas para os postos avançados nas fronteiras.
Ouvi a porta que dava para a minha câmara de reuniões abrir-se e fechar-se, e então o trepidar ruidoso de uma bandeja sendo colocada em cima da minha mesa. Sven sempre previa aquilo de que eu precisava. Pensei em todo o pesar que causara a ele nos nossos primeiros anos juntos. Em todas as vezes em que eu chutei as canelas dele e saí correndo, e ele teve que me pegar no colo e me colocar em cima do seu ombro, jogando-me em uma pipa de água. Eu estou criando você para ser um rei, e não um tolo, e chutar alguém que pode esmagar você em um único piscar de olhos é um suprassumo da loucura. Fui afundado na água mais de uma vez. A paciência dele era maior do que a minha. Mantive os olhos fixos na cidade, com os sete domos azuis da capela mal estando visíveis. Mais um som oco. Uma pilha de papéis. Sven me trazia um itinerário a cada noite para o dia seguinte.
— Dia cheio amanhã — disse ele.
Todos os dias eram cheios. Isso não era novidade. Estava mais para o bater de um martelo proclamando outro dia marcado em pedra.
Ele se juntou a mim no corrimão, olhando para fora, para a cidade.
— Bonita, não?
— Sim. Bonita — respondi.
— Mas...?
— Sem “mas”, Sven.
Eu não queria entrar nesse assunto, na preocupação da qual eu não conseguia me desvencilhar, naquela alguma coisa vaga que não parecia certa em mim.
— Receio que você vai precisar encaixar mais uma reunião esta noite, que não está no cronograma.
— Passe-a para amanhã. Está tarde...
— Merrick tem as informações que você queria. Ele vai estar aqui dentro de uma hora.

* * *

Antes que Merrick se sentasse, antes até mesmo que ele entrasse nos meus aposentos, eu sabia o que ele diria, mas deixei que as coisas se desenrolassem. É verdade, Rafe. Todas as palavras são verdadeiras. No entanto, eu ainda guardava a esperança de que se tratasse de uma fraude, de um embuste épico escrito por alguma mente doentia em Morrighan. Depois de brincadeiras e algumas explicações sobre a surpresa dele com a idade do documento, o homem puxou a capa de couro desgastado da bolsa e devolveu o livro para mim, e depois me entregou outro papel coberto com sua perfeita caligrafia em pergaminho. Uma tradução de um erudito experiente.
Merrick aceitou um pequeno copo da bebida que Sven ofereceu a ele e sentou-se relaxado.
— Posso lhe perguntar onde foi que adquiriu isso?
— Foi roubado de uma biblioteca em Morrighan. É genuíno?
Ele assentiu.
— Este é documento mais velho que já traduzi na minha vida. Ele tem pelo menos alguns mil anos, ou mais. O uso das palavras é similar ao de dois documentos datados nos nossos arquivos, e o papel e a tinta são inquestionavelmente de outra era. Ele está notavelmente em boa forma para a idade.
Contudo, o documento dizia o que Lia clamava que ele dizia?
Eu li a tradução em voz alta. A cada palavra e a cada passagem, ouvia a voz de Lia em vez da minha. Eu via os olhos cheios de preocupação dela. Sentia a mão dela apertando a minha, esperançosa. Ouvia os murmúrios dos clãs na praça, ouvindo-a. Palavra por palavra, era a mesma tradução que ela fizera. Minha boca ficou seca de repente, quando cheguei aos últimos versos, e fiz uma pausa para beber um pouco do vinho que Sven havia servido.

O Dragão conspirará,
Usando muitas faces,
Enganando os oprimidos, coletando os perversos,
Exercendo o poder como se fosse um deus,
Impossível de ser parado,
Não perdoando em seu julgamento,
Implacável em sua regência,
Um ladrão de sonhos,
Um assassino de esperanças.

Até que apareça aquela que é mais poderosa,
Aquela nascida do infortúnio,
Aquela que era fraca,
Aquela que era caçada,
Aquela marcada com a garra e a vinha,
Aquela nomeada em segredo,
Aquela chamada Jezelia.

