2 de fevereiro de 2018

Capítulo 43

Abracei Berdi. Beijei suas bochechas. Abracei-a de novo. Já havia me despedido dela na noite passada, mas tanto Berdi quanto Gwyneth estavam do lado de fora na varanda da taverna logo cedo de manhã, com comida suficiente para alimentar duas pessoas enfiada em sacos de lona.
Tanto Rafe quanto Kaden já tinham saído quando me levantei. Lamentei por não ter me despedido de Kaden, mas sabia que veria Rafe mais tarde, na cisterna. O que era todo esse negócio que ele de repente tinha que cuidar?
Talvez hoje fosse o dia em que todo mundo tivesse que cumprir com as expectativas de suas vidas e de seus deveres do passado. Eu e Pauline havíamos trocado mais algumas palavras antes de dormir, e ela estava fora da cabana até mesmo antes de mim nesta manhã. Não houve nenhuma despedida entre nós.
Abracei Gwyneth.
— Você vai cuidar de Pauline, não vai?
— É claro que vou — sussurrou ela.
— Tome cuidado com o que você fala, está me ouvindo? — acrescentou Berdi. — Pelo menos até chegar lá. Depois disso, fale muito.
Havia uma possibilidade real de que não fossem nem mesmo me dar uma chance de dizer algo. Eu ainda era uma desertora. Uma traidora. No entanto, com certeza, até mesmo o gabinete de meu pai seria capaz de ver a vantagem, àquela altura, de colocar minhas transgressões de lado e pelo menos tentar recuperar as boas graças de Dalbreck.
Sorri.
—Vou falar à beça — prometi.
Ergui as duas bolsas. Eu estava me perguntando como conseguiria carregar tudo isso em Otto.
— Preparada?
Eu me virei em um giro.
Pauline estava vestindo suas roupas de montaria, trazendo consigo Nove e Dieci.
— Não — falei. — Você não vem comigo.
— Isso é uma ordem real? O que você vai fazer? Arrancar minha cabeça se eu a acompanhar? Vai voltar tão rapidamente a ser Vossa Alteza?
Olhei para as duas sacas de comida que tinha nas minhas mãos e então estreitei os olhos para Berdi e Gwyneth, que deram de ombros.
Balancei a cabeça. Não conseguia mais discutir com Pauline.
— Vamos.

