16 de fevereiro de 2018

Capítulo 26

KADEN

Observei-a caminhar devagar.
Era algo sobre seus passos. Os braços cruzados a sua frente. A sua noção de tmepo. A descontração deliberada de tudo.
Os músculos do meu pescoço tensionaram. Eu não tive uma boa sensação sobre isso. Então ela sorriu, e eu sabia.
Não faça isso, Lia.
Mas eu na verdade não tinha certeza exatamente do que ela estava fazendo. Só sabia que nada de bom viria disso. Eu conhecia a linguagem corporal de Lia.
Tentei me desvencilhar do governador Carzwil, que tinha a intenção de compartilhar todos os desafios do transporte de nabos e sacos de cal de sua província para Venda.
— Lia — chamei, mas ela me ignorou.
O governador falou mais alto, determinado a recuperar a minha atenção, mas eu não parava de olhar para longe.
— Ela está bem — disse o governador. — Dê-lhe um pouco de corda, rapaz! Olhe, ela está sorrindo.
Esse era o problema. O sorriso dela não queria dizer o que ele pensava que dizia. Eu sabia que significava problemas. Desculpei-me e me afastei de Carzwil, mas pelo tempo que cheguei à mesa, ela já havia se envolvido numa conversa com dois dos governadores. Mesmo que eles fossem dois dos que se animaram com a presença dela mais do que os outros, eu ainda pairava, sentindo alguma coisa no ar.
— Então o objetivo é conseguir seis cartas com números iguais? Isso soa bastante fácil — disse Lia, sua voz leve e curiosa.
Malich cuspiu no chão ao lado dele, e depois sorriu.
— Claro que é fácil.
— Há mais do que isso — disse o governador Faiwell. — Os símbolos coloridos também devem ser combinados – se você conseguir, é claro. E certas combinações são melhores que outras.
— Interessante. Acho que eu poderia entender como isso funciona — Lia disse em uma voz cantada.
Ela repetiu o básico de volta para eles.
Eu reconheci a inclinação de sua cabeça, a cadência de suas palavras, o franzir de seus lábios. Eu sabia o que estava fazendo tão certo como eu ainda sentia o calombo em minha canela.
— Vamos embora, Lia. Deixe-os jogar o seu jogo.
— Deixe-a assistir! Ela pode sentar no meu colo — o governador Umbrose riu.
Lia olhou por cima do ombro para mim.
— Sim, Kaden, eu gostaria de tentar a minha sorte neste jogo — disse ela, depois se voltou para a mesa. — Posso me juntar a vocês?
— Você não tem nada para apostar — Malich resmungou — e ninguém joga de graça.
Lia estreitou os olhos e deu a volta para o seu lado da mesa.
— É verdade, eu não tenho nenhuma moeda, mas com certeza tenho algo de valor para você. Talvez uma hora a sós comigo? — Ela se inclinou sobre a mesa, e sua voz se tornou dura. — Tenho certeza que você adoraria isso, não adoraria, Malich?
Os outros jogadores assobiaram, dizendo que era aposta suficiente para todos eles, e Malich sorriu.
— Você está dentro, princesa.
— Não — eu disse. — Você não está dentro! Já chega. Venha...
Lia deu a volta, lábios sorrindo, mas seus olhos se iluminaram com fogo.
— Eu nem sequer tenho a liberdade de fazer a mais simples das escolhas? Sou a mais baixa dos prisioneiros, Assassino?
Era a primeira vez que ela me chamava assim. Nossos olhares se encontraram. Todos esperavam. Eu balancei a cabeça; não um comando, mas um apelo. Não faça isso.
Ela se virou.
— Eu estou dentro — ela falou e se sentou em uma cadeira que foi trazida para a mesa.
Ela recebeu uma pilha de fichas de madeira, e o jogo começou. Malich sorria. Lia sorria. Todo mundo sorria, menos eu.
E Rafe.
Ele se aproximou do perímetro exterior com outras pessoas que se reuniram para assistir. Virei-me, procurando Calantha e Ulrix, que deveriam estar guardando-o, mas eles haviam se juntado à multidão também. Rafe me lançou um olhar penetrante, acusando, como se eu a tivesse deixado entrar em um covil de lobos.
Lia cometeu erros idiotas na primeira mão. E na próximo. Ela já havia perdido um terço de suas fichas. Suas sobrancelhas estavam franzidas em concentração. Na mão seguinte, ela perdeu menos, mas ainda mais do que podia pagar. Ela balançou a cabeça, reorganizando suas cartas de novo e de novo, perguntando em voz alta ao governador ao lado dela o que era mais valioso, uma garra vermelha ou uma asa negra. Todos na mesa sorriram e apostaram mais alto, determinados a ganhar uma hora com Lia. Ela perdeu mais fichas, e seu rosto ficou sombrio. Ela mordeu o canto do lábio. Malich assistia suas expressões mais do que suas próprias cartas.
Olhei para Rafe. Um brilho de suor aparecia em sua testa. Outra mão. Lia segurou suas cartas mais perto, fechando os olhos por um momento como se estivesse tentando pensar em uma ordem que não estava lá. Os governadores fizeram suas apostas.
Lia fez a dela. Malich superou todos eles e revelou duas de suas cartas. Lia olhou para as próprias cartas novamente e balançou a cabeça. Ela acrescentou mais fichas para a pilha e revelou duas das suas, as mesmas duas cartas perdedoras que estivera revelando toda a noite. Os governadores aumentaram suas apostas, a última rodada. Assim fez Lia, empurrando a última de suas fichas para o centro da mesa. Malich sorriu, cobrindo a aposta dela e empurrando a sua pilha para o centro também. Ele mostrou suas cartas. Uma fortaleza de lordes.
Os governadores baixaram suas cartas, incapazes de vencê-lo.
Todo mundo esperou, sem fôlego, que Lia baixasse seus cartões. Ela franziu a testa e balançou a cabeça. Em seguida, olhou para mim. Piscou. Uma piscada lenta, tão longa quanto mil quilômetros.
Depois se voltou para Malich.
Um longo suspiro, contrito.
Ela mostrou suas cartas.
Seis asas negras.
Uma mão perfeita.
— Acho que as minhas vencem as suas, não é mesmo, Malich?
A boca de Malich estava aberta. E então uma gargalhada encheu a sala. Lia se inclinou e recolheu as fichas. Os três governadores assentiram, impressionados. Malich olhou para ela, ainda não acreditando que ela tinha feito. Por fim, ele olhou em volta, estando no meio da multidão e do riso. Ele se levantou, sua cadeira tombando atrás dele, o rosto sombrio com raiva, e puxou a adaga.
O assobio de uma dúzia de punhais desembainhados, incluindo o meu, ecoou em troca.
— Vá beber e esqueça isso, Malich. Ela o venceu de forma justa — disse o governador Faiwell.
O peito de Malich subia e descia, e seu olhar de ódio pousou em mim, então em minha faca. Ele virou-se bruscamente, tropeçando na cadeira atrás dele, e saiu da sala, quatro irmãos Rahtans seguindo em seus calcanhares.
Punhais foram guardados. O riso retornou.
Rafe estendeu a mão e limpou o suor de seu lábio superior. Ele tinha feito um movimento rápido em direção Lia quando Malich sacou a faca, como se para bloqueá-lo. Desarmado. Não era exatamente o comportamento de um cortesão desinteressado. Ulrix arrastou Rafe para longe, lembrando as suas funções anteriores.
Olhei novamente para Lia. Ela estava serena, com o queixo erguido enquanto seus olhos ainda encaravam o corredor agora vazio por onde Malich saíra. Seu olhar era frio e satisfeito.
— Reúna seus ganhos — ordenei.
Escoltei-a para fora do salão e de volta para o meu quarto. Quando fechei a porta e a tranquei, girei em direção a ela.
Ela já me encarava desafiadoramente, esperando.
— Você perdeu a cabeça? — gritei. — Tinha que humilhá-lo na frente de seus companheiros? Não é suficiente que ele já a odeie com o fogo de mil sóis?
Sua expressão era sombria. Insensível. Ela não teve pressa para responder, mas quando o fez, sua voz não tinha nenhuma emoção.
— Malich riu na noite em que me contou que tinha matado Greta. Ele regojizou-se com a morte dela. Disse que foi fácil. A morte dela não lhe custou nada. Custará agora. Todos os dias em que eu respirar, vou fazê-la custar-lhe algo. Toda vez que eu vir aquele mesmo sorriso presunçoso no rosto, vou fazê-lo pagar por isso.
Ela despejou seus ganhos na cama e olhou para mim.
— Então a resposta curta à sua pergunta, Kaden, é não. Não é o suficiente. Nunca será suficiente.

