16 de fevereiro de 2018

Capítulo 41

PAULINE

Bryn inclinou-se para a frente, olhando para sua cidra. Ele era o mais jovem dos irmãos de Lia, sempre animado, insolente, o que cometia tantas travessuras quanto ela. Os últimos meses haviam deixado Bryn sério. Não havia um largo sorriso sequer em sua face agora, nem ditos satíricos em sua língua.
— Eu e Regan secretamente comemoramos quando ela fugiu. Nós nunca achamos que as coisas chegariam a esse ponto.
— Walther também?
Ele assentiu.
— Talvez ele mais do que todos nós. Foi ele quem deixou pistas falsas ao norte para os rastreadores.
Regan reclinou-se em sua cadeira e soltou um suspiro.
— Todos nós havíamos expressado nossa oposição quanto a enviá-la até um estranho em uma terra desconhecida. Nós sabíamos que ela seria desafortunada, e havia outras formas de criar uma aliança com um pouco de diplomacia persistente...
— Mas, ao que tudo indicava, nossa mãe não queria saber disso — interpôs-se Bryn, com a primeira ponta de amargura no tom.
A rainha?
— Você tem certeza disso? — perguntei.
— Ela e o Erudito Real foram os primeiros a sugerir a aceitação da proposta de Dalbreck.
Isso era impossível. Eu conhecia a rainha. Eu tinha certeza de que ela amava Lia.
— Como você sabe disso?
Regan explicou que, depois que Lia desaparecera, houve uma imensa briga entre sua mãe e seu pai. Eles estavam tão enraivecidos que não haviam se retirado para suas câmaras particulares para colocar sua raiva para fora.
— Meu pai acusou a minha mãe de solapá-lo e fazer com que ele parecesse um tolo. Ele disse que ela nunca deveria ter forçado a questão se não era capaz de controlar sua própria filha. Eles jogavam os detalhes sórdidos na cara um do outro como se fossem flechas envenenadas.
— Tem que existir alguma explicação para tudo isso — falei. — Sua mãe ama Lia.
Regan deu de ombros.
— Ela se recusa a discutir o assunto com qualquer um de nós, inclusive com o rei. Até mesmo Walther não conseguiu sondar e fazer com que ela revelasse algo, e ele sempre conseguia arrancar as coisas dela.
Bryn disse que ela passava a maior parte do tempo em seus aposentos, até mesmo para as refeições, e ele só a via caminhando pelos corredores quando ela estava a caminho de ir encontrar-se com o Erudito Real.
— Mas o Erudito odeia Lia — falei.
Regan assentiu, concordando. A animosidade entre Lia e o Erudito não era segredo.
— Nós presumimos que ela esteja buscando conforto e aconselhamento nos Textos Sagrados. Ele é um especialista nessas coisas.
Conforto. Era possível... mas eu podia ouvir a dúvida na voz de Regan.
Bryn virou o restante de sua cidra.
— Você tem certeza de que ela foi sequestrada? — ele me perguntou novamente. O tom dele estava marcado pelo desespero. Eu sabia o quanto ele amava a irmã, e só de pensar nela nas mãos de bárbaros trazia a ele um infortúnio de partir o coração.
— Sim — respondi em um sussurro.
— Confrontaremos tanto nossa mãe quanto nosso pai — disse Regan. — Faremos com que eles nos ouçam. Temos que trazê-la de volta.
Eles se foram, e meu ânimo aumentou. A determinação de Regan deu-me uma fatia de esperança. Ele me lembrava muito seu irmão. Se apenas Walther estivesse aqui para postar-se ao lado deles também... Beijei meus dedos e fiz uma prece para o rápido retorno de Walther.
Empurrei a mesa e me levantei para voltar para o nosso quarto. Eu também podia ver o cansaço na face de Gwyneth enquanto ela se levantava. Tinha sido um longo dia de espera e expectativas.
— Bem, aí está você!
Tanto eu quanto Gwyneth nos viramos.
Berdi estava parada na entrada, com as mãos nos quadris.
— Bolas em chamas, eu fui até metade das estalagens daqui até as terras baixas procurando por vocês duas! Eu não achava que vocês estariam acomodadas confortavelmente no meio da cidade!
Permaneci fitando-a, não conseguindo acreditar muito naquilo que eu estava vendo.
Gwyneth encontrou sua língua antes de eu encontrar a minha.
— O que você está fazendo aqui?
— Eu não conseguia sequer temperar um caldeirão de cozido para garantir minha própria sobrevivência me preocupando com vocês duas e com o que aconteceu com Lia. Imaginei que seria mais útil aqui.
— Mas quem está cuidando das coisas na taverna? — perguntei, em um guinchado.
Berdi balançou a cabeça.
— Você não vai querer saber. — Ela limpou as mãos em seu vestido como se estivesse usando um avental e depois farejou o ar. — Não é lá grande coisa aqui em termos de cozinha também, estou vendo. Talvez eu tenha que enfiar minha cabeça no trabalho com a comida. — Ela voltou a olhar para nós e ergueu as sobrancelhas. — Eu não recebo algum tipo de boas-vindas?
Tanto eu quanto Gwyneth fomos correndo para seus braços bem abertos, e Berdi limpava lágrimas pelas quais ela culpava a cavalgada poeirenta. A única coisa que estava faltando naquele momento era Lia.

8 comentários:

  1. Pra um reino sem tecnologia as pessoas se encontram rápido hein?
    Será que a Pauline não vai acabar encontrando o Mikael? Hmm.

    ResponderExcluir
  2. Beijei meus dedos e fiz uma prece para o rápido retorno de Walther.// 💔

    ResponderExcluir
  3. Só acho q sim! E vai doer tanto nela...

    Amanda Coelho

    ResponderExcluir
  4. Eu acho que a rainha este tendo um amante e ele não é os livros sagrados. Também acho q ela vai encontrar o Mikael

    Mirtiz

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também acho estranho esse negócio da Rainha.

      Excluir
  5. Ai que triste! 💔 Walter.

    ResponderExcluir
  6. É realmente, Walther que triste, porém só me preocupo com a notícia do casamento chegando aos ouvidos deles, o que vai acontecer?? *MEDO*

    ResponderExcluir
  7. Será quo o Erudito é o pai da Lia? pq no começo diz que ela nasceu de uma "infelicidade"

    ResponderExcluir

Se você não tem conta no Google e quiser comentar, utilize a opção Nome/URL e preencha seu nome/apelido/nick; o URL pode deixar em branco.

Boa leitura, E SEM SPOILER!