2 de fevereiro de 2018

Capítulo 32

Inclinei-me para a frente na banheira enquanto Pauline esfregava minhas costas, saboreando o luxo escorregadio dos óleos de banho na minha pele e a água quente aliviando meus músculos doloridos. Pauline deixou cair a esponja na minha frente, borrifando meu rosto de água.
— Volte para a terra, Lia — disse ela.
— Não é todo dia que a gente dá o primeiro beijo — falei.
— Posso lembrá-la de que esse não foi seu primeiro beijo?
— A sensação é como se fosse. Foi o primeiro beijo que importou.
Ela havia me dito, enquanto estávamos pegando a água para o banho, que todo mundo podia nos ouvir gritando lá no refeitório, então Berdi e Gwyneth começaram mais uma rodada de canções para afogarem nossas palavras, mas Pauline ouviu quando eu gritei vá embora, de modo que em momento algum imaginou que acabaria interrompendo um beijo. Ela já havia se desculpado várias vezes, mas disse a ela que nada poderia tirar aquele momento de mim.
Ela ergueu um jarro de água de rosas.
— Agora?
Eu me levantei, e ela deixou a água aromatizada escorrer pela minha cabeça e pelo meu corpo para dentro da tina. Depois, me enrolei em uma toalha e pisei para fora, ainda revivendo cada momento, especialmente aquela última troca de olhares, um nos olhos do outro.
— Um fazendeiro — eu disse, soltando um suspiro. — Não é romântico?
— É — concordou Pauline.
— É muito mais genuíno do que um velho príncipe estufado. — Abri um sorriso. Ele trabalhava a terra, ele fazia as coisas crescerem.
— Pauline? Quando foi que você...? — E então me lembrei de que esse não era um assunto que deveria abordar com ela.
— Quando foi que eu o quê?
Balancei a cabeça em negativa.
— Nada.
Ela se sentou na beirada da cama, esfregando óleo em seus tornozelos recém-banhados. Por um momento, pareceu que ela havia se esquecido da pergunta que eu tinha começado, mas, depois de um instante, disse:
— Quando foi que eu soube que tinha me apaixonado por Mikael?
Sentei-me de frente para ela.
— Sim.
Ela soltou um suspiro, puxando os joelhos para cima e abraçando-os.
— Era começo de primavera. Eu tinha visto Mikael diversas vezes no vilarejo. Sempre havia muitas meninas em volta dele, então nunca achei que ele me notaria. Mas ele me notou. Um dia, enquanto passava por ele, senti seu olhar sobre mim, mesmo sem estar olhando na direção dele. Todas as vezes em que nossos caminhos se cruzavam depois daquilo, ele parava, ignorando as atenções daquelas que o cercavam, e ficava olhando para mim até que eu tivesse passado, e então, um dia... — Observei que Pauline havia voltado olhar para a parede oposta, mas ela via outra coisa que não a parede. Estava vendo Mikael. — Eu estava a caminho da costureira, e de repente ele alcançou meus passos e começou a andar ao meu lado. Fiquei tão nervosa que só conseguia olhar para a frente. Ele não disse nada, apenas andou junto comigo, e então, quando estávamos quase no ateliê de costura, ele me disse: “Eu me chamo Mikael”. Comecei a formular a resposta, mas ele me impediu, falando: “Você não tem que me dizer quem é. Eu já sei. Você é a criatura mais bela que os deuses já criaram”.
— E foi aí que você soube que o amava?
Ela deu risada.
— Ah, não. Qual soldado não tem um punhado de palavras doces de prontidão? — Ela soltou um suspiro e balançou a cabeça. — Não, foi duas semanas depois disso, quando ele havia exaurido todas as cantadas de que dispunha, parecendo tão abatido, e olhou para mim. Ele apenas olhou para mim. — Os olhos dela brilhavam. — E então sussurrou meu nome com a voz mais doce, mais fraca, mais honesta: “Pauline”. Só isso, apenas o meu nome: Pauline. Foi então que eu soube. Ele não tinha mais nada, mas não ia desistir. — Ela sorriu, com a expressão sonhadora, e recomeçou a massagear o pé e o tornozelo com o óleo.
Seria possível que Pauline e Mikael tivessem partilhado algo verdadeiro ou será que o soldado só extraíra aquilo de um novo poço de truques? Qualquer que fosse o caso, ele voltou para seus modos antigos e agora aquecia o colo com um novo suprimento de meninas, esquecendo-se de Pauline e jogando fora o que quer que os dois tiveram. No entanto, isso não tornava o amor que Pauline sentia por ele menos verdadeiro.
Eu me curvei e esfreguei meus cabelos com a toalha para secá-los. Quero sentir sua pele, seus cabelos, passar todas as mechas de seus cabelos escuros pelos meus dedos. Puxei as mechas de cabelos molhados até meu nariz e as cheirei. Será que ele gostava do aroma de rosas?
Meu primeiro encontro com Rafe fora bem controverso, e nem de longe eu ficara tão abalada quanto Walther quando ele via Greta. E Rafe com certeza não me cortejou com as mesmas palavras doces de Mikael com Pauline. No entanto, talvez isso não tornasse o sentimento menos verdadeiro.
Talvez houvesse centenas de formas diferentes de se apaixonar.

4 comentários:

  1. Eu quero que ela fique com o Rafe, mas será que ele é o assassino???
    E se ele tentar matar ela? E se for o príncipe herdeiro que precisa voltar para Delbrek? OMG!!!! Como decidir????

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  2. Acho q o Rafe e o assassino.

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  3. Rafe é o príncipe mas queria q fosse o assassino porque ia set muito interessante

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Boa leitura, E SEM SPOILER!