16 comentários:

  1. Eu gosto da Lia...
    Gosto MUITO da Lia...
    Especialmente nessas horas que ela samba na cara da sociedade
    kkkkkkkkkkkkkkk

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  2. Minha Morgana! Eu acho que amo a Lia kk ela é demais!

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  3. Sambando na cara dos inimigos kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ,lacre é lacre né amores

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  4. Oq ela fez ainda é pouco kkkk mas amei cara sério a Lia tem que humilhar msm dizendo" eu cheguei e to pronta pra causar"

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  5. Kkkkk exatamente! Pisa nele !!

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  6. Gostei e assim que se fala lia

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  7. Chegueeeeeeiiiiii, to preparada pra atacaaaarrr!!!!!! Kkkk. Lia sendo Lia


    Amanda Coelho

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  8. Serio, ainda to esperando a Lia mandar na porra toda!
    Agora o Rafe ta dando pala demais, Kaden não é nenhum idiota ganhou ele já

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  9. Cheguei, cheguei chegando, bagunçado a zona toda e qie se dane eu quero é que se explora, porque ninguém vai estragar o meu diaaa🎶🎶🎶
    Vai lia samba na cara dos inimigos ooooo

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  10. Nossa...que isso hein rsrsrs. Amei D +

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  11. Nossa...que isso hein rsrsrs. Amei D +

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  12. Tô shippando muito um bjo entre eles agora!!!! Lia aproveita e seduz o kaden além de dar uns bjos nesse gostoso!!!!!

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  13. miga sua louca, chegou para dominar o território machista. A Lia você me surpreende a cada pagina.

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  14. Ameiii.. ela fez igual a Abby Abernathy, com os irmãos do Trevis

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  15. Uhul! Segura esse lacre, Malich!

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Boa leitura, E SEM SPOILER!