— Um nome incomum — disse Merrick. — E, se me lembro corretamente, também o nome da princesa.
Ergui o olhar da página, perguntando-me como ele podia saber disso.
— Os documentos do casamento — ele me explicou. — Eu os vi. Você provavelmente nem nunca passou os olhos por eles, não é?
— Não — falei baixinho. Eu os havia assinado e ignorado, assim como ignorara o bilhete dela para mim. — Mas me disseram que isso são apenas balbucios de uma mulher louca...
Ele franziu os lábios, como se estivesse pensando no assunto.
— Poderia ser. O texto é certamente crítico e estranho. Não há como saber com certeza. Porém, é curioso que uma mulher louca tenha conseguido descrever com precisão tais coisas específicas há milhares de anos. E as breves notas morrighesas que estão junto com o texto confirmam que o livro foi descoberto mais de uma década depois do nascimento da princesa Arabella. Textos nômades bem no início do registro histórico de Dalbreck sugeriram algo similar, em um fraseado quase idêntico: dos esquemas dos regentes, a esperança seria nascida. Eu sempre presumi que se tratasse de Breck, mas talvez não o seja.
A firmeza do olhar dele me dizia mais do que o comentário. Ele acreditava em cada palavra.
Senti uma batida de coração como se fosse um aviso, a vibração que passa pelos nossos ossos quando um cavalo está galopando na nossa direção.
— Tem um pouco mais de texto na página seguinte.
Baixei o olhar para os papéis e coloquei o que estava em cima de lado. Havia mais dois blocos de versos.

Traída pelos seus,
Espancada e desprezada,
Ela haverá de expor os perversos,
Pois o Dragão de muitas faces
Não conhece limite algum.

E, embora a espera possa ser longa,
A promessa é grande,
Para aquela chamada Jezelia,
Cuja vida será sacrificada
Pela esperança de salvar a sua.

Sacrificada? Isso era uma coisa que Lia nunca tinha partilhado comigo. Será que ela sabia daquilo o tempo todo? A fúria disparou por mim e, logo na sequência, o medo paralisador. É verdade, Rafe. Todas as palavras são verdadeiras. Eu me levantei e andei até uma extremidade da minha câmara e voltei, circundando a mesa, tentando entender o significado daquilo tudo. Traída pelos seus? Espancada e desprezada? Sacrificada?
Maldição, Lia! Maldição!
Apanhei o cronograma do dia seguinte e o joguei contra a parede, com os papéis voando até o chão. Merrick levantou-se.
— Vossa Majestade, eu...
Passei roçando por ele.
— Sven! Eu quero o general Draeger na minha câmara na primeira hora amanhã!
— Eu acredito que ele já...
— Aqui! Na alvorada! — gritei.
Sven sorriu.
— Cuidarei para que isso aconteça.

14 comentários:

  1. Eita..Agora ,o trem vai pegar fogo kkkkkk

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  2. Eu sinto que um deles vai ter que morrer(não é spoiler,apenas sinto) e já estou chorando

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  3. Vai lá, meu príncipe 😂😂😂😂😂 ferrou

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  4. Tomare que agora o Rafe entenda o lado da Lia e a lia entender o lado do Rafe. Tomare que eles se juntam para vencer essa juntos, aí meu Deus a coisa vai pegar fogo.
    T
    R
    E
    T
    A

    T
    A

    V
    I
    N
    D
    O

    A
    Í

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  5. VEM TREEEEEEEETAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
    TÔ AMANDOOOOO ISSO

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  6. Rafe,Rafe. Pq foi atrás da princesa perdida? Estaria melhor sem ela.

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  7. Não quero que ela morra! Um outro livro terminou assim. Odiei! Por favor que sacrificada seja de uma forma diferente de morrer:'(

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  8. tomara que o final seja muito bom pra valer a pena esses altos e baixos q a gente sofre a cada linha q passa kkkk

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  9. Mano do céu.

    Traída pelos seus,
    Espancada e desprezada,
    Ela haverá de expor os perversos,
    Pois o Dragão de muitas faces
    Não conhece limite algum.

    É morrighan ela vai ser espancada e desprezada pelo seu reino...
    Vish! :0

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  10. Pois é mozão, ela sabia disso. Vai lá salvar o amor da sua vida vai *-* (de novo -.-)

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Boa leitura, E SEM SPOILER!