* * *

Fomos embora como chegamos, vestindo as nossas velhas roupas de montaria, com os três burros nos levando onde precisávamos ir. Mas nem tudo era a mesma coisa. Estávamos diferentes agora.
Atrás de nós, Terravin ainda era uma joia. Não idílica. Imperfeita. Mas perfeita para mim. Perfeita para nós. Parei no cume da colina e olhei para trás, onde apenas pequenos vislumbres da baía ainda eram visíveis entre as árvores. Terravin. Agora eu entendia os monumentos. Alguns eram feitos de suor e pedra, outros eram feitos de sonhos, mas todos eram feitos das coisas que não queríamos esquecer.
— Lia? — Pauline fez com que Nove parasse. Ela olhava para mim.
Dei um cutucão em Otto e a alcancei. Eu tinha que seguir em frente, em direção a uma nova esperança agora. Uma esperança feita de carne, sangue e promessas. Uma aliança. E se ela fosse exigir a vingança que vi nos olhos de Walther, melhor ainda.
— Como você está se sentindo? — perguntei a Pauline.
Ela olhou de esguelha para mim e revirou os olhos.
— Estou bem, Lia. Se consegui cavalgar o caminho todo até aqui em uma velocidade estonteante sobre um cavalo raviano, certamente sou capaz de seguir sem pressa nos passos de tartaruga de Nove. Meu maior desafio nesse momento é essa calça de montaria. Está ficando um pouco justa. — Ela puxou o cós da calça.
— Cuidaremos disso em Luiseveque — eu disse.
— Talvez possamos encontrar aqueles notórios mercadores de novo — disse ela, com um tom travesso.
Sorri. Eu sabia que ela estava tentando erguer minha moral.
A estrada estava cheia. Dificilmente ficávamos fora do campo de visão de alguém. Pequenos esquadrões de até uma dúzia de soldados passaram três vezes por nós. Também havia, com frequência, viajantes de passagem, que voltavam para lares distantes depois do festival, às vezes em grupos, às vezes sozinhos. A companhia na estrada era de algum conforto. O aviso de Gwyneth sobre um assassino tinha mais peso agora, embora ainda fosse impossível me identificar.
Depois de ter passado semanas ao sol e com as mãos enfiadas na pia de uma cozinha, eu parecia, mais do que nunca, uma moça do interior. Especialmente cavalgando um burro com franjinhas. Ainda assim, mantive meu colete meio solto de modo que pudesse, com facilidade, deslizar a mão sob ele para pegar minha faca, caso precisasse dela.
Eu não fazia a mínima ideia de onde o pelotão de Walther poderia estar quando ele disse que os alcançaria. Eu tinha esperanças de que ainda estivessem em Civica e não em algum posto avançado distante. Talvez, junto com Bryn e Regan, pudéssemos colocar algum senso nele — se eu chegasse lá a tempo. Walther não estava com um estado mental adequado para cavalgar até lugar nenhum que fosse. Eu também queria vingança pela morte de Greta, mas não a custo de perdê-lo. É claro que estava novamente supondo que permitiriam que eu falasse com qualquer um. Não sabia ao certo o que me esperava de volta em Civica.
A cisterna ainda ficava a pelo menos uma hora de viagem. Lembrei-me da primeira vez que a vi, pensando que parecia uma coroa no topo da colina. Para mim, tinha sido um ponto marcando o início, e agora haveria de marcar o fim: o último lugar onde eu me encontraria com Rafe.
Tentei não pensar nele. Minha coragem e minha determinação vacilavam quando fazia isso, mas era impossível mantê-lo longe dos meus pensamentos. Eu sabia que tinha que contar a ele a verdade sobre mim mesma, porque eu precisava me despedir de Terravin e dele. Eu devia isso a Rafe. Talvez, em algum nível, ele já tivesse entendido.
Talvez fosse por isso que não tentara me convencer a ficar. Eu entendo de deveres. Gostaria que não entendesse.
— Água? — Pauline estirou um cantil para mim. Suas bochechas estavam rosadas com o calor. Como eu ansiava pela brisa fresca da baía!
Peguei o cantil da mão dela e tomei um gole, e então joguei um pouco de água na minha blusa, para me refrescar. Ainda era cedo, mas o calor na estrada já estava desencorajador. As roupas de montaria eram sufocantes, mas pelo menos nos protegiam um pouco do sol. Olhei para baixo, para um dos muitos rasgos em minha calça, o tecido que se soltava, deixando meu joelho exposto, e comecei a dar risada, rindo tanto que mal conseguia respirar. Meus olhos se encheram de lágrimas.
Pauline olhou pra mim, alarmada, e falei:
— Olhe para nós! Você consegue imaginar?—
Ela soltou uma bufada e uma gargalhada também para acompanhar a minha.
