20 de fevereiro de 2018

Capítulo 40

RAFE

O sol.
Eu havia mencionado o sol?
Faça com que o sol esteja nos olhos do seu oponente, e não nos seus.
Esquive-se e corte por baixo. Eu não tinha passado por isso. Mas não era como se ela não tivesse boas habilidades de luta com a espada. Talvez eu devesse ter dado a ela uma espada mais leve.
Havia tantas coisas que eu poderia ter dito, e não em relações a espada.
Eu sabia que estava repensando tudo o que fiz e disse. Fiz isso pela maior parte da jornada.
— Vossa Majestade, estamos quase lá. Venho falando há vinte minutos e você não ouviu nenhuma palavra do que eu disse.
— Eu ouvi o que você falou ontem, Sven. E anteontem. Reis fazem isso, eles não dizem, mas fazem. Eles escutam, consideram o que foi dito, agem. Eles tomam, eles dão. Eles empurram, mas não são empurrados. Isso resume tudo? Você está agindo como se eu não tivesse crescido na corte.
— Você não cresceu na corte — Sven fez questão de me lembrar.
Franzi o rosto. Na maior parte, ele estava certo. Sim, eu fazia refeições semanais com os meus pais, e estava incluído como uma questão de protocolo na maioria das funções oficiais, mas, durante os muitos anos em que estive sob a tutela de Sven, eu passara os meus dias com cadetes, recrutas e, mais recentemente, outros soldados. Os reis de Dalbreck eram, sobretudo, soldados, e eu não tinha sido criado de forma diferente do meu próprio pai, porém, no último ano, ele vinha me puxando mais para junto do seu convívio. Ele havia me feito estar presente em reuniões de alto nível e me aconselhava em relação a elas depois. Eu me perguntava se ele percebera que seu reinado estava chegando ao fim.
— Nós ainda temos uns bons quinze quilômetros pela frente — falei. — Estou preparado, juro.
— Talvez — disse ele, ressentido. — Mas a sua cabeça está em outro lugar.
Apertei as mãos nas minhas rédeas. Eu sabia que ele não deixaria isso de lado.
— Você fez o que tinha que fazer — ele continuou. — Deixar que ela se fosse foi um ato de coragem.
Ou idiotice.
— Ela está seguindo em direção a um reino repleto de traidores que a querem morta — finalmente respondi, sem pensar.
— Então por que deixou que ela fosse?
Não respondi. Ele sabia qual era a resposta. Ele já a revelara. Porque eu não tinha qualquer escolha. E essa era a ironia. Se eu a tivesse forçado a voltar comigo para Dalbreck, acabaria perdendo Lia do mesmo jeito. No entanto, visto que Sven havia aberto a porta para o que ocupava a minha mente, eu me aventurei a ir além, fazendo uma pergunta que circulava a minha cabeça como se fosse um corvo ensandecido arrancando pedaços da minha carne.
— Eu sei que o Assassino a ama. — Engoli em seco, e depois disse, ainda, mais baixinho: — Você acha que ela o ama?
Sven tossiu e se mexeu na sua sela.
— Essa não é minha área de especialidade. Eu não posso lhe dar conselhos em relação a...
— Não estou pedindo conselhos, Sven! Apenas sua opinião! Você parece ter uma opinião sobre tudo, de qualquer forma!
Se tivesse me nocauteado para fora da sela, ele teria estado em pleno direito de fazê-lo. E não teria sido a primeira vez. Em vez disso, Sven pigarreou.
— Muito bem. Pelo que observei no Sanctum, e pela forma como ela intercedeu em nome dele quando o capturamos, eu diria que... sim, ela realmente gosta dele. Mas amor? Disso não estou tão certo. O jeito como ela olhava para você era...
Uma trombeta soou.
— Tropas! — gritou o porta-estandarte.
Nós estávamos longe demais para já sermos saudados por um esquadrão, mas, quando eu e Sven forçamos os nossos cavalos a irem mais para frente para podermos enxergar melhor, lá estava ele. Não apenas um esquadrão, mas o que parecia ser um regimento inteiro dalbretchiano dirigindo-se a nós. O dobro do número que tínhamos na nossa caravana. Para nos fazer parar ou para nos escoltarem até Dalbreck? Não era costumeiro que caravanas de postos avançados fossem recebidas dessa forma, mas, por outro lado, reis desafiados não costumavam fazer parte de uma caravana em retorno.
— Armas em prontidão — gritei. A ordem rolou-se para trás junto com a caravana como se fosse um cântico de guerra. — Sigam em frente.
Conforme nos aproximávamos, o capitão Azia gritou mais ordens, e a caravana se espalhou, criando uma ampla e formidável fila. Escudos foram erguidos. Nós estávamos enfrentando os nossos próprios homens — não era exatamente como eu havia visualizado o início do meu reinado. O reino estava mais divido do que eu pensara. Sven cavalgava em um dos meus lados, e Azia, no outro. Os rostos entraram no meu campo de visão, e do general Draeger, primeiramente, entre eles.
— Não estou gostando disso — grunhiu Sven.
— Vamos dar a ele uma oportunidade de fazer o que é certo — falei. Eu me virei. — Fiquem onde estão! — gritei para aqueles que estavam atrás de mim, e então segui em frente com os meus oficiais para encontrar o general.
