2 de fevereiro de 2018

Capítulo 37

Estirei-me na cama, deslizando as pernas ao longo dos lençóis frescos, e abri um sorriso novamente. Eu tinha meio dormido, meio sonhado, e meio que revivido todos os momentos durante a noite toda — muitas metades para caberem em uma única noite.
Havia um elo entre nós que eu não era capaz de nomear. Uma tristeza, um arrependimento, algo que ficava aquém das expectativas, um passado. Vi o anseio nos olhos dele, não apenas por mim, mas por algo mais, uma paz, uma completude, e queria dar isso a ele.
Eu estava imersa novamente em sua ternura... o dedo dele tracejando uma linha pelo meu ombro, deslizando a tira do meu vestido, soltando-a, para que pudesse beijar as minhas costas, seus lábios roçando meu kavah, meu corpo inteiro formigando ao seu toque, nossos lábios se encontrando repetidas vezes.
Desde o primeiro dia, Lia, eu queria isso, eu queria você.
Nossos dedos entrelaçados, tombando em uma cama de folhas, minha cabeça repousando no peito dele, sentindo a batida de seu coração, sua mão acariciando meus cabelos.
Eu tinha que dormir um pouco, mas não conseguia parar de reviver a cena. Não achava que poderia ser assim. Jamais. Com ninguém.
Conversamos durante horas. Ele adorava pescar à margem de um rio, mas raramente tinha tempo para isso. Ele ficou hesitante quando lhe perguntei sobre seus pais, mas então me disse que haviam morrido quando era novo. Ele não tinha mais ninguém, o que explicava por que não era versado nos Textos Sagrados. Ele havia trabalhado em uma fazenda, na maior parte do tempo cuidando dos cavalos e de outros animais, mas também ajudando nos campos. Sim, melões eram uma das coisas que eles cultivavam por lá, exatamente como eu havia imaginado! Ele odiava carne de pombo e ficara feliz quando saímos cedo do jantar. Dividi minhas histórias com ele também, a maioria delas sobre incursões nas montanhas ou nas florestas com meus irmãos, cujos nomes ficaram sem ser ditos. Tomei cuidado para deixar de fora detalhes da realeza. Ele ficou surpreso ao saber que eu preferia esgrima a costura, e jogos de cartas a aulas de música. Ele prometeu me desafiar para um jogo qualquer dia desses.
Estava tarde quando ele me levou de volta, caminhando ao meu lado. Pauline tinha deixado o lampião do lado de fora para mim. Nossas palavras simplesmente continuavam ligando-se umas às outras, sempre com mais uma coisa a dizer nos impedindo de nos separarmos, mais uma coisa que precisávamos partilhar. Por fim, beijei-o pela última vez e me despedi, mas, quando estiquei a mão para pegar na maçaneta da porta, ele me parou.
— Lia, tem mais uma coisa, algo que eu preciso...
— Amanhã, Rafe. Teremos o dia todo amanhã. Está tarde.
Ele assentiu, e então levou minha mão aos seus lábios e foi embora.
Uma noite perfeita... um para sempre perfeito.
Fiquei nesse mundo onírico semiacordada a noite toda, até as primeiras horas da manhã, quando as pontas de luz entraram de mansinho ao longo do peitoril da janela, e meus sonhos finalmente cederam lugar ao sono.

2 comentários:

  1. Detesto quando os autores fazem isso...dão uma "resumo" do que aconteceu¬¬

    QUAL ÉÉÉÉÉ??!!! QUERO DETAAAAALHES *-----*

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    1. Queria ter a opção de curtir os comentarios aq pq o seu definitivamente merece um

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Boa leitura! E SEM SPOILER!