— Pode ser que tudo isso valha a pena — disse ela — nem que seja só para ver todo mundo de queixo caído!
Oh, de queixo caído, com certeza. Especialmente o Chanceler e o Erudito. Nossa risada foi sumindo devagar, como alguma ferida de luta, soltando-se, e, em segundos, parecia que o mundo inteiro caíra no silêncio conosco.
Escute.
Notei que, pela primeira vez, a estrada estava vazia, não havia ninguém à nossa frente ou atrás de nós. Eu não conseguia enxergar ao longe. Estávamos em um vale entre colinas. Talvez isso fosse responsável pelo pungente silêncio que repentinamente nos cercava.
Escutei, com atenção, cascos andando na terra. O tinido e o ressoar de tachas. O silêncio.
— Espere — falei, estirando a mão para impedir que Pauline desse um passo à frente, sussurrando: — Espere.
Fiquei lá sentada, em silêncio, com o sangue apressando-se em correr aos meus ouvidos, e inclinei a cabeça para o lado. Escute. Pauline não falou nada, esperando que eu dissesse algo. O dentuço Dieci soltou sons hesitantes atrás de nós, e balancei a cabeça em negativa.
— Não foi nada, acho. Eu...
E então vi.
Havia uma silhueta em um cavalo à sombra de um pequeno carvalho a menos de vinte passos da estrada. Parei de respirar. O sol estava em meus olhos, então foi só quando ele emergiu das sombras que pude ver quem era.
Soltei um suspiro, aliviada.
— Kaden, o que você está fazendo aqui? — perguntei. Puxamos nossos asnos para fora da estrada, para nos encontrarmos com ele, que trouxe seu cavalo mais para perto de nós, devagar, até que estivesse à distância de um braço de mim. Otto puxou suas rédeas e bateu com os cascos no chão, nervoso com o cavalo que se agigantava tão perto dele. Kaden parecia diferente: mais alto e rígido em sua sela.
— Não posso permitir que você vá embora, Lia — disse ele.
Ele percorreu o caminho todo até aqui só para me dizer isso? Soltei um suspiro.
— Kaden, eu sei...
Ele esticou a mão e apanhou as rédeas de mim.
— Desçam dos seu asnos.
Olhei para ele, confusa e irritada. Pauline olhou de relance para ele e de volta para mim, a mesma confusão nos olhos dela. Estiquei a mão para pegar as rédeas de volta. Ele teria que aceitar...
— Bedage! Ges mi nay akuro fasum! — gritou Kaden, não para mim, mas em direção à parca floresta de onde ele tinha vindo. Mais cavaleiros surgiram.
Olhei, boquiaberta, para Kaden. Bedage? A descrença deixou-me imóvel por um segundo febril, e depois a verdade esfaqueou-me na forma de horror. Puxei as rédeas que ele ainda segurava firmemente nas mãos, a fúria lampejando pelo meu corpo, e gritei para que Pauline saísse correndo. Foi o caos quando o cavalo bateu no asno e Kaden agarrou meus braços. Empurrei-me para longe dele e caí, cambaleando, de Otto. Nossa única chance de fuga era sair correndo a pé e nos escondermos na vegetação espessa, se conseguíssemos ir tão longe.
Não tivemos nem tempo para nos mover antes que os outros cavaleiros estivessem sobre nós. Um deles arrancou Pauline de cima de Nove. Ela gritou, e um outro braço me atingiu. O silêncio tinha explodido em uma bola de fogo de ruídos, tanto dos homens quanto dos seus animais. A mão áspera de alguém agarrou meus cabelos e caí no chão. Rolei e vi Pauline mordendo o braço que a segurava e se livrando dele, com o homem em seus calcanhares. Eu não me lembrava de tê-la pego, mas minha faca estava bem segura em meu punho cerrado, e lancei-a, a lâmina atingindo em cheio o ombro do homem que a perseguia. Ele soltou um grito, caindo de joelhos e rugindo enquanto arrancava a faca do ombro. O sangue jorrava pela ferida. Kaden pegou Pauline, segurando-a por trás, e dois braços fortes me prenderam ao mesmo tempo. O homem ferido continuava a xingar e vociferar em um idioma que eu sabia que só poderia ser vendano.
Travei meu olhar no de Kaden.
— Você não deveria ter feito isso, Lia — disse ele. — Não vai querer que Finch fique contra você.
Olhei com ódio para ele.
— Vá para o inferno, Kaden. Vá para o inferno!
Sem se abalar, sem nem mesmo pestanejar em momento algum, sua estabilidade agora transformada em algo assustadoramente à parte de si mesma, Kaden voltou a atenção de mim para um homem próximo.
— Malich, essa daqui terá que ir no cavalo com você. Eu não tinha contado com ela.
O homem que atendia pelo nome de Malich deu um passo à frente, com um sorriso lascivo, e agarrou Pauline bruscamente pelo pulso, tomando-a de Kaden.
