20 de fevereiro de 2018

Capítulo 26

RAFE

Encontrei Lia enfiada no canto do refeitório dos soldados, de costas para mim. Desenrolei os dedos, forçando-os a relaxar. Prometi a mim mesmo que não entraria ali com acusações. Eu iria esquecer aquilo.
No entanto, não importava o quanto eu tentasse bloquear isso, meu encontro com Kaden no bangalô do cirurgião debatia-se dentro da minha cabeça. Foi em mim que ela se agarrou quando precisava de conforto. Foi no meu ombro que chorou. Não esteja tão certo da posição que você ocupa agora. Foi ao meu lado que ela dormiu todas as noites e, acredite em mim, Lia gostou de cada segundo do beijo que me deu. Você não passa de um meio para os fins dela. Eu disse a mim mesmo que isso não passava de uma provocação, e não deixei que notassem que eu dava algum mérito àquelas palavras. Elas não mereciam.
O salão de jantar ficava em grande parte vazio entre as refeições, exceto pelos cinco soldados que estavam sentados a uma mesa com ela. Cruzei o salão devagar, com o chão rangendo sob as minhas botas, o que, de imediato, chamou a atenção de todos. Exceto de Lia. Cada um dos soldados olhou para mim e colocou duas cartas na mesa.
Ela não se virou, nem mesmo quando parei atrás da sua banqueta e seus cabelos roçaram o meu cinto. Os soldados fizeram que iam se levantar, mas acenei para que voltassem a se sentar.
— Então, qual é a sua aposta dessa vez? — perguntei a ela. — Alguma coisa com que eu deveria me preocupar?
Ela ergueu uma garrafa de bebida, ainda não se virando para olhar para mim.
— Toda vez que perco uma rodada, a garrafa é passada adiante. Só tive que passá-la duas vezes. — Ela soltou um suspiro de um jeito dramático. — O coronel Bodeen realmente deveria tomar mais cuidado em relação a trancar o armário de bebidas. — Ela inclinou a cabeça, como se estivesse pesando um pensamento. — Talvez o armário dele estivesse trancado...
Peguei a garrafa e a coloquei no meio da mesa, depois empurrei a pilha que ela havia acumulado para o meio da mesa também.
— Cavalheiros, aproveitem o seu jogo.
— Foi um prazer — disse ela aos seus novos camaradas, e esticou a mão para que eu a escoltasse.
Nenhum de nós disse o que quer que fosse até estarmos do lado de fora.
Virei-me para ficar cara a cara com ela, coloquei as minhas mãos na sua cintura e então a beijei gentilmente.
— Não é típico de você ceder com tanta facilidade.
— Eles eram bons jovens, mas péssimos jogadores. Aquilo foi só para passar tempo.
— E pegar a bebida do coronel Bodeen foi um desafio?
— Foi uma aposta mais elegante do que a que ofereci da última vez. Eu só estava pensando em você.
— Bem, obrigado. Eu acho. O que foi que causou essa diversão?
Ela olhou para mim com frustação.
— Parecia que, em toda parte onde eu ia hoje, precisava da permissão do rei Jaxon para passar. Primeiro pelos vagões dos mercadores lá fora, depois a tentativa de acessar a muralha do posto e, por fim, Tavish quase me jogou para fora do bangalô do cirurgião...
— O que você estava fazendo lá?
Meu tom saiu mais fino do que eu pretendia, e ela se soltou do círculo formado pelas minhas mãos.
— Que diferença isso faz?
— Precisamos conversar.
A expressão dela ficou séria.
— Sobre o quê?
— Na minha tenda.

3 comentários:

  1. Nossa, como o Rafe está agindo como um idiota!

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  2. O amor nos torna idiotas !!! E as vezes bem ciumentos!!!! Uma mulher inigualável como a Lia certamente despertaria tais sentimentos em mim!!!

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  3. "e, por fim, Tavish quase me jogou para fora do bangalô do cirurgião..."

    ahuahuahuahuahuahua

    Pq será?

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Boa leitura, E SEM SPOILER!