16 de fevereiro de 2018

Capítulo 32

RAFE

— Aquela porta — Ulrix resmungou, apontando para frente. — Estarei de volta em duas horas.
— Não vai me levar tanto tempo para tomar banho.
— Mas meus deveres levarão tanto tempo. Fique quieto no lugar até que eu volte para buscá-lo.
Ele saiu pisando duro, ainda irritado que eu tivesse ganho um banho quente em um jogo de cartas ontem à noite. Ele alegou que me deixou ganhar porque eu fedia, o que podia ser verdade.
Por mais que eu quisesse um banho de verdade, meu real propósito era ver mais do Sanctum, e eu sabia que a câmara de banho ficava mais perto da torre onde Lia ficava com Kaden. Enquanto ganhei algumas liberdades de movimento, andar sozinho para uma parte diferente do Sanctum não estava entre eles.
Decorei o caminho que tomamos, fazendo a Ulrix perguntas inócuas, tentando determinar quais corredores eram os mais frequentemente usados e onde eles levavam. Ulrix, mesmo com seu pavio curto, provou-se ser útil.
Abri a porta para a câmara de banho, e como prometido, ali estava uma banheira cheia de água. Mergulhei minha mão nela. Morna, no máximo, mas mais do que convidativa após poder lavar-me apenas com uma bacia de água fria. Havia sabão e uma toalha também. Ulrix deve ter sido sentindo generoso.
Tirei minhas roupas e enfiei a cabeça primeiro, esfregando meu rosto e couro cabeludo, em seguida, entrei e me molhei totalmente, mas a água esfriava rapidamente, então me lavei e saí antes que ela ficasse fria. Me sequei e estava apenas meio vestido quando senti mãos em minhas costas nuas.
Girei, e lá estava Lia, empurrando-me contra a parede.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei. — Você não pode...
Ela puxou meu rosto para o dela e me beijou, um beijo cálido e longo, os dedos passando através do meu cabelo molhado. Eu me afastei.
— Você tem que sair. Alguém pode...
Mas então minha boca desceu sobre a dela de novo, forte e faminta, enviando uma mensagem muito diferente do que a que eu estava tentando transmitir. Minhas mãos deslizaram em volta de sua cintura, viajaram até suas costas, absorvendo todo o tempo perdido e os dias que eu queria abraçá-la.
— Ninguém me viu — ela falou entre beijos.
— Ainda.
— Ouvi Ulrix dizer que ficaria fora por duas horas, e ninguém vai me verificar por pelo menos esse mesmo tempo.
Meu corpo se moldava ao dela. Eu podia sentir o desespero em seus beijos, e ela sussurrou sobre as colinas distantes de Venda que tinha visto, intermináveis colinas onde poderíamos nos perder.
— Por alguns dias, se tivermos sorte — falei. — Isto não é suficiente. Eu quero uma vida com você.
Ela hesitou por um momento, trazida de volta para a nossa realidade, então descansou a bochecha em meu peito.
— O que vamos fazer, Rafe? — perguntou ela. — Já faz doze dias. É só uma questão de mais uma dúzia antes que cavaleiros retornem com notícias da boa saúde do rei.
— Pare de contar os dias, Lia — falei. — Isso vai levá-la à loucura.
— Eu sei — ela sussurrou, e deu um passo atrás. Seus olhos passaram por meu peito nu. — Você deve se vestir antes de pegar um resfriado — disse ela.
Com ela tão perto, eu estava com tudo, menos frio, mas agarrei minha camisa e a vesti. Ela me ajudou a abotoá-la, e cada roçar de seus dedos queimava a minha pele.
— Como você saiu do seu quarto? — perguntei.
— Há uma passagem abandonada. Leva a alguns corredores, em sua maioria cheios de gente, o que torna inútil na maior parte do tempo, mas às vezes uma oportunidade se apresenta. — Ela não parecia preocupada sobre como voltar para o seu quarto sem ser detectada, embora eu estivesse. Ela colocou o dedo em meus lábios e me disse para parar, dizendo que tínhamos muito pouco tempo juntos, e ela não o usaria para se preocupar com isso também. — Eu já te disse que sou boa em entrar e sair furtivamente. Tenho anos de experiência nisso.
Tranquei a porta e movi baldes vazios de um catre para o chão para que pudéssemos nos sentar. Nos atualizamos sobre o pouco que sabíamos. Ela estava aninhada em meus braços, me contando sobre a viagem através dos campos de Venda e como as pessoas lá eram, assim como quaisquer outras, pessoas tentando sobreviver. Ela disse que eram amáveis e curiosos e nada como o Conselho. Eu disse a ela que tinha aprendido sobre os caminhos com Ulrix, mas segurei algumas coisas que eu tinha vindo a fiz, particularmente as armas que tinha conseguido esconder. Eu tinha visto o fogo em seus olhos quando ela falou sobre conseguir furtar uma das armas do Sanctum. Ela tinha testemunhado a morte brutal de seu irmão, e eu não poderia culpá-la por querer vingança, mas não queria que ela conseguisse uma faca ou espada antes do momento certo.
Ela empurrou-me pelos ombros para me fazer deitar e eu a puxei comigo, minha cautela desmoronando. Eu a queria mais do que a própria vida. Ela olhou para baixo, para mim, e traçou um dedo ao longo da minha mandíbula.
— Príncipe Rafferty — disse ela com curiosidade, como se ainda tentasse entender quem eu realmente era.
— Jaxon é como me chamam em Dalbreck.
— Mas eu sempre vou te chamar de Rafe.
— Você está decepcionada que eu não seja um fazendeiro?
Ela sorriu.
— Você ainda pode aprender a cultivar melões.
— Ou talvez nós possamos cultivar outras coisas — eu disse, puxando-a para perto, e nos beijamos de novo e de novo. — Lia — eu finalmente sussurrei, tentando nos trazer de volta à razão — temos que ser cuidadosos.
Ela pressionou a testa na minha, em silêncio, depois se acomodou contra o meu ombro, e nós conversamos, quase como fizemos em nossa última noite juntos em Terravin, mas desta vez eu lhe disse a verdade. Meus pais não estavam mortos. Eu disse a ela como eles eram e um pouco sobre Dalbreck.
— Eles ficaram com raiva quando fugi do casamento?
— Meu pai ficou furioso. Minha mãe estava inconsolável tanto por mim e quanto por si mesma. Ela estava ansiosa para ter uma filha.
Ela balançou a cabeça.
— Rafe, eu sinto...
— Shh, não diga isso. Você não deve a ninguém um pedido de desculpas. — E então eu contei o resto a ela, que nunca me foi proposto como um casamento real e que meu pai até sugerira que eu tomasse uma amante após o casamento se a noiva não se adequasse aos meus gostos.
— Uma amante? Bem, isso não é romântico? — Ela se apoiou sobre um braço para olhar para mim. — E quanto a você, Rafe? — ela perguntou mais suavemente. — O que pensou quando eu não apareci?
Lembrei-me daquela manhã, esperando no claustro da abadia, juntamente com todo o gabinete Dalbreck, puxando meu casaco. Tivemos que cavalgar a noite toda, atrasados por causa do tempo, e eu só queria acabar com aquilo.
— Quando chegou a notícia de que você fugiu, fiquei surpreso — falei. — Essa foi a minha primeira reação. Eu não conseguia descobrir como isso poderia acontecer. Cada detalhe havia sido calculado pelo gabinete de dois reinos. Na minha cabeça, poderia muito bem ter sido esculpido em pedra. Eu não conseguia entender como uma menina poderia desfazer os planos dos homens mais poderosos do continente. Então, quando meu choque finalmente passou, eu fiquei curioso. Sobre você.
— E você não ficou com raiva?
Eu sorri.
— Sim, fiquei — eu concedi. — Eu não admitiria isso no momento, mas estava furioso também.
Ela revirou os olhos.
— Ha! Como se eu não soubesse.
— Suponho que estivesse aparente quando cheguei a Terravin.
— No minuto em que entrou naquela taberna, eu sabia que você era problema, Príncipe Rafferty.
Teci os dedos em seus cabelos e a puxei para mais perto.
— Assim como eu pensei de você, Princesa Arabella.
Seus lábios pressionaram ao meu, e me perguntei se poderia haver um dia em que não teríamos que interromper nosso tempo juntos, mas eu estava ficando preocupado com Ulrix. Ele tinha ido fazia quase uma hora, imaginei, e eu não queria arriscar caso ele voltasse cedo. Quando a afastei, ela prometeu sair depois de mais cinco minutos. Cinco minutos mal era o tempo de beber uma cerveja, mas nós enchemos esses minutos de memórias do nosso tempo em Terravin. Eu finalmente disse que ela tinha que ir.
Olhei para fora da porta para ter certeza de que o corredor estava vazio. Ela tocou meu rosto antes de sair e disse:
— Um dia nós vamos voltar para Terravin, não vamos, Rafe?
— Vamos — eu sussurrei, porque era o que ela precisava ouvir, mas quando a porta se fechou atrás dela, eu sabia que se um dia saísse daqui, nunca iria levá-la para qualquer lugar de Morrighan, incluindo Terravin.