— Com prazer.
— Não! — gritei. — Ela não tem nada a ver com isso. Soltem-na!
— Não posso fazer isso — foi a resposta calma de Kaden, entregando um trapo imundo a Finch para que o colocasse debaixo de suas roupas, na ferida. — Quando estivermos no meio do nada, nós a deixaremos ir.
Malich arrastou Pauline na direção de seu cavalo enquanto ela o atacava com as unhas e o chutava.
— Kaden, não! Por favor! — gritei. — Pelo amor dos deuses, ela está carregando uma criança!
Ele parou no meio de seu passo.
— Pare — disse ele a Malich, e me analisou para ver se era algum tipo de manobra minha. Ele se virou para Pauline. — É verdade?
Lágrimas escorriam pela face de Pauline, que assentiu.
Ele fez uma cara feia.
— Mais uma viúva com um bebê — disse ele, bem baixinho. — Se eu deixar que ela vá embora, você virá conosco, sem lutar?
— Sim — respondi rápido – talvez rápido demais.
Ele estreitou os olhos.
— Tenho sua palavra?
Assenti.
— Kez mika ren — disse ele.
O braço que me prendia com tanta força me soltou, e fui cambaleando para a frente, sem me dar conta de que meus pés mal tocava o chão. Todos eles me observavam para ver se eu seria fiel à minha palavra. Fiquei parada, sem me mexer, tentando respirar direito.
— Lia, não — disse Pauline, chorando.
Balancei a cabeça e levei meus dedos até os lábios, beijando-os, erguendo-os no ar.
— Por favor, Pauline. Confie nos deuses. Shh. Vai ficar tudo bem. — Os olhos dela estavam selvagens de medo, mas ela assentiu em resposta.
Kaden aproximou-se de Pauline enquanto Malich a segurava.
— Vou levar os asnos bem para dentro na vegetação rasteira e os prenderei a uma árvore. Você deve ficar lá com eles até que o sol esteja se pondo atrás das colinas do outro lado. Se sair de lá um minuto antes disso, você morrerá. Se mandar alguém atrás de nós, Lia morrerá. Você está me entendendo, Pauline?
— Kaden, você não pode...
Ele se inclinou ainda mais para Pauline, segurando o queixo dela com a mão.
— Você me entendeu, Pauline?
— Sim — respondeu ela em um sussurro.
— Que bom. — Ele apanhou as rédeas de seu cavalo, gritando instruções a um cavaleiro menor a quem eu não tinha dado atenção. Era apenas um menino. Ele pegou a bolsa da sela de Otto e prendeu-a em outro cavalo, junto com meu cantil. Kaden recuperou minha faca, que Finch havia jogado no chão, e colocou-a na própria bolsa.
— Por que não podemos matá-la agora? — perguntou-lhe o menino.
— Eben! Twaz enar boche! — gritou o homem musculoso e repleto de cicatrizes.
Seguiu-se uma confusão de palavras furiosas que presumi que fossem sobre quando e como me matar, mas, até mesmo enquanto eles falavam, moviam-se com rapidez, conduzindo a nós e aos asnos até a cobertura da vegetação. Finch ficou olhando feio para mim, segurando seu ferimento e xingando em um parco morrighês que eu era sortuda por se tratar apenas de uma ferida superficial.
— Minha mira é ruim — respondi. — Mirei em seu coração negro. Mas não se preocupe, o veneno em que embebi a lâmina deve entrar em ação logo e tornar sua morte lenta e dolorosa.
Ele arregalou os olhos e se lançou sobre mim, mas Kaden empurrou-o para trás e gritou algo em vendano, voltando a mim em seguida e puxando meu braço mais para perto dele.
— Não os atice, Lia — Kaden sussurrou entredentes. — Todos querem matar você agora, e não seria preciso muita coisa para que fizessem isso.
Embora eu não conhecesse o idioma deles, tinha entendido a mensagem sem a tradução de Kaden.
Caminhamos mais a fundo na vegetação rasteira, ponteada de carvalhos e arbustos baixos. Quando a estrada não podia mais ser avistada, eles prenderam os asnos às árvores. Kaden repetiu as instruções a Pauline.
Ele fez um movimento indicando o cavalo em que eu deveria montar.
Virei-me para Pauline, cujos cílios estavam molhados e cuja face estava suja de terra.
— Lembre-se, minha amiga, de contar para passar o tempo... assim como fizemos em nossa vinda até aqui.
Ela assentiu e dei um beijo em sua bochecha.
Kaden olhou para mim, com ares de suspeita.
— Levante-se.
Meu cavalo era imenso, quase tão grande quanto o dele, e ele me ajudou a montar, enquanto segurava as rédeas.
— Você vai se arrepender se quebrar sua palavra.
Olhei com ódio para ele.
— Um mentiroso sagaz confiando na palavra de outra mentirosa? Imagino que eu deveria apreciar essa ironia colossal. — Estirei a mão para pegar as rédeas. — Mas lhe dei minha palavra e vou mantê-la.
