2 de fevereiro de 2018

Capítulo 41

RAFE

Quando retornei, já era noite. Eu não tinha comido o dia todo, e minha cabeça latejava. Conduzi meu cavalo até o celeiro e tirei a sela, sentindo em minha pele a queimadura do vento e do sol de um longo dia de cavalgada. Eu estava cansado, ainda tentando entender tudo. Como sairíamos dessa? Passei os dedos pelos cabelos. Não tinha planejado muito bem minha viagem, mas, depois da noite longa com Lia, eu dormira muito pouco.
— Precisamos conversar.
Olhei por cima do ombro. Eu estava tão preocupado. Não a ouvi entrar.
Ergui minha sela para cima da madeira e fiquei cara a cara com ela.
— Lia...
— Onde você foi? — Os ombros dela estavam rígidos e seu tom de voz era curto e grosso.
Dei um passo hesitante em direção a ela.
— Precisei cuidar de alguns negócios. Algum problema?
— Um fazendeiro sem trabalho com negócios a cuidar?
O que havia de errado com ela?
— Eu disse a você que minha falta de trabalho era temporária. Eu precisava fazer o pedido de suprimentos. — Joguei a coberta do cavalo que ainda estava nas minhas mãos por cima da cabine e fechei o espaço entre nós. Fitei-a nos olhos, querendo beijar cada cílio negro, perguntando-me como isso tinha acontecido comigo. Ela ergueu a mão e puxou meu rosto para baixo, para junto de sua boca, pressionou seus lábios com força nos meus, e depois deslizou as mãos pelo meu pescoço, até meu peito, afundando os dedos na minha pele. Não era desejo que eu sentia na respiração dela, mas sim desespero. Recuei. Encarei-a e toquei com meu lábio onde o beijo bruto havia cortado minha carne.
— Tem alguma coisa errada — eu disse.
— Estou indo embora, Rafe. Amanhã.
Encarei-a, sem entender o que ela estava dizendo.
— O que você quer dizer com indo embora?
Ela foi andando até um fardo de feno em uma cabine vazia e se sentou, erguendo o olhar para os barrotes.
— Preciso voltar para casa — disse ela. — Tenho que cuidar de uma obrigação.
Ir para casa? Agora? Minha mente ficou acelerada.
— Que tipo de obrigação seria essa?
— Do tipo permanente. Não vou voltar.
— Nunca?
Ela olhou para mim, inexpressiva.
— Nunca — disse ela, por fim. — Eu não lhe contei tudo sobre a minha família, Rafe. Eu fui manipulada e mentiram para mim durante a minha vida inteira. Não vou voltar porque quero, mas um fato permanece... causei a eles e a outras pessoas muita dor com minha deslealdade. Se não voltar, posso causar ainda mais. Preciso voltar para cumprir meu dever.
A voz dela soava rígida e desprovida de sentimentos. Esfreguei o queixo. Ela parecia tão diferente! Uma Lia diferente daquela que eu sempre vira. Manipulações e mentiras. Desviei o olhar, meus olhos indo e vindo, incapazes de focar alguma coisa. Tentei analisar o que ela havia dito e reformular meus próprios planos frustrados ao mesmo tempo. Voltei a encará-la.
— E sua família vai lhe dar essa chance?
— Não sei, mas tenho que tentar.
Amanhã. Achei que fosse ter mais tempo. Era cedo demais. Os planos...
— Rafe?
— Espere — falei. — Deixe-me pensar. Tenho que entender isso.
— Não há nada a entender.
— Tem que ser amanhã? Não pode esperar mais uns dias?
— Não, não posso esperar.
Ela estava sentada, sozinha, imóvel. O que acontecera enquanto estive fora? No entanto, me parecia óbvio que a decisão dela estava tomada e que aquela era sua decisão final.
— Eu entendo de deveres, Lia — falei, tentando ganhar tempo e pensar nisso a fundo. — O dever é importante. — E lealdade também. Engoli em seco, minha garganta ressecada pela poeira da estrada. — A que horas você vai embora amanhã? — perguntei a ela.
— Pela manhã. Cedo.
Assenti, mesmo com a minha mente acelerada. Isso me dava muito pouco tempo, mas de uma coisa eu sabia: não poderia permitir que ela voltasse para Civica.

9 comentários:

  1. Respostas
    1. Também acho.
      Mas os autores gostam de brincar com nossa mente

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  2. Rapaz, será que estive errada esse tempo e ele é o assassino?
    Mas que merda, essa autora tá lascando minha mente!

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  3. pessoal acorda ele é o assassino ! nao é por nada nao mas se voces prestarem atençao iram saber que rafe é o assassino e o kaden o principe maravilhoso que merece o amor de lia

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  4. Eu acho que ele ia querer tempo de contar para ela qUE ele era o príncipe, ou ele é um assassino querendo tempo para poder matar ela. Eu não sei em qual eu acreditat

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  5. Eu não entendo essas dúvidas de vcs 😐

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  6. Eu estou com a mentr bugada... primeiro achei que ele era o assassino, depois achei que era o príncipe, depois voltei atrás na minha decisão... Agora não sei se ele quer mais tempo com ela pra contar que ele é o príncipe ou pra cortar a garganta dela.

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  7. Com toda certeza ele é o assassino, depois desse capítulo tenho certeza, mas estou torcendo pra estar errada kkkk

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Comentários de volta!
Passamos algumas horas sem essa opção, mas estamos à ativa novamente :)

Boa leitura! E SEM SPOILER!