9 comentários:

  1. Não é estranho que mesmo sendo prisioneiros do Komizar, eles ainda consigam ter momentos cálidos como esse?? (Especialmente se considerar que o Komizar está em casa) oO

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  2. Bem, é estranho pelo fato deles estarem sendo vigiados. Mas era de se esperar que eles tentassem de tudo pra se ver né. Uma hora eles serão pegos. Se já não estão sendo observadod e o Komizar aguarda algo bem bolado pra faze-los sofrer.
    Não consigo imaginar o futuro, tipo, ela quer voltar a Terravin, ele pra Dalbreck.. Vai ser complicado.

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  3. Acho isso deles se encontrarem uma pessima ideia, não consigo perder a sensação que uma hora alguem vai chegar ou que sempre tem alguem olhando. O Kaden sabe sobre a visita qe a Lia fez ao quarto do Rafe e já mostrou como conhece bem os trejeitos dela.
    Gosto mais da Lia longe do Rafe, quando ela não é apenas a princesa esperando ser salva.

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    1. Né!! Alguma hora esses encontros aí vai dar errado

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  4. Sei não o Rafe tá ficando super protetor e isso não é legal.
    A Lia é muito independente e cheia de atitude ela nao vai gostar desse cuidado todo não.
    Ta parecendo o Tamlin (ACOTAR)

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    1. No momento, estou concordando com vc.

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    2. Será q não vai ser esse o ponto ... Tamlin e Ris de novo ... Será q no final ela não vai escolher o kaden?? Eu sempre achei q a bela tinha q ficar com o Jacob e achei que o tamlin era uma pessoa compreensiva ... Tenho dedo podre kkkkkk

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  5. Só eu que fico pensando no bafo absurdo nessas cenas de beijo?

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  6. — Vamos — eu sussurrei, porque era o que ela precisava ouvir, mas quando a porta se fechou atrás dela, eu sabia que se um dia saísse daqui, nunca iria levá-la para qualquer lugar de Morrighan, incluindo Terravin... Só eu senti algo estranho 🤔🤔🤔

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Boa leitura, E SEM SPOILER!