Por enquanto.
Ele me entregou as rédeas, e eu me virei para acompanhar os outros.
Eu e Pauline havíamos forçado nossos cavalos ravianos ao que parecia uma velocidade estonteante, mas essas bestas negras voavam como se fossem demônios alados perseguidos pelo diabo. Eu não me atrevia a me virar nem para um lado nem para o outro, ou teria sido jogada para fora da sela e pisoteada pelo cavalo de Kaden, que estava atrás de mim. Quando a vegetação foi diminuindo, nós cavalgamos lado a lado, com Kaden de um lado e o menino, Eben, do outro. Apenas selvagens treinariam uma criança para matar.
Tentei ficar contando, exatamente como tinha instruído Pauline a fazer, mas logo se tornou impossível manter os números na minha cabeça. Eu só sabia que tínhamos andado quilômetros — quilômetros e mais quilômetros, e o sol ainda estava alto no céu. Eu e Pauline sabíamos que uma contagem até duzentos cobria um quilômetro e meio, pelo menos em nossos cavalos ravianos. Ela saberia quando os bárbaros estivessem longe demais para alcançá-la de novo. Ela não teria que esperar até que o sol estivesse se pondo atrás das colinas. Dentro de mais uma hora, estaria voltando correndo para Terravin, tão rápido quanto nossos lentos asnos permitiam. Logo depois disso, ela estaria em segurança e fora do alcance dos bárbaros, e então o valor de minha palavra haveria de expirar. Mas ainda não. Ainda era cedo demais para me arriscar, mesmo que eu conseguisse uma oportunidade.
Não havia nenhuma trilha ali, então tentei memorizar a paisagem.
Cavalgamos em terrenos descampados, ao longo de leitos de riachos secos, passando por passagens montanhosas em meio à floresta esparsa, e cruzamos campinas planas. Observei a posição das montanhas, suas formas individuais, as serras cheias de árvores altas, qualquer coisa que pudesse me ajudar a encontrar meu caminho de volta. Minhas bochechas ardiam com o vento e o sol, e meus dedos doíam. Por quanto tempo conseguiríamos cavalgar naquele ritmo?
— Sende akki! — disse Kaden, por fim, e todos recuaram, diminuindo consideravelmente o ritmo.
Meu coração acelerou. Se eles iam me matar, por que me trariam por todo esse caminho só para fazer isso? Talvez essa fosse minha última chance. Será que eu conseguiria ser mais rápida do que os outros quatro cavalos?
Kaden andou com seu cavalo até se aproximar do meu.
— Me dê suas mãos — disse ele.
Observei-os com incerteza e depois voltei meu olhar para os outros.
— Posso conseguir joias — falei. — E mais dinheiro do que qualquer um de vocês poderia gastar em uma vida inteira. Deixem-me ir e...
Eles começaram a rir.
— Todo o dinheiro de dois reinos não vale o que o Komizar faz com traidores — disse Malich.
— Ouro não significa absolutamente nada para nós — disse Kaden. —Agora me dê suas mãos.
Estiquei as mãos, e ele enrolou uma extensão de corda em volta delas. Ele puxou as extremidades da corda para se certificar de que estava apertada, e me encolhi em dor. Finch observou o que ele fazia e soltou um pequeno grunhido de aprovação.
— Agora se incline na minha direção.
Meu coração batia com tanta fúria que eu não conseguia nem mesmo respirar.
— Kaden...
— Lia, incline-se para a frente.
Olhei para as minhas mãos atadas. Será que eu seria capaz de cavalgar em um cavalo mesmo assim? Meus pés tremiam, prontos para darem um chute nas laterais do corpo do meu cavalo e sair correndo em direção às árvores ao longe.
— Nem pense nisso — disse Kaden, cujos olhos estavam mortalmente frios, sem em nenhum momento tirá-los de mim, nem de relance, porém, de alguma forma, ele sabia que meus pés estavam bem firmes nos estribos.
Inclinei-me na direção dele, conforme Kaden me instruíra a fazer. Ele ergueu um capuz negro.
— Não! — Eu me forcei a ir para trás, mas senti a mão de alguém violentamente me empurrando para a frente. O capuz caiu por cima da minha cabeça, e o mundo ficou preto.
— É só por alguns quilômetros — disse Kaden. — É melhor que você não veja algumas trilhas à frente.
— Você espera que eu cavalgue dessa maneira? — Ouvi o pânico na minha voz.
Senti a mão de Kaden tocando ambas as minhas mãos atadas.
— Respire, Lia. Eu guiarei seu cavalo. Não tente se mexer para a esquerda nem para a direita. — Ele fez uma pausa por um instante e depois puxou a mão, acrescentando: — A trilha é estreita. Um passo em falso e tanto você quanto seu cavalo morrem. Faça o que estou mandando.