Todos nós paramos a alguns metros uns dos outros.
— General Draeger — falei, em uma voz firme, e baixei a cabeça em reconhecimento a ele, tentando evitar uma conclusão sangrenta.
— Príncipe Jaxon — disse ele.
Príncipe. O calor se ergueu no meu pescoço. Meus olhos travaram-se nos dele.
— Você esteve por muito tempo no campo, general — falei. — Não deve estar ciente disso, mas o meu título mudou... já o seu, não.
Ele sorriu.
— Acho que foi você quem ficou fora por tempo demais.
— Concordo. Mas agora estou aqui para assumir o meu lugar de direito no trono.
Ele respondeu ao meu olhar fixo com um olhar fixo também, nem se corrigindo, nem recuando. Ele era jovem para um general, não passando dos quarenta anos, e estava no mais alto escalão militar por três anos, mas talvez ele sentisse que já havia crescido mais do que o cargo. Olhou de relance para Sven e Azia, e depois, por um breve instante observou a longa fila de soldados atrás de nós, avaliando os seus números e, possivelmente, a sua determinação.
— E agora acha que está aqui para ocupar o seu lugar e governar? — ele me perguntou.
Respondi com um olhar gélido fixo. Ele estava forçando tanto os seus próprios limites quanto os meus.
— Estou.
Ele fez um movimento, levando a mão na direção do cabeçote da sua sela, e Azia levou a mão à espada.
— Calma — falei.
O general desceu do seu cavalo, e as tropas que estavam atrás dele fizeram o mesmo. Ele olhou dentro dos meus olhos, seguro e sem medo, e assentiu.
— Seja bem-vindo ao lar, então, rei Jaxon. — Ele se prostrou em um só joelho. — Vida longa ao rei! — disse ele. Tanto os soldados que estavam na minha frente quanto os que estavam atrás de mim ecoaram o grito.
Olhei para ele e me perguntei se ele seria um súdito mais fiel a Dalbreck do que qualquer um de nós, disposto a me desafiar e arriscar a vida para garantir a estabilidade do seu reino, ou se havia julgado a lealdade daqueles que atrás de mim estavam em comparação com a daqueles que estavam atrás dele e decidira tomar a ação mais prudente. Por ora, eu teria que acreditar na primeira hipótese.
O general se levantou, me deu um abraço e, depois de me oferecer algumas rápidas condolências, a caravana prosseguiu cavalgando, com o Draeger entre mim e o capitão. A tensão ainda estava altíssima. Eu vi que Sven observava o general e trocava olhares de relance com o oficial à sua direita. Fique de olho nele. Permaneça por perto. Tome cuidado. Todas as mensagens que eu havia aprendido a ler nos olhos de Sven, devido aos anos passados sob sua tutela.
Conforme nos aproximávamos dos portões, o general seguiu cavalgando em frente para direcionar as suas tropas, e eu me virei para Sven.
— Aqui — falei, esticando a mão atrás de mim para colocá-la na minha bolsa, remexendo às cegas no seu conteúdo, até que encontrei aquilo de que precisava. — Leve isso a Merrick. Essa é a primeira coisa a fazer. A julgar pela saudação de Draeger, não terei uma oportunidade de sair de fininho que seja por vários dias. É uma coisinha que peguei. Não mostre a ninguém, e não conte isso a ninguém. Merrick vai saber o que fazer.
Sven olhou para mim com incredulidade.
— Você roubou isto?
— Acima de tudo, Sven, você deveria saber que reis não roubam coisas. Nós simplesmente fazemos aquisições. Esta não consta entre as suas máximas reais?
Sven soltou um suspiro e murmurou, quase para si mesmo.
— Por que sinto que esta aquisição só vai trazer problemas?
Ela já trouxe, pensei, e agora estava com esperanças de que pudesse trazer o oposto, alguma espécie de paz. Eu me perguntava se, na lista de máximas reais, era permitido que um rei nutrisse esperança.

8 comentários:

  1. Respostas
    1. A pow se é assim quero que a Lia case comigo!! Estou muitíssimo desejoso de fazer aquisições!!kkkk

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  2. Rafe casa comigo, para eu poder fazer aquisições tbm kkk

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  3. KKKKK...nada disso, ja cogitei essa ideia primeiro kkkkkkkkkkk

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  4. Calma ele rouboum os livros? Ela vai matar eleeew😱😣.
    Eu não quero que eles se separem genteee

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  5. Que seja unificado os reinos e Rafe fique comigo seu lindo...

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  6. Melhor que o livro só os comentários kkkkkkkkkkkkk����������

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  7. Dã, ele pegou os livros para ela ter um motivo pra voltar, acho. Ou ele só queria encher o saco mesmo porque ele tá enchendo.

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Boa leitura, E SEM SPOILER!