Minha respiração era quente debaixo do capuz. Achei que fosse sufocar bem antes de chegarmos ao fim de qualquer trilha que fosse. Conforme seguíamos em frente, eu não me movi para a esquerda ou para a direita, enquanto forçava uma lenta e abafada respiração atrás da outra. Eu não ia morrer assim. Ouvi rochas caindo pelas faces escarpadas, seus ecos continuando infinitamente. Parecia que, qualquer que fosse o abismo que nos cercava, ele não tinha fundo, e, a cada passo, jurei que se algum dia chegasse até o fim da trilha e ficasse sem o capuz e desamarrada, nunca desperdiçaria uma oportunidade de novo — se eu fosse morrer, seria quando pudesse ver Kaden claramente, enquanto enfiasse uma faca entre as costelas vendanas e enganadoras dele.

39 comentários:

  1. Karina os nomes de Kaden e Rafe estão trocados neste capítulo e no outro

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    1. É não era o Rafe o assassino

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    2. Potterhead-selecionada18 de fevereiro de 2018 02:02

      Acho que em todos Karina.Porque Kaden é o príncipe. Rafe é o Vendano que conhece esse povo todo.Certo?
      Ou vai ver é assim mesmo,mas pra mim isso não faria muito sentido

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  2. Karina creio que ocorreu um erro com as troca do nome de Rafa pro Kaden nesse capitulo ex :
    “Kaden andou com seu cavalo até se aproximar do meu.
    — Me dê suas mãos — disse ele.
    Observei-os com incerteza e depois voltei meu olhar para os outros.
    — Posso conseguir joias — falei. — E mais dinheiro do que qualquer um de vocês poderia gastar em uma vida inteira. Deixem-me ir e...
    Eles começaram a rir.
    — Todo o dinheiro de dois reinos não vale o que o Komizar faz com traidores — disse Malich"

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  3. gnt q confuso,demorei um tempo pra perceber q nn era o Kaden,mas o Rafe,nn acredito q ele traiu ela mesmo

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  4. Ué o tempo todo kaden demonstrou ser o príncipe

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  5. Não entendi nada, Kaden não é o príncipe? Como assim ele tá com os bárbaros? Achei que fosse o Rafe?!
    Tá certo isso?

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  6. Eh Rafe neste capitulo? Pois ele q é amigo desses caras. Mto confuso...

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  7. N vou dizer q n esperava, mas mesmo assim fiquei um pouco surpresa

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  8. Fui enganada. Eu jurava que o kaden era o príncipe

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  9. Desde o começo foi perceptível que Kaden era o assassino...como vcs não perceberam?
    Laís

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    1. Né?
      Eu tive certeza no capítulo 17.

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    2. Exatamente, estava obvio que kaden era o assino

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    3. Concordo plenamente , o Rafe todo momento teve postura de princípe. Se ele fosse o assassino já teria matado a , qua do pensou que ela tinha um amante , pois ele tinha ficado irado com ela .

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    4. Concordo plenamente , o Rafe todo momento teve postura de princípe. Se ele fosse o assassino já teria matado a , qua do pensou que ela tinha um amante , pois ele tinha ficado irado com ela .

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  10. Eu sabia que Kaden era o assassino e Rafe o príncipe! Eu sabia!

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  11. nao ocorreu nenhum erro ? pois quando apareceu principe era o lado de kaden agora nao entendo mais nada estava torcendo pelo kaden pois achava que ele era o principe e que realmente gostasse de lia sofrendo muito !!!

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  12. Que porra doída é esse livro, até esse capítulo eu achava que ele era o príncipe eo assassino era o Rafe!!!! Nunca fiquei tão enganado como neste livro...

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  13. Eu não sei porque as pessoas falam que a Karina trocou os nomes, por que já tava óbvio que Kedam era o assassino

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  14. Mas o assassino n era o Rafe??? Agra buguei ! Karia pleaseee explica qm e qm!!

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    1. Desde o início a autora dava pistas dúbias sobre quem era o assassino e quem era o príncipe. Não dava pra saber com certeza, só criamos teorias sobre a identidade deles. Nesses capítulo finalmente foi revelado que Kaden é o assassino

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  15. Certo, eis aqui meu pensamento: eu n ligo mais pra merda nenhuma de kaden ou rafe, principe ou assassino, agr to na onda Zeca Pagodinho, deixa a vida me levar vida leva eu. São 4 da manhã eu to revoltada pq pelo que parece imaginei td invertido e quando acabar a trilogia vou reler isso só p entender esse cocô certo.

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  16. Eu tô me sentindo traída cara! Como assim o Kaden é o assassino!? Agora no fim ela vai descobrir que tava apaixonada pelo príncipe e vai perceber que essa merda toda poderia ser evitada.

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  17. Kkkkkkkkk
    Gnt vcs são iludidos mesmo ...
    O KADEM Q E O ASSASSINO . Q dificuldade de aceitar isso.... Ela combinou de encontrar com o Rafe mas o kaden apareceu primeiro ... Provavelmente a Pauline vai encontrar o Rafe e contatr tudo!!!

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  18. Fui enganada!!!
    Caramba!!!!
    Kaden parecia ser o principe.
    Então ela se apaixonou por quem ela devia ter casado. OMG
    Estou feliz e com raiva
    Kkkkkkkk

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  19. Eu sabia que Rafe era o príncipe, principalmente quando os dois estavam juntos e ele passou os seus lábios pelo o kavah dela. Afinal, não foi feito para ele?

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  20. E pensar que esse tempo todo ela poderia simplesmente ter ido embora com o príncipe q ia ficar td certo

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  21. tive certeza que era o rafe o principe quando falam do cavalo - fera - dele em alguns capitulos. no primeiro pov dele, ele falou algo sobre o cavalo, além de outras dicas q tavam na cara

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  22. Suuuuuper feliz que o Rafe é o principe, foi minha primeira teoria mas, depois pensei que estava errada 😍😍

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  23. Muito feliz também por Rafe ser o príncipe e o Kaden o assassino.

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  24. 🙄🙄🙄🙄🙄

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  25. AHHHHHHHHHHHH
    EU TAVA CERTA!!!!!!
    TO SURTANDO
    TO TREMENDO
    ALGUÉM ME AJUDA KKKKKKKKK

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  26. EU ESTAVA CERTA O TEMPO TODO!!
    MHUAHAHAHAHAA EU FALEI Q O RAFE ERA O PRINCIPE, N ENTENDI O PQ DAS PESSOAS TEREM ACHADO Q FOI UM ERRO, O KADEN É O ASSASSINO E PONTO FINAL!!
    #AMANDOOLIVRO

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Boa leitura, E SEM SPOILER!